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Apresentação de “Chuva Pasmada” no Lume Teatro Tem Gosto de Volta para Casa

 

Chuva Pasmadacom Eduardo Okamoto e Alice PossaniTexto original: Mia CoutoDramaturgia: Cássio PiresDireção e Iluminação: Marcelo LazzarattoFigurinos e Cenografia: Warner ReisTrilha Sonora: Michael GalassoArte Gráfica: Alexandre CaetanoFotografia: Fernando StankunsProdução: Daniele Sampaio e Grupo Matula Teatro

 

“Chuva Pasmada”, parceria entre mim e Alice Possani, atriz do Grupo Matula Teatro, é dirigido por Marcello Lazzarato, professor do Depto. de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Nós dois nos formamos neste departamento, onde também desenvolvemos trabalhos de pós-graduação, e ainda hoje residimos em Barão Geraldo – distrito onde se localiza a UNICAMP. Por fim, ainda passamos longos períodos de treinamentos e estudos da atuação com o LUME – Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da UNICAMP. Por tudo isso, apresentar na sede do Lume Teatro tem gosto especial: o aconchego do retorno às origens.

 

Espantosamente, a despeito da grande quantidade de importantes trabalhos cênicos criados na cidade de Campinas, com frequência os seus cidadãos têm pouco acesso à esta produção. Isso, claro, é fundamentalmente explicado pelo grande e descabido descaso dos gestores públicos da vida cultural da cidade que, nos últimos anos, nem mesmo tiveram competência para manter abertos os seus teatros públicos. Atualmente, Campinas, cidade que tem mais de 1 milhão de habitantes, não possui uma única sala pública em condições de receber adequadamente um espetáculo teatral. Este contexto, no limite, obriga artistas de Campinas a procurar espaços e melhores condições de apresentação em outra paragens. Não raro, importantes artistas e coletivos de artistas formados e radicados na cidade optam por viver em outra localidade mesmo.

 

O resultado de tamanho absurdo é que o cidadão campineiro não pode fruir os bens simbólicos produzidos no próprio local onde vive. O cidadão, enfim, não vê representado como ficção (como realidade extraordinária) a sua própria vida cotidiana (a realidade ordinária). Muitos estudioso (entre eles a importante Profa. Dra. Suzi Frankl Sperber, também da UNICAMP) apontam que é o ato mesmo de produzir ficção que atribui sentido ao vivido. Ou, como nos diz o personagem de “Mar Me Quer”, de Mia Couto, “homem que não sabe contar história nem chega a ser pessoa”. A vida permanece, assim, em suspensão, como aquela água suspensa que, em “Chuva Pasmada”, também do escritor moçambicano, não se realiza em sua potência de chuva, permanecendo promessa.

 

Por tudo isso, a apresentação de “Chuva Pasmada” em Campinas é celebração! É um espetáculo voltando para casa. São os seus criadores apresentado no solo que escolheram como morada. É a partilha de uma obra com espectadores que compreendem o contexto em que ela foi gerada. Que essa chuva abra ainda mais movimento. Que, ao final da peça, possamos fazer como os seus personagens: agradecer!

 

Serviço: “Chuva Pasmada” no Lume Teatr0
Com Eduardo Okamoto e Matula Teatro
Dias 19 e 20/09 às 20h
Endereço: Rua Carlos Diniz Leitão, 150 Vila Santa Isabel – Barão Geraldo
Telefone:19 3289 9869
R$ 10,00 e R$ 5,00

Travessias Poéticas em São Paulo e Campinas

 

“Chuva Pasmada”, parceria de Eduardo Okamoto e Grupo Matula Teatro, compõe mostra que reúne espetáculos de Bahia, São Paulo, Pernambuco.  

