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“Eldorado” em Jundiaí

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O ator Eduardo Okamoto irá apresentar, em outubro, mas precisamente no dia 25/10, o seu espetáculo solo “Eldorado”, na cidade de Jundiaí – SP. Por sua atuação em “Eldorado”, o ator foi indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator em 2009. O espetáculo conta a história de um cego, acompanhado por uma “Menina”, que busca encontrar o que nenhum homem pôde jamais: Eldorado. Toda estória se resume nisto: era uma vez um homem que procura. Nos tempos e lugares da viagem, haja espaço para humanidades – travessia

 

Confira mais informações sobre o processo e o espetáculo “Eldorado”, aqui.


 

Ficha Técnica

Concepção, pesquisa e atuação

Eduardo Okamoto

Dramaturgia

Santiago Serrano

Direção e Iluminação

Marcelo Lazzaratto

Figurino

Verônica Fabrini

Preparação em rabeca e Trilha Sonora Original

Luiz Henrique Fiaminghi

Fotografia

Fernando Stankuns

Orientação

Suzi Frankl Sperber

Produção

Daniele Sampaio

Duração

60 min. 

 

Serviço

Onde: SESC Jundiaí – Av. Antônio Frederico Ozanan, 6600 – Jardim Botânico, Jundiaí – SP, 13214-206.

Quando: 25 de outubro de 2015

Horário: 18h

Ingressos: R$ 7,50 (Comerciário), R$ 12,50 (Meia) e R$ 25,00 (Inteira). VEndas online a partir de 13/10 às 18h e nas unidades do SESC a partir de 14/10 às 17h30.

Mais informações: (11) 4583-4900 ou acesse aqui.

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no Correio Popular

 

O jornal Correio Popular noticiou, na edição de domingo, dia 20 de maio de 2012, a apresentação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” na Polônia.   Para ler a matéria na íntegra, clique aqui

 

 

Valem duas pequenas correções ao texto: Eduardo Okamoto não é ator da Boa Companhia – ainda que o espetáculo seja dirigido por Verônica Fabrini, também diretora deste grupo; “Agora e na Hora de Nossa Hora” não foi criado em 2011, mas em 2004.    

Cartaz “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”

 

“Agora ena Hora de Nossa Hora” é um solo de Eduardo Okamoto com direção de Verônica Fabrini. O projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” realiza 18 apresentações do espetáculo em sete cidades do interior paulista, registrando os 18 anos da Chacina da Candelária – quando, no Rio de Janeiro, oito meninos de rua foram assassinados por policiais. As apresentações são financiadas pelo PROAC 2011 – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.  

 

Abaixo o cartaz da empreitada: 

 

Espetáculo “Eldorado” em curtíssima temporada em São Paulo

 

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O solo “Eldorado”, do ator Eduardo Okamoto, volta a São Paulo, em curtíssima temporada no Espaço Elevador, sede da Cia Elevador de Teatro Panorâmico. A temporada tem pré-estréia para convidados no dia 01 de dezembro e segue em temporada até o dia 18 do mesmo mês. As apresentações acontecem de quinta-feira a sábado, às 21h, e nos domingos, às 19h.

  

É a primeira vez que “Eldorado”, que é dirigido por Marcelo Lazzaratto, apresenta-se no espaço em que o diretor reúne a sua própria companhia de teatro: a Cia Elevador. Este coletivo vem se firmando, nos últimos anos, como um dos importantes trabalhos teatrais da cidade de São Paulo. Isso é atestado pela seleção consecutiva de dois de seus projetos pela Lei de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, em 2010 e 2011, e pela indicação ao Prêmio Shell pela pesquisa e criação do espetáculo “Do Jeito que Você Gosta”. 

 

Com espaço próprio, a Cia Elevador, além de abrigar suas criações, abre suas portas para a receber trabalhos de outros artistas, como na temporada recém concluída de “Portela, patrão. Mário, motorista”, da Boa Companhia.     

 

Sendo o Espaço Elevador não só uma casa de espetáculos, mas sobretudo um centro de pesquisa em teatro, a temporada de “Eldorado” será acompanhada de um workshop gratuito sobre “Dramaturgia do Corpo”, com Eduardo Okamoto. O curso acontece entre os dias 02 e 03 de dezembro e já tem vagas esgotadas.  

