animação

Pedagogia continuada

 

Solos
Foto: Luciana Orvat

O trabalho cotidiano do ator está muito além da cena. Isto é, para além dos resultados revelados no espetáculo teatral, há a permanente investigação das potências de seu corpo, voz, imaginação etc.

 

Algumas pessoas nomeiam este espaço do trabalho sobre si como “treinamento de ator”. O uso desta palavra, treinamento, desperta debates diversos: afinal, é possível treinar habilidades que tornem o ator apto à cena? Mais: sendo o teatro invenção, como é possível treinar habilidades para linguagens ainda não conhecidas? O treino, então, só nos tornaria aptos à realização do que já conhecemos?

 

Lembremos que, na segunda metade do século XX, o diretor polonês Jerzy Grotowski renovou o uso desta palavra. Para ele, o treino é o espaço em que o ator se vê com o a realidade do ofício que escolheu. Depois de apropriações muitas, porém, a palavra desgastou-se e, não raro, é tomada como manual que torna um ator um “ator melhor” – sendo isso pressionado por muitas concepções técnicas, poéticas, filosóficas, espirituais.

 

Aprendi com a diretora e professora Maria Thais uma outra prática: pedagogia. A diretora lembra que no teatro russo são tênues os limites entre criação e aprendizado. Ora, enquanto criamos a cena criamos igualmente os procedimentos técnicos necessários a ela. Neste sentido, o espaço pedagógico não estaria limitado ao espaço formal da escola de teatro. Ao contrário, a pedagogia confunde-se com um estado permanente em que o artista se abre às experiências que o atravessam, aprendendo com elas.

 

Neste limite entre criação, pedagogia e pesquisa, tudo ensina. Daí a profunda necessidade do artista da cena manter espaços de investigação e estudo. Como, enfim, viabilizar em si o aprendizado proporcionado pelo exercício cotidiano do teatro? Estar pronto, lembro de Shakespeare, não é se considerar apto, acabado, mas em prontidão.

 

“Eldorado” e “Noites Árabes em S. J. Campos

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A Mostra Agosto Popular recebe espetáculo solo e sob direção de Eduardo Okamoto. As apresentações acontecem nos dias 27 e 28 de agosto, às 20h, no CAC Walmor Chagas. A entrada é gratuita.

 

“Eldorado” é um solo de Eduardo Okamoto, com direção de Marcelo Lazzaratto e dramaturgia de Santiago Serrano. O espetáculo é resultado de estudos do ator sobre a tradução da rabeca – instrumento de arco e cordas, como o violino, muito presente em manifestações diversas da cultura popular do Brasil. No espetáculo, acompanhado  por uma “Menina”, um cego busca encontrar o que nenhum homem pôde jamais: Eldorado.

 

“Noites Árabes” é dirigido por Okamoto e tem dramaturgia de Isa Kopelman. Em cena, os atores do Vila8 – grupo criado e coordenado pelo diretor a partir de sua atuação docente na UNICAMP. Na encenação, cinco atores sobre um tapete narram histórias do conflito judeu-palestino nos moldes da “Mil e Uma Noites”.

 

As apresentações encerram a Mostra Agosto Popular de Teatro, uma realização da Cia Teatro da Cidade, de São José dos Campos. A mostra já está na sua terceira edição e tem apoio do PROAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.

 

Serviço
“Noites Árabes” em São José dos Campos
Dia 27 de agosto, às 20h

 
“Eldorado” em São José dos Campos
Dia 28 de agosto, às 20h

 
CAC Walmor Chagas
Rua Netuno, 41, Jardim da Granja, São José dos Campos – SP
Informações: (12) 3941.7631
www.ciateatrodacidade.com.br

 
Ingressos gratuitos

 

“OE” em Goiânia

OEEspetáculo inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo OeCom Eduardo OkamotoEncenação de Marcio AurelioDramaturgia inédita de Cássio Pires

 

Eduardo Okamoto apresenta o solo “OE” no “Manga de Vento”, uma mostra internacional de artes da cena. A apresentação acontece no dia 04 de agosto, às 20h, no Teatro SESC Centro.

 

“OE” é livremente inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, especialmente no romance “Jovens de um novo Tempo, Despertai!”. Como em outras obras deste autor, a sua relação com o filho deficiente intelectual é impulso para reflexões sobre o mundo contemporâneo e a função da arte neste contexto. Partindo de um amplo estudo do trabalho de Oe, o dramaturgo Cássio Pires escreveu uma obra inédita: espécie de poema para a cena que procura, na síntese do texto em verso, um equivalente à prosa do autor japonês.

 

A pesquisa sobre a obra de Oe foi o trampolim fundante do espetáculo. Isso não foi tudo, porém. Além disto, Okamoto deu continuidade ao estudo da criação de dramaturgias corporais. Para isto, realizou um estágio curto no Kazuo Ohno Dance Studio, no Japão. Ali, estudou princípios da dança Butô com Yoshito Ohno – filho de Kazuo Ohno, criador, ao lado de Tatsumi Hijikata, desta dança japonesa nascida no pós-guerra.

 

No espetáculo “OE”, o encenador Marcio Aurelio vale-se de dramaturgias físicas e textuais para orquestrar um solo fundado na tríade espaço, corpo e palavra.

 

Okamoto em Goiânia
Esta é a terceira estada do ator na capital de Goiás. Em 2008, o ator apresentou “Agora e na Hora de Nossa Hora” no  III Festival Internacional de Teatro Corpo Ritual. Mais tarde, em 2010, Okamoto apresentou uma mostra retrospectiva de seu trabalho, com financiamento do Prêmio Myriam Muniz, durante o V Encontro de Atores Criadores.

 

Agora, depois de seis anos desde a sua última apresentação em Goiânia, Eduardo Okamoto leva “OE” como parte da programação do “Manga de Vento”. A mostra estende-se por todo o ano, de abril a novembro, e toma como título estes indicadores, espécies de birutas, que auxiliam na observação e análise da orientação eólica. O nome indica, ao mesmo tempo, a metáfora do intercambiar experiências e da orientação para a inovação da linguagem cênica.

 

Idealizado por Kleber Damaso, bailarino, pesquisador e professor da UFG, o “Manga de Vento” é coordenado por ele e pelo produtor cultural Guilherme Wolhgemuth. O projeto tem apoio institucional do Fundo Estadual de Cultura (Seduce) e da Lei Municipal de Incentivo.

