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“Eldorado” em Taubaté

 

Eduardo Okamoto apresenta monólogo com dramaturgia de Santiago Serrano e direção de Marcelo Lazzaratto na abertura do 1º Festival de Teatro de Taubaté.

 

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A primeira edição do Festival de Teatro de Taubaté começa no dia 15 de setembro, com a apresentação de “Eldorado” como espetáculo convidado. As apresentações seguem até o dia de 25 de setembro. O evento conta com a participação de dez grupos teatrais das cidades de Taubaté, São Paulo, Jacareí, São José dos Campos e Pindamonhangaba.

 

Organizado pela Secretaria de Turismo e Cultura (SETUC) da Prefeitura de Taubaté, o festival contará com apresentações diárias no Teatro Metrópole.  O ingresso para cada espetáculo custará R$ 5,00 (preço único e promocional). A abertura em que se apresenta o espetáculo de Okamoto tem ingressos franca. 

 

“Eldorado” foi criado a partir de estudos de Eduardo Okamoto sobre a tradição da rabeca – instrumento de arco e cordas, como o violino, presente em muitas manifestações da cultura popular do Brasil. A partir destes estudos, o premiados dramaturgo argentino criou uma texto inédito. Ali, conta-se a fábula de um cego que, acompanhado por uma “Menina”, busca encontrar o que nenhum homem pôde jamais: Eldorado. 

 

Depois de um longo processo de estudo e criação dramatúrgica (aproximados três anos), o diretor Marcelo Lazarrato lapidou as criações de ator e dramaturgo, conferindo forma final ao espetáculo. Assim, procurou universalizar os estudos de Okamoto que, inicialmente, pautava-se em relações regionais (a rabeca e os rabequeiros). Neste lugar atemporal, propício ao maravilhamento, o personagem cego da fábula  é todo homem e o Eldorado é a busca humana pelo seu bom lugar.

 

Serviço:
“Eldorado” em Taubaté  
15 de setembro, às 20h 
Teatro Metrópole
Duque de Caxias, 312 – Centro
(12) 3624-5915 
Ingressos gratuitos  

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no Correio Popular

 

O jornal Correio Popular noticiou, na edição de domingo, dia 20 de maio de 2012, a apresentação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” na Polônia.   Para ler a matéria na íntegra, clique aqui

 

 

Valem duas pequenas correções ao texto: Eduardo Okamoto não é ator da Boa Companhia – ainda que o espetáculo seja dirigido por Verônica Fabrini, também diretora deste grupo; “Agora e na Hora de Nossa Hora” não foi criado em 2011, mas em 2004.    

Eduardo Okamoto no Clube da Leitura, no SESC Carmo

 

Em 31 de maio, às 19h, Eduardo Okamoto participa do Clube da Leitura, do SESC Carmo, na capital Paulista. Neste mês, o clube debate o livro “Estórias Abensonhadas”, do escritor moçambicano Mia Couto, publicado pela Editora Penguin – Cia das Letras. 

 

O Clube da Leitura é uma série de encontros mensais em que os leitores se reúnem para conversar sobre livros sugeridos pelo SESC, em parceria com a Editora Penguin – Companhia das Letras. O Clube de Leitura é um espaço alternativo em que o público pode compartilhar suas experiências literárias, dúvidas e impressões de leitura.

 

O livro escolhido para debate no mês, “Estórias Abensonhadas”, já motivou a criação de um trabalho de Okamoto: “Uma Estória Abensonhada”, em que dirigiu o Grupo de Teatro Camaleão, de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O espetáculo foi livremente inspirado num dos contos do livro, “A Praça dos Deuses”. Ali, um rico comerciante gasta toda a sua fortuna para celebrar em 40 dias e em praça pública o matrimônio do seu único filho.  

 

 

Além desta experiência, a obra do moçambicano Mia Couto já referenciou a criação de outros dois trabalhos com a participação de Eduardo Okamoto: “Eldorado” e “Chuva Pasmada”. O primeiro, monólogo de Okamoto, tem dramaturgia inédita criada por Santiago Serrano, mas muitas imagens do conto “O Cego Estrelinho” (do mesmo “Estórias Abensonhadas”) estimularam proposições do ator. O outro, parceria com o Matula Teatro, é adaptação de Cássio Pires para a novela homônima de Mia Couto. Os dois trabalhos foram dirigidos por Marcelo Lazzaratto.            