 

Chuva Pasmadacom Eduardo Okamoto e Alice PossaniTexto original: Mia CoutoDramaturgia: Cássio PiresDireção e Iluminação: Marcelo LazzarattoFigurinos e Cenografia: Warner ReisTrilha Sonora: Michael GalassoArte Gráfica: Alexandre CaetanoFotografia: Fernando StankunsProdução: Daniele Sampaio e Grupo Matula Teatro

 

Desde a década de 1990, o chamado teatro de grupo impulsionou sobremaneira o teatro brasileiro. As primeiras décadas dos anos 2000, assinalam um novo impulso para  esta cena fundada em parcerias: a reunião de grupos de artistas com trabalhos afins em projetos conjuntos – coletivos de coletivos! Assim é Travessias Poéticas, mostra de espetáculos teatrais de distintos criadores, residentes em três diferentes estados brasileiros: “Chuva Pasmada”, de Eduardo Okamoto e Grupo Matula Teatro, de Campinas (São Paulo); “Gaiola de Moscas”, do Grupo Peleja, de Recife (Pernambuco); e “Mar Me Quer”, d’A Outra Companhia de Teatro, de Salvador (Bahia).

 

Em comum, estas obras apresentam – além de grande investimento em pesquisas poéticas, em que pese a noção do processo criativo como aprendizado técnico e ético da artesania cênica – a inspiração na literatura do moçambicano Mia Couto. Assim, os espetáculos que constituem a mostra tem na literatura (em conto, novela ou romance) o seu impulso de criação – ou, para acompanhar Mia Couto, o teatro tem “caroço” nas palavras de um Moçambique reinventado pelos livros.         

 

A mostra Travessias Poéticas, passará por seis cidades brasileiras: São Paulo e Campinas (em São Paulo), Salvador e Alagoinhas (na Bahia), Recife e Arco Verde (em Pernambuco). A estreia será no SESC Santo Amaro, em São Paulo, entre os dias 11 e 15 de setembro. Na semana seguinte, esta “trupe de trupes de artistas” desembarca em Campinas para, na sede do Lume Teatro, realizar apresentações de suas obras entre os dias 17 e 22.    

 

Além dos espetáculos, em cada uma das cidades haverá atividades formativas compondo a programação: oficinas de iniciação teatral (com duração de oito horas) voltadas para estudantes de escolas públicas; palestras acerca das relações entre a literatura e a criação cênica; intercâmbios em que os artistas participantes trocam procedimentos e experiências de trabalho.

 

Para saber a programação completa em cada cidade, acesse o site do projeto: <http://travessiaspoeticas.wordpress.com/>.

 

Serviço:
Travessias Poéticas em São Paulo
De 11 a 15 de setembro de 2012
SESC Santo Amaro
Endereço: Rua Amador Bueno, 505 – Santo Amaro
Telefone: 11 5541 4000
Entrada: R$ 3,00 a R$ 12,00 

 

Travessias Poéticas em Campinas 
De 17 a 22 de setembro de 2012
Lume Teatro
Rua Carlos Diniz Leitão, 150 Vila Santa Isabel – Barão Geraldo
Telefone: 19 3289 9869
R$ 10,00 e R$ 5,00 

 

 

Eduardo Okamoto no Clube da Leitura, no SESC Carmo

 

Em 31 de maio, às 19h, Eduardo Okamoto participa do Clube da Leitura, do SESC Carmo, na capital Paulista. Neste mês, o clube debate o livro “Estórias Abensonhadas”, do escritor moçambicano Mia Couto, publicado pela Editora Penguin – Cia das Letras. 

 

O Clube da Leitura é uma série de encontros mensais em que os leitores se reúnem para conversar sobre livros sugeridos pelo SESC, em parceria com a Editora Penguin – Companhia das Letras. O Clube de Leitura é um espaço alternativo em que o público pode compartilhar suas experiências literárias, dúvidas e impressões de leitura.

 

O livro escolhido para debate no mês, “Estórias Abensonhadas”, já motivou a criação de um trabalho de Okamoto: “Uma Estória Abensonhada”, em que dirigiu o Grupo de Teatro Camaleão, de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O espetáculo foi livremente inspirado num dos contos do livro, “A Praça dos Deuses”. Ali, um rico comerciante gasta toda a sua fortuna para celebrar em 40 dias e em praça pública o matrimônio do seu único filho.  

