animação

O que nós vemos na Polônia: “O dobru”

 

 

Aproveitamos nossa estada em Bytom, na Polônia, onde participamos do 14. Międzynarodowy Festiwal TEATROMANIA, para assistir a trabalhos de diferentes partes do mundo. 

 

“O dobru, cujo título poderia ser traduzido por algo como “Do Bem” é dirigido pela dupla Monika Strzepka e Paweł Demirski. Segundo os organizadores do festival, estes são dois dos mais destacados jovens diretores poloneses da atualidade – e, de fato, a plateia estava absolutamente lotada, comprovando a sua fama.  O espetáculo tem argumento simples: tratar de “fracassados” célebres. Assim, vemos fracassos que, na Polônia, são conhecidos de todos: um rapaz em luta vã contra um câncer; um jornalista que tentou fazer algo importante e não pôde; os próprios atores que anunciam, no início da peça, que mesmo não podendo ensaiar a contento farão o seu melhor.

 

Especialmente uma cena dói: uma atriz canta como Amy Winehouse e letreiros, ao fundo da cena, indicam diversos shows da cantora e, portanto, a passagem do tempo. A atriz começa cantando afinada, em ritmo correto e, no entanto, a cada compasso, desafina, perde o tempo.

 

Depois, mais adiante, já quase ao fim da peça, cena semelhante. Um letreiro anuncia: show de Amy Winehouse em Belgrado – o famoso show em que a cantora foi vaiada, depois de errar letras e cambalear no palco. A despeito de todo o seu esforço em cantar – visivelmente sem condições de fazê-lo -, procura de todas as maneiras prosseguir com o show – que, afinal, não pode parar – e manter uma certa simpatia “pop”: “Hello, Belgrade!” Ao fundo, outra atriz, como diretora de gravadora, dá socos na parede e impede que a atriz/cantora deixe o palco. Aí, entendemos: fracassamos todos. Não porque desafinamos as canções, mas, sobretudo, porque nos equivocamos nos valores que nos levam a cantar.      

 

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