 

Ficha Técnica de “OE”
Encenação e iluminação: Marcio Aurelio
Dramaturgia: Cássio Pires
Atuação: Eduardo Okamoto
Assistência de direção: Lígia Pereira
Assistência de iluminação: Silviane Ticher
Orientação corporal: Ciça Ohno
Figurino e Cenografia: Marcio Aurelio
Assistente de Figurino e Cenário: Maurício Schneider
Fotografia: Fernando Stankuns
Registro em vídeo: Bruno Jorge
Design gráfico: LuOrvat Design
Orientação pedagógica do projeto: Suzi Frankl Sperber
Coordenação Técnica: Silvio Fávaro
Assistente de produção: Mariella Siqueira
Direção de produção: Daniele Sampaio | SIM! Cultura
Gênero: Drama
Classificação Indicativa: 12 anos
Duração: 70 minutos

 

Serviço
“OE” no Manga de Vento
Local: Teatro SESC Centro – Rua 15, esquina com a Rua – R. 19 – St. Central, Goiânia – GO, 74030-090
Data: 04 de agosto de 2016
Horário: 20h
Ingressos: R$ 15,00 (inteira), R$ 7,50 (meia) e R$ 5,00 (comerciário). Os ingressos estarão à venda a partir de julho na Central de Atendimento do SESC Goiânia e pelo site bilheteriadigital.com.
Mais informações, aqui.

 

“OE” na inaguração do SESC Registro

OE, espetáculo inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo OeCom Eduardo OkamotoEncenação de Marcio AurelioDramaturgia inédita de Cássio Pires

 

Espetáculo solo de Eduardo Okamoto, com encenação de Marcio Aurelio e dramaturgia de Cássio Pires será apresentado no dia 30 de julho, às 20h, no Complexo Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha – K.K.K.K.

 

“OE” é livremente inspirado na obra de Kenzabur Oe, especialmente no romance “Jovens de um Novo Tempo, Despertai!”. Na obra, um escritor procura definições de todas as coisas existentes no mundo para o seu filho com deficiência intelectual.  Tomando a obra de um  escritor nipônico como mote para a sua criação, o trabalho será agora apresentado em Registro, cidade que possui grande contingente de imigrantes japoneses e seus descendentes.

 

A apresentação é parte da programação de inauguração do SESC Registro, primeira unidade do SESC no Vale do Ribeira. A unidade funciona aos sábados e domingos, a partir das 10h, com atividades culturais e esportivas. Os dois primeiros finais de semana do seu funcionamento (iniciado em 23 de julho) contam com atividades como show de Arnaldo Antunes, espetáculos de teatro, dança e circo.

 

Para se instalar na região, o SESC assinou contrato de uso do Complexo K.K.K.K. por 99 anos. Os mais de vinte mil metros quadrados do complexo cultural distribuem-se por quatro armazéns. O local histórico, já abrigou as instalações da Companhia Ultramarina de Desenvolvimento, ou “Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha”, nascida em Tóquio, em 1913.  O seu objetivo inicial era apoiar e instrumentalizar os imigrantes japoneses a caminho do Brasil. Marco da imigração nipônica na região do Vale do Ribeira, o conjunto arquitetônico K.K.K.K. foi construído em 1919, às margens do Rio Ribeira.

 

Ficha Técnica de “OE”
Encenação e iluminação: Marcio Aurelio
Dramaturgia: Cássio Pires
Atuação: Eduardo Okamoto
Assistência de direção: Lígia Pereira
Assistência de iluminação: Silviane Ticher
Orientação corporal: Ciça Ohno
Figurino e Cenografia: Marcio Aurelio
Assistente de Figurino e Cenário: Maurício Schneider
Fotografia: Fernando Stankuns
Registro em vídeo: Bruno Jorge
Design gráfico: LuOrvat Design
Orientação pedagógica do projeto: Suzi Frankl Sperber
Coordenação Técnica: Silvio Fávaro
Assistente de produção: Mariella Siqueira
Direção de produção: Daniele Sampaio | SIM! Cultura
Gênero: Drama
Classificação Indicativa: 12 anos
Duração: 70 minutos

 

Serviço: “OE” no SESC Registro
30 de julho, às 20h, no K.K.K.K.
Ingressos gratuitos podem ser retirados com uma hora de antecedência
Para mais, informações, clique aqui.

Eonline: “Sobre os excluídos do mundo”

 

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Há 23 anos, oito meninos de rua eram assassinados enquanto dormiam na porta de uma igreja, no Rio de Janeiro. No último dia 2 de junho, um menino de 10 anos é morto em uma perseguição policial na cidade de São Paulo.

 

Por que cotidianamente repetem-se acontecimentos tão trágicos? Eduardo Okamoto aprofunda este debate na peça Agora e na Hora de Nossa Hora, que terá única apresentação no dia 22/6 no Sesc Taubaté.

 

Evitando sentenciar culpados, o ator lança um olhar sobre a vida dos meninos de rua, como fruto de um trabalho que começou nas oficinas em que atuava como arte-educador na cidade de Campinas e se desenvolveu numa profunda pequisa histórica e comportamental, em que chegou a passar uma madrugada inteira na rua.

 

“Ainda acredito na força do teatro no debate das questões fundamentais do convívio”
Eduardo Okamoto

 

Nesta entrevista, Okamoto fala sobre suas experiências durante a criação e circulação do espetáculo, sobre a amplianção do debate por meio do seu blog e sobre como descobriu na peça um caráter universal, ao apresentá-la em seis países diferentes.

 

Eonline: No ano em que aconteceu a Chacina da Candelária você era um jovem adolescente. Você se lembra da notícia na época?
Eduardo Okamoto: Quase nada. Lembro de uma certa sensação, da percepção de que algo grave havia acontecido. A minha relação com os meninos de rua era aquela que a maior parte dos cidadãos de classe média mantém: uma certa oscilação entre compaixão e medo – o que, de certa maneira, resultava numa certa distância. Assim, apesar de não me recordar com precisão dos fatos, lembro que não sabia ao certo nem como me posicionar e de quem cobrar responsabilidades.

