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Novos Vídeos de “Chuva Pasmada”



Em celebração à realização da Mostra Repertórios do Corpo, no SESC Campinas, lançamos a nova galeria de vídeos de divulgação do espetáculo “Chuva Pasmada” – trabalho em parceria com Alice Possani, do Grupo Matula Teatro . Reunimos, nessa galeria, clipe e entrevistas sobre o processo de criação do espetáculo.


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Invento-inventário: “Chuva Pasmada”



 

“Chuva Pasmada” é fruto de parceria com Alice Possani, do Grupo Matula Teatro, de Campinas. Sendo um dos fundadores desse grupo teatral, desde 2005, desenvolvo meu trabalho como ator independente.

 

Além de Alice, participa do espetáculo outro parceiro de constante: Marcelo Lazzaratto – diretor desse espetáculo e também de “Eldorado”, além de iluminador de “Agora e na Hora de Nossa Hora”.

 

O espetáculo revela, assim, uma das estratégias que tem tornado possível o meu trabalho como artista: o estabelecimento de parcerias que, como o meu próprio processo de estudo e formação como ator, se estendem para além da criação de um espetáculo. Essas parcerias que se repetem (como se pode ver nas minhas interações com o Lume Teatro, a produtora Daniele Sampaio e com a diretora Verônica Fabrini)  constituem uma espécie de rede de criação. Assim, se não chegamos a constituir exatamente um grupo de teatro nos moldes como se reconhecem os coletivos contemporâneos, partilhamos seguidamente diversas criações – ainda que as funções que cada um assuma num trabalho sejam diversas em outro. Verônica, por exemplo, é diretora de “Agora e na Hora de Nossa Hora”  e em “Eldorado” é figurinista.

 

Nessa possibilidade de criação que aos poucos vamos descobrindo,  os interesses de cada um ao redor de um trabalho são sempre móveis, assim como as soluções que encontramos para viabilizar a criação. Tudo o que está, num repente, já não é. Aqui, a criação é, em certo sentido, precária e, por isso mesmo, fecunda. Por um lado, quando reunimos uma equipe, não sabemos ser possível reuni-la novamente. Aí, o aspecto movediço e arriscado da empreitada: sustentar um projeto de estudo de longo prazo em parcerias flexíveis. De outro lado, conscientes dessa mesma liberdade, tornamo-nos abertos às diferentes perspectivas sobre os problemas da criação. Aí, o exercício pleno da alteridade: a aceitação de que diversos mundos podem co-existir.  Uma criação mais afeita aos sentidos da colaboração que ao pertencimento a um coletivo; mais inclinada a coerências provisórios que se instalam na composição da obra que a de identidade.

 

Assim, tudo o que escrevo sobre “Chuva Pasmada” é tão somente meu próprio ponto de vista sobre o espetáculo. Já vi Marcelo Lazzaratto e Alice Possani se expressarem de maneiras muito diversas dessa que faço. Todas elas possíveis!

 

Para mim, certamente diferente do que é para Marcelo, por exemplo, o espetáculo dá prosseguimento aos estudos sobre a dramaturgia de ator. Se em trabalhos anteriores, a criação fiou-se na apreensão e organização de materiais coletados pelo ator em observações de realidades cotidianas (pessoas, animais, imagens), aqui, igualmente isso fundamentou uma parcela do trabalho. Mas não tudo. Diferentemente dos espetáculos anteriores, aqui, a obra “Chuva Pasmada” (que também nomeia o espetáculo), escrita pelo moçambicano Mia Couto, foi ponto de partida. A própria adaptação de Cássio Pires antecede o trabalho dos atores em sala de ensaio. “Chuva Pasmada” é o único dos 04 espetáculos apresentados na Mostra Repertórios do Corpo que foi escrita antes dos ensaios se iniciarem.

 

Para nos aproximarmos de uma novo material criativo – o texto – sem abrir mão de procedimentos que fundaram outros trabalhos, procuramos, como estratégia, “observar” a obra literária. Isso se deu de duas maneiras: lemos com atenção a obra, procurando reconhecer, além da sua narrativa e seus acontecimentos, as pistas de corporeidades ali indicadas (um avô tão magro que poderia ser levado pelo vento, por exemplo; ou um menino tão pasmado quanto a chuva; um pai que, depois de retornar de muitos anos de trabalho nas minas, permaneceu ausente, não sendo o mais velho, mas o mais envelhecido de todos). Além disso, procuramos em imagens e pessoas ecos daquilo que líamos no texto – magreza, pasmaceira,  trabalho. Como que recebendo sugestões literárias e da realidade ordinária, os atores improvisavam procurando reagir corporalmente a esses referenciais.  Isso, como podem adivinhar aqueles que acompanham meus estudos, aprofundou minhas investigações sobre a observação e imitação – mimese corpórea.