 

Eldorado
O trabalho sintetiza as pesquisas de Eduardo Okamoto sobre o universo da rabeca – instrumento de arco e cordas, semelhante ao violino, presente em muitas manifestações da cultura popular do Brasil. Em viagens de campo nas cidades de Iguape e Cananéia, no litoral sul de São Paulo, Okamoto recolheu causos, canções, ações de rabequeiros, seus timbres de voz. Esse material serviu de base para a criação dramatúrgica do argentino Santiago Serrano. Foi ele quem delineou a fábula de um cego em busca de um bom lugar, seu Eldorado.  

 

“Eldorado”, assim, fala de territórios de viagens. Ali, onde o viajante é atravessado enquanto enquanto atravessa geografias. Ali, onde todo homem é único e igual a todos os demais. 

 

Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui.  

 

Serviço
“Eldorado” no Espaço Elevador
De 02 a 18 de dezembro
De quintas-feiras a sábados, às 21h
Domingos, às 19h 
Endereço: Rua Treze de Maio, 222. Bela Vista – São Paulo.
Telefone: 11 3477.7732
Ingressos: de R$10,00 a R$20,00  

 

 

18. “Um Homem na Estrada”

 

Encerramos com essa postagem e com a apresentação de “Agora e na Hora de Nossa Hora”, hoje , no SESC Pompéia, a primeira fase do projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”. Em 18 sessões do espetáculo e em 18 postagens neste blog registramos os 18 anos da Chacina da Candelária – o trágico episódio quando, no Rio de Janeiro, policiais assassinaram oito meninos de rua nos arredores da Igreja da Candelária.   

 

A partir de fevereiro de 2012, o projeto será estendido ao interior do estado de São Paulo, em outras 18 sessões do trabalho em 7 cidades. Estas apresentações serão realizadas com recursos do PROAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo e serão acompanhadas de atividades outras: exposição sobre o processo de criação do espetáculo, bate-papo após a primeira sessão em cada cidade, uma oficina sobre dramaturgia de ator e outras 18 postagens neste blog com reflexões sobre a situação de rua.

 

Assim, colocamos os pés na estrada. E para celebrar os próximos passos, postamos “Um Homem na Estrada”, dos Racionais Mc’s. Nem é preciso dizer que a música deste coletivo fala fundamente aos meninos de rua de Campinas e São Paulo: tanto quanto o Realidade Cruel, os meninos ouvem muito as suas músicas, conhecem de cor as suas letras e as têm como uma espécie de trilha sonora de suas vidas.  

 

Neste sentido, notável e comovente foi o dia em que um dos meninos participantes da oficina de circo do projeto “Gepeto – Transformando Sonhos em Realidade”, da Ong ACADEC e do CRAISA, pretendeu jogar malabares ao som de “Um Homem na e Estrada”. Havia semanas, este menino deixava o uso de crack, apresentava-se como monitor-assistente da oficina de circo e retomava o contato com a família. Assim, os malabares acompanhados da música em que um homem, saído da prisão, descreve a sua mudança de vida realmente era um sinal das suas próprias transformações. 

 

Obviamente não podemos dizer que em 18 anos amadurecemos um projeto social distinto daquele que assassinou crianças e adolescentes, na Candelária. Mas, nas apresentações do espetáculo, recebemos inúmeros espectadores igualmente insatisfeitos com a ordem atual da sociedade brasileira. Os descontentes, tenho certo, ainda ajudarão a construir um mundo mais feliz.  

 

Não sei dizer o real alcance das apresentações de um espetáculo e da redação de textos para a transformação social. Mas isso, no mínimo, nos coloca em movimento e, dessa maneira, alguma relevância deve ter.  Encerramos, enfim, a primeira fase de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18”. Celebremos! Celebremos! 

 

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

16.A Música dos Meninos de Rua de Campinas: Realidade Cruel

 

Estamos já na décima sexta postagem de “Agora  e na Hora de Nossa Hora_18!”. Em 18 postagens nesse blog e 18 sessões de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia marcamos os 18 anos da Chacina da Candelária – quando, no Rio de Janeiro, oito meninos de rua foram assassinados por policiais. 

 

Nessa publicação, revelo uma influência essencial para o espetáculo: Realidade Cruel. O grupo de rap foi formado em 1992, na Região Metropolitana de Campinas. São célebres as músicas do coletivo criadas a partir de outras canções da MPB ou mesmo da música pop internacional.  

