animação

Programa de Cursos 2017 da SIM! Cultura

 


 

A elegância recomenda discrição. No último domingo, porém, uma tímida flor de orgulho nasceu. A oficina de Ma Zhenghong e Alejandro Gonzáles Puche encerrou o Programa de Cursos 2017 da Sim! Cultura. Pelo Estúdio SIM!, em Campinas, passaram cursos de criação (com Alice K e Maria Thais, além do colombiano e da chinesa já citados) e de produção (com Daniele Sampaio e Rômulo Avelar). O nível do debate foi alto não só porque havia professores inspirados e inspiradores, mas também porque houve turmas de alunos interessados e interessantes. A felicidade, assim, não poderia ter sido maior!
 

O encerramento do curso, no domingo, serve bem como alegoria desta nossa alegria! Os dois docentes estudaram no GITIS, o Instituto Estatal de Artes Teatrais, e trabalharam com Valiliev e Famenko. Em seus estudos, tomaram conhecimento de uma das tentativas inaugurais de Michael Chékhov em sistematizar a sua pedagogia para atores: o seu trabalho com atores do Teatro Estatal da Lituânia, em 1932. Depois, sua experiência ficou mundialmente famosa pelo seu trabalho nos Estados Unidos e, sobretudo, por livros como “Para o Ator” (o mais difundido, no Brasil). Acessando uma desconhecida publicação (mesmo na Rússia, já que, lembre-se, Chekhov foi considerado místico demais para padrões da URSS), os dois docentes traduziram o volume para o espanhol e para o chinês. Para isto, criaram um grupo de estudos que experienciou cada um dos exercícios antes da versão para outras línguas. Se não for forçar muito a imagem, podemos falar numa espécie de “análise ativa” da obra que viabilizou a tradução.
 

No Estúdio SIM! Alejandro e Ma compartilharam este saber (que já partilham até mesmo em território russo) e, ao final, ainda presentearam cada um dos alunos com o livro, em espanhol (este da foto): “16 lecciones y otros materiales”. O volume contém a descrição do trabalho de Chekhov na Lituânia e textos de Maria Knébel e Alejandro Gonzáles Puche.
 

Já seria muito orgulho poder dizer que, aqui, tivemos acesso a saberes aos quais dificilmente chegaríamos não fosse através das pessoas que cá estavam. Isto é muito. Mas não é tudo: também se criaram laços de afeto e desejo de projetos futuros. Talvez aí, a força do teatro: o encontro no aqui-agora semeando vontades de fazer mais por nós e pelo mundo!
 

A alegria, enfim, pode ser uma incrível plataforma de aprendizado! Viva!
 

Para saber mais sobre o que rolou, clique: http://www.simcultura.art.br/programadecursos/. Em breve, divulgaremos o programa 2018!

Pedagogia continuada

 

Solos
Foto: Luciana Orvat

O trabalho cotidiano do ator está muito além da cena. Isto é, para além dos resultados revelados no espetáculo teatral, há a permanente investigação das potências de seu corpo, voz, imaginação etc.

 

Algumas pessoas nomeiam este espaço do trabalho sobre si como “treinamento de ator”. O uso desta palavra, treinamento, desperta debates diversos: afinal, é possível treinar habilidades que tornem o ator apto à cena? Mais: sendo o teatro invenção, como é possível treinar habilidades para linguagens ainda não conhecidas? O treino, então, só nos tornaria aptos à realização do que já conhecemos?

 

Lembremos que, na segunda metade do século XX, o diretor polonês Jerzy Grotowski renovou o uso desta palavra. Para ele, o treino é o espaço em que o ator se vê com o a realidade do ofício que escolheu. Depois de apropriações muitas, porém, a palavra desgastou-se e, não raro, é tomada como manual que torna um ator um “ator melhor” – sendo isso pressionado por muitas concepções técnicas, poéticas, filosóficas, espirituais.

 

Aprendi com a diretora e professora Maria Thais uma outra prática: pedagogia. A diretora lembra que no teatro russo são tênues os limites entre criação e aprendizado. Ora, enquanto criamos a cena criamos igualmente os procedimentos técnicos necessários a ela. Neste sentido, o espaço pedagógico não estaria limitado ao espaço formal da escola de teatro. Ao contrário, a pedagogia confunde-se com um estado permanente em que o artista se abre às experiências que o atravessam, aprendendo com elas.

 

Neste limite entre criação, pedagogia e pesquisa, tudo ensina. Daí a profunda necessidade do artista da cena manter espaços de investigação e estudo. Como, enfim, viabilizar em si o aprendizado proporcionado pelo exercício cotidiano do teatro? Estar pronto, lembro de Shakespeare, não é se considerar apto, acabado, mas em prontidão.

 

Inscrições prorrogadas!

Cursos de Fevereiro e Março 2016 :: SIM! Cultura

 

 

A SIM! Cultura – produtora capitaneada por Daniele Sampaio e responsável pelos trabalhos do ator Eduardo Okamoto – promoverá a segunda edição dos Cursos de Fevereiro e Março em sua sede, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas-SP.

 

As inscrições estão prorrogadas até 01/12/2015.

Abaixo, seguem mais informações sobre os cursos e como se inscrever:

 

 

PALAVRAS NO CORPO – UM ATOR-NARRADOR

Datas: 15 a 19/02/2016 – segunda a sexta das 9h às 13h

Carga Horária: 20h

Ministrante: Maria Thais – Cia Teatro Balagan    

 

 

Release

Palavras no corpo – um ator-narrador elege como prática criativa  para o ator o trabalho com a palavra, explorando a sua característica de ser uma “arma que atravessa territórios”  etransitar entre temporalidades distintas. Verticaliza-se a materialidade do corpo da palavra e sua potencia relacional – de afetar e ser afetado, de ajustar-se ao ambiente -, de tornar visível o invisível, de criar outros mundos. Como matéria poética serão experimentados pequenas narrativas que compõe o livroEspelhosGêmeos – pequeno tratado das perversões, de Péricles Prades investigados a partir de um operador comum: o  Ato –  verbal e gestual – que evocado ou encarnado pelo/no ator, cria a expressão cênica. No trabalho com o corpo e a palavra o trânsito através das imagens, sujeitos e perspectivas sugere uma atitude para o ator análoga à do caçador, que ao  adentrar um campo desconhecido não submete os materiais e o próprio processo criativo a estruturas e modos de fazer predeterminados mas, ao contrário, se dispõe ao desconhecido, ao silêncio, à escuta.

 

Público Alvo

Atores, dançarinos e estudantes de teatro e dança

 

Vagas

12 vagas

 

 

Processo de Seleção

Os interessados deverão preencher o formulário de inscrição neste LINK até 01/12/2015. A relação dos selecionados será publicada no dia 07/12/2015, quando então a inscrição na oficina poderá será formalizada.

 

 

Currículo da Ministrante

Autora do livro Na Cena do Dr. Dapertutto: Poética e Pedagogia em V.E. Meierhold, Editora Perspectiva, SP, 2010. Professora e pesquisadora do Departamento de Artes Cênicas da ECA/USP, na área de interpretação
e direção e no Programa de Pós-graduação em Artes. Foi diretora (2007/2010) do TUSP – Teatro da Universidade de São Paulo. Diretora Artística da Cia Teatro Balagan com quem encenou os seguintes espetáculos: Prometheus – a tragédia do fogo (2011/12), Západ – A Tragédia do Poder (2006/2007), Tauromaquia (2004/2006), A Besta
na Lua (2003/2004), Sacromaquia (2000/2001) e realizou o projeto
de pesquisa Do Inumano ao mais-Humano (2008/2009). Curadora do ECUM – Centro Internacional de Pesquisa sobre a Formação em Artes Cênicas (2010/2011). Consultora Pedagógica da SP Escola de Teatro (2010). Colaborou (1999 a 2006) como diretora-pedagoga com a Moscow Theatre – Scholl of Dramatic Art, Moscou/Rússia, dirigida por Anatoli Vassiliev e foi coreógrafa no espetáculo A Ilíada. Dirigiu ainda os espetáculos: Olhos d’Agua (2004), com a Cia Ismael Ivo, uma produção da Haus der Kulturen der Welt, em Berlim/Alemanha; e Dorotéia – um estudo (2004), de Nelson Rodrigues no Festival Intercity São Paulo,
em Firenze/Sesto Fiorentino – Itália. Foi professora do Departamento
de Artes Cênicas (1993/2002) do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e Responsável (1990-1992) pela concepção, implantação e coordenação do projeto Escola Livre de Teatro, do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Santo André.