 

Depois, esses materiais todos, em confronto com a fábula mesmo (o desenvolvimento da narrativa) foram transformados, adaptados. O que se vê em cena, assim, é resultado também de muitas interações.

 

“Chuva Pasmada” estimula novos passos em meus trabalhos sobre a dramaturgia de ator: revendo a abordagem da mimese corporal; possibilitando novas maneiras de interação com a literatura; fundamentando novos diálogos com o texto teatral.  Todas essas questões aguardam a sua teorização a apontam para novos campos de estudo, como a criação de um próximo trabalho a partir de uma dramaturgia da tradição euro-ocidental.

Invento-inventário: “Eldorado”



O espetáculo “Eldorado” foi criado a partir do estudo da rabeca: instrumento de arco e cordas, parecido com o violino, presente em muitas manifessações da cultura popular do Brasil.

 

Uma das características fundamentais da rabeca é a ausência de padrões na sua construção e execução. As rabecas variam no seu formato, número de cordas, afinação. A rabeca não é um instrumento fabricado em série. É produzido não por indústrias, mas por artistas-artesãos. Por isso, não há uma rabeca igual à outra, já que nem dois instrumentos construídos pelo mesmo artesão seguem padrões: um construtor não procura fazer um instrumento igual ao feito anteriormente. Disso resulta que cada rabeca possui suas características peculiares, “uma voz própria”. Cabe àquele que pretende tocá-la, reconhecer suas características, sua afinação, sua “personalidade”, sua “voz”, enfim. “A rabeca tem fala bonita”, ensinou Seu Agostinho Gomes, construtor do instrumento de Cananéia (SP). Cada uma tem a beleza de sua fala.

 

Essa ausência de padrões parece incorporar, como analogia, as origens do povo brasileiro que, como aponta Darcy Ribeiro, é “povo em fazimento”. Povo que não se caracteriza por reproduzir no além mar o mundo europeu. Tampouco um povo marcado, como são o México ou o altiplano andino, pela fusão de suas altas civilizações à cultura do homem branco colonizador. “Somos um povo em ser”. Para o antropólogo, o principal produto da colonização não seria outro senão a fundação desse novo povo-nação, diverso de todos os outros do planeta, fundado na mestiçagem: os brasileiros.

 

A fim de aprofundar meus conhecimentos sobre o instrumento, realizei, em 2007, uma viagem ao litoral sul de São Paulo, especialmente nas cidades de Iguape e Cananéia. Ali, percorri parte do circuito do Museu Vivo do Fandango que, não possuindo uma sede única, compreende um circuito de visitação pelas cidades de Iguape e Cananéia (em São Paulo), Guaraqueçaba, Paranaguá, e Morretes (no Paraná). Na viagem, coletei ações, histórias, causos e músicas de rabequeiros e construtores de rabeca.

 

Desse processo, acabou por se criar um personagem: um cego com sua rabeca. A partir desses materiais atorais, o dramaturgo argentino Santiago Serrano criou uma dramaturgia inédita.

 

O diretor convidado para conceber a encenação do espetáculo foi Marcelo Lazzaratto, Professor Doutor do Depto. de Artes Cênicas da UNICAMP e diretor da Companhia Elevador de Teatro Panorâmico.

 

A concepção de “Eldorado” apóia-se exclusivamente no trabalho de ator em relação ao espaço e à luz. O trabalho não apresenta cenário. Sobre o palco coberto por linóleo preto (caixa preta) a iluminação destaca uma presença humana. Assim como esse cego não vê os lugares por onde anda, igualmente o espectador não enxerga essas paisagens. Entretanto, se não se pode vê-las, é possível senti-las. Personagem e espectadores inventam realidades: ficção, lugares e conhecimento.

 

Poeticamente, a luz “ilumina” o cego em sua jornada pelo auto-conhecimento. Ele não a enxerga, mas a sente. Assim, a luz indica caminhos.