 

 

“Estórias Abensonhadas” no Clube da Leitura
Mediação de Eduardo Okamoto 
SESC Carmo – Área de Convivência, às 19h
Inscrições de 14 a 24 de maio pelo e-mail: biblioteca@carmo.sescsp.org.br
30 vagas 

Cartaz “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”

 

“Agora ena Hora de Nossa Hora” é um solo de Eduardo Okamoto com direção de Verônica Fabrini. O projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” realiza 18 apresentações do espetáculo em sete cidades do interior paulista, registrando os 18 anos da Chacina da Candelária – quando, no Rio de Janeiro, oito meninos de rua foram assassinados por policiais. As apresentações são financiadas pelo PROAC 2011 – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.  

 

Abaixo o cartaz da empreitada: 

 

Espetáculo “Eldorado” em curtíssima temporada em São Paulo

 

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O solo “Eldorado”, do ator Eduardo Okamoto, volta a São Paulo, em curtíssima temporada no Espaço Elevador, sede da Cia Elevador de Teatro Panorâmico. A temporada tem pré-estréia para convidados no dia 01 de dezembro e segue em temporada até o dia 18 do mesmo mês. As apresentações acontecem de quinta-feira a sábado, às 21h, e nos domingos, às 19h.

  

É a primeira vez que “Eldorado”, que é dirigido por Marcelo Lazzaratto, apresenta-se no espaço em que o diretor reúne a sua própria companhia de teatro: a Cia Elevador. Este coletivo vem se firmando, nos últimos anos, como um dos importantes trabalhos teatrais da cidade de São Paulo. Isso é atestado pela seleção consecutiva de dois de seus projetos pela Lei de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, em 2010 e 2011, e pela indicação ao Prêmio Shell pela pesquisa e criação do espetáculo “Do Jeito que Você Gosta”. 

 

Com espaço próprio, a Cia Elevador, além de abrigar suas criações, abre suas portas para a receber trabalhos de outros artistas, como na temporada recém concluída de “Portela, patrão. Mário, motorista”, da Boa Companhia.     

 

Sendo o Espaço Elevador não só uma casa de espetáculos, mas sobretudo um centro de pesquisa em teatro, a temporada de “Eldorado” será acompanhada de um workshop gratuito sobre “Dramaturgia do Corpo”, com Eduardo Okamoto. O curso acontece entre os dias 02 e 03 de dezembro e já tem vagas esgotadas.  

 

Eldorado
O trabalho sintetiza as pesquisas de Eduardo Okamoto sobre o universo da rabeca – instrumento de arco e cordas, semelhante ao violino, presente em muitas manifestações da cultura popular do Brasil. Em viagens de campo nas cidades de Iguape e Cananéia, no litoral sul de São Paulo, Okamoto recolheu causos, canções, ações de rabequeiros, seus timbres de voz. Esse material serviu de base para a criação dramatúrgica do argentino Santiago Serrano. Foi ele quem delineou a fábula de um cego em busca de um bom lugar, seu Eldorado.  

 

“Eldorado”, assim, fala de territórios de viagens. Ali, onde o viajante é atravessado enquanto enquanto atravessa geografias. Ali, onde todo homem é único e igual a todos os demais. 

 

Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui.  

 

Serviço
“Eldorado” no Espaço Elevador
De 02 a 18 de dezembro
De quintas-feiras a sábados, às 21h
Domingos, às 19h 
Endereço: Rua Treze de Maio, 222. Bela Vista – São Paulo.
Telefone: 11 3477.7732
Ingressos: de R$10,00 a R$20,00  

 

 

18. “Um Homem na Estrada”

 

Encerramos com essa postagem e com a apresentação de “Agora e na Hora de Nossa Hora”, hoje , no SESC Pompéia, a primeira fase do projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”. Em 18 sessões do espetáculo e em 18 postagens neste blog registramos os 18 anos da Chacina da Candelária – o trágico episódio quando, no Rio de Janeiro, policiais assassinaram oito meninos de rua nos arredores da Igreja da Candelária.   