 

 

SERVIÇO  Curso: Palavras no Corpo – Um Ator-Narrador

Datas: 15 a 19/02/2016 – segunda a sexta das 9h às 13h

Carga Horária: 20h

Ministrante: Maria Thais – Cia Teatro Balagan

Investimento: R$600,00

Formas de pagamento:

1- À vista

2- Depósito Bancário em até 3x

3- Cheques em até 4x

4- Cartão de Crédito em até 10x* (consultar condições)

Mais informações: cursos@simcultura.art.br

 

 

 

 

QUANTO A MIM VAI SER ALEGRE

QUE AINDA NÃO FOI DADO ESTABELECER

COM O MENOR GRAU DE PRECISÃO O QUE SOU    

 

 

Oficina baseada em fragmentos de “O Inominável” de Samuel Beckett e do “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa.

Datas: 22 a 27/02/2016– segunda à sábado das 9h30 às 13h30

Carga Horária: 24h

Ministrante: Tatiana Motta Lima

 

 

Release

Os textos de BECKETT e PESSOA podem ser vistos como mapas que indicam modos de ser/fazer – modos de subjetivação – que ‘bagunçam’ nossas idéias e práticas mais imediatas de indivíduo, sujeito, personalidade, e, portanto, de ator e de personagem. Esses textos permitem vislumbrar diferentes linhas de fugas desse “eu” a que estamos submetidos, esse “eu” que come, recorta e nomeia experiências dispares a partir de um mesmo ponto de vista, produzindo uma enunciação identitária para aquilo que poderia ter potencial de desagregar, ampliar e diferenciar. A oficina buscará investigar relações entre textualidade, oralidade, corporeidade e subjetivação, que apontem para a possibilidade de uma atuação ‘outra’: múltipla, desmembrada, falhada, apagada, extremamente consciente e que, ao mesmo tempo, ache alegre ainda não ter estabelecido com o menor grau de precisão o que é.

 

 

Obs: O/A participante deverá prever que, antes do começo da oficina, será convidado a

1) memorizar um texto de mais ou menos 1 página,

2) preparar uma pequena cena (3 minutos) a partir de fragmentos de textos de Beckett e Pessoa previamente selecionados pela ministrante e

3) ler alguns – poucos – textos teóricos que dialogam com o trabalho.

 

 

Público Alvo

Atores, dançarinos e estudantes de teatro e dança

 

 

Vagas

12 vagas

 

 

Processo de Seleção

Os interessados deverão preencher o formulário de inscrição neste LINK até 01/12/2015. A relação dos selecionados será publicada no dia 07/12/2015, quando então a inscrição na oficina poderá será formalizada.

 

 

Currículo da Ministrante

Tatiana Motta Lima é professora e pesquisadora do Departamento de Atuação e dos programas de pós graduação, PPGAC e PPGEAC, da UNIRIO. É professora colaboradora da Pós Graduação em Artes da Cena da UNICAMP. Ela é estudiosa do trabalho de Jerzy Grotowski e doWorkcenter, tendo escrito, além de inúmeros artigos, o livro “Palavras Praticadas: O Percurso Artístico de Jerzy Grotowski, 1959-1974” (Perspectiva). Tatiana também pesquisa e escreve sobre atuação e pedagogia do ator, tendo ministrado oficinas para atores e bailarinos e realizado conferências no Brasil, em alguns países da América Latina e em Portugal.  Ela é bissextamente atriz e diretora.

 

 

SERVIÇO

Curso: QUANTO A MIM VAI SER ALEGRE QUE AINDA NÃO FOI DADO ESTABELECER COM O MENOR GRAU DE PRECISÃO O QUE SOU

Datas: 22 a 27/02/2016 – segunda à sábado das 9h30 às 13h30

Carga Horária: 24h

Ministrante: Tatiana Motta Lima

Investimento: R$650,00

Formas de pagamento:

1- À vista

2- Depósito Bancário em até 3x

3 – Cheques em até 4x 4- Cartão de Crédito em até 10x* (consultar condições)

Mais informações: cursos@simcultura.art.br

 

 

 

 

PRODUÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS CULTURAIS

Datas: 05, 06, 12 e 13/03/2016 –sábados e domingos das 10h às 18h

Carga Horária: 24h

Ministrante: Daniele Sampaio      

 

 

Release

É função do produtor cultural a elaboração de estratégias que tornem possíveis a criação e a fruição de bens simbólicos. O curso parte desta dimensão do fazer cultural, procurando localizá-la como ação. O seu objetivo é oferecer aos participantes instrumentos para a elaboração e gestão de projetos culturais nas artes cênicas. A partir de conteúdo teórico e prático, envolvendo o debate sobre a relação entre o processo de criação e a sua administração, o curso contemplará o histórico das políticas públicas no Brasil, elaboração e gestão de projetos culturais; etapas da produção executiva; criação de identidade visual e plano de comunicação.

 

 

Conteúdo programático

 

 

05/03/2016 das 10h às 18h

  • Políticas Culturais no Brasil;
  • Histórico de Ações do Ministério da Cultura;
  • Produção e Gestão Cultural.

 

 

 

06/03/2016 das 10h às 18h

  • Elaboração de Projetos Culturais (Apresentação; Objetivos; Justificativa);
  • Planejamento Estratégico (Cronograma e Orçamento);
  • Atividade prática.

 

 

 

12/03/2016das 10h às 18h

  • Apresentação dos grupos;
  • Gerindo o seu projeto: Etapas de Pré-produção, Produção e Pós-Produção;
  • Ações da Produção Executiva.

 

 

13/03/2015das 10h às 18h

  • Plano de Comunicação (identidade visual e estratégias de divulgação);
  • Avaliação (feedback) e Encerramento.

 

 

Público Alvo

Jovens produtores, atores, dançarinos, estudantes e interessados em conhecer os procedimentos da elaboração, produção e gestão de projetos culturais.

 

 

Vagas

16 vagas

 

 

Processo de Seleção

Os interessados deverão preencher o formulário de inscrição neste LINK até 01/12/2015. A relação dos selecionados será publicada no dia 07/12/2015, quando então a inscrição na oficina poderá será formalizada.