 

O cego conversa consigo mesmo e com a “Menina” que o acompanha. Se, pelo corpo, o cego intui mares, floressas, tesouros e amazonas, pela linguagem verbal nomeia esses elementos. O cego não lê palavras; elas é que lêem a realidade que ele pressente.

 

Nosso homem cego de “Eldorado” não dorme: sua vida é um constante despertar. Ele carrega uma sacola, onde está escondido o seu maior tesouro. Porém, ele nada sabe disso ou finge que não sabe. Será preciso que também ela “ilumine” seu caminho.

 

Eldorado é um espetáculo em que não percebemos os limites entre espaço interior e espaço exterior. Entre som e luz. Entre materialidade e espírito. Nosso homem cego dilata sua percepção estimulando seus sentidos para poder, através do outro, ou seja, do tesouro que traz em sua sacola, se lançar ao fluxo ininterrupto da vida.

 

Essa pesquisa de montagem é analisada na minha tese de Doutoramento em Artes: “Eldorado: dramaturgia de ator na intracultura”.

 

 

Novos Vídeos de “Eldorado”



Em celebração à realização da Mostra Repertórios do Corpo, no SESC Campinas, lançamos a nova galeria de vídeos de divulgação do espetáculo “Eldorado”. Reunimos, nessa galeria, clipe e entrevistas sobre a turnê do espetáculo pelo Vale do Ribeira, em São Paulo – região onde o ator, anos antes, havia realizado pequisas de campo que fundaram a criação do trabalho.


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Mostra Repertórios do Corpo no SESC Campinas

Depois de passar por Ribeirão Preto, a mostra “Repertórios do Corpo” chega ao SESC Campinas,   reunindo espetáculos e oficina do ator Eduardo Okamoto.

 

A mostra sintetiza resultados de seus estudos sobre a chamada dramaturgia de ator – modalidade de criação teatral fundada na organização de repertórios físico-vocais do atuante. Deste estudo foram desenvolvidos diversos espetáculos com a sua participação, como os solos “Agora e na Hora de Nossa Hora” e “Eldorado” (indicado ao Prêmio Shell 2009 como Melhor Ator), e as parcerias “Chuva Pasmada” (com a atriz Alice Possani, do Matula Teatro) e “Uma Estória Abensonhada” (em que dirige o Grupo Teatro Camaleão).

 

Em 2010, ano em que Eduardo Okamoto completou uma década de pesquisas continuadas sobre esse tema de trabalho, um evento-inventário denominado “10 Anos por uma Escrita do Corpo”, análogo a este “Repertórios do Corpo”, foi realizado nas cinco regiões do Brasil, passando por Natal, Belém, Goiânia, Belo Horizonte e Porto Alegre.

 

Confira a programação abaixo:


SERVIÇO MOSTRA “REPERTÓRIOS DO CORPO”

Local: SESC Campinas

Data: de o6 a 09/04.

Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00

Informações: 16 3977-4477

www.sescsp.org.br

Repertórios do Corpo no SESC Ribeirão Preto


Pela primeira vez em Ribeirão Preto, a mostra “Repertórios do Corpo” reúne três espetáculos do ator Eduardo Okamoto, Bacharel em Artes Cênicas, Mestre e Doutor em Artes pela Unicamp.

 

A mostra sintetiza o resultado de mais de uma década de pesquisa sobre a chamada dramaturgia de ator – modalidade de criação teatral fundada na organização de repertórios físico-vocais do atuante.

 

Deste estudo foram desenvolvidos diversos espetáculos com a sua participação, como os solos “Agora e na Hora de Nossa Hora” e “Eldorado” (indicado ao Prêmio Shell 2009 como Melhor Ator), e “Chuva Pasmada” (em parceria com a atriz Alice Possani, do Matula Teatro, e baseado no conto homônimo do escritor moçambicano Mia Couto).

Confira a programação abaixo:

 

Dia 29/03 às 21h

Espetáculo “Eldorado” – Indicação Prêmio Shell Melhor Ator 2009

 

Dia 30/03 às 21h

Espetáculo “Chuva Pasmada” – em parceria com a atriz Alice Possani, do Matula Teatro

 

Dia 01/04 às 21h

Espetáculo “Agora e na Hora de Nossa Hora” – Solo Premiado no Festival Internacional de Teatro Dança de Agadir – Marrocos

 

SERVIÇO MOSTRA “REPERTÓRIOS DO CORPO”

Local: SESC Ribeirão Preto

Data: 29 e 30/03, 01/04.