 

A partir de fevereiro de 2012, o projeto será estendido ao interior do estado de São Paulo, em outras 18 sessões do trabalho em 7 cidades. Estas apresentações serão realizadas com recursos do PROAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo e serão acompanhadas de atividades outras: exposição sobre o processo de criação do espetáculo, bate-papo após a primeira sessão em cada cidade, uma oficina sobre dramaturgia de ator e outras 18 postagens neste blog com reflexões sobre a situação de rua.

 

Assim, colocamos os pés na estrada. E para celebrar os próximos passos, postamos “Um Homem na Estrada”, dos Racionais Mc’s. Nem é preciso dizer que a música deste coletivo fala fundamente aos meninos de rua de Campinas e São Paulo: tanto quanto o Realidade Cruel, os meninos ouvem muito as suas músicas, conhecem de cor as suas letras e as têm como uma espécie de trilha sonora de suas vidas.  

 

Neste sentido, notável e comovente foi o dia em que um dos meninos participantes da oficina de circo do projeto “Gepeto – Transformando Sonhos em Realidade”, da Ong ACADEC e do CRAISA, pretendeu jogar malabares ao som de “Um Homem na e Estrada”. Havia semanas, este menino deixava o uso de crack, apresentava-se como monitor-assistente da oficina de circo e retomava o contato com a família. Assim, os malabares acompanhados da música em que um homem, saído da prisão, descreve a sua mudança de vida realmente era um sinal das suas próprias transformações. 

 

Obviamente não podemos dizer que em 18 anos amadurecemos um projeto social distinto daquele que assassinou crianças e adolescentes, na Candelária. Mas, nas apresentações do espetáculo, recebemos inúmeros espectadores igualmente insatisfeitos com a ordem atual da sociedade brasileira. Os descontentes, tenho certo, ainda ajudarão a construir um mundo mais feliz.  

 

Não sei dizer o real alcance das apresentações de um espetáculo e da redação de textos para a transformação social. Mas isso, no mínimo, nos coloca em movimento e, dessa maneira, alguma relevância deve ter.  Encerramos, enfim, a primeira fase de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18”. Celebremos! Celebremos! 

 

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

17. Teatro Ilimitado

 

Uma verdade óbvia: “Agora e na Hora de Nossa Hora”, em cartaz no SESC Pompéia, é um solo. E, sendo assim, uma série de limitações lhe são impostas. Por vezes perguntaram-me se o assunto da peça – a Chacina da Candelária, a vida de meninos de rua -, não estaria melhor representada com a participação de outros atores, com o desenvolvimento de diferentes conflitos dramatúrgicos, com outra cenografia etc.  Não tenho uma resposta efetiva para isso. Ora, é claro que o trabalho seria outro, fosse ele criado em contexto diverso do que foi. Ainda assim, reconheço que há, no trabalho, um enfrentamento: um único homem, em cena, procurando dar conta de uma injustiça do mundo e, dessa maneira, procurando dar voz a muitas vozes. Assim, um ator coloca-se em movimento na tentativa de vencer uma limitação, a solidão em cena.    

 

Felizmente, as apresentações do espetáculo também me colocaram em contato com muitos outros trabalhos que, ao seu modo, procuram vencer situações que, num primeiro olhar, representariam uma limitação para a criação artística. Artistas que criam em situações de pobreza, de preconceitos etc. Ou ainda, artistas que precisam vencer dificuldades pessoais grandes para realizar as suas obras. Conhecer esses trabalhos, deu-me coragem para seguir investindo no meu próprio estudo. 

 

Ramesh Meyyappan é um ator surdo e mudo. Aquilo que aparentemente é limitação, em sua atuação, transforma-se em mote para poesia. Sem usar a palavra, constrói seu trabalho sobre a Mímica Moderna. Em “Snails and Katchup” apresenta  versão de “O Barão nas Árvores”, de Ítalo Calvino, encarnando a literatura em aproximadamente 1 hora de espetáculo. Não bastasse a superação de uma primeira limitação física, a poesia vencendo os “nãos” da vida, Meyyappan ainda realiza o espetáculo acompanhado de linda trilha sonora, executada ao piano, ao vivo. Assim, primeiro vence a si mesmo, expressando no corpo aquilo que não pode dizer em palavras; depois, generosamente oferece ao espectador um aspecto do espetáculo que lhe é inacessível, a música (pelo menos aos seus ouvidos). A arte é muito maior do que cada um de nós, parece ele nos dizer. O espetáculo é maior do que aquilo que o artista dá conta de conscientizar; é, enfim, aquilo que acontece não só entre artista e espectador, mas, a partir dessa relação, aquilo que se dá entre pessoa (ator, audiência) e a obra.

