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10. Teatro e Celebração de Amizades

 

Estamos nas duas últimas semanas de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” no SESC Pompéia. Esta é décima postagem do projeto  – num total de 18 que,  junto de 18 sessões do espetáculo, marcam os 18 anos da Chacina da Candelária.  

 

As apresentações de “Agora e na Hora de Nossa Hora” proporcionaram experiências muitas, em todo o Brasil e também no exterior. Possibilitaram também muitas amizades. Aqui, celebro uma uma delas.

 

Em 2007, no Marrocos, na cidade de Agadir, conheci Aicha Haroun Yacobi – diretora de teatro, dramaturga e roteirista de cinema. Já escrevi sobre ela na edição número 2 da Revista Olhares e parte do artigo já foi publicada neste blog.

 

Há muito sonhamos em uma co-produção Brasil/Marrocos. Enquanto buscamos os meios de viabilizar esse desejo, mantemos uma intensa correspondência. Na última semana, ela me enviou um link para um curta seu, finalizado recentemente:  “As They Say”. Aqui, compartilho o vídeo e celebro a nova criação:

 

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

9. Teatro no Atravessamento de Culturas

 

Chegamos à nona postagem de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” – projeto que, tal qual as 18  apresentações de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia e em cidades diversas no interior de São Paulo, marca os 18 anos da Chacina da Candelária.  Aqui, inicio uma breve reflexão acerca das apresentações do trabalho em solo estrangeiro. 

 

Quando da criação do espetáculo, entre 2003 e 2004, eu não concebia apresentá-lo a espectadores não brasileiros – ou, pelo menos, não latino-americanos. Tratando de um problema histórico-social próprio dessas terras e com um tratamento igualmente peculiar à essa zona da América (com forte referência à tradição católico-cristã, por exemplo), parecia-me que o trabalho dificilmente alcançaria comunicação com uma platéia que não partilhasse de um determinado universo histórico-social e até religioso. Assim, “Agora e na Hora de Nossa Hora” atendia a uma urgência: abrir o debate sobre a situação da infância e da juventude do Brasil – um brasileiro dirigindo-se diretamente a seus pares de nação.

 

Curiosamente, no entanto, sem qualquer tipo de agenciamento internacional, o trabalho começou a desenvolver uma certa carreira fora do Brasil: Espanha, Suíça, Marrocos, Kosovo, Escócia. Foi assim: um grupo de teatro suíço o assistiu no Festival de Londrina e o indicou a um evento em seu país; depois, um curador de festival do Kosovo o assistiu na Suíça e o indicou para se apresentar em seu evento… Estabeleceu-se, assim, quase que casualmente, uma certa rede de amizades que levou o trabalho a distintos países.  

 

Essas interações em apresentações no exterior, me animam a retomar um debate já suscitado em outra postagem: as relações entre cena e trocas culturais.

 

A interculturalidade é uma das marcas de um teatro contemporâneo. A partir do confronto de diferentes manifestações teatrais, artistas e teóricos esforçam-se na busca de seu elementos comuns. Ou seja, ultrapassando as diferenças, esses trabalhos tendem à valorização de um certo território humano universal.

 

Sob determinado ponto de vista, até aqui, os trabalhos desenvolvidos por mim em cooperação com outros artistas, partem de um ponto de vista diverso (possivelmente complementar) a esse: a valorização da singularidade. A premissa básica é a de que, ainda que possamos nos encontrar num território das estruturas humanas comuns (universais, arquetípicas etc.), o mundo se nos abre como experiência de singularidades. Ou seja, é a partir da vivência plena das situações não-universais que acessamos as estruturas humanas comuns. Assim, damos ênfase, no início dos trabalhos, àquilo que nos faz e nos define: a particularidade.