 

Eonline: Como aconteceu a sua aproximação com esta história, já adulto e profissional do teatro?
Eduado Okamoto: Em 2002, depois de formado em Artes Cênicas na UNICAMP, fui chamado a participar de projetos sociais envolvendo teatro e situações de risco social. Entre estes projetos, ajudei a fundar, em Campinas, o projeto Gepeto – transformando sonhos em realidade, da Ong ACADEC. Nestas oficinas, eu não pretendia criar um espetáculo de teatro como ator, mas apenas trabalhar como arte-educador.
Porém, a experiência com os meninos de rua era tão intensa que eu realmente comecei a sentir a necessidade de exprimir artisticamente aquela vivência. Daí, comecei a observar e recolher modos de agir, gestos, pensamentos, música etc. Estas observações se estenderam, depois, para as ruas de Campinas, São Paulo (onde cheguei a passar uma madrugada na rua) e no Rio de Janeiro.
No Rio, comecei a estudar a Chacina da Candelária, recolhendo aproximadamente 400 matérias de imprensa sobre o acontecido. Tomei a decisão, então, de encenar o fato histórico.
A Chacina da Candelária me pareceu um acontecimento revelador de uma conduta da sociedade brasileira. Veja: o segundo país mais católico do mundo, a nação que se reconhece como o país do futuro, mata crianças (e, portanto, o futuro!) na porta da igreja. Ali, naquela calçada da Candelária estavam expostas muitas das nossas contradições como povo. Assim, encenar a chacina não significa apenas falar da matança de meninos pobres, mas dar vazão a um aprendizado, algo análogo àquilo, que senti na oficinas do projeto “Gepeto”: o impulso de vida dos meninos tem muito a nos ensinar, mas perdemos todo este potencial de vida a cada esquina…

 

Eonline: Em quais países você apresentou o espetáculo Agora e na Hora de Nossa Hora?
Eduardo Okamoto: Espanha, Suíça, Kosovo, Marrocos, Escócia e Polônia.

 

Eonline: Como você se sentiu apresentando no exterior uma obra inspirada em uma história brasileira tão chocante e recente?
Eduardo Okamoto: Fiquei e fico surpreso com a recepção no exterior. Quando criei a obra, pensava tratar de um tema brasileiro destinado ao debate com um público brasileiro. Porém, de algum modo, no exterior, a temática ultrapassa sua singularidade e adquire caráter universal. É como se falássemos dos excluídos do mundo, de todos aqueles que estão à margem do banquete da globalização.

 

Eonline: Quais foram as reações do público nessas apresentações?
Eduardo Okamoto: Há variações. Por exemplo, na Suíça e na Escócia, parte da audiência não conseguia alcançar as ambiguidades sociais todas: “Por que, afinal de contas, a policia mata crianças?”, perguntavam. Eu tentava responder, fingindo saber a resposta: a polícia aperta o gatilho, mas, na verdade, atende a uma demanda de uma sociedade excludente e que não sabe como lidar com a infância em situação de risco. E dada a resposta, ainda ecoava em mim a pergunta: como convivemos tão bem com uma instituição do Estado que mata gente pobre pelo fato de ser pobre?
No Kosovo, país que, em 2007, acabava de sair de uma das mais sangrentas guerras da segunda metade do século XX, as cenas de violência pareciam ainda mais violentas e a plateia parecia, a partir da dor dos meninos de rua, sentir a própria dor.
No Marrocos, nas primeiras cenas em que fico sem camisa, aproximadamente cinco mulheres em suas tradicionais vestes, cobrindo quase que inteiramente o rosto, deixam a sala de apresentação.
Na segunda ocasião em que estive na Espanha (apresentei lá em 2006 e 2012), a crise mundial fez com que a plateia estivesse muito identificada com os marginalizados. Eu gritava por todos, parecia.
De qualquer modo, o espetáculo apresenta uma força surpreendente: não tenho agente no exterior, e estas apresentações todas só aconteceram porque alguém viu num festival e me convidou para um outro evento.

 

Eonline: Você usa o seu blog como uma ferramenta complementar para seus projetos. De modo geral, ainda não é uma prática muito difundida entre atores. Por que a decisão de trabalhar sua obra em primeira pessoa na internet?
Eduardo Okamoto: Porque para mim o teatro é convívio. Ainda acredito na força do teatro no debate das questões fundamentais do convívio, como acontecia na Pólis grega. Assim, eu gostaria de convier por mais tempo com meus espectadores, ampliar o debate. Por isso, escrevo expressando experiências de pesquisa, pontos de vista, reunindo críticas (inclusive aquelas que não me afagam). O importante é tentar estender o debate para além do tempo do espetáculo.
Quero deixar claro que, apesar de ser também um professor universitário e pesquisador acadêmico, no blog não procuro explicar os meus trabalhos. As obras são abertas e entregues à interpretação do espectador. Trata-se de abrir referências e ampliar o debate – o que é diferente de tentar justificar as minhas escolhas como artista.
Este mesmo impulso de refletir em diferentes mídias me levou a escrever um livro Hora de Nossa Hora: o menino de rua e o brinquedo circense, da Editora Hucitec.

 

Eonline: Em 2011 você realizou duas séries de 18 apresentações, que marcavam os dezoito anos que haviam se passado da chacina. Na época, foi feita a seguinte provocação: “fomos capazes, como povo, de amadurecer um projeto social diverso daquele que assassinou crianças e adolescentes 18 anos atrás?”. Hoje, passados mais cinco anos, como você responde à essa mesma provocação?
Eduado Okamoto: A morte de um menino de 10 anos numa perseguição policial, em São Paulo, responde por si só a pergunta. De alguma maneira, insistimos em não aprender com as próprias experiências.
Em Campinas, cidade onde vivo, a prefeitura comemorou, no ano passado, o fim da situação de rua entre crianças e adolescentes, na cidade. Porém, uma rápida conversa com educadores sociais que trabalham com esta população revela que, na verdade, os meninos deixaram de estar no centro da cidade, sendo afastados para bairros periféricos justamente pela violência policial.
É sobre isso que falo quando retomo a Chacina da Candelária: a história é, no caso, o modelo revelador de uma conduta social.
Para ser sincero, há algum tempo penso em parar de fazer esta peça. É duro conviver com este tema. É fisicamente e emocionalmente desgastante conviver com Agora e na Hora de Nossa Hora. Mas a cada acontecimento como estes que ora retomei, lembro de uma função social do teatro que não pode ser silenciada.

 

Eonline: Que análise você faz da atuação da mídia em casos violência envolvendo crianças e adolescentes, entre a missão de informação e o sensacionalismo?
Eduardo Okamoto: A mídia é parte da sociedade e, assim, ecoa todas as suas contradições. Quero responder com uma experiência pessoal. Nas oficinas de circo do projeto “Gepeto”, vi meninos retomarem contatos com suas famílias, deixarem o uso do crack, saírem das ruas… tudo isso porque participavam de atividades simples, como fazer malabarismos com pedrinhas de trilho de trem. Espantosamente, no entanto, a sociedade parecia não saber acolher meninos que procuravam transformar suas vidas e, como resultado, muitos acabavam voltando a viver nas ruas. Ou seja, a mesma sociedade que se diz incomodada com a miséria, empurra meninos e meninas para os limites da exclusão.
Estas contradições todas, insisto, estão na mídia. Há gente interessada no debate profundo – lembro de Hebert de Sousa, o Betinho, que, depois da Chacina da Candelária, fundou um dos mais belos projetos sociais que já conheci: o Se Essa Rua Fosse Minha. E há, claro, também aqueles que só querem vender jornal ou sabão em pó durante as chamadas comerciais. O que penso deles?  Deixo-os com as sua própria consciências.
Digo tudo isso porque não gosto, neste tema, de apontar o dedo procurando culpados. A tarefa é mais árdua e dolorida, parece-me. É necessário que cada um de nós reconheça o seu quinhão de responsabilidade ou omissão com o tema da situação de rua. Caso contrário, contribuiremos para continuarmos a sermos quem somos: todo mundo grita, todo mundo tem razão, mas nada muda.