 

 

Além desta experiência, a obra do moçambicano Mia Couto já referenciou a criação de outros dois trabalhos com a participação de Eduardo Okamoto: “Eldorado” e “Chuva Pasmada”. O primeiro, monólogo de Okamoto, tem dramaturgia inédita criada por Santiago Serrano, mas muitas imagens do conto “O Cego Estrelinho” (do mesmo “Estórias Abensonhadas”) estimularam proposições do ator. O outro, parceria com o Matula Teatro, é adaptação de Cássio Pires para a novela homônima de Mia Couto. Os dois trabalhos foram dirigidos por Marcelo Lazzaratto.            

 

 

“Estórias Abensonhadas” no Clube da Leitura
Mediação de Eduardo Okamoto 
SESC Carmo – Área de Convivência, às 19h
Inscrições de 14 a 24 de maio pelo e-mail: biblioteca@carmo.sescsp.org.br
30 vagas 

Espetáculo “Chuva Pasmada” o oficina em S. J. Rio Preto e Bauru



Na próxima semana, o espetáculo “Chuva Pasmada”, parceria com Matula Teatro, se apresenta em Bauru e São José do Rio Preto. Nesta última cidade, o ator Eduardo Okamoto ministra a oficina “Dramaturgia do Corpo” na unidade do SESC Rio Preto.


SESC BAURU

Espetáculo “Chuva Pasmada”

Data: 26/05/2011 às 21h

Informações: 14 3235-1750 / sescbauru


SESC RIO PRETO

Espetáculo “Chuva Pasmada”

Data: 28/05/2011 às 20h / sescriopreto


Oficina: “Dramaturgia do Corpo” – com Eduardo Okamoto

Datas: 28 e 29/05/2011

Horário: 10h – 13h

Informações: 17 3216-9300 / sescriopreto

“Chuva Pasmada” no SESC São José dos Campos


 

Parceria de Eduardo Okamoto e Alice Possani, do Matula Teatro, “Chuva Pasmada” chega ao SESC São José dos Campos.

 

A apresentação é parte da circulação que o espetáculo realiza pelo interior de São Paulo.  Em 2011, 0 trabalho já se apresentou nas cidades de Santos, Riberão Preto, Araraquara e Campinas.

 

Depois de São José dos Campos, o  espetáculo ainda segue para Piracicaba e Bauru.   Em breve, publicaremos aqui mais detalhes.

 

Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui.

 

Serviço:

“Chuva Pasmada” no SESC São José dos Campos

Dia: 20/04/2011

Hora: 21h

Endereço: Av. Ademar de Barros, 999. Jardim São Dimas

Ingressos: de R$ 2,00 a 8,00

Informações: 12  3904-2000


Novos Vídeos de “Chuva Pasmada”



Em celebração à realização da Mostra Repertórios do Corpo, no SESC Campinas, lançamos a nova galeria de vídeos de divulgação do espetáculo “Chuva Pasmada” – trabalho em parceria com Alice Possani, do Grupo Matula Teatro . Reunimos, nessa galeria, clipe e entrevistas sobre o processo de criação do espetáculo.


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Invento-inventário: “Chuva Pasmada”



 

“Chuva Pasmada” é fruto de parceria com Alice Possani, do Grupo Matula Teatro, de Campinas. Sendo um dos fundadores desse grupo teatral, desde 2005, desenvolvo meu trabalho como ator independente.

 

Além de Alice, participa do espetáculo outro parceiro de constante: Marcelo Lazzaratto – diretor desse espetáculo e também de “Eldorado”, além de iluminador de “Agora e na Hora de Nossa Hora”.

 

O espetáculo revela, assim, uma das estratégias que tem tornado possível o meu trabalho como artista: o estabelecimento de parcerias que, como o meu próprio processo de estudo e formação como ator, se estendem para além da criação de um espetáculo. Essas parcerias que se repetem (como se pode ver nas minhas interações com o Lume Teatro, a produtora Daniele Sampaio e com a diretora Verônica Fabrini)  constituem uma espécie de rede de criação. Assim, se não chegamos a constituir exatamente um grupo de teatro nos moldes como se reconhecem os coletivos contemporâneos, partilhamos seguidamente diversas criações – ainda que as funções que cada um assuma num trabalho sejam diversas em outro. Verônica, por exemplo, é diretora de “Agora e na Hora de Nossa Hora”  e em “Eldorado” é figurinista.