 

 

Nassim Soleimanpour é diretor e dramaturgo. Aos 29 anos é impedido pelo governo de deixar seu país. Nem mesmo a trabalho pode viajar para fora do Irã. Uma limitação para uma arte como o teatro, que exige presença viva de artistas diante de seu público. O dramaturgo, porém, não sucumbe ante a dificuldade. Escreve uma peça que não exige ensaios, não exige diretor, não exige cenário, nem preparo anterior dos atores: “White Rabbit, Red Rabbit”.  A cada dia, um performer recebe, no momento mesmo da apresentação, o texto que será lido. Ali, a fábula de um coelho que vai assistir a uma peça de teatro e é inadequado para o ambiente: suas orelhas são grande demais e atrapalham a visão dos demais espectadores – haverá debate mais claro sobre a exclusão? No texto, o dramaturgo envolve performer e audiência numa série de tarefas e decisões. E nos lembra: não posso estar aí com vocês que, então, são meu futuro. Temos, assim, a responsabilidade sobre nossas escolhas e, sobretudo, uma missão: fazer chegar a arte onde o artista não pôde. Por fim, o trabalho ainda abarca uma certa discussão sobre o suicídio, envolvendo decisões dos espectadores. Em, nós, a responsabilidade: somos mesmo o futuro do dramaturgo?   

 

Em “King Lear”, o ator taiwanês Wu Hsing-kuo desafia-se: sozinho pretende representar todos os personagens de “Rei Lear”, de Shakespeare. Quem conhece a tragédia shakespereana sabe que montá-la como solo é, em princípio, aceitar um fracasso: a impossibilidade de abarcar sozinho tantos aspectos humanos abordados na obra. Se não pode vencer a peça, Wu Hsing-kuo vence a si: dilata-se enormemente, encontra em si mulher, homem, velho, jovem, cego, floresta, mar. Não sei dizer o que ele fez com Shakespeare, mas posso dizer que Shakespeare o tornou grande – em momento marcante da encenação, tira figurinos e maquiagem e grita: “Eu sou Rei Lear! Eu! Eu!” E nós o acompanhamos: grandes, como todo homem; pequenos, como qualquer homem. 

 

O ator, célebre intérprete da Ópera de Pequim, ainda encontra, no seu corpo,  intersecções entre Oriente e Ocidente. Somos, assim, muito ocidentais, como Shakespeare. Somos, assim, muito orientais, como Wu Hsing-kuo.   

 

 

Arte é exercício de liberdade: revelação de sentidos que cotidianamente estão obscuros; a possibilidade de ressignificá-los; a mudança da rotina, transformação. Por vezes, no entanto, a vida que se apresenta é muitíssimo pouco afeita à libertação, envolta em circunstâncias hostis: a miséria, a polícia, as nossas muitas deficiências, a solidão.

 

As participações de “Agora e na Hora de Nossa Hora” em muitos eventos possibilitaram-me um intercâmbio com muitos artistas. Aí, oportunidades incríveis de aprendizado com a experiência alheia: vencer os “nãos” da vida com os “ainda há muita coisa possível” da poesia. Vencendo circunstâncias, vencemos a nós mesmos e, no limite, vencemos, como escreve o grande Ariano Suassuna, a própria morte:     

 

Abertura sob pele de ovelha

Falso Profeta, insone, Extraviado,
Vivo, Cego, a sondar o Indecifrável:
e, jaguar da Sibila – inevitável,
meu Sangue traça a rota desse Fado.

 

Eu, forçado a ascender, eu, Mutilado,
busco a Estrela que chama, inapelável.
E a pulsação do Ser, fera indomável,
arde ao Sol do meu Pasto – incendiado.

 

Por sobre a Dor, Sarça do Espinheiro
que acende o estranho Sol, sangue do ser,
transforma o sangue em Candelabro e Veiro.

 

Por isso, não vou nunca envelhecer:
com meu Cantar, supero o Desespero,
sou contra a Morte e nunca hei de morrer.