 

*Fonte: http://www.sescsp.org.br/online/artigo/10112_SOBRE+OS+EXCLUIDOS+DO+MUNDO#/tagcloud=lista

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Taubaté

 

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Solo de Eduardo Okamoto, dirigido por Verônica Fabrini volta à Região do Vale do Paraíba. Sessão acontece às 20h30, no SESC Taubaté. Os ingressos são gratuitos.

 

A rua e nossas mortes cotidianas
“Agora e na Hora de Nossa Hora” é um espetáculo sobre meninos de rua, especialmente sobre a Chacina da Candelária, quando, em 1993, oito meninos de rua foram assassinados por policiais, no Rio de Janeiro. Na obra, o fato histórico é apresentado como modelo revelador de uma condita social: os policiais apertam disparam tiros, mas há uma sociedade conivente e socialmente excludente que pressiona policiais,  o braço armado do Estado, a assassinar gente pobre. No momento em que são debatidas as condições em que um menino de dez anos foi morto por policiais militares de São Paulo, é, portanto, bastante oportuna a apresentação do espetáculo.

Para criar “Agora e na Hora de Nossa Hora”, Eduardo Okamoto interagiu com meninos de rua em oficinas de circo do “Projeto Gepeto”, da ONG Acadec, em Campinas. Não só. Também realizou pesquisas de campo nas ruas de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. O seu trabalho primeiro foi o de realizar uma espécie síntese etnográfica: modos de agir dos meninos de rua.

A  dramaturgia final do espetáculo foi criada a partir da combinação destes materiais documentais (as pesquisas de campo e o estudo da Chacina da Candelária) com trechos retirados de “Macário”, conto do escritor Juan Rulfo.

 

Vale do Paraíba
Não é a primeira vez que Eduardo Okamoto se apresenta no vale do Paraíba. O ator mantém relações constantes com seus cidadãos e com a sua comunidade de artistas.

O solo “Eldorado” já foi apresentado no SESC São José dos Campos, no SESI da mesma cidade (durante o Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba -Festivale) e na abertura do Festival de Teatro de Taubaté. “Agora e na Hora de Nossa Hora” já se apresentou no SESC São José dos Campos e no Festivale. “Recusa”, espetáculo da Cia Teatro Balagan em que Okamoto é ator-convidado, também compôs a programação do Festivale.  O solo “OE” apresentou-se recentemente no SESC São José dos Campos.

Em muitas destas oportunidades Okamoto ministrou oficinas e realizou bate-papos públicos.

Em agosto, o ator deverá retornar á São José dos Campos apresentando o solo “Eldorado” e “Noites Árabes”, espetáculo sob sua direção,  no CAC Walmor Chagas.

 

Serviço
“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Taubaté
Dia: 22 de junho de 2016
Hora: 20h30
Local: SESC São Taubaté
Endereço: Avenida Engenheiro Milton de Alvarenga Peixoto, 1264, Esplanada Santa Terezinha
Ingressos gratuitos
Mais informações aqui.

 

Ficha técnica do espetáculo
Criação e atuação: Eduardo Okamoto
Direção: Verônica Fabrini
Assistência de direção: Alice Possani
Pesquisa e execução musical: Paula Ferrão
Música: “Bachianas Brasileiras no 5”, Heitor Villa Lobos
Treinamento de ator: LUME Teatro
Iluminação: Marcelo Lazzaratto
Fotografia: João Roberto Simioni e Jordana Barale
Orientação: Suzi Frankl Sperber e Renato Ferracini
Produção: Daniele Sampaio
Duração: 60 min

Polícia Mata Menino de Dez anos e Morremos Todos!

Há alguns meses, gerou comoção a imagem de um menino refugiado, Aylan Kurdi, morto quando sua família se arriscava para chegar à Europa pelo mar. Hoje, porém, a morte do menino de 10 anos, assassinado pela PM paulista passa quase despercebida. Fico espantado com o pouco espanto: a imagem do menino brasileiro parece-me igualmente icônica.

No Brasil, crianças em situação de risco social – e, no caso, pode-se dizer em situação de rua – tendem a uma certa invisibilidade. Estão fora dos limites do território daqueles que “valem a pena”. Assim, não se poderia esperar outra coisa senão a negação desta morte como acontecimento revelador de nossa conduta como sociedade.

É verdade houve manifestações contrárias à PM, como se fosse ela, e somente ela, a responsável pela barbárie. Faço coro no manifesto contra a truculência da PM de São Paulo que, capitaneada pelo governador Geraldo Alckmin, dá espetáculos de horror: criminalizando movimentos sociais e estudantis, matando gente pobre na periferia, apresentando-se como o braço armado do Estado que garante esta linha divisória entre os que “valem” e o que “não valem a pena”.

No entanto, no caso de crianças e adolescentes em situação de rua, pode-se dizer que isso não é tudo. A polícia, aceita a tarefa social de apertar o gatilho, mas é preciso reconhecer que há uma sociedade conivente e que de certa maneira pressiona aquele que dispara o tiro. Não há política pública para lidar com esses meninos e meninas. No contato com eles, vamos nos revelando como nação: o país do futuro nega aqueles que são justamente o futuro. A única política pública, aqui, é a polícia. Assim, o Brasil vai construindo a sua própria Faixa de Gaza, onde a solução possível parece ser a bala ou a bomba.

Não reconhecer a nossa parte neste quinhão de violência, atribuindo toda a responsabilidade à decisão do policial que dispara o tiro, é o mesmo que tentar salvar o menino refugiado depois que o barco já virou. Seria imensamente mais fácil e efetivo conhecê-lo antes de sua família decidir pela travessia arriscada do mar.

Se o país se levasse a sério, todos estaríamos parados, hoje. Assim, veríamos a nós mesmos refletidos neste espelho que é a imagem de um menino de dez anos morto num automóvel. Se desejamos algum futuro, nada é mais urgente que garantir o direito à infância. Nada.