Ingressos: R$ 2,50 a R$ 10,00

Informações: 16 3977-4477

www.sescsp.org.br

 


Espetáculo “Chuva Pasmada” no SESC Araraquara


O ator Eduardo Okamoto volta a Araraquara para apresentação única de seu novo espetáculo: “Chuva Pasmada” – em parceria com a atriz Alice Possani do Grupo Matula Teatro.

 

A apresentação será no SESC ARARAQUARA no dia 31/03 às 20h.

 

Serviço:

Espetáculo “Chuva Pasmada”

Local: SESC Araraqura

Data: 31/03/2011 às 20h

Ingressos: R$ 5,00 a R$ 20,00

Informações: 16 3301-7500

www.sescsp.org.br

 


“Chuva pasmada” no SESC Santos


Parceria de Eduardo Okamoto e Alice Possani, do Matula Teatro, “Chuva Pasmada” inicia circulação por cidades do estado de São Paulo. Já estão agendadas apresentações em Santos, Araraquara, Ribeirão Preto, Campinas.


Em Santos, primeira cidade a receber o espetáculo depois da temporada paulistana no SESC Pompéia, a apresentaçãoa contece no dia 12 de fevereiro, no SESC.


Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui.


Serviço:

“Chuva Pasmada” no SESC Santos

Dia: 12/02/2011

Endereço: Rua Conselheiro Ribas, 136. Bairro Aparecida

Ingressos: de R$ 2,00 a 8,00

Informações: 13 3278 9800

“Chuva Pasmada” no Prêmio CPT


Para a escolha dos indicados ao Prêmio CPT 2010 foram consideradas as indicações da sociedade civil, realizadas por e-mail até o dia 23/07/2010 para o 1º semestre, e até o dia 10/12/2010 para o 2º semestre, com a contribuição de uma comissão avaliadora formada por Alexandre Mate, Lizette Negreiros, Antonio Chapeu, Sérgio Roveri. A entrega do Prêmio está prevista para dia 7 de fevereiro de 2010, no Teatro Coletivo.

Confira abaixo os indicados do segundo semestre ao Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro 2010, e a lista final do primeiro semestre:


Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro

 

1 – Dramaturgia – Criação individual ou coletiva em espetáculo apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional

 

1º Semestre

– Francisco Carlos: Namorados da catedral bêbada e Banana mecânica.

– Luís Alberto de Abreu: Em nome do pai / Um dia ouvi a Lua.

– Leonardo Moreira: Escuro

2º Semestre

– Antônio Rogério Toscano: Bielski

– Leonardo Cortez: Rua do Medo

– Zen Salles: Pororoca – Núcleo de Dramaturgia SESI – British Council.

 

2 – Direção – Criação individual ou coletiva em espetáculo apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional

1º Semestre

– Leonardo Moreira:Escuro

– Antunes Filho: Policarpo Quaresma

– Luciano Carvalho: A Saga do menino diamante – Uma ópera periférica

2º Semestre

– Maria Alice Vergueiro: As três Velhas

– Rodolfo García Vázquez, Roberto Zucco / Hipóteses para o amor e a verdade.

– Zé Henrique de Paula: Sideman / Novelo

 

3 – Elenco – Em espetáculo apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional

1º Semestre

– O Errante (Brava Companhia): Rafaela Carneiro, Max Raimundo, Márcio Rodrigues, Luciana Gabriel, Fábio Resende, Ademir de Almeida.

– O Idiota (Espetáculo com atores de cinco companhias teatrais diferentes – Cia. da Mentira, Vertigem, Teatro Oficina, Livre e Mundana): Aury Porto, Fredy Allan, Luah Guimarãez, Lúcia Romano, Luis Mármora, Sérgio Siviero, Silvio Restiffe, Sylvia Prado, Vanderlei Bernardino e Otávio Ortega

– Conjugado (Cia. Estável de Teatro, Dolores Boca Aberta e Nhocuné Soul): Andressa Ferrazi, Luciano Carvalho, Osvaldo Hortencio, Renato Gama e Tati Matos.

2º Semestre

– As três Velhas (Companhia de Teatro Pândega): Maria Alice Vergueiro, Luciano Chirolli e Paschoal da Conceição.

– A Criatura (Núcleo N3): Andreza Domingues, Cristiana Gimenes, Fábio Parpinelli, Gustavo Martins, Lanna Moura, Márcia Nunes, Neto Medeiros, Péricles Raggio e Wagner Dutra.

