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O que vemos na Polônia: “Nieskończona Historia”

 

A última apresentação que vimos no 14. Międzynarodowy Festiwal TEATROMANIA – onde, no dia 25 de maio, apresentamos “Agora e na Hora de Nossa Hora” – foi „Nieskończona Historia.” – em português remete a algo como “História Infinita”. O espetáculo é dirigido por Piotr Cieplak (que, segundo me disseram, é um dos mais respeitados diretores poloneses da atualidade), à frente da companhia estatal do Teatr Powszechny im, de Varvósvia.

 

A fábula do espetáculo é simples: residentes de um mesmo conjunto habitacional, depois da morte de uma antiga moradora, reúne-se numa área comum (espécie de salão comunitário) e indagam-se sobre limites de vida e morte. O que interessa, parece, é menos o que se conta e mais o como se conta. Um conjunto afinado de atores, em incrível coro, não apenas “encarnam” personagens, mas ajudam, a narrar a fábula em composições diversas, com bonitas partituras corporais e vocais.

 

Por muitos aspectos o trabalho me remeteu às criações do célebre diretor polonês Tadeusz Kantor – especialmente à sua “Classe Morta”: a movimentação dos atores, próxima a de marionetes; a composição atoral mais afeita ao coro que a criação de sujeitos como indivíduos; um ator-personagem por diversas vezes atuando com uma espécie de regente em cena.   

   

 

Depois do espetáculo, arrumamos nossas malas e, enfim, voltamos ao Brasil. Foram seis dias entre preparativos para uma apresentação “Agora e na Hora de Nossa Hora”, intercâmbio com outros artistas, muita conversa. Vimos seis performances de espetáculos poloneses. E, claro, já sentimos muita, muita saudade!  Dias intensos, inesquecíveis.  

  

 

O que nós vemos na Polônia: Auschwitz e Cracóvia

 

Auschwitz: o retrato do horror. 

 

Depois da apresentação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no 14. Międzynarodowy Festiwal TEATROMANIA, na Polônia, tivemos um dia livre. Nesta ocasião, além de continuar acompanhando as atividades do festival, aproveitamos para conhecer duas localidades: o campo de concentração de Auschwitz e a cidade de Cracóvia – ambos localizados a poucos quilômetros de Bytom, onde acontece o evento.   

 

Auschwitz mantém quase intacto o local que, anos atrás, serviu como um dos instrumentos de um dos maiores horrores da história da humanidade –  o Holocausto. O complexo Auschwitz-Birkenau foi um dos maiores campos de concentração criados por nazistas para a seleção de judeus para trabalhos forçados e seu extermínio.

 

Hoje, o local é mantido como um museu com visitas guiadas. O ingresso é gratuito para aqueles que não desejarem o acompanhamento de guias. Porém, não acho que a visita sem o acompanhamento valha tanto a pena: os guias são muitíssimo bem instruídos, sabedores não só de dados e histórias espantosas dos campos de concentração, mas também bem informados acerca da História mesmo. Os visitantes são divididos em grupos de acordo com o idioma que escolhem para a visitação.

 

Nossa estada, ali, durou cerca de 3h30. Uma experiência para não esquecer nunca mais. O lugar dá vertigens (quando vemos a imensidão do campo, por exemplo). Mais de uma vez tive vontade de chorar (quando vi sapatos de crianças pequenas deportadas para o campo) ou enjoos (quando vi um amontoado de cabelos, retirados de judeus recém mortos em câmaras de gás, que serviriam à industria têxtil alemã). Impossível descrever a sensação de entrar numa câmara de gás ou nos locais para dormitórios ou cuidados íntimos com latrinas e lavatórios      

 

Cracóvia: o antigo e o novo. 

 

Na Cracóvia, experiência oposta: uma das mais belas cidades da Europa. Uma cidade medieval, datada do século VIII. Ali, um lindo centro histórico, tombado pela UNESCO como patrimônio mundial, onde há até mesmo um grande castelo. Incrível!    

O que nós vemos na Polônia: “O dobru”

 

 

Aproveitamos nossa estada em Bytom, na Polônia, onde participamos do 14. Międzynarodowy Festiwal TEATROMANIA, para assistir a trabalhos de diferentes partes do mundo. 

 

“O dobru, cujo título poderia ser traduzido por algo como “Do Bem” é dirigido pela dupla Monika Strzepka e Paweł Demirski. Segundo os organizadores do festival, estes são dois dos mais destacados jovens diretores poloneses da atualidade – e, de fato, a plateia estava absolutamente lotada, comprovando a sua fama.  O espetáculo tem argumento simples: tratar de “fracassados” célebres. Assim, vemos fracassos que, na Polônia, são conhecidos de todos: um rapaz em luta vã contra um câncer; um jornalista que tentou fazer algo importante e não pôde; os próprios atores que anunciam, no início da peça, que mesmo não podendo ensaiar a contento farão o seu melhor.