 

Isso se vê em suas diversas variáveis: o ponto de vista particular sobre o mundo de ator, diretor, dramaturgo, cenógrafo etc; os diferentes pontos de vista dos espectadores (resistindo sempre à tentação de fechar sentidos, mas trabalhando para ampliá-los sempre mais); as infinitas possibilidades de experiência dos muitos atores sociais apresentados pela cena (meninos de rua; rabequeiros etc.).

 

Esse foi o ponto de partida de “Agora e na Hora de Nossa Hora”. A partir de meu contato com meninos e meninas de rua em oficinas de circo do “Projeto Gepeto” (parceria entre a ONG ACADEC e o CRAISA, de Campinas), fui provocado a novos mundos, inusitados até ali para mim. Provocado por essas interações, precisei, depois, conferir expressão artística a essas impressões. Desta maneira, a experiência dos meninos, em atrito com a minha própria vivência das coisas, resultou na abertura de um novo jogo de experimentações: cena de teatro.

 

Considerando a “cultura das ruas” uma das incontáveis influências que constituem a cultura que me forma (a brasileira), digo que meu trabalho, como princípio, pauta-se em experiências INTRAculturaisem oposição à afirmação de experiências INTERculturais por artistas norteeuropeus. Eles afirmam as estruturas comuns à diversidade de manifestações culturais. A pesquisa intracultural pressupõe o inverso: a revelação da multiplicidade que compõe cada cultura.

 

O trabalho começa quando o ator é atravessado por uma experiência desestabilizadora. Ali, estranho a si mesmo, estrangeiro em sua própria terra e corpo, começa a revelar os muitos que ele é. Depois, sintetizando essa experiência como cena, ele a partilha como jogo com o espectador. A cena, como escreve Eugenio Barba, “experiência de uma experiência”. Finalmente, a experiência mesmo do espectador volta a atravessar artistas da cena que, então, revisitam a sua obra, reiniciando o ciclo de vivências.

 

O famoso teórico francês Patrice Pavis, escreve sobre um teatro no cruzamento de culturas para se referir ao modelo intercultural. Aqui, prefiro falar de um certo atravessamento de culturas. Ali, onde o teatro não se sustenta entre culturas, como ele sugere, mas onde os diversos homens que criam a cena são atravessados por uma experiência: camadas infinitas de singularidades compartilhadas.

 

 

 Serviço:
“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone:  11 3871-7700      

8. Meninos de rua do Marrocos: “Ali Zaoua”

 

O processo de criação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” foi acompanhado de um levantamento filmográfico de obras que debatem a situação da infância e da juventude no Brasil e no mundo. Como parte das postagens do projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” – projeto de circulação do espetáculo em 18 sessões na capital e 18 apresentações pelo interior paulista, acompanhada de atividades paralelas,  como 18 postagens neste blog a cada fase do projeto  – apresento trechos de filmes que nortearam a montagem dramatúrgica do espetáculo em que atuo.

 

Aqui, apresento uma referência fundamental: “Alia Zoua”. Na versão em inglês, o filme ganhou o subtítulo “Prince of the Street”. No Brasil, o subtítulo é “Ruas de Casablanca”.

 

O filme evidenciou-me uma abordagem pouco usual da situação de rua: o lirismo. Com diversas cenas de devaneio, a obra contrasta a crueza da situação social com a capacidade humana infinita do sonho. Não me refiro ao sonho como abstração, tal qual ele nos é apresentado em determinados filmes estadunidenses: “não deixe de buscar seus sonhos”. Refiro-me mesmo à concretude do sonho: as muitas realidades que podem conviver na vida comum dos homens.

 

Lembro-me sempre: crianças de rua são, antes de tudo, crianças. Como nos parece difícil, às vezes, enxergar o óbvio!

 


 
“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

7. A Dramaturgia de “Agora e na Hora de Nossa Hora”

 

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Como sétima postagem de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”, apresento o processo de síntese, como criação dramatúrgica, do longo processo de estudo que levou ao espetáculo (mais de 1 ano e 4 meses solitários em sala de ensaio, aproximadamente dois meses acompanhado de outros artistas, além de um período anterior em oficinas de circo para crianças e adolescentes em situação de rua do projeto “Gepeto”). 

