animação

Eldorado em Vigo

 

Estamos na Espanha, onde apresentamos “Agora e na Hora de Nossa Hora” (com minha dramaturgia e direção Verônica Fabrini) e “Eldorado” (com direção de Marcelo Lazzaratto e dramaturgia de Santiago Serrano) na Mostra Internacional de Tetro Universitário de Ourense – MITEU. A mostra é anual e, além de trabalhos de estudantes do ensino superior, apresenta trabalhos profissionais convidados – onde estamos incluídos. Enquanto que o primeiro trabalho será levado à cena hoje, às 23h no Auditório Municipal de Ourense, o outro foi apresentado em Vigo, também no seu Auditório Municipal, no dia 17, às 21h.

 

A apresentação de “Eldorado”, dois dias atrás, foi um pequeno milagre. Não me refiro à qualidade da minha atuação ou do espetáculo como um todo – que, diga-se, foi bastante favorecido pelo bonito teatro. Refiro-me aos pequenos encontros possíveis à vida e ao teatro. Depois de atravessarmos o Atlântico para as apresentações, aqui, encontramos o dramaturgo de “Eldorado”, Santiago Serrano. Ele estava, antes, em Grenoble, na França, onde participava de colóquio sobre dramaturgia. Depois, a passeio, estava em Lisboa. Dali, veio assistir à primeira estreia internacional do espetáculo.

 

A casualidade já seria grande – encontrar tão distante e de maneira não planejada um parceiro fundamental do trabalho. Mas não foi tudo. Nesta cidade, Serrano esteve, há quatro anos, acompanhado do ator argentino Jorge Rodriguez. O ator, falecido há exato um ano, foi companheiro de vida e de criações de Serrano. Os dois estiveram em Vigo justamente porque gostariam de conhecer a terra dos pais de Jorge, sua história de vida, suas raízes – sua família emigrara de um pequeno povoado próximo a Ourense para a Argentina, onde Jorge nasceu.

 

 

A magia da vida preencheu de significados o texto de Santiago: “Você está pensando o mesmo que eu?”, pergunta o personagem cego da peça. “Sim, é minha terra, a terra de minha mãe! Mas por que é que eu volto aqui? Sempre acontece a mesma coisa! Eu tenho que deixar o passado para trás, mas ele está sempre na minha frente!”, completa.

 

Às vezes, o teatro insinua à vida a sua própria face. Outras, é a vida mesmo que nos ensina a estar no palco.    

 

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