“OE” no SESC São José dos Campos

 

Solo do ator Eduardo Okamoto, com direção de Marcio Aurelio e dramaturgia inédia de Cássio Pires terá sessão única no SESC São José dos Campos, em 21 de maio, às 20h.

 

“OE” é livremente inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, especialmente no romance “Jovens de um Novo Tempo Despertai!”.  Na peça, ao reconhecer a possibilidade iminente da morte, um homem escreve para seu filho primogênito, que possui severa deficiência intelectual, um livro contendo a definição de todas as coisas existentes no mundo.

 

Atividade Formativa 

“OE” é fundado em pesquisas de Eduardo Okamoto sobre a arte de ator.  Como parte do processo criativo, Okamoto realizou, em fevereiro de 2014, um estagio no Kazuo Ohno Dance Studio, no Japão.

 

Parte destas pesquisas serão debatidas em workshop com duração de três horas, também no dia 21 de maio, das 10h30 às 13h30, no SESC São José dos Campos. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na  Central de Atendimento. Para saber mais sobre os procedimentos de inscrição, clique aqui.

 

Okamoto em São José dos Campos

Esta não é a primeira vez do ator na cidade, que já apresentou outros de seus trabalhos durante o Festivale e  em apresentações no SESI e  no SESC. Neste ano, o ator ainda deverá voltar a São José dos Campos, em agosto, apresentando o solo “Eldorado”  e um espetáculo sob sua direção, “Noites Árabes”, no CAC Walmor Chagas.

 

Serviço
“OE” no SESC São José dos Campos
21 de maio, sábado, às 20h
Sesc São José dos Campos
Endereço: Av. Adhemar de Barros, 999 – Jd. São Dimas
Com Eduardo Okamoto.
Auditório
Preço: de R$ 5,00 a R$ 17,00.
Recomendação etária 16 anos

 

Workshop “Dramaturgia do Corpo” no SESC São José dos Campos
21 de maio, sábado, às 20h
Sesc São José dos Campos
Endereço: Av. Adhemar de Barros, 999 – Jd. São Dimas
Com Eduardo Okamoto.
Auditório
Preço: grátis.
Inscrições na Central de Atendimento do SESC

Saudades

Terminamos, hoje, em Pereira Barreto, um roteiro de apresentações do espetáculo “OE” por cidades com grande influência de comunidade nipo-brasileiras: Marília, São Paulo, Mirandópolis, Registro, Araçatuba, Campinas, Pereira Barreto. A circulação foi viável graças ao financiamento do Proac – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo e a parcerias diversas (secretarias municipais de cultura, grupos de teatro, comunidades, SESC Campinas etc).

 

Em cada cidade, senti que apresentava para amigos do meu avô. Sensação análoga àquela que vivi no Japão: temos raízes que nos empurram para futuros.

 

Nunca me reconheci como japonês: não falo o idioma, não tenho hábitos, não convivo com a cultura. No Japão, porém, ao pisar no Aeroporto de Narita, chorei copiosamente. “Que saudades eu sentia de um lugar que eu não conhecia”, pensava. E concluí: “o Japão é do outro lado do mundo. O Japão é dentro da gente.”

 

Nesta circulação, realizei o tamanho da importância da cultura nipônica para a cultura brasileira e para a cultura paulista, em especial. Assim, entendi: o Japão também está sempre do lado da gente!

OE: Leste_Oeste

Começa a circulação pelo ProAC!

 

 

Entre março e abril, Eduardo Okamoto cumpre temporada paulista e circula com o espetáculo OE por 5 cidades do estado de São Paulo. As primeiras sessões da temporada paulista e a circulação pelo interior faz parte do projeto OE:Leste_Oeste, contemplado no Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo 2015.

 

 

O projeto prevê a circulação do espetáculo por cidades do estado que reconhecidamente receberam grandes contingentes de imigrantes japoneses: Registro, São Paulo, Mirandópolis, Araçatuba e Pereira Barreto. Concebida desta maneira, a circulação atualiza caminhos geográficos pelos quais se interiorizou a influência nipônica nas culturas brasileira e, em especial, paulista: Leste_Oeste

 

 

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Em breve, mais informações e notícias sobre a circulação!

Curta temporada: OE em São Paulo

“Um livro contendo a definição de todas as coisas existentes no mundo. Aí, o legado de um escritor para o seu primogênito com deficiência intelectual. E um sonho: no dia da sua morte, toda a experiência acumulada em si fluiria para o espírito inocente de seu filho”.  

O ator Eduardo Okamoto volta ao cartaz em São Paulo com o seu mais recente trabalho. OE, que conta com encenação de Marcio Aurelio e dramaturgia de Cassio Pires, cumprirá curta temporada na Oficina Cultural Oswald de Andrade entre 03 e 19/03.

 

 

 

Serviço OE :: solo de Eduardo Okamoto

 

Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363, Bom Retiro – São Paulo/SP

Data: 03 a 19/03 – quinta à sábado

Horário: 20h

Ingressos gratuitos – (retirar com 30 minutos de antecedência)

Mais informações: (11) 32215558

 

 

Ficha Técnica

Encenação e iluminação: Marcio Aurelio

Dramaturgia: Cássio Pires

Atuação: Eduardo Okamoto

Assistência de direção: Lígia Pereira

Assistência de iluminação: Silviane Ticher

Orientação corporal: Ciça Ohno

Figurino e Cenografia: Marcio Aurelio

Assistente de Figurino e Cenário: Maurício Schneider

Fotografia: Fernando Stankuns

Registro em vídeo: Bruno Jorge

Design gráfico: LuOrvat Design

Orientação pedagógica do projeto: Suzi Frankl Sperber

Coordenação Técnica: Silvio Fávaro

Assistente de produção: Mariella Siqueira

Direção de produção: Daniele Sampaio | SIM! Cultura

Gênero: Drama

Classificação Indicativa: 12 anos

Duração: 70 minutos

 

 

E mais! No dia 12/03, o ator Eduardo Okamoto ministrará oficina vivência Dramaturgia do Corpo. As inscrições são gratuitas e seguem abertas até 03/03. Gostou?

“OE” em São Carlos

OE

 

 

Em dezembro, revisitamos São Carlos com o novo espetáculo do ator Eduardo Okamoto: OE – inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, com encenação de Marcio Aurelio e dramaturgia de Cássio Pires.  A última apresentação do ano acontece na próxima 5ª-feira, dia 10/12, no SESC São Carlos.