 

 

Currículo da Ministrante

Bacharel em Ciências Sociais pela UNICAMP, Daniele Sampaio é gestora da SIM Cultura! e produtora do ator Eduardo Okamoto desde 2006. Responsável pela produção dos espetáculos “Agora e na Hora de Nossa Hora” (2004) – Prêmio de Melhor Atuação Masculina no Festival de Agadir (Marrocos), “Eldorado” (2008) – indicado ao Prêmio Shell Melhor Ator 2009 -, “Chuva Pasmada” (2010) em parceria com o Matula Teatro e indicado ao Prêmio CPT 2010 de Melhor Elenco, e “RECUSA” (2012) – espetáculo da Cia Teatro Balagan no qual Okamoto atua como convidado -, indicado a 11 prêmios e contemplado no Prêmio APCA 2012 de Melhor Atuação para Eduardo Okamoto e Antonio Salvador, Prêmio Shell 2012 de Melhor Direção para Maria Thais, Prêmio Shell 2012 de Melhor Cenário para Márcio Medina e Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro 2012 de Pesquisa Musical e Espetáculo de Sala.   Aprovou diversos projetos em editais culturais e participou de importantes festivais nacionais e internacionais (Suíça, Alemanha, Espanha, Kosovo, Marrocos, Escócia, Polônia). Desde 2009, ministra cursos de “Produção e Gestão para as Artes Cênicas” e “Elaboração de Projetos Culturais” em diferentes cidades brasileiras.Em paralelo ao trabalho com o ator Eduardo Okamoto, presta consultoria em produção e gestão de projetos culturais para artistas e grupos de teatro.   É pesquisadora de Políticas Culturais, sendo bolsista na  Fundação Casa de Rui Barbosa (RJ) – instituição pública federal vinculada ao Ministério da Cultura – entre 2012 e 2014. Atualmente, é mestranda em Artes da Cena na UNICAMP, onde pesquisa a ação da produção em trajetórias artísticas com caráter investigativo.

 

 

SERVIÇO Curso: Produção e Gestão de Projetos Culturais

Datas: 05, 06, 12 e 13/03/2016 – sábados e domingos das 10h às 18h

Carga Horária: 24h

Ministrante: Daniele Sampaio

Investimento: R$500,00

Formas de pagamento:

1- À vista

2- Depósito Bancário em até 3x

3- Cheques em até 4x

4- Cartão de Crédito em até 10x* (consultar condições)

Mais informações: cursos@simcultura.art.br

“Recusa” na Cidade Tiradentes, São Paulo

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Agora, no mês de outubro, mais precisamente nos dias 21 e 22, o ator Eduardo Okamoto irá apresentar, com a Cia de Teatro Balagan, o espetáculo, Prêmio Shell 2012 de Melhor Direção e Melhor Cenário, “Recusa”, na Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes.   Veja, aqui, mais informações sobre o processo e o espetáculo.

 

“Recusa” é narrado, cantado, por dois olhares e seus múltiplos: dois índios Piripkura; dois heróis ameríndios, Pud e Pudleré, criadores dos seres; um padre que foi engolido por uma onça que resolveu morar dentro de um lugar inesperado; um fazendeiro que matou um índio e o mesmo índio que o matou, por uma cantora que se perde na mata, por Macunaíma e seu irmão, os heróis dos Taurepang, e outros tantos.


 

Ficha Técnica

ATUAÇÃO: Antonio Salvador e Eduardo Okamoto (ator convidado)

ENCENAÇÃO: Maria Thaís

DRAMATURGIA: Luís Alberto de Abreu

CENOGRAFIA E FIGURINO: Márcio Medina

ILUMINAÇÃO: Davi de Brito

DIREÇÃO MUSICAL: Marlui Miranda

PREPARAÇÃO DE BUTOH: Ana Chiesa Yokoyama

ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO: Gabriela Itocazo

ASSISTÊNCIA DE CENOGRAFIA: César Santana

ASSISTÊNCIA DE ILUMINAÇÃO: Vânia Jaconis

OPERAÇÃO DE LUZ: Bruno Garcia

ADMINISTRAÇÃO: Deborah Penafiel

COSTUREIRA: Judite Lima

FOTOGRAFIA MATERIAL GRÁFICO E DIVULGAÇÃO: Ale Catan

PROJETO GRÁFICO: daguilar.com.br

ARTE GRÁFICA CIA TEATRO BALAGAN: Gustavo Xella

PRODUÇÃO EXECUTIVA: Norma Lyds

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Daniele Sampaio

 

 

Serviço

Onde: Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes (CFCCT) – Av. Inácio Monteiro, 6900, 3º piso – Cidade Tiradentes, São Paulo – SP.

Quando: 21 e 22 de outubro de 2015

Horário: 20h

Ingressos: Serão distribuídos

1h antes do espetáculo na bilheteria do teatro, entrada gratuita.

Mais informações: (11) 3667 4596  acesse aqui.

 

A SIM! Cultura promoverá cursos em Campinas

 

Início de ano é certo que as sedes dos grupos de teatro em Barão Geraldo –  Campinas – SP, estarão efervescentes, falantes, rodopiantes! A programação cultural é intensa: os grupos oferecem cursos, palestras e demonstrações técnicas. O Distrito começa o mês de fevereiro com “O Festival Internacional de Teatro de Campinas” e chega ao final dele com o “Simpósio Internacional Reflexões Cênicas Contemporâneas”.

 

No ano de 2015, a SIM! Cultura – gerida por Daniele Sampaio, acompanhando este importante movimento na cidade de Campinas, promoverá cursos em fevereiro e março. 

 

Processo de Seleção

Os interessados deverão preencher formulário online até 18/12/2014 e aguardar o resultado da seleção no dia 19/12/2014 para formalizar a inscrição no curso.

 

Confiram a programação:

 

DRAMATURGIA DE ATOR E DRAMATURGIA DE AUTOR

Ministrante: Eduardo Okamoto

Período: 02/02/2015 a 07/02/2015 de segunda a sexta das 18h às 22h,

sábado das 14h às 18h.  

Duração: 24h

Investimento: R$ 500,00

Formas de Pagamento: boleto, débito e parcelamento em 10 vezes no cartão de crédito.

Público alvo: atores, bailarinos, estudantes de artes da cena. 

Vagas: 10

Texto de trabalho: O Armazém Zoológico, de Kenzaburo Oe

 

Sinopse: O curso propõe uma certa justaposição de narrativas: corporais, vocais e textuais. Para isto, parte-se de uma experiência prática: uma abordagem possível do texto do autor japonês Kenzaburo Oe. Com este trabalho prático, Eduardo Okamoto partilha seus estudos sobre este autor que, em 2015, estarão sintetizados no espetáculo OE. O trabalho envolve a percepção do corpo como narrativa: a experiência tornada corpo. (Confira o texto completo)

 

 

JOGO E O PERIGO – ESTUDOS DE CENAS A PARTIR DO TEXTO NEVA DE  GUILLERMO CALDERÓN
Ministrante: Maria Thaís
Período: de 25/02/2015 a 01/03/2015, de quarta a sexta das 18h às 22h,

sábado e domingo das 14h às 18h.   
Duração: 20h
Investimento: R$ 550,00 

Formas de pagamento: boleto, débito e parcelamento em 10 vezes no cartão de crédito.
Público alvo: atores, bailarinos, estudantes de artes da cena. 
Vagas: 10
Materiais: Ter lido a obra Neva, de Guillermo Calderón (que será encaminhado para os inscritos, via e-mail). Roupa para o trabalho técnico; roupa para o trabalho com as cenas.  

 

Sinopse: O curso parte da proposição de um jogo: a criação de estudos de cena a partir do texto Neva, de Guillermo Calderón. Assim, aborda praticamente o estudo da escritura cênica a partir do atrito de dois textos – aquele proposto pelo dramaturgo (o texto literário) e o texto do ator(ato). (Confira o texto completo

 

 

PRODUÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS CULTURAIS
Ministrante: Daniele Sampaio
Período: 07/03/2015 a 04/04/2015 – sábados das 10h às 18h
Duração: 24h
Investimento: R$ 400,00

Formas de pagamento: boleto, débito e parcelamento em 10 vezes no cartão de crédito.
Público Alvo: jovens produtores, atores, dançarinos, estudantes e interessados em conhecer os procedimentos da elaboração, produção e gestão de projetos culturais
Vagas: 12 vagas

 

Sinopse: A profissionalização do produtor cultural é ainda muito recente no Brasil. As profundas mudanças no âmbito cultural no país nos últimos 20 anos, no entanto, provocou a necessidade de se criar uma categoria artística (entende-se aqui artistas, produtores e outros profissionais das artes) mais preparada e consciente dos direitos e deveres culturais. O curso pretende contribuir para este cenário potencialmente transformador, promovendo debates teóricos e exercícios práticos que possam dimensionar as atividades inerentes à Produção Cultural. (Confira texto completo)

 

 

 

Formas de Pagamento

Após o resultado da seleção, serão divulgadas instruções para pagamento da inscrição, que poderá ser realizado por boleto, débito em conta ou parcelamento em 10 vezes no cartão de crédito.