– Chuva Pasmada: Alice Possani (Grupo Matula Teatro) e Eduardo Okamoto

 

4 – Trabalho apresentado em sala convencional

1º Semestre

– Escuro (Cia. Hiato)

– Policarpo Quaresma (Antunes Filho)

– Dois Perdidos Numa Noite Suja

2º Semestre

– As três velhas (Companhia de Teatro Pândega)

– Bixiga (Musical – Direção Mario Masetti e Co-direção Carlos Meceni)

– 12 homens e uma Sentença (Direção Eduardo Tolentino)

 

5 – Trabalho apresentado em rua

1º Semestre

– Ser Tão Ser – Narrativas da outra Margem – (Buraco D’Oráculo)

– A Farsa do Advogado Pathelin – (Rosa dos Ventos – Presidente Prudente) – Texto: autor anônimo, Direção: Roberto Rosa.

– Terra Papagallis – (Trupe Olho da Rua – Santos)

2º Semestre

– Este Lado Para Cima (Brava Companhia).

– Radio Varieté (Cia. La Mínima ).

 

6 – Trabalho apresentado em espaços não convencionais

1º Semestre

– A Saga do Menino Diamante – Uma Ópera Periférica (Dolores Boca Aberta)

– Conjugado (Cia. Estável de Teatro, Dolores Boca Aberta e Nhocuné Soul).

– Rebentos – Trilogia Degenerada (Cia. Pessoal do Faroeste).

2º Semestre

– Roberto Zucco (Cia. de Teatro Os Satyros)

– Bielski (Cia levante)

– Dizer e Não Pedir Segredo (Coletivo Teatro Kunyn)

 

7 – Trabalho para plateia infanto-juvenil apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional

1º Semestre

– Amazônia Adentro (Cia. Conto em Cantos)

– A Mostra Cia. da tribo – 14 anos.

2º Semestre

– Ibejis (Cia. Pessoal do Faroeste)

– Na Arca às Oito (Cia. Paidéia Jovem de Teatro)

– João de Barros – Mais uma brincadeira Poética (Cia. Engasga Gato – Ribeirão Preto)

 

8 – Grupo ou Companhia revelação, do interior, litoral ou capital do Estado

1º Semestre

– Cia. dos Inventivos

– Brava Companhia

– Cia. Hiato

2º Semestre

– Núcleo Caboclinhas.

– Trupe Olho da Rua (Santos)

– Cia. Tragatralha (Piracicaba)

 

9 – Trabalho apresentado no interior e litoral paulista, em sala convencional, rua ou espaço não convencional

1º Semestre

– Um dia ouvi a Lua – Cia. de Teatro da Cidade (São José dos Campos)

Texto: Luís Alberto de Abreu – Direção: Eduardo Moreira

– A farsa do advogado Pathelin – Rosa dos Ventos (Presidente Prudente)

Texto: autor anônimo, Direção: Roberto Rosa.

– Terra Papagallis – Trupe Olho da Rua (Santos).

2º Semestre

– Bielski (Cia Levante).

– João de Barros – Mais uma brincadeira Poética (Cia. Engassa Gato – Ribeirão Preto).

– São Jorge e o Dragão (Cia. Cornucópia de teatro – Ribeirão Preto).

 

10 – Projeto Visual – elementos plásticos e visuais do espetáculo e sua realização cênica: iluminação, cenografia, figurino, adereços, maquiagem

1º Semestre

– Paulo Faria: Rebentos – Trilogia Degenerada.

– Marisa Bentivegna e Leonardo Moreira: Escuro

– Fernanda Aloi: Êxodos

2º Semestre

– André Cortez (Cenógrafo), Fabio Retti (Iluminação) e Fabio Namatame (Figurinos e Visagismo): O Amor e outros estranhos rumores (Grupo 3 de teatro).

– Adriana Carui (Figurinos), Jonas Ribeiro e Carlos Palma (Iluminação) e Claudio Lux (Efeitos Cenográficos): Big Bang Boom! (Núcleo Arte Ciência no Palco)

– Miguel Nigro (Bonecos, cenografia e figurinos), Cristina Souto (Iluminação): A Criatura (Núcleo N3 – Grupos: Teatro Por Um Triz, Teatro de La Plaza e Cia Patética).

 

11 – Projeto Sonoro – elementos sonoros do espetáculo e sua realização cênica: palavra, canto, trilha original ou adaptada, arranjos e sonoplastia.