 

O texto a seguir adapta trechos de minha dissertação de Mestrado em Artes, na UNICAMP: “O Ator-montador”.  

 

 

Coleta de materiais  
Passados os primeiros meses de atuação na coordenação das oficinas de circo, e decidido a criar um espetáculo teatral sobre meninos de rua, eu comecei a imitá-los, coletando relatos, ações, gestos, vozes etc.

 

Este trabalho de coleta de materiais foi orientado pelo LUME – Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da UNICAMP que, desde a sua fundação, desenvolve a metodologia da Mimese Corpórea: observação e imitação do cotidiano (pessoas, animais, pinturas etc) como base da atuação.

 

Aos poucos, esta interação foi estendida aos meninos das ruas de Campinas, de São Paulo e do Rio de Janeiro, incluindo uma pesquisa sobre a Chacina da Candelária – o célebre episódio em que, no Rio, oito meninos de rua foram assassinados na porta da Igreja da Candelária.

 

A dramaturgia de “Agora e na Hora de Nossa Hora”, assim, é resultado da montagem de diferentes materiais que, articulados, ajudam a contar a fábula de Pedrinha, um sobrevivente.   

 

Fábula a partir do fato histórico
Havia, em “Agora e na Hora de Nossa Hora”, uma pretensão: contar a História. Nisso se abria um problema. Como, num espetáculo solo, eu poderia representar os muitos atores que estiveram envolvidos na Candelária? Era preciso incluir a representação de 72 meninos de rua que naquela noite dormiam ali e os policiais assassinos (ainda que o julgamento tenha levado ao júri apenas 8 policiais, os meninos relatam que, naquela noite, havia pelo menos 12 deles na Candelária). Isso sem considerar os atores do jogo político e social: o Prefeito e seus Secretários, o Governador, o Presidente da República, a representante da elite carioca, os educadores sociais, as ONGs, os muitos oportunistas que naquele momento decidiram se manifestar (chegou-se a projetar a realização de um filme de Hollywood, com elenco de atores estadunidenses, para retratar o acontecimento brasileiro!). Como um ator sozinho pode representar tantos personagens?

 

Antes de tudo, foi preciso reconhecer a impossibilidade de uma apreensão total da Chacina da Candelária num espetáculo. Nem mesmo o processo de investigação deu conta da sua totalidade, havendo ainda hoje, mesmo depois de abertos dois processos (o Candelária I e o Candelária II) brechas e situações mal explicadas no inquérito (por que, por exemplo, naquela noite, nenhum dos vigias dos Centros Culturais e bancos que ficam na Candelária estavam em seus postos?). Se nem mesmo uma investigação de anos deu conta da barbárie como apresentá-la em sua totalidade em aproximadamente 1 hora de espetáculo?

 

Seleção de materiais 
Depois de coletados os materiais (mais de uma dezena de meninos in-corporados pela imitação, mais de 250 artigos jornalísticos a cerca da matança), foi necessário selecionar o que, de tudo quanto foi pesquisado, era mais revelador do que eu pretendia apresentar: uma sociedade que gera e nega meninos de rua. 

 

Aí, é sempre bom reforçar, há uma leitura de mundo.  Não interessava, por exemplo, a apresentação de detalhes do processo de identificação de acusados da Chacina da Candelária (o que foi bastante tumultuado e um dos argumentos chave para defesa e acusação durante os julgamentos). A intenção não era apresentar como responsáveis pela Chacina os policiais que apertaram o gatilho das armas, mas a sociedade que gerou contexto para que os assassinatos acontecessem. Concentrei-me, nessa seleção, na apresentação da causa essencial da matança: o modo de vida dos meninos de rua conflita com o modo de vida dos outros habitantes da cidade. Assim, por exemplo, é incluído o texto, noticiado pelos jornais do Rio, em que meninos de rua se dirigem a turistas: “Hey, gringo! Have money para mangiare?” Um dos precedentes da Candelária, o episódio envolvendo turistas sul africanos, meses antes da Chacina, já dava indícios do desconforto que os meninos representavam para a cidade. Meninos pedindo esmolas para turistas viram notícia de jornal e caso de polícia.