 

Ariano Suassuna

 

Uma das minhas pelejas com a arte apresenta-se somente até amanhã no SESC Pompéia: “Agora e na Hora de Nossa Hora” encerra temporada de 18 sessões, amanhã, dia 27 de novembro. Todos são convidados! 

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

 

16.A Música dos Meninos de Rua de Campinas: Realidade Cruel

 

Estamos já na décima sexta postagem de “Agora  e na Hora de Nossa Hora_18!”. Em 18 postagens nesse blog e 18 sessões de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia marcamos os 18 anos da Chacina da Candelária – quando, no Rio de Janeiro, oito meninos de rua foram assassinados por policiais. 

 

Nessa publicação, revelo uma influência essencial para o espetáculo: Realidade Cruel. O grupo de rap foi formado em 1992, na Região Metropolitana de Campinas. São célebres as músicas do coletivo criadas a partir de outras canções da MPB ou mesmo da música pop internacional.  

 

Trabalhei com meninos de rua  e com adolescentes do Internato Jequitibá, antiga FEBEM, em Campinas.  E posso dizer com absoluta certeza: poucos artistas conseguem falar tão fundamente com esses meninos como os rappers dessa banda. 

 

Assim, a música do Realidade Cruel acompanhou-me em muitos ensaios de “Agora e na Hora de Nossa Hora”. E uma delas, “Depoimento de um Viciado”, é cantarolada por Pedrinha, personagem do espetáculo. 

 

 

5. Chacina da Candelária: a madrugada que não acabou

 

Essa é a quinta postagem de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” que, nesse momento, acompanha 18 apresentações de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia.  

 

A realização de exatas 18 sessões do espetáculo, assim como as 18 postagens no blog, tencionam o registro dos 18 anos da Chacina da Candelária – quando, no Rio de Janeiro, 8 meninos de rua foram assassinados nos arredores da Igreja da Candelária. Assim, a provocação: como sociedade atingimos a maioridade do tema social?  

 

Em outra postagem, já falei das motivações em abordar a chacina como assunto da cena:  o acontecimento histórico, de meu ponto de vista, revela um comportamento cotidiano da sociedade brasileira com os meninos de rua –  negá-los até a morte! A história como modelo revelador.

 

Essa abordagem do fato histórico foi fortalecida a partir das minhas interações com os meninos de rua em Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Em todas essas cidades, persistem os históricos de abusos policiais, assassinatos e, no limite, como testemunhei no Rio, a violência à população de rua apresentada descaradamente como política pública.    

 

Aqui, adapto trecho do livro “Hora de Nossa Hora: o menino de rua e o brinquedo circense”, de minha autoria, publicado pela Editora Hucitec (2007).  

 

Dez anos depois
Dez anos depois do escândalo internacional da Candelária, pouca coisa havia mudado. Em 2003 e 2004, quando da realização de minhas pesquisas para o espetáculo, o Governo do casal Garotinho (Rosinha, a Governadora, e Anthony, seu Secretário de Segurança) comandam o programa Zona Sul Legal. O programa incluía, além do aumento do efetivo das polícias cariocas – boa parte alocada na Zona Sul, área onde vive a elite econômica da cidade do Rio de Janeiro e onde se localizam importantes centros turísticos –, ações de recolhimento da população de rua, encaminhada para as Centrais de Triagem.

 

No Estado do Rio, o menino de rua que dormia na calçada da Zona Sul, primeiro era algemado e só depois era desperto. Uma criança era presa (uma criança!) única e exclusivamente porque ultrapassara a barreira geográfica do apartheid social: Zona Sul não é lugar de pobre!

 

O Estado, além de violentar a população que deveria representar através de políticas sociais adequadas, divulgava a sua ação como política de segurança. “Todos podem dormir tranquilos porque os pivetes estão sendo recolhidos”, parecia anunciar a propaganda publicitária veiculada em rádio e televisão.

 

O governo potencializava o desentendimento, tomando o menino de rua como o responsável pela violência na cidade. Durante o tempo em que eu estive no Rio de Janeiro, não vi, naquele momento, notícias de uma única ação que se dirigisse ao desmantelamento do crime organizado e do tráfico de drogas. Era mais fácil para os Garotinho projetar em crianças e adolescentes a sensação de insegurança do cidadão da Zona Sul do que desenvolverem políticas reais de Segurança Pública.