1º Semestre

– Nara: Pedro Paulo Bogossian

– Popol Vuh: Gustavo Kurlat e Fabrício Zavanella

– Lamartine Babo – Musical dramático: Fernanda Maia.

2º Semestre

– Bielski: Cristiano Meirelles (Direção Musical) e Carolina Nagavoshi (Assistência Musical).

– Os Boêmios de Adoniran – Musical: Thiago Henrique (Direção Musical), Banda ao Vivo – Músicas de Adoniran Barbosa – Músicos: Léo Ferreira, Marcelo Brandão, Vitor Ramos e Paulinho Farias).

– Bixiga: Fabio Prado. Enéas Carlos Pereira (Letras), João Maurício Galindo (Regência), Jazz Sinfônica (Orquestra), Nelson Ayres, Ruriá Duprat, Miguel Briamonte e Rodrigo Morte (Compositores).

 

12- Ocupação de espaço – Compreendendo sala convencional, rua ou espaços não convencionais, no interior, litoral ou capital do Estado.

1º Semestre

– Dolores Boca Aberta: A Saga do Menino Diamante – Uma Ópera Periférica.

– Cia. Pessoal do Faroeste: Trilogia Degenerada.

– Brava Companhia: O Errante.

2º Semestre

– Boa Cia. de Teatro de Campinas no Tusp – Projeto “O Lobo do Homem”.

– V Edição da Mostra Lino Rojas – Pela ocupação na Praça do Patriarca  e diferenciados outros espaços da periferia da cidade de São Paulo.

– O idiota (Espetáculo com atores de cinco companhias teatrais diferentes – Cia. da Mentira, Vertigem, Teatro Oficina, Livre e Mundana). (Sesc Pompéia)

 

13 – Publicação dedicada ao universo do teatro, suas diversas vertentes, relações e linguagens, em projetos de Grupos e Companhias teatrais, instituições ou similares.

1º Semestre

– Na cena do Dr. Dapertutto – Maria Thais (Perspectiva)

– Hierofania: Sebastião Milaré (Edições SescSP)

– Batalha da Quimera: Sebastião Milaré (Edições Funarte).

2º Semestre

– Revista Rebento – Revista de Teatro e Espetáculo (Unesp)

– Aparte XXI – Revista do Teatro da Universidade de São Paulo

– Cia. de Teatro Os Satyros (Imprensa Oficial)

 

14 – PRÊMIO ESPECIAL

1º Semestre

– Aos Movimentos 27 de Março, Roda do Fomento e Movimento de Teatro de Rua.

(Pelo importante engajamento militante e político pela Cultura do País).

2º Semestre

– Ao V Festival Internacional de Teatro para Infância e Juventude – Uma janela para a utopia – Cia. Paidéia Jovem de Teatro.

– A Luiz Carlos Moreira pelos 30 anos de militância e igualmente à Companhia Engenho que desde 1993 leva Teatro para a periferia de São Paulo no Engenho Teatral.

– Ao Circuito Tusp – Por levar espetáculos e oficinas teatrais a 6 cidades do interior (Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto e São Carlos).

 

 

*Fonte: http://www.cooperativadeteatro.com.br/2010/?p=2528


Chuva Celebrada


O espetáculo “Chuva Pasmada” fundamenta-se na obra de Mia Couto. A gênese deste processo criativo, no entanto, não se limita à matéria literária: inclui os festejos de dez anos de trabalhos do ator Eduardo Okamoto e do Grupo Matula Teatro. Chuva é celebração.

 

O espetáculo marca o reencontro de Alice Possani, atriz do Matula, e Eduardo Okamoto, um dos fundador deste grupo e que, a partir de 2005, seguiu carreira solo. Em 2010, ano de estréia deste novo trabalho, ator, atriz e grupo completam dez anos de trajetórias (às vezes em caminhos próximos; outras, autônomos).

 

E se o texto de Mia Couto é escrito de passagens – tratando de amor, crescimento, amadurecimento, morte -, esta “Chuva” é também trânsito para novas experiências. É certo que há de se celebrar os dez anos em que jovens artistas de teatro se dedicam a um projeto artístico de longo prazo, construído no tempo – que sempre nos faz outros. Mas também há de se celebrar os anos vindouros que o tempo precedente aponta. Esta nossa chuva, que nunca esteve pasmada, há também de preparar para o fluir de um rio sempre nascente.