 

Nessa possibilidade de criação que aos poucos vamos descobrindo,  os interesses de cada um ao redor de um trabalho são sempre móveis, assim como as soluções que encontramos para viabilizar a criação. Tudo o que está, num repente, já não é. Aqui, a criação é, em certo sentido, precária e, por isso mesmo, fecunda. Por um lado, quando reunimos uma equipe, não sabemos ser possível reuni-la novamente. Aí, o aspecto movediço e arriscado da empreitada: sustentar um projeto de estudo de longo prazo em parcerias flexíveis. De outro lado, conscientes dessa mesma liberdade, tornamo-nos abertos às diferentes perspectivas sobre os problemas da criação. Aí, o exercício pleno da alteridade: a aceitação de que diversos mundos podem co-existir.  Uma criação mais afeita aos sentidos da colaboração que ao pertencimento a um coletivo; mais inclinada a coerências provisórios que se instalam na composição da obra que a de identidade.

 

Assim, tudo o que escrevo sobre “Chuva Pasmada” é tão somente meu próprio ponto de vista sobre o espetáculo. Já vi Marcelo Lazzaratto e Alice Possani se expressarem de maneiras muito diversas dessa que faço. Todas elas possíveis!

 

Para mim, certamente diferente do que é para Marcelo, por exemplo, o espetáculo dá prosseguimento aos estudos sobre a dramaturgia de ator. Se em trabalhos anteriores, a criação fiou-se na apreensão e organização de materiais coletados pelo ator em observações de realidades cotidianas (pessoas, animais, imagens), aqui, igualmente isso fundamentou uma parcela do trabalho. Mas não tudo. Diferentemente dos espetáculos anteriores, aqui, a obra “Chuva Pasmada” (que também nomeia o espetáculo), escrita pelo moçambicano Mia Couto, foi ponto de partida. A própria adaptação de Cássio Pires antecede o trabalho dos atores em sala de ensaio. “Chuva Pasmada” é o único dos 04 espetáculos apresentados na Mostra Repertórios do Corpo que foi escrita antes dos ensaios se iniciarem.

 

Para nos aproximarmos de uma novo material criativo – o texto – sem abrir mão de procedimentos que fundaram outros trabalhos, procuramos, como estratégia, “observar” a obra literária. Isso se deu de duas maneiras: lemos com atenção a obra, procurando reconhecer, além da sua narrativa e seus acontecimentos, as pistas de corporeidades ali indicadas (um avô tão magro que poderia ser levado pelo vento, por exemplo; ou um menino tão pasmado quanto a chuva; um pai que, depois de retornar de muitos anos de trabalho nas minas, permaneceu ausente, não sendo o mais velho, mas o mais envelhecido de todos). Além disso, procuramos em imagens e pessoas ecos daquilo que líamos no texto – magreza, pasmaceira,  trabalho. Como que recebendo sugestões literárias e da realidade ordinária, os atores improvisavam procurando reagir corporalmente a esses referenciais.  Isso, como podem adivinhar aqueles que acompanham meus estudos, aprofundou minhas investigações sobre a observação e imitação – mimese corpórea.

 

Depois, esses materiais todos, em confronto com a fábula mesmo (o desenvolvimento da narrativa) foram transformados, adaptados. O que se vê em cena, assim, é resultado também de muitas interações.

 

“Chuva Pasmada” estimula novos passos em meus trabalhos sobre a dramaturgia de ator: revendo a abordagem da mimese corporal; possibilitando novas maneiras de interação com a literatura; fundamentando novos diálogos com o texto teatral.  Todas essas questões aguardam a sua teorização a apontam para novos campos de estudo, como a criação de um próximo trabalho a partir de uma dramaturgia da tradição euro-ocidental.

Novos Vídeos de “Uma Estória Abensonhada”



Em celebração à realização da Mostra Repertórios do Corpo, no SESC Campinas, lançamos a nova galeria de vídeos de divulgação do espetáculo “Uma Estória Abensonhada”. Reunimos, nessa galeria, novo clipe e entrevistas sobre o seu processo de criação.