 

Uma Noite na Central de Triagem
Segundo os informes publicitários, as pessoas que eram recolhidas nas ruas eram encaminhadas para locais adequados para o seu acolhimento. Não foi o que eu vi. Na Central de Triagem, local de onde todos deveriam ser encaminhados para os abrigos da cidade, não havia possibilidade da efetividade do trabalho, porque não havia abrigos para recebê-los. Na Central de Triagem, espaço sem a mínima infra-estrutura para o desenvolvimento de uma política social adequada (não havia camas, não havia banheiros suficientes, as refeições eram produzidas em condições precárias etc.), crianças e adolescentes, homens, mulheres e até mesmo famílias acomodavam-se como podiam (cada um destes grupos ocupando um andar da instituição).

 

Havia, ainda, aqueles que nem mesmo conseguiam adentrar o prédio da Central, acomodando-se na sua calçada mesmo. Não havia como passar despercebida a sucessão de violências a que estava sendo submetida a população de rua do Rio: antes de tudo, a própria situação de marginalização social; depois, as ações de recolhimento, tolhendo-lhes o direito constitucional de ir a vir; por fim, ainda, o encaminhamento para locais onde não havia condições de um atendimento com a responsabilidade que pedem os problemas sociais brasileiros.

 

Uma política fundada em absurdos: no absurdo de que as populações marginais não podem e não devem circular nas áreas nobres da cidade; no absurdo de que o Estado sabe, mais do que as próprias pessoas, o que delas deve ser feito; no absurdo de que a situação de rua, em si, condiciona ao crime (daí o desenvolvimento de um programa de segurança na atuação junto à população de rua) etc.

 

Política Social, no Brasil, frequentemente é caso de polícia! 

 

Campinas: uma Candelária  por mês
Fosse a Chacina da Candelária um evento isolado e já se teria motivos para fazer um espetáculo de teatro. Fosse a violência contra a infância exclusiva ao Rio de Janeiro e já se teriam motivações bastante para a indignação. Para muito além desse fato e desse estado, a violência contra meninos de rua se estende irrestritamente por todo o território nacional. Daí as motivações para um espetáculo indignado. 

 

Lembro que a cidade mesmo em que vivo, Campinas, apresenta igualmente índices alarmantes de violência contra o cidadão em geral e especialmente contra a população pobre. Nos tempos de minha interação com os meninos de rua contabilizavam-se entre 8 e 10 menores de idade assassinados a cada 30 dias: mais de uma Candelária por mês!  

 

Eu mesmo ouvi de meninos de Campinas e de educadores que com eles trabalham relatos impressionantes. Numa noite, contavam eles, a polícia recolheu diversos meninos no centro da cidade (política de recolhimento e de afastamento de população de rua é uma das ações menos criativas e mais violentas a que se submete essas pessoas). Depois, foram levados para um “lixão”: enquanto um policial controla o grupo, outro leva um a um a local onde não podem ser vistos pelos demais. Ali, atira. Um a um, os meninos são levados e ouvem-se os tiros. Os que estão próximos do grupo já sabem: aguardam a sua sentença de morte. Quando levados ao local onde acreditam serem sentenciados, no entanto, o policial ordena que corram para longe dali; só então atira em direção oposta. Dias mais tardes, os meninos pouco a pouco encontram seus parceiros nas ruas da cidade. Apenas um susto? Com o passar do tempo entendi: tudo e todos pretendem dizer a esses meninos que as suas vidas não lhes pertence. 

 

18 anos depois
Passados 18 anos da Chacina da Candelária, provocamo-nos: atingimos a maioridade do problema social que, no limite, assassinou crianças e adolescentes, em 1993? 

 

A provocação, como se vê, estende a Chacina da Candelária para muito além do evento histórico (uma madrugada que ainda se repete) e para muito além do território carioca.  

