animação

Um livro contendo a definição de todas as coisas existentes no mundo. Aí, o legado de um escritor para o seu primogênito com deficiência intelectual. E um sonho: no dia da sua morte, toda a experiência acumulada em si fluiria para o espírito inocente de seu filho.

Com encenação de Marcio Aurelio, atuação de Eduardo Okamoto e dramaturgia inédita de Cássio Pires, OE é um solo inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, especialmente no livro Jovens de um novo tempo, despertai!

O espetáculo, porém, não dramatiza a ficção do autor nipônico. Experiencia-a. Encontra nela impulso para a abertura de imaginários. A realização de um projeto urgente e impossível – um manual de definições do mundo, da vida e da morte – não é lido como o empreendimento pedagógico de um pai. Anuncia o processo em que cada um confere sentido às vivências. A tarefa enciclopédica de uma única pessoa esconde um enigma aberto a todos: o pai ensina o filho, mas é também um outro filho clamando explicações a um pai perdido.

Assim, a narrativa parte de circunstâncias singulares (um indivíduo e seu filho deficiente), mas não se encerra em particularidades. A expressão da singularidade de um ser humano relaciona-se a enfrentamentos coletivos. Ou, dizendo de um outro modo, a delimitação da vida de um homem também esbarra nos limites do humano. Ou ainda: uma imagem do mundo revela também os nossos limites para sonhá-lo de outras maneiras.

Como parte do processo criativo, Eduardo Okamoto realizou, em fevereiro de 2014, um estagio no Kazuo Ohno Dance Studio, no Japão.

imagens

ficha tecnica

Espetáculo inspirado na obra de Kenzaburo Oe

Encenação e iluminação
Marcio Aurelio

Dramaturgia
Cássio Pires

Atuação
Eduardo Okamoto 


Assistência de direção
Lígia Pereira

Assistência de iluminação
Silviane Ticher

Orientação corporal
Ciça Ohno

Figurino e Cenografia
Marcio Aurelio

Assistente de Figurino e Cenografia
Maurício Schneider

Fotografia

Fernando Stankuns

Registro em vídeo
Bruno Jorge | João de Barro Produção Independete

Design gráfico
LuOrvat Design


Orientação pedagógica do projeto
Suzi Frankl Sperber

Coordenação Técnica
Silvio Fávaro

Assistência de produção
Mariella Siqueira

Direção de produção
Daniele Sampaio | SIM! Cultura

critica

Montagem fala sobre rejeição e afeto de maneira precisa e delicada.
Gustavo Fioratti – Folha de S. Paulo – Maio 2015

Como um equilibrista sobre o abismo, Eduardo Okamoto leva o público a vislumbrar esse mundo em que somos tão sós. Mas também tão imersos no outro. A carregar, sem trégua, passado e futuro. 
Maria Eugênia de Menezes – Estadão – Maio 2015

Eduardo Okamoto tem raro domínio do espaço cênico e dos poucos objetos de cena que manipula durante o espetáculo. Outro componente importante da atuação do ator é sua perfeita dicção (não se perde uma sílaba do que ele fala) e a versatilidade da voz criando tons bastante distintos para o pai e para o filho deficiente. Numa temporada de excelentes interpretações solos, some-se este brilhante trabalho de Okamoto.
José Cetra – Palco Paulistano – Maio 2015

O nível de excelência atingido por certo naipe de jovens escritores a serviço da dramaturgia nos atuais coletivos independentes pode ser avaliado com o texto produzido por Cássio Pires para OE, monólogo sobre episódios da vida do escritor japonês Kenzaburo Oe, Prêmio Nobel de 1984.
Alvaro Machado – Revista Bravo! – Junho 2015