 

Informações de Local e Contato

Rua Carmelito Leme, 186. Vila Santa Isabel, Campinas – SP

(19) 3365.1822

Curso Fevereiro/Março – Maria Thaís

 

O JOGO E O PERIGO – ESTUDOS DE CENAS A PARTIR DO TEXTO NEVA DE GUILLERMO CLDERÓN

 

Ministrante: Maria Thaís
Período: de 25/02/2015 a 01/03/2015, de quarta a sexta das 18h às 22h, sábado e domingo das 14h às 18h.   
Duração: 20h

Local: Rua Carmelito Leme, 186. Vila Santa Isabel, Campinas – SP

Investimento: R$ 550,00

Pagamento em 10 vezes no cartão de crédito
Público alvo: atores, bailarinos, estudantes de artes da cena. 
Vagas: 10

Materiais: Ter lido a obra Neva, de Guillermo Calderón (que será encaminhado para os inscritos, via e-mail). Roupa para o trabalho técnico; roupa para o trabalho com as cenas.  

 

 

Sinopse:

O curso parte da proposição de um jogo: a criação de estudos de cena a partir do texto Neva de Guillhermo Canderón, aborda praticamente o estudo da escritura cênica a partir do atrito de dois textos – aquele proposto pelo dramaturgo (o texto literário) e o texto do ator(ato).

Pensado como um ateliê prático de criação, o curso envolve a vivência de um treinamento técnico – com o consequente estabelecimento de um vocabulário de trabalho -, a definição de instrumentos de análise do texto e da cena e a delimitação de princípios de jogo. Desta maneira, espera-se criar um território comum para o grupo de atores-participantes.       

O trabalho parte de uma premissa pedagógica: o instrumental técnico, bem como os princípios norteadores do estudo da cena, revelam-se no ato mesmo de experienciar a criação, como jogo, e são, portanto, apenas ferramentas para enfrentar o perigo, que é a própria cena. Não há certo ou errado, apenas a experiência prática, de onde emerge o saber fazer do ator.

 

Maria Thaís é professora e pesquisadora do Departamento de Artes Cênicas da ECA/USP, na área de atuação e direção e no Programa de Pós-graduação em Artes. Autora do livro “Na Cena do Dr. Dapertutto – Poética e Pedagogia em V.E. Meierhold – 1911 a 1916”. Foi professora do Departamento de Artes Cênicas da Unicamp (1993-2002) e responsável pela concepção, implantação e coordenação do projeto Escola Livre de Teatro de Santo André. Diretora da Cia. Teatro Balagan, realizando os espetáculos “Sacromaquia”, “Tauromaquia”, “Západ – A Tragédia do Poder”, “Prometeu Nostos” e “Recusa” (pelo qual foi agraciada com o Prêmio Shell 2012). Realizou diversas residências artísticas na Moscow Theatre – Scholl of Dramatic Art, dirigida por Anatoli Vassiliev, onde foi coreógrafa do espetáculo “A Ilíada”. Dirigiu o espetáculo “Olhos d’Água”, com a Cia. Ismael Ivo, com produção da Haus der Kulturen der Welt, em Berlim, e “Dorotéia”, estudo de Nelson Rodrigues, no Festival Intercity São Paulo, na Itália. 

 

 

Processo de Seleção para o curso

Os interessados deverão preencher formulário online até 18/12/2014 e aguardar o resultado da seleção no dia 19/12/2014 para formalizar a inscrição no curso.

 

Formas de Pagamento

Após o resultado da seleção, serão divulgadas instruções para pagamento da inscrição, que poderá ser realizado por boleto, débito em conta ou parcelamento em 10 vezes no cartão de crédito.

 

Informações de Local e Contato

Rua Carmelito Leme, 186. Vila Santa Isabel, Campinas – SP

(19) 3365.1822

 

O Globo: Cia Balagan encena a premiada ‘Recusa’ em Curitiba e planeja montar no Rio

 

LUIZ FELIPE REIS*

 

CURITIBA – Prestes a completar 15 anos à frente da Cia. Teatro Balagan, em 2014, Maria Thais não é só uma diretora respeitada, mas uma pesquisadora que aproxima investigação teórica e prática artística como duplos que se inter-relacionam e complementam. Fala-se de duplo aqui porque é a investigação desse conceito que rege as peças “Prometheus — A tragédia do fogo” (2011) e “Recusa” (2012) — esta última apresentada segunda e terça no Festival de Curitiba.

 

Até o fim do ano, a diretora planeja levar as duas ao Rio. Em “Prometheus”, a companhia investiga o mito fundador do homem e da cultura ocidental. Em “Recusa” — vencedora em 2012 dos prêmios Shell (direção e cenário) e APCA (os atores Eduardo Okamoto e Antonio Salvador dividiram o troféu) —, o grupo volta-se à criação sob a ótica da cultura ameríndia.

 

— A questão do duplo é central nas duas, mas abordada de modo diferente — diz Maria. — “Prometheus” traz dois irmãos (Prometeu e Epimeteu), mas revela a separação entre eles, a separação entre deuses e homens, entre o homem e a natureza. Então mostra-se o desaparecimento do outro.

 

Já na cultura ameríndia o duplo aparece de forma inversa, a partir da noção de que “as forças do mundo existem na sua duplicidade”, como diz Maria.

 

— É um contraponto. Para os ameríndios, a Humanidade não está só em nós, mas em tudo. Os gregos separam, e ao olharmos para o mundo ameríndio descobrimos a coexistência, uma cultura em que tudo existe e se dá na relação.

 

“Recusa” é guiada pelos dois atores premiados, que encarnam seres complementares. Assim, histórias são cantadas ou narradas por dois índios piripkura; por dois heróis ameríndios; por Macunaíma e seu irmão, entre outros.

 

— A peça é um chamado. As pessoas vão se dando conta de uma herança. Você se conecta com algo que te pertence, mas que você não sabia.

 

“Recusa” nasceu em 2008, após uma notícia sobre a descoberta de dois índios piripkura, etnia considerada extinta. Iniciou-se então uma campanha para demarcar suas terras, assim como um debate sobre o papel do estado na tentativa de colocar os índios sob tutela. Vem daí o título, “Recusa”.

 

— Tendemos a achar que eles precisam de salvação e que nós a iremos oferecer. Mas são eles que sabem distinguir o bom e o ruim — diz Maria. — Desde o começo, sabíamos que uma notícia de jornal não daria conta da história. Era preciso criar uma linguagem. Os índios são cênicos, espetaculares e rituais por essência. E talvez esteja aí a chave que nos liga.

 

*O repórter viajou a convite da produção do festival

 

* Fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/cia-balagan-encena-premiada-recusa-em-curitiba-planeja-montar-no-rio-7999689

 

Estadao: L´Illustre Molière e Recusa: consagrados no prêmio Shell

AE – Agência Estado

 

Grupos e artistas pouco conhecidos do público foram os maiores contemplados pela 25.ª edição do prêmio Shell de Teatro. Em 2012, a produção alternativa já havia sido destacada. Neste ano, porém, a tendência parece ter se acentuado entre o júri, que trouxe várias companhias jovens – e ainda não consagradas – entre os indicados.

 

Sem um grande vencedor, a premiação lançou luzes sobre duas montagens vistas no ano passado. L´Illustre Molière levou para casa três troféus: melhor ator, para Guilherme Sant´Anna. Música, para Fernanda Maia, e figurino, para Zé Henrique de Paula. Já Recusa, da companhia Balagan, mereceu dois prêmios: melhor direção, para Maria Thais, e cenário, para Márcio Medina.