 

Na cidade de São Paulo, os projetos de revitalização do centro da cidade, conduzidos por Prefeitura e Governo do Estado, parecem não levar em conta que, além da recuperação dos prédios históricos, é preciso conduzir ações efetivas com a população que ali vive. Revitalizar o centro é, afinal, dele cuidar para melhorar a vida das pessoas. Resultado: a chamada cracolândia instala-se em diferentes regiões centrais sem nenhuma perspectiva de mudança desse panorama social. O crack, diga-se, ainda mais que em 2003, quando realizei os estudos para o espetáculo, é mencionado em estudos diversos como verdadeira epidemia!        

 

Não conheço nenhuma política pública brasileira de qualidade que perdure no atendimento à população de rua e às crianças e adolescentes de rua espacialmente. Assim, sigo apresentando “Agora e na Hora de Nossa Hora”.     

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia

 

 

Espetáculo “Eldorado” no Sesi Campinas

 

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O projeto Arte Local continua apresentando atividades atísticas no SESI Campinas. E, na próxima quinta-feira, dia 06 de outubro, é a vez de Eduardo Okamoto apresentar o espetáculo “Eldorado”. A apresentação acontece às 20h, com entrada gratuita e ingressos distribuídos uma hora de antes.

 

O projeto Arte Local, do SESI, valoriza iniciativas voltadas à criação de plateias e disponibiliza os equipamentos culturais aos artistas regionais, com foco na difusão das artes e da cultura locais e a facilitação do acesso do público aos eventos.

 

Em Campinas, a apresentação de “Eldorado” é motivo de celebração: a inauguração do novo teatro do SESI Campinas, novo e fundamental espaço numa cidade carente de equipamentos culturais; e a volta de “Eldorado” à cidade onde o espetáculo foi concebido. Parece pouco.  Não é.  Não é segredo para nenhum dos cidadãos de Campinas que a cidade notadamente, nos últimos anos, apresenta uma política cultural incipiente. Até mesmo os artistas locais tem dificuldade de apresentar seus trabalhos na cidade (não há, no presente momento, um único teatro público adequadamente equipado, em Campinas). Isso, no limite, tem provocado distorções alarmantes: “Eldorado”, por exemplo, espetáculo de ator residente na cidade, Eduardo Okamoto, realizou menos de 6 apresentações em solo campineiro dentre as mais de 110 sessões do trabalho. Assim, a apresentação do espetáculo no SESI tem motivos de sobra para festejar!

 

 

Serviço:

Dia 06/10/2011. Quinta-feira, às 20h.
Teatro do Sesi Campinas
Avenida das Amoreiras, 450. Parque Itália. Campinas – SP.

Telefone: (19) 3772.4184

Ingressos gratuitos distribuídos a partir das 19h.

 

 

Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui. Para saber mais sobre o seu processo de criação, clique aqui.

Espetáculo “Eldorado” no SESI Piracicaba

 

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Eduardo Okamoto apresenta o espetáculo “Eldorado” no Teatro do Sesi Piracicaba, dia 29 de setembro de 2011, às 20h. A entrada é gratuita e os ingressos serão distribuídos com uma hora de antecedência.

 

A apresentação integra o projeto Arte Local, do SESI.  A intenção da entidade é valorizar iniciativas voltadas à criação de plateias e disponibilizar os equipamentos culturais aos artistas regionais, com foco na difusão das artes e da cultura locais e a facilitação do acesso do público aos eventos. Assim, a programação recebe artistas de teatro, dança e música de artistas sediados em Piracicaba ou num raio de 180 quilômetros da cidade.

 

Serviço:

Dia 29/09/2011. Quinta-feira, às 20h.
Teatro do Sesi Piracicaba
Avenida LuizRalph Benatti, 600 – Vila Industrial.
Informações: (19) 3403-5928

 

Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui. Para saber mais sobre o seu processo de criação, clique aqui.

 

Espetáculo “Eldorado” em S. J. Campos

 

Eduardo Okamoto apresenta o espetáculo “Eldorado”, em São José dos Campos, como parte da programação do Festivale. A apresentação acontece no Teatro do Sesi, com ingressos gratuitos, distribuídos uma hora antes da apresentação.

 

Neste ano, o festival realiza mais de 100 atividades, entre apresentações de peças teatrais, palestras, workshops e debates em cerca de 40 locais diferentes na cidade. A maioria das atividades é gratuita.

 

Para saber mais sobre o festival, clique aqui.

Para saber sobre o espetáculo, clique aqui.  Para saber mais sobre o seu processo de criação, clique aqui.