 

Na abertura ao novo, os atores aproximaram-se de outros artistas, como o encenador Marcelo Lazzaratto e o dramaturgo Cássio Pires. Ambos, com linhas de estudo distintas daquelas que marcam as trajetórias de Matula e Okamoto, puderam referenciar a criação com novos procedimentos – como o uso da palavra, matéria pouco explorada em trabalhos anteriores fundados em linguagem corporal. Na reunião das diferenças, realizamos em processo criativo a provocação de Mia Couto: coração sempre começando no peito de outra pessoa.

 

 

Processo de criação

Em “Chuva Pasmada” os atores valeram-se dos procedimentos da mimese corporal, mas apontaram para pontos de pesquisa ainda pouco estudados: as suas relações com um texto dramatúrgico previamente escrito – o conto de Mia Couto e a adaptação de Cássio Pires. Assim, ao mesmo tempo em que coletavam materiais para a criação de personagens, os atores desenvolveram trabalhos de leitura e entendimento de texto. Um dos fundamentos do trabalho reside justamente no equilíbrio entre matéria dramatúrgica e materiais físico-vocais codificados pelos atores.

 

Um dos desafios da interpretação residia numa dificuldade: apenas dois atores deveriam apresentar a grande quantidade de personagens do texto literário. Isto de certa maneira “pressionou” os artistas na consolidação da linguagem do espetáculo, com atores desdobrando-se em narradores e diversos personagens. Aqui, o trabalho de mimese foi fundamental: ampliando o repertório dos atores, oferecendo grande quantidade de materiais à criação.

 

A leitura que a equipe de criação imprimiu ao conto moçambicano trouxe outra dificuldade: interessava não a leitura típica das relações étnicas (sociais, históricas, mítico-religiosas etc) dos povos africanos, mas a leitura arquetípica das relações humanas. Assim, mais que identificar cada ator a um personagem, interessava identificar cada atuante a todos os personagens: a potência humana de assumir diversos papéis: Homem, Mulher, Velho, Menino . Isso levou a nova provocação para os atores. Cada personagem seria representado por mais de um ator, sem a utilização de referencias de cenografia e figurinos. A equipe de criação se perguntava: como, somente com seus corpos, as personagens poderão “viver” em diferentes atores? Como fazer o público reconhecer um mesmo personagem ainda que existam diferenças entre os corpos de um ator e de uma atriz? Aqui, o desafio foi mantendo as características de cada ator aproximar “eixos” de personagens.

 

“Chuva Pasmada” é fundado no trabalho do intérprete, com poucos recursos cenográficos e de figurinos. Num processo inaugurado em confronto de matéria literária com “material de ator”, o espetáculo acaba por sintetizar-se na idéia da palavra tornada corpo: com imagens literárias alimentando a criação de matrizes físicas; com matrizes vocais imprimindo novos sentidos às palavras; com o discurso verbal provocando novas sensações ao discurso não-verbal.

“Chuva Pasmada” no Olho do Furacão



Transcrevemos, abaixo, a crítica de Kil Abreu para o espetáculo “Chuva Pasmada”, apresentado no Fentepp 2010.


 

Nesta versão teatral do conto de Mia Couto, defendida por Alice Possani e Eduardo Okamoto, sobressai uma vez mais algo recorrente na cena brasileira dos últimos anos: a visita ao tema da cultura comunitária, temporalmente recuada e que deixa ver um tipo de sociabilidade em que a vida surge ainda nas bases de um compartilhamento possível, de aspirações coletivas quanto aos sentidos da existência. É esta perspectiva que dimensiona o caráter filosófico que a montagem tem. O dado de dramaticidade está no ruído que, inesperado, aparece para perturbar a ordem deste mundo visível na sua totalidade de valores. É a fenda aberta naquela realidade pacífica o que gera o interesse teatral.

 

No Brasil o gosto por estas dramaturgias pode ser visto em projetos artísticos como o do grupo Lume (Café com queijo é exemplar) e a linhagem de pesquisas orientadas pela antropologia teatral. Mas está também em autores cujos propósitos e estéticas são bem diversos, como Newton Moreno (pensemos em Agreste e Assombrações do Recife velho) e Luis Alberto de Abreu (Maria peregrina, Borandá e outras). Além destes, que mantêm trabalhos de excelência, há um sem número de artistas e grupos tateando campos parecidos. De todo modo há a disposição para formalizar um imaginário social que ganha maior sentido e utilidade não apenas pelo que representa de recuo nostálgico a modos de convivência hoje praticamente perdidos, mas porque estes modos contrastam violentamente com a nossa própria maneira de viver no presente.