 

Trabalhei com meninos de rua  e com adolescentes do Internato Jequitibá, antiga FEBEM, em Campinas.  E posso dizer com absoluta certeza: poucos artistas conseguem falar tão fundamente com esses meninos como os rappers dessa banda. 

 

Assim, a música do Realidade Cruel acompanhou-me em muitos ensaios de “Agora e na Hora de Nossa Hora”. E uma delas, “Depoimento de um Viciado”, é cantarolada por Pedrinha, personagem do espetáculo. 

 

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia

 

 

Espetáculo “Eldorado” no SESI Piracicaba

 

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Eduardo Okamoto apresenta o espetáculo “Eldorado” no Teatro do Sesi Piracicaba, dia 29 de setembro de 2011, às 20h. A entrada é gratuita e os ingressos serão distribuídos com uma hora de antecedência.

 

A apresentação integra o projeto Arte Local, do SESI.  A intenção da entidade é valorizar iniciativas voltadas à criação de plateias e disponibilizar os equipamentos culturais aos artistas regionais, com foco na difusão das artes e da cultura locais e a facilitação do acesso do público aos eventos. Assim, a programação recebe artistas de teatro, dança e música de artistas sediados em Piracicaba ou num raio de 180 quilômetros da cidade.

 

Serviço:

Dia 29/09/2011. Quinta-feira, às 20h.
Teatro do Sesi Piracicaba
Avenida LuizRalph Benatti, 600 – Vila Industrial.
Informações: (19) 3403-5928

 

Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui. Para saber mais sobre o seu processo de criação, clique aqui.

 

Broadway Baby – Crítica “Agora e na Hora de Nossa Hora”


 

Abaixo a crítica de Matthew Hawkins, publicada no Brodway Baby (http://www.broadwaybaby.com).

 

 

Cosmic

 

Eduardo Okamoto has played this piece for seven years now and it has become part of his identity. Even so, his portrayal of Pedrinha, a vulnerable Brazilian street kid, remains volatile. Charged spontaneity is maintained here by Okomato’s access to cardinal dance disciplines, in a global sense. To see how he coils his spine in intensely low squats then rises up as if impelled and how he shape-shifts his bared abdomen and ribcage in an intoxication of unbound expression (extending to plangent vocals) is to know full-blown physical immersion.

 

Witnessing Now and at the Time of Our Turn requires punters sit around darkened edges and ponder two intersecting strips of light (oops, a cross!) within which Okamato’s Pedrinha waits entrapped. Then, flailing backwards and forwards, spilling his soul, neurotically all akimbo but finding sudden animal reflexes of terrified stillness, he has us learn (and retain) how his persona has become deranged by a mindless trauma he has witnessed. Stellar actors and dramatists all find ways to do this but here it is rendered searingly individual. Before his skull becomes the resonant instrument of self harm, we repeatedly notice the articulate detail of how this head, neck and throat (bearing crucifix and precious earring) suspend an eloquent mechanism for primal outlet, right up from the gut, up and over the muscular tongue. This visionary sensuality delights to the degree that we can’t fail to know the nugget of marvel deeply embedded in kids gone feral. Hence, the narration of their brutal destiny flays us but also inspires.

 

This artist and his director, Veronica Fabrini, have examined a troubled terrain and mastered the means (including a basic but telling Anglo/Portuguese script) to take us there and to haul us back emotionally dishevelled. Dazed, I felt my way out of the premises, oddly cherishing the hope that, taking his cue from Pedrinha’s final wishes, Edoardo Okamoto might someday free himself from the crucifying burden of this piece. His future playing, choreography or dancing would be astonishing I’m sure, but meanwhile he is phenomenally present this way.

 

Crítica por Matthew Hawkins


Fonte: http://www.broadwaybaby.com/edinburgh-fringe/10786-now-and-at-the-time-of-our-turn

The Stage – Crítica “Agora e na Hora de Nossa Hora”



Abaixo a crítica de Alistair Smith, publicada no The Stage (http://ed.thestage.co.uk/).


Writer and performer Eduardo Okamoto’s one-man show takes as its inspiration the true story of the Candelaria Slaughter – when in 1993, Brazilian policemen killed eight street children in the middle of Rio de Janeiro.


Okamoto plays Pedrinha, another street kid who has witnessed the killings while hidden on top of a newsstand.