 

 

OE é um solo com dramaturgia inédita inspirada na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, especialmente no livro “Jovens de um novo tempo, despertai!”. O espetáculo, porém, não dramatiza a ficcção do autor nipônico. Encontra nela impulso para a abertura de imaginários. Na história, ao reconhecer a possibilidade iminente da morte, um homem escreve  para o seu filho primogênito, que possui severa deficiência intelectual, um livro contendo a definição de todas as coisas existentes no mundo. Neste projeto urgente e impossível, um legado e um sonho: no dia da sua morte, toda a sua experiência acumulada em si fluiria para o espírito inocente do garoto.

 

 

Ficha Técnica – OE

Encenação e iluminação: Marcio Aurelio

Dramaturgia: Cássio Pires

Atuação: Eduardo Okamoto

Assistência de direção: Lígia Pereira

Assistência de iluminação: Silviane Ticher

Orientação corporal: Ciça Ohno

Figurino e Cenografia: Marcio Aurelio

Assistente de Figurino e Cenário: Maurício Schneider

Fotografia: Fernando Stankuns

Registro em vídeo: Bruno Jorge

Design gráfico: LuOrvat Design

Orientação pedagógica do projeto: Suzi Frankl Sperber

Coordenação Técnica: Silvio Fávaro

Assistente de produção: Mariella Siqueira

Direção de produção: Daniele Sampaio | SIM! Cultura

Gênero: Drama

Classificação Indicativa: 12 anos

Duração: 70 minutos

 

 

Serviço

OE :: Solo de Eduardo Okamoto

Local: SESC São Carlos – Av. Comendador Alfredo Maffei, 700 – Jardim São Carlos, São Carlos – SP, 13560-649

Data: 10 de dezembro de 2015

Horário: 20h

Ingressos: R$5,00 (Comerciário), R$8,50 (Meia) e R$17,00 (Inteira). À venda do Portal e nas unidades do SESC.

Mais informações: (16) 3373-2300 ao acesse aqui. 

De volta a Jundiaí!

A Mostra de Teatro de Referência 2015 de Jundiaí recebe, em novembro, dois espetáculos do ator Eduardo Okamoto e uma oficina com a produtora Daniele Sampaio.

No sábado 21/11, Okamoto apresenta seu primeiro espetáculo solo AGORA E NA HORA DE NOSSA HORA, com direção de Veronica Fabrini, no Teatro Polytheama. O espetáculo é inspirado na obra do escritor mexicano Juan Rulfo e na Chacina da Candelária – quando, em 1993, oito meninos em situação de rua foram assassinados no Rio de Janeiro.

Entre 14h e 18h, a produtora Daniele Sampaio irá ministrar a oficina Modos de Produção na Casa das Letras e Artes de Jundiaí, onde abordará a relação entre processos criativos e sua gestão cultural. A partir de estudos de caso, a oficina visa oferecer aos participantes noções sobre o papel da produção desde a concepção da ideia geradora do projeto, passando por sua elaboração, execução e avaliações finais.

No domingo 22/11, na mesma mostra, Okamoto apresenta seu novo espetáculo, OE. Com encenação de Mario Aurelio e dramaturgia inédita de Cássio Pires, OE é inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, especialmente no livro “Jovens de um novo tempo, despertai”.

Se programem, divulguem aos amigos e compareçam!

Serviços:

AGORA E NA HORA DE NOSSA HORA

Local: Teatro Polytheama, R. Barão de Jundiaí, 176 – Centro, Jundiaí – SP, 13201-010.

Data: 21/11/2015

Horário: 20h

Ingressos: Gratuitos distribuídos 1h antes da apresentação na bilheteria do teatro.

Mais informações: (11) 4586-2472 | (11) 4522-0770.

OE

Local: Teatro Polytheama, R. Barão de Jundiaí, 176 – Centro, Jundiaí – SP, 13201-010.

Data: 22/11/2015

Horário: 20h

Ingressos: Gratuitos distribuídos 1h antes da apresentação na bilheteria do teatro.

Mais informações: (11) 4586-2472 | (11) 4522-0770.

MODOS DE PRODUÇÃO

Ministrante: Daniele Sampaio

Local: Casa das Letras e Artes de Jundiaí – Rua Rangel Pestana, 456, Centro, Jundiaí – SP, 13201-000.

Data: 21/11/2015

Horário: 14h às 18h

Inscrição: Os interessados poderão enviar e-mail para ateliecasarao@gmail.com a fim

de formalizar a inscrição.

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Inscrições prorrogadas!

Cursos de Fevereiro e Março 2016 :: SIM! Cultura

 

 

A SIM! Cultura – produtora capitaneada por Daniele Sampaio e responsável pelos trabalhos do ator Eduardo Okamoto – promoverá a segunda edição dos Cursos de Fevereiro e Março em sua sede, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas-SP.

 

As inscrições estão prorrogadas até 01/12/2015.

Abaixo, seguem mais informações sobre os cursos e como se inscrever:

 

 

PALAVRAS NO CORPO – UM ATOR-NARRADOR

Datas: 15 a 19/02/2016 – segunda a sexta das 9h às 13h

Carga Horária: 20h

Ministrante: Maria Thais – Cia Teatro Balagan    

 

 

Release

Palavras no corpo – um ator-narrador elege como prática criativa  para o ator o trabalho com a palavra, explorando a sua característica de ser uma “arma que atravessa territórios”  etransitar entre temporalidades distintas. Verticaliza-se a materialidade do corpo da palavra e sua potencia relacional – de afetar e ser afetado, de ajustar-se ao ambiente -, de tornar visível o invisível, de criar outros mundos. Como matéria poética serão experimentados pequenas narrativas que compõe o livroEspelhosGêmeos – pequeno tratado das perversões, de Péricles Prades investigados a partir de um operador comum: o  Ato –  verbal e gestual – que evocado ou encarnado pelo/no ator, cria a expressão cênica. No trabalho com o corpo e a palavra o trânsito através das imagens, sujeitos e perspectivas sugere uma atitude para o ator análoga à do caçador, que ao  adentrar um campo desconhecido não submete os materiais e o próprio processo criativo a estruturas e modos de fazer predeterminados mas, ao contrário, se dispõe ao desconhecido, ao silêncio, à escuta.

 

Público Alvo

Atores, dançarinos e estudantes de teatro e dança

 

Vagas

12 vagas

 

 

Processo de Seleção

Os interessados deverão preencher o formulário de inscrição neste LINK até 01/12/2015. A relação dos selecionados será publicada no dia 07/12/2015, quando então a inscrição na oficina poderá será formalizada.