 

A começar pelo que talvez pudesse ser o ponto de chegada deste argumento, podemos dizer então que Chuva Pasmada é um espetáculo bonito e útil porque, como nos bons exemplos desta linhagem, deixa claro, ainda que nas entrelinhas, o contraste daquele mundo com as relações atuais, em tudo fragmentadas e cada vez mais distantes da possibilidade de visualização como totalidade. De dentro da sua expectativa fabular a narrativa nos alerta para uma solidão que se anuncia terrível e, pior, paradoxal, porque se dá no olho do furacão de uma dinâmica social, a nossa, em que se proclamam justo os ganhos da interação instantânea que, no entanto, são sempre parciais e altamente mediados.

 

Tendo como tarefa dar concretude ao narrado a dupla de atores, sob a orientação de Marcelo Lazzaratto, transita com grande interesse pelas dobras da história. Tem a seu favor a dramaturgia de Cassio Pires, que faz pacto de convivência com o que é fundamental no conto, aquilo que se convencionou chamar “relato simples”, um gênero de épica das origens que mantém assento na oralidade tradicional, ainda que aqui ela apareça revestida com o acabamento de uma voz literária particular.

 

Em um dedicado trabalho de investigação das imagens que o texto oferece, Alice e Okamoto usam sofisticado repertório atoral, com apoio na gestualidade que, referente aos personagens e situações, não quer mimetizá-los à risca, preferindo a estilização. É um caminho que deixa como ganho o desenho necessário das ações e os espaços livres para uma atuação dinâmica que envolve o relato e a mímesis a um só tempo. São performances sustentadas e empáticas que, entretanto, ainda deixam em suspenso (para usar uma imagem do conto) algo importante. Há grande eficácia na composição das personagens, na chave escolhida. Isto garante uma parte do efeito e do interesse que temos no acompanhamento da narrativa. Mas, salvo engano, ainda será preciso dedicar a mesma atenção quanto ao desenrolar mais exterior das ações. A sintonia fina que é possível ver na construção dos papéis ainda carece de investimento na área da narração. É que o conto, por simples que pareça, tem uma estrutura com muitas dobras, que incluem informações e sentidos. Não temos, por hora, a clareza necessária sobre estas informações, o que por fim acaba prejudicando a apropriação dos sentidos.

 

É claro que com isto não se diz que o espetáculo deva levar o espectador tendenciosamente a um sentido, o que seria traição à abertura poética que a dramaturgia preserva. Entretanto, trata-se de uma narrativa exemplar que tem, sim, um campo de possibilidades de leitura circunscrito ou ao menos esperado. Esclarecer melhor o andamento das ações, as relações de causa e consequência não no aspecto dos seus efeitos, mas do que há nelas de mais objetivo, qual seja, as suas circunstâncias, certamente vai favorecer muito a leitura final que, assim, poderemos fazer com as nossas chaves próprias. Isto seria tão importante quanto o estado, a atmosfera cênica que já estão bem instalados no espetáculo (e, neste capítulo, com a colaboração fundamental da trilha pensada por Michael Galasso).

 

É uma difícil e por isso bela tarefa artística. Mas tem como operadores um time de muita qualidade, pela importância mesmo dos seus respectivos trabalhos e, sobretudo, pelo nível de inquietação que podemos ver neles. Então o reclamo por uma apropriação mais efetiva da platéia na relação com a montagem talvez ainda interesse. Por comum, esta seria também uma forma de articular, nesta idéia de um compartilhamento mais generoso, uma resposta possível àquela dor da época que – supomos – Mia Couto intui com razão, mesmo que a represente subliminarmente.

Fonte: Kil Abreu / Foto: Fernando Martinez


Estréia “Chuva Pasmada” no Sesc Pompéia


Hoje às 21h, no Novo espaço Cênico do SESC Pompéia,  estreia a temporada do espetáculo Chuva Pasmada! Espetáculo em parceria com o Grupo Matula Teatro.

 

 

De 22/10 (hoje) à 14/11 (com exceção do dia 31/10)

Sextas e Sábados às 21h; Domingos às 19h.
Ingressos de R$ 3,00 a R$ 12,00
SESC Pompéia: Rua Clélia, 93 – São Paulo-SP