 

Especialmente uma cena dói: uma atriz canta como Amy Winehouse e letreiros, ao fundo da cena, indicam diversos shows da cantora e, portanto, a passagem do tempo. A atriz começa cantando afinada, em ritmo correto e, no entanto, a cada compasso, desafina, perde o tempo.

 

Depois, mais adiante, já quase ao fim da peça, cena semelhante. Um letreiro anuncia: show de Amy Winehouse em Belgrado – o famoso show em que a cantora foi vaiada, depois de errar letras e cambalear no palco. A despeito de todo o seu esforço em cantar – visivelmente sem condições de fazê-lo -, procura de todas as maneiras prosseguir com o show – que, afinal, não pode parar – e manter uma certa simpatia “pop”: “Hello, Belgrade!” Ao fundo, outra atriz, como diretora de gravadora, dá socos na parede e impede que a atriz/cantora deixe o palco. Aí, entendemos: fracassamos todos. Não porque desafinamos as canções, mas, sobretudo, porque nos equivocamos nos valores que nos levam a cantar.      

 

Apresentação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” na Polônia

 

Hoje, passada a adrenalina dos preparativos todos, posso dizer: tudo correu bem na apresentação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no 14. Międzynarodowy Festiwal TEATROMANIA, em Bytom, na Polônia. Felicidade!

 

Tivemos, aqui, uma linda equipe, afinada e apaixonada por teatro. Fomos carinhosamente bem recebidos! 

 


Teste de legendas minutos antes de “Agora e na Hora de Nossa Hora”

 

Pela primeira vez, usamos legenda na peça. Havia tensão a este respeito, dois dias antes. Nenhum de nós, brasileiros, poderia checar se havia sincronia entre a fala e o texto projetado em painéis. Mais uma vez, porém, fomos acariciados pela vida: encontrou-se uma tradutora, Agata, que, a despeito de ter apenas 25 anos, fala fluentemente polonês, inglês, espanhol e português! E português do Brasil! Por um ano ela morou em Curitiba e conhecia até mesmo gírias dos meninos de rua.  Assim, tudo funcionou, com os técnicos projetando em duas diferentes direções  os letreiros (uma necessidade pois o espetáculo é concebido como arena, com público em diferentes direções).       

 

Sendo a organização tão carinhosa, a recepção da peça pelo público não poderia ser diferente. Público atento. Havia, disseram-me os organizadores, grande excitação para ver uma produção brasileira. Isto ainda era potencializado por uma certa quebra de expectativa. Assim que se dizia que haveria, na programação, um trabalho do Brasil, logo se pensava nas imagens típicas do país: alegria, samba, carnaval, futebol e lindas mulheres. “Agora e na Hora de Nossa Hora”, porém, trata de uma de nossos maiores problemas sociais – a infância abandonada. “Foi bom conhecer um outro Brasil”, comentou uma espectadora.

 

Felicidade! Estamos realmente felizes por nossa participação no 14. Międzynarodowy Festiwal TEATROMANIA.     

 

 

O que vemos na Polônia: “Dźwiękowiązałka”

 

Estamos na Polônia, onde, na sexta-feira, dia 25, apresentamos “Agora e na Hora de Nossa Hora” no 14. Międzynarodowy Festiwal TEATROMANIA. 

 

Aproveitamos nossa estada para conferir o trabalho de artistas de outros cantos.  Hoje, a curiosa apresentação de Sambor Dudziński, músico e performer polonês que apresentou o espetáculo “Dźwiękowiązałka”. O mult-instrumentista toca, canta e se move pelas ruas do centro da cidade num grande veículo, misto de carroça e bicicleta. Faz mais: improvisa, pedindo que o público sugira textos a serem cantados. Assim, compõe novas obras, misturando referências, textos, canções.

 

 

 

A produtora de “Agora e na Hora de Nossa Hora”, Daniele Sampaio, entrou no jogo e sugeriu a tradicional canção brasileira: “Cai, Cai, Balão”. E Sambor Dudziński improvisou o texto da canção tradicional tendo “Ave Maria”, de Gound, como base. 

  

Hoje, iniciamos os preparativos para a apresentação de “Agora e na Hora de Nossa Hora”: montagem de luz e cenografia. O trabalho deve entrar madrugada adentro.

 

 “Agora e na Hora de Nossa Hora” em Bytom (Polônia)
Teatromania 2012
Mais informações: http://www.teatromaniafestiwal.pl/ 

36 – A Polônia é nóis!

