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Fantasia é política

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Na última sexta feira, dois de setembro, o filósofo Vladimir Safatle escreveu artigo em que dizia: “Nunca na história brasileira foi tão importante o exercício da imaginação, da autoanálise, da insubmissão e do destemor”. Como ator – alguém que toma a imaginação como ofício, portanto – tomei a fala como um chamado.

 

É verdade que muitos já relacionaram construção simbólica, pensar e agir.  Para Gaston Bachelard, “é preciso que a imaginação seja demasiada para que o pensamento tenha o bastante”. O filósofo francês, inclusive, toma a imaginação como a “própria existência humana”.

 

O texto de Safatle, porém, atualiza esta percepção: o contexto político faz urgir o reconhecimento do potencial transformador e subversivo de nossa capacidade imaginativa. Afinal, construir o mundo é, antes, imaginá-lo de maneira diversa. A fantasia, que não é alienação ou escapismo, será a única saída para a construção de uma nova realidade.

 

Para os artistas, assim, o “agora” provoca e impulsiona: como lapidar instrumentos técnicos (o que se confunde como a melhora de si, reparemos bem) para revelar um mundo que não está pronto? Como ajudar a parir um mundo que ainda não mostrou a sua imagem? Daí a profícua aproximação, feita por Safatle, entre imaginação, autoanálise e destemor. Nos limites deste rigor, os profissionais da imaginação hão de reconhecer a sua vocação. O chamado é urgente. E ninguém poderá ficar de fora.