At first, we find this child – like a kind of feral cat – hunting for rats and we follow him on a journey that sees him get high on crack, eat stones and engage in various quasi-religious rituals.


The thread of the story is not always clear – partly intentionally to reflect Pedrinha’s mental state, partly because large swathes of the production has him muttering in Portuguese – but Okamoto’s energetic performance is enough to carry the production along, despite its vagaries.


He is physically hugely impressive, adopting the twitches and mannerisms of someone living on the very edge of sanity and society. At one point he tries to make a drum beat by banging his head against the floor.


It is a disturbing and deeply affecting performance and one which has clearly been honed over a number of years of touring the show and from first-hand experience working with street children. This is not an easy production to watch – and sometimes to follow – but it is one that is very much worth seeing.


Crítica por Alistair Smith


Fonte: http://ed.thestage.co.uk/reviews/1379?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=ed2010

 

O menino de rua fala inglês

 

Estamos na Escócia, onde participamos do Edinburgh Festival Fringe com “Agora e na Hora de Nossa Hora” – traduzido, aqui, para “Now and at the Time of Our Turn”. Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui. E para saber mais sobre o seu processo criativo, clique aqui. Para ajudar a divulgar o trabalho entre amigos europeus, acesse nosso flyer eletrônico, aqui.

 

Enfrentamos, aqui, um desafio: como ultrapassar a barreira do idioma em apresentações fora do Brasil? Este não é um obstáculo novo, mas algo já enfrentado outras vezes com maior ou menor grau de dificuldade – na Espanha, na Suíça, no Kosovo, no Marrocos.

 

A solução mais imediata, é certo, seria que a peça se apresentasse na língua local ou, pelo menos, que se legendassem as apresentações. Aí, no entanto, outras dificuldades. A primeira: meu inglês é raso, no máximo o tenho como instrumental de leitura ou para o pedido urgente e desesperado de alguma refeição ou ajuda – nem me atrevo a fazer nenhuma referência aos idiomas árabe ou albanês, por exemplo. A segunda: o espaço da peça é próximo da arena, com grande proximidade entre ator/espectador, inclusive com o primeiro dirigindo-se diretamente ao outro. Legendar a peça, portanto, poderia interromper o fluxo de comunicação direta que a fundamenta, com espectadores dispersando-se do contato com o ator e transferindo a sua atenção para a legenda (que, aliás, deveria, ser projetada em 4 diferentes direções. A arena, neste aspecto, traz grandes dificuldades técnicas).

 

Assim, a resolução da questão do idioma necessariamente deveria estar apoiada mais na encenação e menos no recurso tecnológico. Verônica Fabini, diretora do espetáculo, propôs um procedimento que, até aqui, tem fundamentado nossas empreitadas “gringas”. Pedrinha, personagem de “Agora e na Hora de Nossa Hora”, tem urgência em comunicar seu drama. Porém, já sabe de antemão que falhará em seu objetivo: narrar a dor e o desassombro de uma noite em que um dos braços armados do Estado, a polícia, matou crianças na porta da igreja – a Chacina da Candelária. Aqueles que o ouvem, afinal, sendo brasileiros, portugueses, ingleses, árabes ou albaneses, jamais poderão compreender inteiramente aquilo que se fala. Somos todos estrangeiros à realidade cotidiana de quem faz da rua casa.

 

Ainda assim, Pedrinha não desiste de seu intento. Para realizá-lo, usará de todas as formas de comunicação possíveis: o português, as palavras poucas aprendidas em outros idiomas, sons e grunidos, o corpo, enfim. Em nossas apresentações, desta maneira, usamos muitas línguas para construir a linguagem da cena. Em Edimburgo, especialmente, usamos muito o inglês, mas também palavras em espanhol e italiano – o “spanglish” dos imigrantes.

 

Essa necessidade de se fazer entender, diga-se, não é uma invenção de Pedrinha. É cotidiano dos meninos e meninas de rua do Rio de Janeiro. Lá, os meninos falam aos turistas com seu inglês, reinventando-o à sua maneira. É célebre o episódio em que meninos de rua dirigiram-se à turistas sul-africanos, nos arredores da Candelária: “Hey, gringo! Have money para mangiare?” Um dos antecedentes da Chacina da Candelária, o polêmico episódio, meses antes da matança, já evidenciava a tensão crescente das desigualdades sociais brasileiras – a opulência dos que tem muito para se divertir, concretizada, aqui, no país-paraíso dos turistas, e a necessidade dos que têm quase nada para sobreviver.

