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28 – Teatro, efemeridade e desespero

 

Depois de uma breve pausa nas andanças do projeto “Agora e na Hora de Nosa Hora_18!”(18 sessões do espetáculo “Agora e na Hora de Nossa Hora” em 07 cidades do interior paulista, registrando os 18 anos da Chacina da Candelária), voltamos à estrada. Assim, nos dias 11 e 12 de maio, às 20h, o trabalho será apresentado em Lençóis Paulista, no Espaço Cultural Cidade do Livro. E no dia 18 de maio, o espetáculo tem duas sessões em Limeira, às 19h e 21h, no Teatro Vitória.

 

Neste período de pausa, aproveitamos para preparar as próximas apresentações, sonhar e ensaiar novas produções, descansar – ninguém, afinal, é de ferro! Em momento de descanso, em show do músico Marcelo Jeneci, inesperadamente pensei em trabalho. A música, canta ele, “Não é sua nem de ninguém / Te invade, te assalta e te faz refém”. Ao ouvir isto, fui mobilizado por uma certa inveja dos artistas músicos: porque diferentemente deles, a minha obra jamais poderá ser inteiramente apartada de meu corpo.

 

A música é partilha de vida; é borboleta, como escreve Jeneci. Uma nota se entoa aqui, e logo se espalha pelo mundo. O público pode conviver com a obra: preenche-la de significados infinitos e, depois, indefinidamente significar mais e mais. Um homem que ouviu a canção e lembrou do amor da vida perdido para sempre. O outro que, no instante exato que voltou a ter a mulher amada nos braços, lembrou de uma melodia. Um terceiro que, dançando o corpo embalou os pensamentos: aquilo, afinal, não era amor. E a moça bonita que ensaiou poses em frente ao espelho, antes do baile. A criança que, confundindo versos, inesperadamente tornou a música de morte a maior alegria da face da Terra. A senhora que faxinava a casa e, ouvindo rádio, lembrou saudades do filho, esperou seu retorno, sonhou futuros, reinventou passados. A música pode, enfim, sendo uma, ser muitas: caleidoscópio.

 

Como ator, e atuando em teatro sobretudo, jamais poderei ver o que produzo. Ajo e fantasio: que as ações no palco possam dar o pontapé inicial para uma imaginação coletiva. Aí uma potência: todos juntos podemos o impossível. Depois, nostalgia: acaba a peça e não se pode levar nada para casa. É possível, sei, levar o DVD com o registro da peça, o cd com as canções entoadas pelos atores, o livro que fala de seu processo de criação.  Nada disto, no entanto, é teatro. Tudo é somente lembrança daquele instante fugidio (um “instante já”, como escreve Clarice Lispector) em que todos juntos imaginamos. Ao ator, não sendo possível multiplicar-se nas vidas muitas das pessoas, acompanhando-as, restará multiplicar vidas em si, “caleidoscopiando” a si mesmo. Integração e multiplicidade.

 

Este certo desespero silencioso (aquele de construir o que é feito para imediatamente acabar) me leva a procurar outras formas de reflexão: os trabalhos acadêmicos, a escrita de livro, postagens neste blog, cursos, palestra. A tentativa de estender contato.

 

Neste “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” isto é ainda mais evidente. As apresentações todas são acompanhadas de atividades paralelas: bate-papo, exposição, divulgação de livro sobre minha interação com os meninos de rua, 18 textos que, aqui, refletem sobre a situação de rua e as próprias apresentações do espetáculo.

 

O convite é para todos: “Agora e na Hora de Nossa Hora” segue as suas andanças. Partilhemos momentos juntos. O teatro, como a vida, acaba – e recomeça sempre!    

           

“Agora e na Hora de Nossa Hora” em Lençóis Paulista 
11 e 12 de maio, às 20h 
Espaço Cultural Cidade do Livro
Rua Pedro Natálio Lorenzetti, 286
Informações: (14) 3263.3123

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” em Limeira
Teatro Vitória
18 de maio, às 19h e às 21h
Praça Toledo de Barros, s/n  
Informações: (19) 3451.6679 / 3451.2675  

 

Cartaz “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”

 

“Agora ena Hora de Nossa Hora” é um solo de Eduardo Okamoto com direção de Verônica Fabrini. O projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” realiza 18 apresentações do espetáculo em sete cidades do interior paulista, registrando os 18 anos da Chacina da Candelária – quando, no Rio de Janeiro, oito meninos de rua foram assassinados por policiais. As apresentações são financiadas pelo PROAC 2011 – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.  

 

Abaixo o cartaz da empreitada: