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O Brasil e a sua autocrítica

Lula terminou o seu governo com 87% de aprovação da população. Estávamos todos e todas (ou quase todos e todas) com ele, inclusive parte expressiva dos eleitores que se declaram antipetistas nesta eleição. A despeito disto, hoje, à esquerda e à direita, ouço o coro pedindo que o PT faça a sua autocrítica.
Claro está, neste raciocínio, que quem tem que se repensar é o partido, não a sociedade brasileira que o apoiava. Ou seja, quem tem que rever a sua história é alguém que não nós. Pergunto-me: até quando vamos continuar considerando que o país é um outro e não nós mesmos, nossa própria experiência?
Uma candidatura violenta como a de Jair Bolsonaro, que declaradamente guarda nostalgia da brutal ditadura militar, só chega ao segundo turno porque teimosamente não aprendemos com o que vivemos.
Cada um de nós pode continuar a apontar o dedo para os demais. Isso pode até nos dar um certo conforto intelectual, uma sensação de coerência de quem não tomou parte “nisto tudo que está aí”. Porém, tenho para mim que isso não nos livra dos fantasmas do passado.
Em tempo: apoio Fernando Haddad para presidente! Poucas vezes vi um homem manter tanta elegância, abertura ao diálogo e trabalho incansável num momento tão paradoxal.

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