 

 

Currículo da Ministrante

Autora do livro Na Cena do Dr. Dapertutto: Poética e Pedagogia em V.E. Meierhold, Editora Perspectiva, SP, 2010. Professora e pesquisadora do Departamento de Artes Cênicas da ECA/USP, na área de interpretação
e direção e no Programa de Pós-graduação em Artes. Foi diretora (2007/2010) do TUSP – Teatro da Universidade de São Paulo. Diretora Artística da Cia Teatro Balagan com quem encenou os seguintes espetáculos: Prometheus – a tragédia do fogo (2011/12), Západ – A Tragédia do Poder (2006/2007), Tauromaquia (2004/2006), A Besta
na Lua (2003/2004), Sacromaquia (2000/2001) e realizou o projeto
de pesquisa Do Inumano ao mais-Humano (2008/2009). Curadora do ECUM – Centro Internacional de Pesquisa sobre a Formação em Artes Cênicas (2010/2011). Consultora Pedagógica da SP Escola de Teatro (2010). Colaborou (1999 a 2006) como diretora-pedagoga com a Moscow Theatre – Scholl of Dramatic Art, Moscou/Rússia, dirigida por Anatoli Vassiliev e foi coreógrafa no espetáculo A Ilíada. Dirigiu ainda os espetáculos: Olhos d’Agua (2004), com a Cia Ismael Ivo, uma produção da Haus der Kulturen der Welt, em Berlim/Alemanha; e Dorotéia – um estudo (2004), de Nelson Rodrigues no Festival Intercity São Paulo,
em Firenze/Sesto Fiorentino – Itália. Foi professora do Departamento
de Artes Cênicas (1993/2002) do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e Responsável (1990-1992) pela concepção, implantação e coordenação do projeto Escola Livre de Teatro, do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Santo André.

 

 

SERVIÇO  Curso: Palavras no Corpo – Um Ator-Narrador

Datas: 15 a 19/02/2016 – segunda a sexta das 9h às 13h

Carga Horária: 20h

Ministrante: Maria Thais – Cia Teatro Balagan

Investimento: R$600,00

Formas de pagamento:

1- À vista

2- Depósito Bancário em até 3x

3- Cheques em até 4x

4- Cartão de Crédito em até 10x* (consultar condições)

Mais informações: cursos@simcultura.art.br

 

 

 

 

QUANTO A MIM VAI SER ALEGRE

QUE AINDA NÃO FOI DADO ESTABELECER

COM O MENOR GRAU DE PRECISÃO O QUE SOU    

 

 

Oficina baseada em fragmentos de “O Inominável” de Samuel Beckett e do “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa.

Datas: 22 a 27/02/2016– segunda à sábado das 9h30 às 13h30

Carga Horária: 24h

Ministrante: Tatiana Motta Lima

 

 

Release

Os textos de BECKETT e PESSOA podem ser vistos como mapas que indicam modos de ser/fazer – modos de subjetivação – que ‘bagunçam’ nossas idéias e práticas mais imediatas de indivíduo, sujeito, personalidade, e, portanto, de ator e de personagem. Esses textos permitem vislumbrar diferentes linhas de fugas desse “eu” a que estamos submetidos, esse “eu” que come, recorta e nomeia experiências dispares a partir de um mesmo ponto de vista, produzindo uma enunciação identitária para aquilo que poderia ter potencial de desagregar, ampliar e diferenciar. A oficina buscará investigar relações entre textualidade, oralidade, corporeidade e subjetivação, que apontem para a possibilidade de uma atuação ‘outra’: múltipla, desmembrada, falhada, apagada, extremamente consciente e que, ao mesmo tempo, ache alegre ainda não ter estabelecido com o menor grau de precisão o que é.

 

 

Obs: O/A participante deverá prever que, antes do começo da oficina, será convidado a

1) memorizar um texto de mais ou menos 1 página,

2) preparar uma pequena cena (3 minutos) a partir de fragmentos de textos de Beckett e Pessoa previamente selecionados pela ministrante e

3) ler alguns – poucos – textos teóricos que dialogam com o trabalho.

 

 

Público Alvo

Atores, dançarinos e estudantes de teatro e dança

 

 

Vagas

12 vagas

 

 

Processo de Seleção

Os interessados deverão preencher o formulário de inscrição neste LINK até 01/12/2015. A relação dos selecionados será publicada no dia 07/12/2015, quando então a inscrição na oficina poderá será formalizada.

 

 

Currículo da Ministrante

Tatiana Motta Lima é professora e pesquisadora do Departamento de Atuação e dos programas de pós graduação, PPGAC e PPGEAC, da UNIRIO. É professora colaboradora da Pós Graduação em Artes da Cena da UNICAMP. Ela é estudiosa do trabalho de Jerzy Grotowski e doWorkcenter, tendo escrito, além de inúmeros artigos, o livro “Palavras Praticadas: O Percurso Artístico de Jerzy Grotowski, 1959-1974” (Perspectiva). Tatiana também pesquisa e escreve sobre atuação e pedagogia do ator, tendo ministrado oficinas para atores e bailarinos e realizado conferências no Brasil, em alguns países da América Latina e em Portugal.  Ela é bissextamente atriz e diretora.

 

 

SERVIÇO

Curso: QUANTO A MIM VAI SER ALEGRE QUE AINDA NÃO FOI DADO ESTABELECER COM O MENOR GRAU DE PRECISÃO O QUE SOU

Datas: 22 a 27/02/2016 – segunda à sábado das 9h30 às 13h30

Carga Horária: 24h

Ministrante: Tatiana Motta Lima

Investimento: R$650,00

Formas de pagamento:

1- À vista

2- Depósito Bancário em até 3x

3 – Cheques em até 4x 4- Cartão de Crédito em até 10x* (consultar condições)

Mais informações: cursos@simcultura.art.br

 

 

 

 

PRODUÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS CULTURAIS

Datas: 05, 06, 12 e 13/03/2016 –sábados e domingos das 10h às 18h

Carga Horária: 24h

Ministrante: Daniele Sampaio      

 

 

Release

É função do produtor cultural a elaboração de estratégias que tornem possíveis a criação e a fruição de bens simbólicos. O curso parte desta dimensão do fazer cultural, procurando localizá-la como ação. O seu objetivo é oferecer aos participantes instrumentos para a elaboração e gestão de projetos culturais nas artes cênicas. A partir de conteúdo teórico e prático, envolvendo o debate sobre a relação entre o processo de criação e a sua administração, o curso contemplará o histórico das políticas públicas no Brasil, elaboração e gestão de projetos culturais; etapas da produção executiva; criação de identidade visual e plano de comunicação.

 

 

Conteúdo programático

 

 

05/03/2016 das 10h às 18h

  • Políticas Culturais no Brasil;
  • Histórico de Ações do Ministério da Cultura;
  • Produção e Gestão Cultural.