 

Diversos títulos que se destacaram na última temporada não figuravam entre os indicados. Outros, embora lembrados, concorreram apenas nas categorias técnicas. Sem indicações nos quesitos principais, o novo espetáculo do Teatro da Vertigem, Bom Retiro, 958 Metros, levou apenas o prêmio de melhor iluminação – sua única indicação – para Guilherme Bonfanti.

 

Houve também prêmios que chegaram com atraso de um ano. Na última edição, Lavínia Pannunzio concorria como melhor atriz por dois espetáculos. Apesar do favoritismo, não ganhou. Neste ano, foi finalmente consagrada com a estatueta por sua interpretação na peça Um Verão Familiar.

 

Na categoria de melhor autor, os jurados decidiram apostar em um representante da nova dramaturgia. Alexandre Dal Farra recebeu o troféu por Mateus 10, seu quinto trabalho com o grupo Tablado de Arruar. O texto joga com referências literárias como Crime e Castigo, de Dostoievski. E foca a transformação de um pastor evangélico após descobrir um trecho bíblico.

 

Os artistas da nova geração voltaram a ser reconhecidos na categoria especial. O jovem diretor Eric Lenate figurava entre os indicados. Os jurados, porém, preferiram consagrar o trabalho do veterano Lume. O grupo sediado em Campinas completa 28 anos de trabalho ininterrupto. “Agradecemos a todos os mestres que tivemos durante esses anos, que sempre nos puxaram o tapete e nunca deixaram que nos acomodássemos em um único lugar”, disse o ator Jesser de Souza.

 

Vários dos premiados não estiveram presentes à cerimônia, comandada pelas atrizes Beth Goulart e Nicette Bruno. Os vencedores de melhor direção, ator e atriz tiveram que ser representados na hora de receber os troféus. A concorrência com o prêmio da APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte, que acontecia no mesmo dia e horário, talvez ajude a explicar as ausências. Cada vencedor recebe uma escultura em metal, do artista plástico Domenico Colabrone, e R$ 8 mil.

 

*Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,lillustre-moliere-e-recusa-consagrados-no-premio-shell,1008626,0.htm

Folha de SP: Prêmio Shell de SP destaca montagens feitas por coletivos

 

 

GUSTAVO FIORATTI
DE SÃO PAULO

 

O Prêmio Shell de São Paulo refletiu a consolidação das companhias estáveis no cenário da capital. A premiação realizada na terça-feira (12) mostrou que têm mais chances de concorrer ao prêmio (e ganhá-lo) os trabalhos propostos por coletivos.

 

O espetáculo que mais arrebatou prêmios, por exemplo, tem texto escrito a seis mãos: Sandra Corveloni, Lara Hassum e Mateus Monteiro, com base em peças e na biografia de Molière (1622-1673), escreveram “L’Illustre Molière”. Dirigida por Corveloni, a peça da Companhia D’Alma levou troféus nas categorias melhor ator (Guilherme Sant’Anna), figurino (Zé Henrique de Paula) e música (Fernanda Maia).

 

Ao lado de “L’Illustre Molière”, a peça “Recusa”, da Cia de Teatro Balagan, era a outra favorita da noite, com quatro indicações. Acabou levando dois troféus: Maria Thaís foi laureada como melhor diretora, e Márcio Medina, como melhor cenógrafo.

 

  Editoria de Arte/Folhapress  

 

A premiação destes dois nomes coloca em evidência não apenas o trabalho de cada um deles, mas a parceria estabelecida há mais de dez anos. Quem acompanhou a trajetória da Balagan sabe como o trabalho de Medina se combina com o de Thaís em sistema de coautoria.

 

O mesmo se aplica à iluminação de Guilherme Bonfanti, vencedor na categoria melhor iluminação por seu trabalho em “Bom Retiro 958 metros”. Bonfanti está longe de ser um coadjuvante nas concepções do Teatro da Vertigem. Ele é um dos pilares da companhia, ao lado do diretor Antônio Araújo (não mencionado pela premiação).

 

Além de Araújo, a edição do prêmio deixou de destacar alguns nomes colocados em evidência pela crítica no ano passado. Entre eles, Roberto Alvim e Juliana Galdino, que propuseram dois projetos de fôlego: “Peep Classic Ésquilo”, encenação das tragédias de Ésquilo, e uma mostra de encenações a partir de textos escritos por oito jovens autores. Fez falta.

 

A cerimônia foi conduzida pelas atrizes Beth Goulart e Nicette Bruno. Mãe e filha, no final da festa, deram voz à homenagem prestada a Ieda Ferreira, camareira com mais de 50 anos nos bastidores do teatro brasileiro.

 

*Fonte:  http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1245575-premio-shell-de-sp-destaca-montagens-feitas-por-coletivos.shtml

 

 

25º Prêmio Shell de Teatro de São Paulo

 

A Shell acaba de anunciar a segunda lista dos indicados de São Paulo à 25ª edição do Prêmio Shell de Teatro. Os espetáculos desta etapa concorrerão ao prêmio juntamente com os indicados na lista do primeiro semestre.

 

“Recusa” é o grande destaque desta segunda lista, com quatro indicações – ator, cenário, música e direção. E a grande homenageada do Prêmio Shell 2013 de São Paulo será a camareira Ieda Ferreira como representante de uma imensa categoria de profissionais que não aparecem em cena, mas cujo trabalho é fundamental para todos os espetáculos.

 

 

Confira a relação completa dos indicados do segundo semestre ao 25º Prêmio Shell de Teatro de São Paulo:

 

Autor:
Alexandre Dal Farra por “Mateus, 10”
Evill Rebouças por “Maria Miss”

 

 

Direção:
Maria Thaís por “Recusa”
Francisco Medeiros por “Facas nas galinhas”            

 

 

Ator:
Antonio Salvador e Eduardo Okamoto por “Recusa”
Vitor Vieira por “Mateus, 10”

Atriz:
Lavínia Pannunzio por “Um verão familiar”
Tania Casttello por “Maria Miss”
        

Cenário:
Márcio Medina por “Recusa”
Marco Lima por “Facas nas galinhas”
    

Figurino:
Mira Haar por “Rabbit”
Zé Henrique de Paula por “No coração do mundo”
    

Iluminação:
Guilherme Bonfanti por “Bom Retiro 958 metros”
Nadja Naira por “Os bem intencionados”
    

Música:
Marlui Miranda por “Recusa”
Dr. Morris e Maurício Mateus por “Facas nas Galinhas”
        

Categoria Especial:
Eric Lenate pela força performativa de seus experimentos.
Lume Teatro pelos 25 anos de trabalho permanente de pesquisa.

 


Homenagem
À camareira Ieda Ferreira como coriféia de uma imensa categoria de sujeitos que não aparecem em cena, mas cujo trabalho é fundamental.

 

 

Os espetáculos selecionados nesta fase completaram o número mínimo de apresentações para serem elegíveis, de acordo com o regulamento do prêmio.

 

Premiação
Os vitoriosos de cada categoria receberão uma escultura em metal do artista plástico Domenico Calabroni, com a forma de uma concha dourada, inspirada no logotipo da Shell, e uma premiação individual de R$ 8 mil (oito mil reais).

 

Criado em 1989, o Prêmio Shell de Teatro é ponto de referência nos palcos brasileiros. É oferecido aos maiores destaques do ano, em São Paulo e no Rio de Janeiro separadamente, em nove categorias — Autor, Diretor, Ator, Atriz, Cenografia, Iluminação, Música, Figurino e Categoria Especial.

 

O júri de São Paulo é formado por Alexandre Mate, Carlos Colabone, Marici Salomão, Mario Bolognesi e Noemi Marinho.

