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Folha de SP: Arroz de festival

 

Principais mostras do país requentam programação e repetem exibições de peças, mas também apontam os destaques do ano

 

GUSTAVO FIORATTI

DE SÃO PAULO

 

Os grupos Club Noir e Cia. Teatro Balagan (de São Paulo) emplacaram espetáculos em ao menos quatro importantes festivais de teatro do país este ano. Não é pouco. Com o número de estreias anuais, emplacar em um deles já tem sido uma vitória.

 

Os dois casos exemplificam ainda um fenômeno recente: vez ou outra, aparecem por aí peças eleitas as queridinhas dos festivais de teatro. “Aconteceu com Estamira’ no ano passado”, diz Luciano Alabarse, organizador do Porto Alegre em Cena, que tem início no dia 3.

 

As mais importantes mostras brasileiras de artes cênicas, hoje agrupadas em rede sob o nome de Núcleo de Festivais, se enxergam como um mecanismo para estimular a circulação de espetáculos pelo país e também estilhaçar o eixo Rio-São Paulo pelo território nacional.

 

“Quando aparece um espetáculo muito bom, é claro que todos querem levá-lo para sua cidade”, diz Alabarse.

 

Assim, os moradores de Londrina (PR), por meio do Festival Internacional de Londrina, poderão ver hoje espetáculos da série “Peep Classic Ésquilo”, do Noir, grupo conhecido pela linguagem formal e minimalista. Os de São José do Rio Preto (no Festival Internacional de Teatro) já viram esses trabalhos.

 

Com textos do grego Ésquilo (525 a.C.- 456 a.C.), o projeto participará ainda do roteiro de 38 títulos do festival Porto Alegre em Cena, cujas exibições serão entre os dias 16 e 18. O trânsito da companhia pelos festivais começou em março, quando integrou a mostra oficial do Festival de Curitiba, com “Haikai”.

 

“Recusa”, da Cia. Teatro Balagan, fez um caminho similar: percorreu Curitiba, esteve no Festival de Londrina no último dia 24 e tem mais uma sessão hoje no Cena Contemporânea, de Brasília.

 

No ano passado, outra peça da companhia, “Prometheus – a Tragédia do Fogo”, integrou a mostra de teatro Cena Brasil Internacional, de onde foram pescadas peças para uma comitiva hoje em cartaz em Edimburgo.

 

Pouco conhecida, a CiaSenhas este ano também conquistou repercussão nacional. Passou por Londrina com “Circo Negro”, um espetáculo de caricaturas, e está na grade do Poa em Cena, após apresentar-se no Fringe, a mostra paralela de Curitiba.

 

BOCA A BOCA

 

A montagem “Antes da Chuva”, da companhia Cortejo, vingou este ano como um achado no mar de espetáculos de qualidades variadas do Fringe. O grupo é de Três Rios, cidade fluminense com 77 mil habitantes.

 

O boca a boca funcionou: “Antes da Chuva” foi ao Cena Contemporânea de Brasília, após passar por Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

 

A repetição de peças sinaliza que, diferentemente do que acontece no circuito de festivais de cinema, não existe disputa por exclusividade entre mostras de teatro. “Não é uma preocupação”, diz Guilherme Reis, curador do Cena Contemporânea.

 

Outros curadores confirmam à Folha que os festivais hoje procuram atender a demandas regionais, mais do que atrair turistas. Falta no Brasil um evento que tenha essa capacidade. O público do maior deles, de Curitiba, tem pouco mais de 5% de espectadores de fora da cidade.

 

Embora o Núcleo de Festivais tenha sido criado também para consolidar força política em busca de incentivos, este ano muitas mostras tiveram redução de custos, com fuga de patrocínios.

 

O orçamento do Poa em Cena passou de R$ 4,4 milhões (em 2012) para R$ 2,2 milhões (este ano). Londrina terá cortes de 20% em relação a 2012.

 

* Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/126327-arroz-de-festival.shtml

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