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Nota de Cancelamento

 

A produção do espetáculo “Agora e na Hora de Nossa Hora” comunica que a Secretaria Municipal de Cultura – nas pessoas do Diretor de Cultura, Gabriel Rapassi, e de Sandra Peres – cancelou a sua apresentação, hoje, dia 19 de outubro de 2013, na Estação Cultura. A apresentação seria parte de temporada campineira, com 10 sessões do espetáculo, marcando os 20 anos da Chacina da Candelária. No lugar da obra teatral, será celebrado um baile para os servidores públicos.

 

Até o dia 17 de outubro, quarta-feira, o Secretário de Cultura, Ney Carrasco (que tem estabelecido uma importante gestão, que inclui amplo diálogo com os artistas da cidade), não estava informado sobre a coincidência de eventos no mesmo espaço. Os eventos foram agendados por funcionários da Estação Cultura e confirmados pela Secretaria a que estão submetidos (quando do pedido de confirmação da pauta para ocupação do espaço e na autorização de peças gráficas de divulgação). Somente por e-mail enviado por Eduardo Okamoto, o Secretário de Cultura tomou ciência da ocorrência. Evidencia-se, assim, a decisão unilateral e solitária do Diretor de Cultura sobre o cancelamento da apresentação.

 

A temporada de “Agora e na Hora de Nossa Hora” é financiada com recursos do FICC – Fundo de Investimentos Culturais de Campinas.

 

Do episódio, destacam-se:

 

1) A desorganização do equipamento cultural e a inabilidade de seus servidores. Difícil aceitar que os funcionários da Estação Cultura e da Secretaria de Cultura não estejam habilitados a consultar a agenda de eventos para verificar a disponibilidade de espaços para a sua ocupação.

 

2) A covardia e o autoritarismo da ação do Diretor de Cultura, Gabriel Rapassi, que fugiu de registrar por escrito os motivos do cancelamento da apresentação teatral (a saber: a sua opção pela realização de um baile), mesmo após insistentes telefonemas seus à produção do trabalho, com proposições que demonstram total desconhecimento das necessidades de um espetáculo de teatro (como a tentativa de mudança de horário da apresentação, das 20h para às 15h, desconsiderando-se efeitos de iluminação, materiais de divulgação já distribuídos e ampla cobertura cobertura de imprensa).

 

3) A má gestão de recursos do FICC, que já são escassos, não atendem à demanda de projetos culturais da cidade e têm o seu investimento em trabalhos selecionados por edital público comprometido por erros tão elementares como a organização da agenda de um equipamento cultural.

 

4) O serviço público, mais uma vez, antes de cumprir a sua missão – no caso, de gestão de políticas públicas para a cultura, de fazer valer o direito constitucional de construção e apropriação de bens simbólicos pelo cidadão – opta por celebrar a si mesmo num baile.

 

Ainda que a decisão e os motivos do cancelamento da apresentação, não sejam responsabilidade da produção do espetáculo, desculpamo-nos antecipadamente por transtornos que podem ser causados aos espectadores que têm comparecido à Estação Cultura (vindos, inclusive, de outras cidades, como São Paulo, Americana, Mogi das Cruzes, Valinhos, Indaiatuba, Jaguariúna, Nova Odessa, Piracicaba, etc.).

 

No domingo, dia 20, às 20h, será realizada a última apresentação da temporada de “Agora e na Hora de Nossa Hora”. Possamos, tal qual o menino de rua que se apresenta na obra, estabelecer: “Eu estou aqui!” Seja inquestionável, a despeito dos desvios políticos da cidade de Campinas, a presença da cultura na Estação Cultura. E na cidade!

 

Em tempo: o dia do servidor público é 28 de outubro, para o qual foi decretado ponto facultativo, e não 19 do mesmo mês, como se poderia supor.

 

A produção do espetáculo “Agora e na Hora de Nossa Hora”

“Agora e na Hora de Nossa Hora” em Campinas

 

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“Agora e na Hora de Nossa Hora” é um solo do ator Eduardo Okamoto sobre meninos de rua, dirigido por Verônica Fabrini. Seu processo criativo incluiu a realização de oficinas de circo com crianças e adolescentes em situação de rua, a adaptação do conto “Macário”, do mexicano Juan Rulfo, e a pesquisa sobre a Chacina da Candelária – quando, em 1993, oito meninos moradores de rua foram assassinados por policiais, nos arredores da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro.

 

No ano em que os fatos históricos da Candelária completam 20 anos, realiza-se uma temporada do espetáculo, na Estação Cultura, em Campinas. As apresentações registram o marco histórico e provocam: em duas décadas, fomos capazes, como povo, de amadurecer um projeto social diverso daquele que assassinou crianças e adolescentes? Infelizmente a desastrosa e ineficaz ação da polícia militar na “Cracolândia” paulistana e recentes denúncias de adolescentes torturados na Fundação Casa parecem antecipar a resposta.

 

Neste contexto, o conjunto de apresentações de “Agora e na Hora de Nossa Hora” na Estação Cultura constitui ato performático (experiência estética e político-social). Em 2002, Okamoto ouviu de um de seus alunos da oficina de circo que o complexo ferroviário campineiro era local de consumo de crack. Não só. Ouviu também que as pedras dos trilhos de trem supriam a falta de malabares. O menino, assim, experimentava mais que técnica circense: evitava o consumo da droga que, ele sabia, o consumia; reinventava a vida, ali, onde ela parecia improvável.

 

Apresentar o espetáculo no local onde o menino nos mostrou possíveis escolhas e malabarismos (de arte e de vida), é a nossa tentativa de aprender com a experiências passadas. Como este malabarista, tiremos da arte sementes de transformação e de invenção do futuro. Esta é a nossa hora!

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” em Campinas
De 08 a 20 de outubro de 2013, de terça-feira a domingo, às 20h (não há sessões às segundas e quinta).
Local: Estação Cultura
Endereço: Rua Marechal Florreano, s/n (Antiga Estação Fepasa)
Telefone: (19) 3705.8002
Entrada franca com distribuição de ingressos 1h antes

 

Ficha Técnica 
Dramaturgia e atuação: Eduardo Okamoto
Direção: Verônica Fabrini
Textos adaptados: Juan Rulfo, Hélio R. S. Silva e Cláudia Milito, Eduardo Evaristo de Miranda, relatos de crianças e adolescentes em situação de risco social, noticiário sobre a Chacina da Candelária, Realidade Cruel, passagens bíblicas, hinos cristãos e umbandistas.
Assistência de direção: Alice Possani
Pesquisa e execução Musical: Paula Pi
Música: “Bachianas Brasileiras no 5”, de Heitor Villa Lobos
Treinamento de ator: LUME Teatro
Iluminação: Marcelo Lazzaratto
Fotografias do programa: Jordana Barale
Fotografias de divulgação: João Roberto Simioni e Jordana Barale
Orientação: Suzi Frankl Sperber e Renato Ferracini
Projeto gráfico e expográfico: LuOrvat Design
Equipe de apoio: Carlos Eduardo S. Ramos, Lucas Marcondes e Tess Coelho
Produção Executiva: Bruno Lélis
Direção de Produção: Daniele Sampaio