 

 

*Fonte: http://www.shell.com/bra/aboutshell/media-centre/news-and-media-releases/2012/news/pst-sp-nominees-211212.html

Lista de indicados ao Prêmio CPT 2012 – 2º semestre

 

Foto da última edição do Prêmio CPT

 

Comissão julgadora:

Christiane Galvan (Cia. Vagalum Tum Tum)
Ênio Gonçalves (Ator e Diretor)
José Cetra (UNESP)
Luiz Fernando Ramos (USP)
Raquel Rollo (Trupe Olho da Rua – Santos/SP)

 

1 – Dramaturgia: criação individual ou coletiva em espetáculo apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional

1– Evill Rebouças e Grupo por “Maria Miss”, Mesa2 Produções Artísticas.
2- Luís Alberto de Abreu por “Recusa”, Cia de Teatro Balagan.
3- Martina Sohn Fischer por “Aqui”, Club Noir.

 

2 – Direção: criação individual ou coletiva em espetáculo apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional

1 – Yara Novaes por “Maria Miss”, Mesa2 Produções Artísticas.
2-  Francisco Medeiros por “Facas nas Galinhas”, Barracão Cultural.
3-  Eric Lenate por “Rabbit”, Companhia Delas de Teatro.
4-  Maria Thaís por “Recusa”, Cia de Teatro Balagan.

 

3 – Elenco: em espetáculo apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional

1 – Cia. de Teatro Balagan por “Recusa”.
2 – Cia. Hiato por “Ficção”.
3 – Lume Teatro por “Os Bem Intencionados”.

 

4 – Trabalho apresentado em sala convencional

1 – “Maria Miss”, da Mesa2 Produções Artísticas.
2 – “Rabbit”, da Companhia Delas de Teatro.
3 –“Recusa”, da Cia. de Teatro Balagan.

 

5 – Trabalho apresentado em rua

1 – “Relampião”, da Cia do Miolo e Cia Paulicea.
2 – “A Cobra Vai Fumar”, do Teatro Popular União e Olho Vivo (TUOV).
3 – “Origem Destino”, da Companhia Auto-Retrato.

 

6 – Trabalho apresentado em espaços não convencionais

1. “Terror e Miséria no Novo Mundo Parte III – A República”, Cia. Antropofágica.
2 – “Terra de Santo”, Cia. Os Fofos Encenam.

 

7 – Trabalho para platéia infanto juvenil: apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional

1 – “Meu Pai é Um Homem Pássaro”, Cia. Simples.
2 – “Rua Florada, Sem Saída”, Casa da Tia Siré.
3 – “A Linha Mágica”, Fabulosa Companhia.
4 – “A Menina Lia”, Cia. do Fubá.

 

8 – Grupo ou Companhia revelação: do interior, litoral ou capital do Estado

1 – Fabulosa Companhia (São Paulo).
2 – Coletivo Território B (São Paulo).
3 – Coletivo de Galochas (São Paulo).

 

9 – Trabalho apresentado no interior e litoral paulista: em sala convencional, rua ou espaço não convencional

1- “Circo K”, Boa Companhia e Grupo Matula Teatro (Campinas-SP).
2 – “Rei do Mundo” – Grupo Fora do Sério (Ribeirão Preto-SP).
3 – “Negrinha”- Oficina do Imaginário (Santos-SP).

 

10 – Projeto Visual: compreendendo a integração orgânica entre os elementos plásticos e visuais do espetáculo e sua realização cênica – iluminação, cenografia, figurino, adereços e maquiagem

1 – “Recusa” – Direção; Maria Thais. Cenografia e Figurino: Márcio Medina. Iluminação: Davi de Brito. Cia. de Teatro Balagan.
2 – “Ficção” – Direção: Leonardo Moreira. Direção de arte (cenário e desenho de luz): Marisa Bentivegna.  Assistência de cenário: Ayelén Gastaldi e Julia Saldanha.Figurino: João Pimenta. Pintura artística: Igor Alexandre Martins. Fotos e vídeos: Otávio Dantas. Criação Gráfica: Cassiano Tosta / dgraus. Cia. Hiato.
3- “Pais e Filhos” – Direção: Adolf Shapiro. Cenografia: Laura Vinci. Figurino: Marichilene Artisevskis. Desenho de luz: Cibele Forjaz e Wagner Antonio. Mundana Companhia.
4 – “Terra de Santo” – Direção: Fernando Neves e Newton Moreno. Cenário: Marcelo Andrade, Newton Moreno e Zé Valdir. Figurinos e Maquiagem: Carol Badra e Leopoldo Pacheco. Iluminação: Eduardo Reyes. Cia. Os Fofos Encenam.

 

11 – Projeto Sonoro: compreendendo a integração orgânica entre os elementos sonoros do espetáculo e sua realização cênica – palavra, canto, trilha original ou adaptada, arranjos e sonoplastia

1 – “Relampião”  – Cia. do Miolo e Cia. Paulicea
Direção musical: Charles Raszl.
2 – “Recusa” – Cia. Teatro Balagan
Direção musical: Marluí Miranda
3- “Os Bem Intencionados” – Lume Teatro
Direção musical: Marcelo Onofri. Músicos – Marcelo Onofri (teclado), Leandro Barsalini (percussão) e Eduardo Guimarães (acordeão).
4 – “Terror e Miséria no Novo Mundo Parte III – A República” – Cia. Antropofágica
Direção musical: Lucas Vasconcelos. Músicos: Bruno Miotto, Bruno Mota, Danilo Agostinho e Lucas Vasconcelos. Preparação Vocal: Gabriela Vasconcelos.

 

12 – Ocupação de espaço: compreendendo sala convencional, rua ou espaços não convencionais, no interior, litoral ou capital do Estado

1 – Hangar de Elefantes por “Terra à Vista” – com o espetáculo itinerante que tem início no Coreto Central da Praça Dom Orione (Entre as ruas 13 de maio com a Rua Rui Barbosa – Bela Vista) e segue pelas ruas do bairro.
2 – O Povo em Pé por “Máquina do Tempo” com três experimentos cênicos: Um percurso pela cidade, uma ação-encontro em um parque e um espetáculo.

 

13 – Publicação dedicada ao universo do teatro: suas diversas vertentes, relações e linguagens, em projetos de grupos e companhias teatrais, instituições ou similares

1 – Revista “Arte e Resistência na Rua” – MTR/SP 2012.
2 – Livro “Teatro e Vida Pública – O fomento e os Coletivos Teatrais”, Org. Flávio Desgranges e Maysa Lepique – Editora Hucitec.
3 – Revista “aParte 5” – do Teatro da Universidade de São Paulo (TUSP).
4 – Revista “A[l]berto #2” 2012 – da SP Escola de Teatro.
5 – Revista “Rebento” (Artes do espetáculo n° 3 (UNESP).

 

14 – Grupo ou Cia com sede em “espaços fora de circuito comercial ou tradicional”

1 – Telhado Cultural Engasga Gato em Ribeirão Preto SP.
2 – Teatro da Rua Eliza – São José dos Campos SP.
3 – Espaço Cultural Popatapataio – Caraguatatuba SP.

 

15 – Mostras e/ou festivais teatrais realizados por grupos e/ou movimentos

1 – 7º FESTCALL – Festival Nacional de Teatro de Campo Limpo – Trupe Artemanha.
2 – 7ª Mostra de Teatro Lino Rojas – MTR/SP.
3 – 7ª Mostra de Teatro de São Miguel Paulista – Buraco D`Oráculo.
4 – 6º Festival Internacional Paidéia de Teatro para a Infância e Juventude – Cia. Paidéia de Teatro.

 

16 – Prêmio Especial

1. Ocupação Cultural do Coletivo Dolores Boca Aberta e o Festival Teatro Mutirão – Ocupação político – artística numa praça ao lado do metrô Artur Alvim (Zona Lesta) com 15 dias de ocupação e atividades de formação, apresentações de peças teatrais, apresentações musicais e montagem de um monumento na praça. Com a participação de diversos grupos parceiros entre os dias 1 e 15 de setembro de 2012.
2. Evaldo Mocarzel – Pela realização de filmes documentários sobre dezenas de coletivos paulistanos, seus processos e espetáculos.
3. Bob Sousa – Pela realização de farta documentação fotográfica dos Coletivos Paulistanos.

 

Homenagem aos artistas falecidos em 2012, entre eles:

– Abrahão Farc
– Alcione Araújo
– Clóvis Garcia
– Fernando Peixoto
– João Otávio
– Hedy Siqueira
– Tiago Klimeck

 

*Fonte: http://www.cooperativadeteatro.com.br/2010/?p=8008

 

 

2012, o ano em que o mundo não acabou.

 

Realizamos atividades e apresentamos espetáculos no Brasil e também na Polônia.

 

Um projeto especial abriu o ano: a segunda fase de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”, no interior paulista, registrando um marco histórico – os mais de 18 anos da Chacina da Candelária: atingimos a maioridade deste debate social?     

 

No segundo semestre, a Mostra Travessias Poéticas reuniu Eduardo Okamoto, Grupo Matula Teatro, A Outra Companhia de Teatro e Grupo Peleja, apresentando espetáculos inspirados na obra de Mia Couto, em seis cidades de três estados brasileiros.

 

O ator Eduardo Okamoto ainda foi incorporado como docente da Universidade Estadual de Campinas e a produtora Daniele Sampaio como pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa, do Ministério da Cultura.  

 

Por fim, houve a estréia de “Recusa”, espetáculo da Cia Teatro Balagan em que Okamoto, como convidado, contracena com Antônio Salvador. A montagem foi reconhecida com o Prêmio APCA à dupla de atores, que também foi indicada ao Prêmio Shell, sendo, neste último, acompanhados por Maria Thais (Direção), Márcio Medina  (Cenografia) e Música (Marlui Miranda).     

 

“Recusa” tem semente na notícia sobre os dois últimos remanescentes da etnia Piripikura – um fim. Foram, porém, encontrados rindo na floresta – um apocalipse risonho. Depois, a equipe do espetáculo conheceu mitos ameríndios em que duplas de companheiros descem do céu e criam o mundo – o que parece fim pode ser começo.   

 

Em 2013, sejamos recomeço!   

Portal SP Escola de Teatro: Ivam Cabral entrevista Maria Thais

 

Desde outubro e até este fim de semana, num fato inédito, pela primeira vez a Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco está sendo ocupada por uma companhia de teatro. É a Balagan, da diretora Maria Thais. E tenho muito orgulho disso. Além de admirar pessoalmente Maria Thais, sou fã incondicional de seu trabalho. Assim, trata-se de uma honra recebê-la, bem como à sua trupe, aqui na Escola.

 

A ocupação, intitulada “Recusa e Prometheus: Uma Simetria Invertida”, compreende dois espetáculos “Recusa” e “Prometheus – A Tragédia do Fogo”, além de outras atividades, como a exibição de filmes e a realização de encontros e shows. Neste fim de semana, a companhia se despede da Escola, com as três últimas sessões de “Recusa”. Antes de dizer “adeus”, ou melhor, “até logo”, tive a chance de bater um papo, via e-mail (pois a correria de ambos assim exigiu), com a diretora Maria Thais. Nele, detalhes da concepção das duas montagens, a imprescindível colaboração de Marlui Miranda como diretora musical de “Recusa”, a experiência de ocupar uma escola de teatro, entre outros assuntos. A seguir, a conversa, na íntegra:

 

Ivam Cabral – A Balagan foi a primeira companhia de teatro a ocupar a Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro. Como tem sido a experiência?
Maria Thais – Feliz, em todos os sentidos. Inaugurar um espaço é, de alguma forma, “impregná-lo” de algo! E ser impregnado por ele – vazio, mas cheio de possibilidades! Para a Cia. Balagan, a ocupação foi a oportunidade de fazer os dois últimos espetáculos do grupo, criados nos últimos cinco anos de trabalho e que são frutos de longos processos de aprendizado. É significativo apresentá-los em um lugar dedicado à formação teatral e que se dispõe a abrigar uma companhia de teatro.

 

IC – O tipo de público que vai a um teatro dentro de uma escola é diferente daquele que vai a um teatro convencional?
MT – Sim e não. Porque vivemos em uma cidade muito multifacetada e o espectador de teatro, do mesmo modo, é muito diverso. A presença dos aprendizes é um fator importante. São jovens que se ocupam do teatro, que se preparam pra ter a mesma profissão que exercemos. Mas recebemos com muita alegria os moradores do Centro de SP, que voltaram a passear na Praça Roosevelt e chegam curiosos para conhecer a Escola e o que acontece lá dentro. Eles nos pareciam surpresos, mas presentes, curiosos. Tivemos também o público da Praça Roosevelt – frequentadores e curiosos, e, ainda, os artistas que trabalham nos teatros vizinhos, além de estudantes de outras escolas e outros artistas que produzem em diferentes regiões da cidade. Um ponto de convergência. É um público diversificado, inclusive na faixa etária, o que cria em torno do trabalho um movimento muito bom!

 

IC – Gostaria que você contasse um pouco como foi o processo de concepção de “Prometheus – A Tragédia do Fogo”, espetáculo que vem sendo trabalhado pela companhia desde 2008, se não me engano…
MT – Na verdade, tudo começou em 2007, dentro de um projeto de investigação que tinha como título “Do Inumano ao Mais-Humano”. Nele, fizemos as primeiras experiências com o texto do Ésquilo, em grego antigo. Queríamos a prática do verbo, lidar com a materialidade da palavra. E o exercício em uma outra língua nos lançava em um terreno muito difícil, mas concreto. No ano seguinte, resolvemos transformar esta experiência em um espetáculo – não a montagem do texto Ésquilo, mas a criação de uma nova dramaturgia a partir do mito de Prometheus. O grande diferencial do processo de criação do Prometheus foi ter sido o próprio espetáculo a pesquisa. Pela primeira vez na companhia, todas as etapas de construção foram compartilhadas, tornadas públicas. Foram inúmeras versões – apresentávamos e, ao voltar pra sede do grupo, refazíamos. Foram dois anos fazendo, apresentando e refazendo! O acordo entre nós foi este: fazer e refazer. Em outubro de 2011, fechamos a versão que apresentamos agora. Ainda não deixamos de ensaiar, de lapidar, mas existe uma concepção fechada que, por enquanto (risos), tem se mantido e que continua sendo objeto de investigação.

 

IC – “Prometheus” aborda um mito grego; “Recusa” trata de mitos indígenas. Em que ponto esses dois trabalhos se cruzam?
MT – Eles se cruzam desde o início porque nascem do projeto “Do Inumano ao Mais-Humano” (que era dividido em cinco partes). Dos estudos sobre o Trágico nasceu “Prometheus” e dos estudos sobre o Inumano-Animal – no qual estudamos elementos da cultura ameríndia – nasceu “Recusa”. No decorrer do processo, fomos percebendo outras camadas de diálogo. Ao final, podemos dizer, seguramente, que ambos falam dos mitos da criação do mundo e, principalmente, do mito do duplo. Mas são perspectivas absolutamente diversas. Falam da “mesma coisa”, mas não do “mesmo jeito”. E é a diferença que nos interessa!