 

Dia 08/09/2011. Quinta-feira, às 20h.

Teatro do Sesi São José dos Campos

Av. Cidade Jardim, 4389 – Bosque dos Eucaliptos

Informações: (12) 3936-2611


Sinopse: Acompanhado por uma “Menina”, um cego busca encontrar o que nenhum homem pôde jamais: Eldorado. Toda estória se resume nisto: era uma vez um homem que procura. Nos tempos e lugares da viagem, haja espaço para humanidades – travessia

 

Concepção, pesquisa e atuação: Eduardo Okamoto

Dramaturgia: Santiago Serrano

Direção Marcelo Lazzaratto

Broadway Baby – Crítica “Agora e na Hora de Nossa Hora”


 

Abaixo a crítica de Matthew Hawkins, publicada no Brodway Baby (http://www.broadwaybaby.com).

 

 

Cosmic

 

Eduardo Okamoto has played this piece for seven years now and it has become part of his identity. Even so, his portrayal of Pedrinha, a vulnerable Brazilian street kid, remains volatile. Charged spontaneity is maintained here by Okomato’s access to cardinal dance disciplines, in a global sense. To see how he coils his spine in intensely low squats then rises up as if impelled and how he shape-shifts his bared abdomen and ribcage in an intoxication of unbound expression (extending to plangent vocals) is to know full-blown physical immersion.

 

Witnessing Now and at the Time of Our Turn requires punters sit around darkened edges and ponder two intersecting strips of light (oops, a cross!) within which Okamato’s Pedrinha waits entrapped. Then, flailing backwards and forwards, spilling his soul, neurotically all akimbo but finding sudden animal reflexes of terrified stillness, he has us learn (and retain) how his persona has become deranged by a mindless trauma he has witnessed. Stellar actors and dramatists all find ways to do this but here it is rendered searingly individual. Before his skull becomes the resonant instrument of self harm, we repeatedly notice the articulate detail of how this head, neck and throat (bearing crucifix and precious earring) suspend an eloquent mechanism for primal outlet, right up from the gut, up and over the muscular tongue. This visionary sensuality delights to the degree that we can’t fail to know the nugget of marvel deeply embedded in kids gone feral. Hence, the narration of their brutal destiny flays us but also inspires.

 

This artist and his director, Veronica Fabrini, have examined a troubled terrain and mastered the means (including a basic but telling Anglo/Portuguese script) to take us there and to haul us back emotionally dishevelled. Dazed, I felt my way out of the premises, oddly cherishing the hope that, taking his cue from Pedrinha’s final wishes, Edoardo Okamoto might someday free himself from the crucifying burden of this piece. His future playing, choreography or dancing would be astonishing I’m sure, but meanwhile he is phenomenally present this way.

 

Crítica por Matthew Hawkins


Fonte: http://www.broadwaybaby.com/edinburgh-fringe/10786-now-and-at-the-time-of-our-turn

The Stage – Crítica “Agora e na Hora de Nossa Hora”



Abaixo a crítica de Alistair Smith, publicada no The Stage (http://ed.thestage.co.uk/).


Writer and performer Eduardo Okamoto’s one-man show takes as its inspiration the true story of the Candelaria Slaughter – when in 1993, Brazilian policemen killed eight street children in the middle of Rio de Janeiro.


Okamoto plays Pedrinha, another street kid who has witnessed the killings while hidden on top of a newsstand.


At first, we find this child – like a kind of feral cat – hunting for rats and we follow him on a journey that sees him get high on crack, eat stones and engage in various quasi-religious rituals.


The thread of the story is not always clear – partly intentionally to reflect Pedrinha’s mental state, partly because large swathes of the production has him muttering in Portuguese – but Okamoto’s energetic performance is enough to carry the production along, despite its vagaries.


He is physically hugely impressive, adopting the twitches and mannerisms of someone living on the very edge of sanity and society. At one point he tries to make a drum beat by banging his head against the floor.


It is a disturbing and deeply affecting performance and one which has clearly been honed over a number of years of touring the show and from first-hand experience working with street children. This is not an easy production to watch – and sometimes to follow – but it is one that is very much worth seeing.


Crítica por Alistair Smith


Fonte: http://ed.thestage.co.uk/reviews/1379?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=ed2010