 

Assim, se por um lado o idioma constitui barreira primeira para a comunicação, de outro, a direção do espetáculo transformou esse obstáculo em procedimento de encenação. A dificuldade de acesso à língua (um bem de garantia dos recursos materiais para a vida e também de construção de imaginário), aprofundando o apartheide social em que ainda se vive no Brasil e no mundo.

Ator de Campinas encena Chacina da Candelária em igreja da Escócia

 

Eduardo Okamoto leva seu solo a um dos maiores festivais de artes do mundo

 

Eduardo Okamoto não está desacostumado a encenar fora do País seu espetáculo solo “Agora e na Hora de Nossa Hora”, que retrata a Chacina da Candelária. Mas, dessa vez, um dado faz toda diferença: em sua passagem pela Escócia de 5 a 19 de agosto, o ator coloca o solo à mostra dentro de uma igreja, espaço onde acontece o Festival Fringe, um dos maiores do mundo, na cidade de Edimburgo. “A gente sempre quis fazer em uma igreja […] o sonho é encenar na Candelária”, revela Okamoto.

 

Na Candelária, a ideia dificilmente irá se concretizar, mas as 15 apresentações que o ator fará na Escócia têm um ar particular, de ineditismo, que em alguns aspectos remontam o cenário dos assassinatos. “É como se o tema reencontrasse seu lar”, declara à reportagem do EP Campinas por telefone.

 

Okamoto já está no país europeu, e ganhou atenção dos maiores jornais locais, que se interessaram por sua apresentação. “As pessoas mais jovens têm alguma lembrança, os mais novos não”, diz, sobre o conhecimento que percebeu dos escoceses referente à chacina.

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” já foi apresentado em países como Suíça, Kosovo e Espanha, e Okamoto acha notável as diferentes reações do público. A história recente de Kosovo, marcada por conflitos, fizeram com que as cenas mais violentas despertassem a lembrança dos locais. “A memória de guerra é acessada imediatamente”, acredita.

 

O solo de Eduardo Okamoto, mesmo quando excursiona fora do Brasil, é falado prioritariamente em português, com inserções pontuais da língua local. Para o ator, a força da história torna o tema universal, além das barreiras do idioma.

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora”
O espetáculo já cumpriu temporada em São Paulo e foi apresentado em alguns dos principais festivais de teatro do Brasil, entre eles: Filo (Londrina); Festival Internacional de Teatro de S. J. Rio Preto (FIT); Cena Contemporânea de Brasília; Riocenacontemporanea (Rio de Janeiro). Em diversos festivais nacionais o trabalho foi agraciado com prêmios.

No exterior, já esteve no Festival Internacional de Teatro de Lugo e Festival Internacional de Teatro de Santiago de Compostela (Espanha); Festival Internacional de Teatro de Lugano (Suíça); Skena Up International Film and Theatre Festival, em Prístina (Kosovo); e Festival Internacional de Expressão Corporal, Teatro e Dança de Agadir, no Marrocos, onde levou o prêmio de melhor ator.

 

Eduardo Okamoto
É ator graduado em Artes Cênicas, Mestre e Doutor em Artes pela Unicamp. Desde 2000, pesquisa o trabalho de ator sob orientação do Lume (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa Teatrais da Unicamp). Recentemente, o ator foi indicado ao Prêmio Shell como melhor ator da temporada 2009, por um outro solo,  “Eldorado”.

 

*Fonte: http://eptv.globo.com/campinas/variedades/NOT,1,1,361931,Ator+de+Campinas+encena+Chacina+da+Candelaria+em+igreja+da+Escocia.aspx

Agora, em Edimburgo!


 

 

Estamos na Escócia, onde participamos do Edinburgh Festival Fringe com “Agora e na Hora de Nossa Hora” – traduzido, aqui, para “Now and at the Time of Our Turn”. Para saber mais sobre o espetáculo clique aqui. E para saber mais sobre o seu processo criativo, clique aqui. Para ajudar a divulgar o trabalho entre amigos europeus, acesse nosso flyer eletrônico, aqui.

