animação

Yumiko Yoshioka em Tavira

Em Tavira, Portugal, o encontro alegre com a dançarina de butô e professora Yumiko Yoshioka. Poderia usar, como muitos, a palavra “mestra”. Gosto porém, da nobreza da palavra “professora” que, ao fiinal das contas, não guarda nenhum ranço místico e, portanto, aproxima efetivamente o aluno da coisa estudada.

Hoje, durante a oficina, a camiseta de Yoshioka anunciava uma pedagogia:

“Same
Same
But different”

Ou: “o mesmo, o mesmo, mas diferente”.

Lendo a frase, fiquei pensando nas vezes em que o estudante – e, no caso, estou falando de mim – ansioso por buscar coisas diferentes, diferentes, cede ao hábito. Sempre o velho novo.

Não é fácil resolver os enigmas da criação artística porque, antes, é difícil de sair do labirinto que somos.

Pós-doutorado em Londres

Estou em Londres para um semestre de pesquisa de pós-doutoramento na Goldsmiths University of London. Minha supervisora é Marie-Gabrielle Rotie. Aqui e acolá, atualizo esta página com pequenas pílulas da experiência vivida. 

Pot ora, partilho o resumo de meu projeto: 

“O objetivo da pesquisa é o estudo da trajetória e de princípios de criação e pedagogia da bailarina, coreógrafa e professora japonesa Yumiko Yoshioka. Formada por Ko Moruboshi (1947-2015) e Carlota Ikeda (1941-2014), Yoshioka é umas das fundadora do coletivo Ten Pen Chii e uma das representantes da terceira geração de dançarinas e dançarinos de butô – manifestação cênica fundada por Tatsumi Hijikata, no pós-guerra japonês. Yoshioka divide sua residência entre Berlim (Alemanha) e Tóquio (Japão), além de visitar inúmeros países anualmente (nas Américas do Norte e do Sul, Europa, Ásia e Oceania), ministrando workshops e apresentando espetáculos.

O seu trabalho pode ser tomado como representante de certa “diáspora” do butô na Europa. Historicamente, a dança butô tem como seu principal criador Tatsumi Hijikata (1928-1986) e como fundamental divulgador no mundo ocidental o bailarino Kazuo Ohno (1906-2010) – que influenciou artistas no mundo inteiro, recriando, ao seu modo, esta dança. Além dele, muitos artistas japoneses (como os já mencionados Ikeda  e Moruboshi, Min Tanaka, Natsu Nakajima, Anzu Forukawa, Minako Seki, Ushio Amagatsu etc.) mantém ou mantiveram estreita relação com a produção europeia, realizando estágios, dirigindo espetáculos e alguns deles residindo tempos neste continente.

Assim, a pesquisa será realizada tendo como pano de fundo o estudo do fenômeno intercultural nas artes da cena e as maneiras como se apreende a cultura japonesa no mundo globalizado.  

São previstos como procedimentos: a realização de um estágio no Department of Theatre and Performance of Goldsmiths University of London, sob supervisão da Professora Doutora Marie-Gabrielle Rotie, em Londres; o acompanhamento de workshops e apresentações de Yoshioka na Europa; entrevistas com esta artista; e estudos bibliográfico e filmográfico.”

 

É momento de estudar. Isso significa, sem dúvida, que é hora para ser feliz!