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Invento-inventário: “Uma Estória Abensonhada”

 

 

O escritor Mia Couto celebrizou-se ao retratar em sua obra o período pós-guerra civil de Moçambique. O autor, no entanto, não se interessa pelo documentário das situações de conflito – a guerra e as suas histórias. Interessa a ele as situações de encantamento, os momentos em que, a despeito da barbárie e da violência, o humano ainda faz sobreviver o sonho: a magia que faz de cada homem uma pessoa. Mia Couto escreve, sobretudo, sobre estórias de guerra.

 

A obra desse escritor serviu de inspiração para a criação do espetáculo “Uma Estória Abensonhada”. O espetáculo é parte do trabalho de conclusão de curso dos atores Eduardo Colombo, Luciana Indaiá e Valéria Minussi, que se formaram em Interpretação Teatral pela Universidade Federal de Santa Maria, onde lecionei entre os anos de 2007 e 2009, e teve minha direção e orientação.

 

“Uma Estória Abensonhada” encena o conto “A Praça dos Deuses”, de Mia Couto. As origens desse processo criativo, no entanto, não se encontram na literatura, mas em apurada observação da realidade. No início do processo de criação, não se trabalhou sobre a obra literária, mas se procurou conhecer histórias anônimas. Interagindo com moradores das cidades de Santa Maria e região (interior do Rio Grande do Sul), os atores coletaram causos, músicas, ações, gestos, maneiras de falar, receitas de bolo e de felicidade. Nesses encontros, entreviram centelhas de vida, pequenos milagres possíveis. Assim, intuíram: os fatos da realidade ordinária poderiam estimular a criação da realidade teatral – extraordinária!

 

Os atores sintetizaram materiais físico/vocais observados em aproximadamente trinta pessoas, quatro animais, quinze fotografias e quinze pinturas. Esse repertório dos atores alicerçou toda a construção do espetáculo. Em cena não se deverá procurar uma adaptação da obra de Mia Couto, mas o nosso encontro com ele: um jogo entre as nossas histórias cotidianas e a estória contada por ele.

 

No conto “A Praça dos Deuses”, o rico comerciante Mohamed Pangi Pathel despende sua fortuna para fessejar, em praça pública, o matrimônio de seu único filho. Festa igual nunca mais se iria ver naquelas paragens. Nos trinta dias de duração dos festejos, a ilha inteira vinha e se servia às arrotadas abundancias. Em final surpreendente, o ismaelita segreda-nos uma desculpa, revelando os motivos de tão inesperada celebração.

 

Procurando potencializar essa revelação dos fatos cotidianos, que não se identifica com uma cultura específica, a encenação de “Uma Estória Abensonhada” não se restringe ao retrato de Moçambique pós-guerra. Aquela praça é o mundo inteiro. Nosso desejo é encontrar a humanidade toda nos encontros possíveis entre alguns homens.

 

Mostra Repertórios do Corpo no SESC Campinas

Depois de passar por Ribeirão Preto, a mostra “Repertórios do Corpo” chega ao SESC Campinas,   reunindo espetáculos e oficina do ator Eduardo Okamoto.

 

A mostra sintetiza resultados de seus estudos sobre a chamada dramaturgia de ator – modalidade de criação teatral fundada na organização de repertórios físico-vocais do atuante. Deste estudo foram desenvolvidos diversos espetáculos com a sua participação, como os solos “Agora e na Hora de Nossa Hora” e “Eldorado” (indicado ao Prêmio Shell 2009 como Melhor Ator), e as parcerias “Chuva Pasmada” (com a atriz Alice Possani, do Matula Teatro) e “Uma Estória Abensonhada” (em que dirige o Grupo Teatro Camaleão).

 

Em 2010, ano em que Eduardo Okamoto completou uma década de pesquisas continuadas sobre esse tema de trabalho, um evento-inventário denominado “10 Anos por uma Escrita do Corpo”, análogo a este “Repertórios do Corpo”, foi realizado nas cinco regiões do Brasil, passando por Natal, Belém, Goiânia, Belo Horizonte e Porto Alegre.

 

Confira a programação abaixo:


SERVIÇO MOSTRA “REPERTÓRIOS DO CORPO”

Local: SESC Campinas

Data: de o6 a 09/04.

Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00

Informações: 16 3977-4477

www.sescsp.org.br

Repertórios do Corpo no SESC Ribeirão Preto


Pela primeira vez em Ribeirão Preto, a mostra “Repertórios do Corpo” reúne três espetáculos do ator Eduardo Okamoto, Bacharel em Artes Cênicas, Mestre e Doutor em Artes pela Unicamp.

 

A mostra sintetiza o resultado de mais de uma década de pesquisa sobre a chamada dramaturgia de ator – modalidade de criação teatral fundada na organização de repertórios físico-vocais do atuante.

 

Deste estudo foram desenvolvidos diversos espetáculos com a sua participação, como os solos “Agora e na Hora de Nossa Hora” e “Eldorado” (indicado ao Prêmio Shell 2009 como Melhor Ator), e “Chuva Pasmada” (em parceria com a atriz Alice Possani, do Matula Teatro, e baseado no conto homônimo do escritor moçambicano Mia Couto).

Confira a programação abaixo:

 

Dia 29/03 às 21h

Espetáculo “Eldorado” – Indicação Prêmio Shell Melhor Ator 2009

 

Dia 30/03 às 21h

Espetáculo “Chuva Pasmada” – em parceria com a atriz Alice Possani, do Matula Teatro

 

Dia 01/04 às 21h

Espetáculo “Agora e na Hora de Nossa Hora” – Solo Premiado no Festival Internacional de Teatro Dança de Agadir – Marrocos

 

SERVIÇO MOSTRA “REPERTÓRIOS DO CORPO”

Local: SESC Ribeirão Preto

Data: 29 e 30/03, 01/04.

Ingressos: R$ 2,50 a R$ 10,00

Informações: 16 3977-4477

www.sescsp.org.br

 


Espetáculo “Chuva Pasmada” no SESC Araraquara


O ator Eduardo Okamoto volta a Araraquara para apresentação única de seu novo espetáculo: “Chuva Pasmada” – em parceria com a atriz Alice Possani do Grupo Matula Teatro.

 

A apresentação será no SESC ARARAQUARA no dia 31/03 às 20h.

 

Serviço:

Espetáculo “Chuva Pasmada”

Local: SESC Araraqura

Data: 31/03/2011 às 20h

Ingressos: R$ 5,00 a R$ 20,00

Informações: 16 3301-7500

www.sescsp.org.br

 


Chuva Celebrada


O espetáculo “Chuva Pasmada” fundamenta-se na obra de Mia Couto. A gênese deste processo criativo, no entanto, não se limita à matéria literária: inclui os festejos de dez anos de trabalhos do ator Eduardo Okamoto e do Grupo Matula Teatro. Chuva é celebração.

 

O espetáculo marca o reencontro de Alice Possani, atriz do Matula, e Eduardo Okamoto, um dos fundador deste grupo e que, a partir de 2005, seguiu carreira solo. Em 2010, ano de estréia deste novo trabalho, ator, atriz e grupo completam dez anos de trajetórias (às vezes em caminhos próximos; outras, autônomos).

 

E se o texto de Mia Couto é escrito de passagens – tratando de amor, crescimento, amadurecimento, morte -, esta “Chuva” é também trânsito para novas experiências. É certo que há de se celebrar os dez anos em que jovens artistas de teatro se dedicam a um projeto artístico de longo prazo, construído no tempo – que sempre nos faz outros. Mas também há de se celebrar os anos vindouros que o tempo precedente aponta. Esta nossa chuva, que nunca esteve pasmada, há também de preparar para o fluir de um rio sempre nascente.

 

Na abertura ao novo, os atores aproximaram-se de outros artistas, como o encenador Marcelo Lazzaratto e o dramaturgo Cássio Pires. Ambos, com linhas de estudo distintas daquelas que marcam as trajetórias de Matula e Okamoto, puderam referenciar a criação com novos procedimentos – como o uso da palavra, matéria pouco explorada em trabalhos anteriores fundados em linguagem corporal. Na reunião das diferenças, realizamos em processo criativo a provocação de Mia Couto: coração sempre começando no peito de outra pessoa.