 

 

 

06/03/2016 das 10h às 18h

  • Elaboração de Projetos Culturais (Apresentação; Objetivos; Justificativa);
  • Planejamento Estratégico (Cronograma e Orçamento);
  • Atividade prática.

 

 

 

12/03/2016das 10h às 18h

  • Apresentação dos grupos;
  • Gerindo o seu projeto: Etapas de Pré-produção, Produção e Pós-Produção;
  • Ações da Produção Executiva.

 

 

13/03/2015das 10h às 18h

  • Plano de Comunicação (identidade visual e estratégias de divulgação);
  • Avaliação (feedback) e Encerramento.

 

 

Público Alvo

Jovens produtores, atores, dançarinos, estudantes e interessados em conhecer os procedimentos da elaboração, produção e gestão de projetos culturais.

 

 

Vagas

16 vagas

 

 

Processo de Seleção

Os interessados deverão preencher o formulário de inscrição neste LINK até 01/12/2015. A relação dos selecionados será publicada no dia 07/12/2015, quando então a inscrição na oficina poderá será formalizada.

 

 

Currículo da Ministrante

Bacharel em Ciências Sociais pela UNICAMP, Daniele Sampaio é gestora da SIM Cultura! e produtora do ator Eduardo Okamoto desde 2006. Responsável pela produção dos espetáculos “Agora e na Hora de Nossa Hora” (2004) – Prêmio de Melhor Atuação Masculina no Festival de Agadir (Marrocos), “Eldorado” (2008) – indicado ao Prêmio Shell Melhor Ator 2009 -, “Chuva Pasmada” (2010) em parceria com o Matula Teatro e indicado ao Prêmio CPT 2010 de Melhor Elenco, e “RECUSA” (2012) – espetáculo da Cia Teatro Balagan no qual Okamoto atua como convidado -, indicado a 11 prêmios e contemplado no Prêmio APCA 2012 de Melhor Atuação para Eduardo Okamoto e Antonio Salvador, Prêmio Shell 2012 de Melhor Direção para Maria Thais, Prêmio Shell 2012 de Melhor Cenário para Márcio Medina e Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro 2012 de Pesquisa Musical e Espetáculo de Sala.   Aprovou diversos projetos em editais culturais e participou de importantes festivais nacionais e internacionais (Suíça, Alemanha, Espanha, Kosovo, Marrocos, Escócia, Polônia). Desde 2009, ministra cursos de “Produção e Gestão para as Artes Cênicas” e “Elaboração de Projetos Culturais” em diferentes cidades brasileiras.Em paralelo ao trabalho com o ator Eduardo Okamoto, presta consultoria em produção e gestão de projetos culturais para artistas e grupos de teatro.   É pesquisadora de Políticas Culturais, sendo bolsista na  Fundação Casa de Rui Barbosa (RJ) – instituição pública federal vinculada ao Ministério da Cultura – entre 2012 e 2014. Atualmente, é mestranda em Artes da Cena na UNICAMP, onde pesquisa a ação da produção em trajetórias artísticas com caráter investigativo.

 

 

SERVIÇO Curso: Produção e Gestão de Projetos Culturais

Datas: 05, 06, 12 e 13/03/2016 – sábados e domingos das 10h às 18h

Carga Horária: 24h

Ministrante: Daniele Sampaio

Investimento: R$500,00

Formas de pagamento:

1- À vista

2- Depósito Bancário em até 3x

3- Cheques em até 4x

4- Cartão de Crédito em até 10x* (consultar condições)

Mais informações: cursos@simcultura.art.br

“OE” em Marília!

 

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No dia 26 de outubro (2ª-feira) o ator Eduardo Okamoto irá apresentar, em Marília -SP, seu novo espetáculo OE  – atuação de Eduardo Okamoto, encenação de Marcio Aurelio e dramaturgia de Cássio Pires. O espetáculo é inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, especialmente no livro “Jovens de um novo tempo, despertai!”.

 

A apresentação de OE nesta ocasião fará parte da recepção da comitiva de Higashihiroshima à cidade co-irmã no Brasil, Marília. Estarão presentes o Prefeito de Higashihiroshima, Sr. Yoshio Kurata, e o Presidente da Câmara Municipal de Hygashi, Sr. Mamoru Yamashita. A visita ao município estreitará as relações políticas e sociais entre essas localidades.

 

Kenzaburo Oe nasceu em 1935, no lugarejo de Ose. Ainda estudante de literatura francesa em Tóquio, estreou na ficção e conquistou o cobiçado Prêmio Akutagawa. Um dos romancistas mais populares do Japão, sua obra compreende inúmeros contos, escritos políticos e um famoso ensaio sobre Hiroshima. Em 1967, recebeu o prêmio Tanizaki e, em 1994, o Prêmio Nobel de Literatura.

 

Serviço OE :: solo do ator Eduardo Okamoto

Onde: Teatro do Colégio Sagrado Coração de Jesus – Rua Nelson Spielman, 700 – centro, 17509-001. Marília – SP

Quando: 26 de outubro de 2015 – 2a-feira

Horário: 19h30

Ingressos: gratuitos distribuídos por ordem de chegada.

Lotação: 600 lugares

Mais informações: (14) 3402-6600 ou (14) 3433-4187

 

Sinopse

OE  é um solo com dramaturgia inédita inspirada na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, especialmente no livro “Jovens de um novo tempo, despertai!”. O espetáculo, porém, não dramatiza a ficção do autor nipônico. Encontra nela impulso para a abertura de imaginários. Na história, ao reconhecer a possibilidade iminente da morte, um homem escreve para o seu filho primogênito, que possui severa deficiência intelectual, um livro contendo a definição de todas as coisas existentes no mundo. Neste projeto urgente e impossível, um legado e um sonho: no dia da sua morte, toda a sua experiência acumulada em si fluiria para o espírito inocente do garoto.

 

 

Ficha Técnica
Espetáculo inspirado na obra de Kenzaburo Oe
Encenação e iluminação: Marcio Aurelio
Dramaturgia: Cássio Pires
Atuação: Eduardo Okamoto
Assistência de direção: Lígia Pereira
Assistência de iluminação: Silviane Ticher
Orientação corporal: Ciça Ohno
Figurino e Cenografia: Marcio Aurelio
Assistente de Figurino e Cenário: Maurício Schneider
Fotografia: Fernando  Stankuns
Registro em vídeo: Bruno Jorge
Design gráfico: LuOrvat Design
Orientação pedagógica do projeto: Suzi Frankl  Sperber
Coordenação Técnica: Silvio Fávaro
Assistência de produção: Mariella Siqueira
Direção de produção: Daniele Sampaio | SIM! Cultura