 

IC – Desde quando o processo de concepção de “Recusa” foi se desenvolvendo?
MT – Começamos em outubro de 2009. Processo bem diverso do que relatei sobre “Prometheus”, pois, neste, de algum modo, tínhamos como ponto de partida as referências teatrais ou literárias – Ésquilo, H.Muller, Pirandello e tantos outros que escreveram sobre o mito ao longo dos séculos. No caso do “Recusa”, tínhamos apenas uma notícia de jornal, um interesse e um desconhecimento sobre a cultura ameríndia. Inicialmente, não sabíamos nem mesmo se conseguiríamos fazer um espetáculo. Dedicamos muito tempo aos estudos: textos de antropologia, leitura dos mitos, tateando os cantos e narrativas, os discursos políticos sobre os povos indígenas, os relatos dos conflitos etc. Fomos, pouco a pouco, descobrindo outros materiais – nos relatos etnográficos e na grande produção, que começa a se fazer visível, de escritos, vídeos, documentos etc. , feitos pelos povos ameríndios. Paralelamente, nos dedicávamos ao trabalho laboratorial, o fazer e refazer – um processo de criação de cenas que muitas vezes partia de materiais pouco usais, como, por exemplo, o relato etnográfico. Durante o processo, tornamos algumas experiências públicas, o que nos dava um termômetro da dificuldade de encontrar uma forma cênica justa. Ora vislumbrávamos caminhos férteis, ora nos emaranhávamos nas resoluções encontradas, ou seja, dávamos soluções que faziam parte do nosso repertório teatral, mas que não pareciam justas, que não correspondiam ao material. O tempo, acho, foi nosso maior aliado. Ele nos ajudou a depurar!

 

IC – Você acha oportuno abordar a causa indígena justamente em um momento em que a questão dos índios Kayowas (que lutam pela sobrevivência e por suas terras no Mato Grosso do Sul) está em pauta?
MT – Como diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro: “O que me interessa são as questões indígenas – no plural”. Não creio que exista uma causa ameríndia, mas causas. Como não creio que as questões indígenas tenham, em algum momento, saído de pauta. Elas são ignoradas. Invisíveis – há séculos! O caso dos Guaranis-Kayowas é drástico, mas não é o único. A repercussão da carta dos Kayowas fez ecoar. Comove, talvez pela ideia de finitude? Mas é uma circunstância que se reproduz há séculos neste País e que nos lança a pergunta à qual deveríamos ter coragem de responder: “Qual o lugar dos índios no Brasil?” (feita inúmeras vezes por Viveiros). Pois o problema está lá, mas também está aqui – nas aldeias espremidas na periferia desta cidade, nos milhares de ameríndios que vivem em nossas favelas. Invisíveis!

 

IC – Falando nisso, para a montagem de “Recusa”, a companhia passou um tempo convivendo com os índios, em suas aldeias. Como foi essa experiência?
MT – Então… Conhecemos os Paiter Suruí em Rondônia. Para nós, esta relação não estava pautada na ideia de ir ver para fazer igual. Ao contrário, fomos para lá para encontrar um povo, que também queria nos encontrar. Encontrar e conviver, estabelecer relações e não simplesmente observar. A partir daí, tudo muda. Estabelecemos laços com eles que continuam vivos. Eles querem fazer um espetáculo de teatro. O trabalho continua em 2013. Voltaremos para lá, para dar prosseguimento ao projeto. Eles nos contaram seus mitos, cantos, festas. Batizaram-nos, nos adotaram generosamente como irmãos (os laços, as relações são – como nos avisaram no início –, para sempre), nos deram nomes. Nós apresentamos o nosso trabalho, queriam saber o que é teatro, fizemos, mostramos filmes, mostramos também como trabalhamos. Enfim, trocamos. Foi uma experiência de encontro, de troca.

 

IC – Você acredita que há uma saída para a convivência entre brancos e índios, sem que esses últimos sejam subjugados cultural e economicamente? No mundo, nunca se viu um caso assim, certo?
MT – Não é porque não existiu que não possa existir. Sempre existiram saídas, tanto é que esses povos estão vivos, atuantes, crescendo cada vez mais e se valendo de muito do que o mundo branco cria para poderem permanecer como grupo, como povo. E as saídas mais felizes são as que conseguem reconhecer as diferenças entre eles e nós. Por muito tempo, e o mais assustador é que ainda hoje, estes povos (é preciso lembrar que são muito diferentes entre si, chamá-los de índios é uma generalização, uma armadilha também) foram chamados de primitivos, não civilizados. Esse pensamento almeja a igualdade redentora: eles estão num estágio inferior ao nosso, mas (se se esforçarem) podem chegar a ser igual a nós, só estão atrasados! Então, nós sabemos mais do que eles?! É esta ordem de ideias que tem servido para uma cultura dominar a outra. Sabemos hoje que muitos dos povos ameríndios recusam a organização do Estado como tal. Que se organizam de outra maneira. O que não quer dizer, atrasados. Recusam-se a serem iguais a nós. Mas querem, e muito, saber de nós, como vivemos, o que pensamos, o que produzimos. Eles são curiosos quanto ao que não conhecem do outro, o que raramente a cultura branca faz em relação a eles. Tem sido mais fácil pensá-los com os nossos padrões e ideias de mundo do que nos deslocarmos e reconhecermos como eles pensam. O último Censo mostra que no Brasil existem, vivas, em torno de 270 línguas indígenas. Este dado é revelador e mais ainda por ser desconhecido. São mais de 270 visões de mundo (ameríndias apenas). Pode ser uma pista pra encontrarmos a saída?

 

IC – Qual a importância do trabalho de Marlui Miranda, como diretora musical de “Recusa”?
MT – Marlui foi parceira generosa! Sensível aos nossos desejos e ignorância. Além de nos apresentar um universo musical desconhecido, foi a ponte entre a Balagan e o povo Paiter Suruí. Ela conhece este universo profundamente e, mais que isso, como artista, dialoga com ele em suas criações; não simplesmente reproduz, atitude que desde o início do trabalho almejávamos – dialogar, e não reproduzir. Marlui nos apresenta esse universo dimensionando a função da música e, mais especificamente, do canto, nessas tradições. O canto não é uma música qualquer. Ele é sempre uma via de comunicação com os espíritos, animais, coisas, com outras formas de humanidade. O canto é uma ação que move o mundo! Para a encenação, para a atuação, isso foi um presente, pois a matéria do teatro é a ação. Vê-la cantar – sozinha e com eles –, partilhar sua alegria, curiosidade, respeito e rigor com os materiais, nos deu a dimensão do trabalho de investigação de uma artista que vai muito além do ato de produzir um disco ou um show.

 

IC – Como surgiu a ideia de promover encontros, filmes, e outras atividades na Mostra? Qual o objetivo dessas outras ações em relação aos espetáculos?
MT – Essas atividades desdobram os espetáculos para os espectadores e é sempre a chance de a própria companhia rever referências que foram importantes nos processos de criação e abrir para novas referências. Com a Mostra, pretendemos ampliar o olhar do espectador, e o nosso, sobre o que criamos. A leitura, a análise e a reflexão sobre a criação geram outra obra! Produzem outra criação – que, por sua vez, revela o que não sabemos sobre a obra. Por outro lado, desvenda, pra quem se interessa, o processo, as referências, as escolhas, as intenções, os procedimentos, a feitura! A artesania do teatro.

 

IC – Há planos de continuar a parceria com a SP Escola de Teatro?
MT – Estamos encerrando esta Mostra nesta semana e não temos nada concreto. Mas a parceria está estabelecida e saímos daqui satisfeitos e alegres pela recepção, pelo acolhimento e olhar atento ao nosso trabalho. Os desdobramentos serão bem-vindos e construídos com delicadeza! Obrigada! Aos funcionários, aprendizes, orientadores, coordenadores, coordenador pedagógico, diretor… Enfim! A todos!

 

IC – E, como dizem os Paiter Suruí, que esses laços sejam para sempre!

 *Fonte: http://www.spescoladeteatro.org.br/colunistas/31.php