 

Os preparativos para a viagem são organizados desde 2006. Viajamos sem nenhum apoio financeiro direto (patrocínio ou subsídio governamental). Desta maneira, realocamos verbas de muitos cachês e projetos a fim de viabilizar um desejo antigo. Os sonhos, aprendi isso em minha breve trajetória no teatro, fazem-se de suor e estratégia.

 

A empreitada, este ano, foi possível graças à parceria de Daniele Sampaio, produtora de meus trabalhos, e a Périplo Produções, de Pedro e Freitas, especializada num certo intercâmbio artístico. Sim, tenho a sorte de estar acompanhado de dois grades produtores!

 

Em Edimburgo, estamos três. Mas somos muitos: a diretora Verônica Fabrini; o iluminador Marcelo Lazzaratto; a criadora da trilha sonora Paula Ferrão;  os orientadores Suzi Frankl Sperber e Renato Ferracini; os atores do Lume; as equipes do Projeto Gepeto, do Craisa e da Acadec; os fotógrafos João Roberto Simioni e Jordana Barale; a equipe do LuOrvat Estúdio; a assistente de direção Alice Possani; o tradutor de programas e releases Geroge Sperber e a revisora Cinthya Hussey; a tradutora da dramaturgia Elida Strazzi; todos aqueles que nos apoiaram em nossa jornada, especialmente nas últimas semanas no Brasil; sobretudo (Oxalá, seja assim!), os muitos meninos de rua que impulsionaram o processo criativo ainda em 2003/2004.

 

Os dias têm sido intensos, aqui. Correria para os preparativos da estreia, na sexta-feira, dia 05. Apresentamo-nos no Remarkable Arts até o dia 19, sempre às 12h20 (horário local). Hoje, ainda resolvemos pendências de materiais gráficos e iniciamos a montagem de iluminação, espaço cênico e som. Depois, ensaio geral, cujo objetivo principal é ensinar técnicos, que não falam português, a operação de audio e luz. O trabalho é muito para uma equipe tão reduzida. Mas, sabemos, como “Os Saltimbancos”, somos muitos e, portanto, fortes!

 

Essa força, diga-se, já se propaga em ondas de boa sorte. Uma: “Agora e na Hora de Nossa Hora”, que trata da matança de meninos de rua na porta da igreja, a Chacina da Candelária, será apresentado justamente num templo cristão. Que os deuses estejam conosco!

 

Outra: em nossa chegada, somos informados de que o Scotsman, maior jornal escocês e um dos maiores do Reino Unido, já noticia a nossa participação! E a revista The List, publicação semanal, guia de eventos em Edimburgo e Glasgow, destaca a participação brasileira de “Agora e na Hora de Nossa Hora”.

 

Que os ventos continuem soprando ao nosso favor. E, acaso soprem contra, que saibamos reorientar nossas velas, sem que nós mesmos nos desorientemos. Assim, faça-se aquilo a que se propõe o espetáculo: agora, a nossa hora! Digo não somente a minha, de Daniele, de Pedro. Nem mesmo a hora daqueles que já participam do espetáculo – Verônica, Marcelo, Suzi… Mas nossa hora como humanidade inteira – aquela hora em que, nos espaços de encontros possíveis entre os homens, se reconhece que cada um é único e, afinal, é todos! Somos, assim, fortes!

“Mujer que dice chau”, de Bruno Jorge

 

Fiquei longo período sem dar as caras (ou as palavras) por aqui. Tempos corridos, de muito trabalho: finalização de estudos com alunos da Escola Superior de Artes Célia Helena; temporada de “Eldorado”, em São Paulo; apresentações de “Chuva Pasmada” pelo interior paulista; apresentações em festivais de teatro, como o Ruínas Circulares, em Uberlândia; atuação no filme “Natureza Morta”, de Bruno Jorge; participação como selecionador e jurado do Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau; preparativos para a apresentações de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no Edinburgh Festival Fringe, na Escócia.

 

Aqui, claro, não pretendo partilhar todos os eventos de tanto tempo – o que possivelmente resultaria enfadonho! Partilho, porém uma descoberta: o trabalho do jovem cineasta Bruno Jorge. Como ele tive a felicidade de conhecer a alegria do cinema! Abaixo, um filme-poema deste artista: poesia com as imagens.

 

Para saber mais: <http://brunojorge.com/>.

 

Cartaz “Agora e na Hora de Nossa Hora” em Edimburgo