 

 

Processo de criação

Em “Chuva Pasmada” os atores valeram-se dos procedimentos da mimese corporal, mas apontaram para pontos de pesquisa ainda pouco estudados: as suas relações com um texto dramatúrgico previamente escrito – o conto de Mia Couto e a adaptação de Cássio Pires. Assim, ao mesmo tempo em que coletavam materiais para a criação de personagens, os atores desenvolveram trabalhos de leitura e entendimento de texto. Um dos fundamentos do trabalho reside justamente no equilíbrio entre matéria dramatúrgica e materiais físico-vocais codificados pelos atores.

 

Um dos desafios da interpretação residia numa dificuldade: apenas dois atores deveriam apresentar a grande quantidade de personagens do texto literário. Isto de certa maneira “pressionou” os artistas na consolidação da linguagem do espetáculo, com atores desdobrando-se em narradores e diversos personagens. Aqui, o trabalho de mimese foi fundamental: ampliando o repertório dos atores, oferecendo grande quantidade de materiais à criação.

 

A leitura que a equipe de criação imprimiu ao conto moçambicano trouxe outra dificuldade: interessava não a leitura típica das relações étnicas (sociais, históricas, mítico-religiosas etc) dos povos africanos, mas a leitura arquetípica das relações humanas. Assim, mais que identificar cada ator a um personagem, interessava identificar cada atuante a todos os personagens: a potência humana de assumir diversos papéis: Homem, Mulher, Velho, Menino . Isso levou a nova provocação para os atores. Cada personagem seria representado por mais de um ator, sem a utilização de referencias de cenografia e figurinos. A equipe de criação se perguntava: como, somente com seus corpos, as personagens poderão “viver” em diferentes atores? Como fazer o público reconhecer um mesmo personagem ainda que existam diferenças entre os corpos de um ator e de uma atriz? Aqui, o desafio foi mantendo as características de cada ator aproximar “eixos” de personagens.

 

“Chuva Pasmada” é fundado no trabalho do intérprete, com poucos recursos cenográficos e de figurinos. Num processo inaugurado em confronto de matéria literária com “material de ator”, o espetáculo acaba por sintetizar-se na idéia da palavra tornada corpo: com imagens literárias alimentando a criação de matrizes físicas; com matrizes vocais imprimindo novos sentidos às palavras; com o discurso verbal provocando novas sensações ao discurso não-verbal.

“Chuva Pasmada” no Olho do Furacão



Transcrevemos, abaixo, a crítica de Kil Abreu para o espetáculo “Chuva Pasmada”, apresentado no Fentepp 2010.


 

Nesta versão teatral do conto de Mia Couto, defendida por Alice Possani e Eduardo Okamoto, sobressai uma vez mais algo recorrente na cena brasileira dos últimos anos: a visita ao tema da cultura comunitária, temporalmente recuada e que deixa ver um tipo de sociabilidade em que a vida surge ainda nas bases de um compartilhamento possível, de aspirações coletivas quanto aos sentidos da existência. É esta perspectiva que dimensiona o caráter filosófico que a montagem tem. O dado de dramaticidade está no ruído que, inesperado, aparece para perturbar a ordem deste mundo visível na sua totalidade de valores. É a fenda aberta naquela realidade pacífica o que gera o interesse teatral.

 

No Brasil o gosto por estas dramaturgias pode ser visto em projetos artísticos como o do grupo Lume (Café com queijo é exemplar) e a linhagem de pesquisas orientadas pela antropologia teatral. Mas está também em autores cujos propósitos e estéticas são bem diversos, como Newton Moreno (pensemos em Agreste e Assombrações do Recife velho) e Luis Alberto de Abreu (Maria peregrina, Borandá e outras). Além destes, que mantêm trabalhos de excelência, há um sem número de artistas e grupos tateando campos parecidos. De todo modo há a disposição para formalizar um imaginário social que ganha maior sentido e utilidade não apenas pelo que representa de recuo nostálgico a modos de convivência hoje praticamente perdidos, mas porque estes modos contrastam violentamente com a nossa própria maneira de viver no presente.

 

A começar pelo que talvez pudesse ser o ponto de chegada deste argumento, podemos dizer então que Chuva Pasmada é um espetáculo bonito e útil porque, como nos bons exemplos desta linhagem, deixa claro, ainda que nas entrelinhas, o contraste daquele mundo com as relações atuais, em tudo fragmentadas e cada vez mais distantes da possibilidade de visualização como totalidade. De dentro da sua expectativa fabular a narrativa nos alerta para uma solidão que se anuncia terrível e, pior, paradoxal, porque se dá no olho do furacão de uma dinâmica social, a nossa, em que se proclamam justo os ganhos da interação instantânea que, no entanto, são sempre parciais e altamente mediados.

 

Tendo como tarefa dar concretude ao narrado a dupla de atores, sob a orientação de Marcelo Lazzaratto, transita com grande interesse pelas dobras da história. Tem a seu favor a dramaturgia de Cassio Pires, que faz pacto de convivência com o que é fundamental no conto, aquilo que se convencionou chamar “relato simples”, um gênero de épica das origens que mantém assento na oralidade tradicional, ainda que aqui ela apareça revestida com o acabamento de uma voz literária particular.

 

Em um dedicado trabalho de investigação das imagens que o texto oferece, Alice e Okamoto usam sofisticado repertório atoral, com apoio na gestualidade que, referente aos personagens e situações, não quer mimetizá-los à risca, preferindo a estilização. É um caminho que deixa como ganho o desenho necessário das ações e os espaços livres para uma atuação dinâmica que envolve o relato e a mímesis a um só tempo. São performances sustentadas e empáticas que, entretanto, ainda deixam em suspenso (para usar uma imagem do conto) algo importante. Há grande eficácia na composição das personagens, na chave escolhida. Isto garante uma parte do efeito e do interesse que temos no acompanhamento da narrativa. Mas, salvo engano, ainda será preciso dedicar a mesma atenção quanto ao desenrolar mais exterior das ações. A sintonia fina que é possível ver na construção dos papéis ainda carece de investimento na área da narração. É que o conto, por simples que pareça, tem uma estrutura com muitas dobras, que incluem informações e sentidos. Não temos, por hora, a clareza necessária sobre estas informações, o que por fim acaba prejudicando a apropriação dos sentidos.

 

É claro que com isto não se diz que o espetáculo deva levar o espectador tendenciosamente a um sentido, o que seria traição à abertura poética que a dramaturgia preserva. Entretanto, trata-se de uma narrativa exemplar que tem, sim, um campo de possibilidades de leitura circunscrito ou ao menos esperado. Esclarecer melhor o andamento das ações, as relações de causa e consequência não no aspecto dos seus efeitos, mas do que há nelas de mais objetivo, qual seja, as suas circunstâncias, certamente vai favorecer muito a leitura final que, assim, poderemos fazer com as nossas chaves próprias. Isto seria tão importante quanto o estado, a atmosfera cênica que já estão bem instalados no espetáculo (e, neste capítulo, com a colaboração fundamental da trilha pensada por Michael Galasso).

 

É uma difícil e por isso bela tarefa artística. Mas tem como operadores um time de muita qualidade, pela importância mesmo dos seus respectivos trabalhos e, sobretudo, pelo nível de inquietação que podemos ver neles. Então o reclamo por uma apropriação mais efetiva da platéia na relação com a montagem talvez ainda interesse. Por comum, esta seria também uma forma de articular, nesta idéia de um compartilhamento mais generoso, uma resposta possível àquela dor da época que – supomos – Mia Couto intui com razão, mesmo que a represente subliminarmente.

Fonte: Kil Abreu / Foto: Fernando Martinez


Estréia “Chuva Pasmada” no Sesc Pompéia


Hoje às 21h, no Novo espaço Cênico do SESC Pompéia,  estreia a temporada do espetáculo Chuva Pasmada! Espetáculo em parceria com o Grupo Matula Teatro.

 

 

De 22/10 (hoje) à 14/11 (com exceção do dia 31/10)

Sextas e Sábados às 21h; Domingos às 19h.
Ingressos de R$ 3,00 a R$ 12,00
SESC Pompéia: Rua Clélia, 93 – São Paulo-SP