 

Pés na estrada. Em 27 de novembro de 2011, encerramos a primeira fase do projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18″, realizando, no SESC Pompéia, 18 sessões  de “Agora e na Hora de Nossa Hora” na capital paulista. Ali, eu postava, neste blog, “Um Homem na Estrada”. Assim, emprestava a música dos Racionais Mc´s para indicar que, fechado um ciclo, um novo se abria: a segunda fase do projeto com iguais 18 sessões do trabalho em 07 cidades do interior paulista.  

Em 18 de maio de 2012, concluímos, enfim, os trabalhos do projeto, registrando em andanças os 18 anos da Chacina da Candelária. E, claro, novo ciclo se abre: a participação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no XIV Międzynarodowego Festiwalu Teatromania 2012, na Polônia. Na abertura de tudo, sabemos, movimento; no seu encerramento, igualmente, pés na estrada. Seguimos, caminhando e nos fazendo em nossos caminhos.

 

Na Polônia, a imprensa tem noticiado assim a nossa apresentação: “(…) możemy być pewni, że ten spektakl zapadnie nam na długo w pamięci.” Isto quer dizer mais ou menos o seguinte: “Podemos ficar confiantes de que esse desempenho ficará gravado na nossa memória.” Frio na barriga. Se a minha expectativa é grande, pelo jeito, a responsabilidade também não é pequena.   

 

Que os deuses do teatro estejam conosco! Os poloneses, ao que parece, já estão do nosso lado!  

29 – “Agora e na Hora de Nossa Hora” na Polônia

 

 

 

Em 18 de maio, encerramos as apresentações de “Agora e na Hora Nossa Hora” inseridas no projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”: em 18 sessões do espetáculo na capital  e em 18 sessões em 07 cidades do interior paulista, teremos registrado os 18 anos da Chacina da Candelária. Aproximadamente dois dias depois, a equipe do espetáculo embarca para a Polônia, onde o trabalho será apresentado, dia 25 de maio, no 14. Miedzynarodowy Festiwal Teatromania, evento internacional de Artes Cênicas, realizado na cidade de Bytom.

 

O convite para a apresentação no festival é fruto de outra participação em evento internacional: em agosto de 2011, “Agora e na Hora de Nossa Hora” foi apresentado no Edinburgh Festival Fringe, na Escócia. Nossa temporada escocesa compreendeu 15 apresentações no Remarkable Arts e foi organizada em parceria com o produtor Pedro de Freitas, da Périplo Produções.  Ali, recebemos críticas, tivemos experiências marcantes, conhecemos trabalhos e pessoas. Uma delas foi justamente a curadora do festival que, agora, nos faz atravessar o Atlântico mais uma vez.   

 

Teatromania é organizado pelo Bytomskie Centrum Kultury – BECEK, uma das mais importantes instituições culturais do sul da Polônia. Em sua décima quarta edição, o festival acontece de 17 a 27 de maio e tem programados espetáculos de Hong Kong, Brasil, Alemanha, Espanha, Ucrânia e Polônia. Nas edições anteriores, o festival recebeu importantes artistas do teatro mundial, como Familie Flőz (Alemanha), Derevo (Rússia) e Claire Cunningham (Reino Unido). 

 

Além de constituir um espaço de apresentação de obras artísticas, o festival abre-se como possibilidade de intercâmbio, incluindo atividades formativas, como debates. Por fim, o festival também recebe produtores de diferentes partes do mundo, aproximando-os de artistas com origens igualmente diversas.

 

Como em outras experiências do espetáculo no exterior (Espanha, Marrocos, Kosovo, Suíça, Escócia), estamos relendo-o, visando maior potencial de diálogo com o público polonês. Assim, incluir-se-ão palavras e frases em inglês e também em polonês. Além disto, pela primeira vez, pretende-se legendar o espetáculo. Ainda que em outras apresentações internacionais tenhamos apostado fundamentalmente na capacidade expressiva do corpo, principal suporte de criação desta obra, os organizadores do evento sugeriram a sua legendagem. Para eles, a despeito do corpo bem retratar o universo das crianças de rua do Brasil, a legenda em polonês poderá ajudar que se aprofundem debates importantes sobre o espetáculo – especialmente aqueles sobre os fatos históricos da Chacina da Candelária.

 

As malas, assim, estão prontas. Próximas paradas: Lençóis Paulista, Limeira e Bytom!    

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” em Lençóis Paulista 
11 e 12 de maio, às 20h 
Espaço Cultural Cidade do Livro
Rua Pedro Natálio Lorenzetti, 286
Informações: (14) 3263.3123

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” em Limeira
Teatro Vitória
18 de maio, às 19h e às 21h
Praça Toledo de Barros, s/n  
Informações: (19) 3451.6679 / 3451.2675  

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” em Bytom (Polônia)
Teatromania 2012
Mais informações: http://www.teatromaniafestiwal.pl/