 

Criação de personagem: Pedrinha 
Ainda assim, selecionadas as informações fundamentais sobre a Chacina, era necessário encontrar uma maneira de levar à cena a História. A primeira solução dramatúrgica foi a criação de um personagem que pudesse contar para os espectadores o que aconteceu na madrugada de 23 de julho de 1993. Aqui também é claro o meu posicionamento como artista: a matança contada do ponto de vista dos meninos.

 

Isso reforçado ainda por uma escolha. Dentre os muitos meninos que observei, não escolhi ao acaso aquele que narraria os acontecimentos da madrugada, mas aquele cuja ingenuidade era mais evidente. O único dos meninos com alguma deficiência mental que observei, com elevado grau de docilidade, foi eleito narrador. Nisso, evidencia-se ainda mais a barbárie: são, antes de tudo, crianças e adolescentes e, como disse Herbert de Souza, o Betinho, na época dos crimes, “Quando uma sociedade deixa matar crianças, é porque começou o seu suicídio como sociedade”.

 

Começava, assim, a se desenhar a montagem dramatúrgica do espetáculo. Um menino de rua narra para os espectadores a Chacina da Candelária – ele sobreviveu ao massacre porque dormia em cima da banca de jornais (era comum que meninos dormissem assim porque, na época, já havia quem jogasse paralelepípedos na cabeça dos habitantes das ruas).

 

Situação dramatúrgica: Juan Rulfo 
Até aqui, delimitava-se um personagem. Para a finalização de situações dramatúrgicas, faltavam outras informações, como a delimitação de espaço e tempo. Isso foi recolhido no conto “Macário”, do mexicano Juan Rulfo.

 

O encontro com a literatura de Rulfo parecia já óbvia. Isso porque, durante o processo de criação, eu descobri que as pesquisas sobre a Mimese Corpórea foram iniciadas por Luís Otávio Burnier, o fundador do LUME, a partir da imitação de crianças marginalizadas de grandes cidades. Com a mimese dessas crianças, Burnier esperava reunir material para adaptar para o teatro o conto de Rulfo. Curioso sobre o trabalho já desenvolvido por Burnier, procurei registros em vídeo do espetáculo “Macário”. Como não os encontrei, contentei-me com a leitura do conto que foi logo incorporado à montagem do espetáculo. Já que eu falava de meninos cujos pais são ausentes, o espetáculo serviu ainda para que eu me aproximasse do mestre que eu não conheci.

 

Em “Macário”, um menino (que não é morador de rua) está junto de uma cisterna esperando saírem as rãs. Durante toda a noite, fizeram muito barulho e, por isso, não deixaram dormir a sua madrinha. Com um pedaço de pau na mão, ele espera matar uma a uma todas as rãs.

  

Em “Agora e na hora de nossa hora”, um menino de rua, o Pedrinha, está junto de um bueiro esperando os ratos saírem. Para ele, o barulho dos ratos não deixou os policiais dormirem. Por isso a matança. Ao ouvirem os tiros, todos os meninos saíram correndo, menos ele, que ficara quieto sobre a banca de jornais. Com algumas pedras nas mãos, ele espera matar os ratos para que todos possam dormir em paz.

  

Resolviam-se, assim, os problemas fundamentais da dramaturgia do espetáculo. Já não era necessário representar todos os meninos que naquela noite estavam na Candelária, mas apenas um. O espetáculo acontece no momento em que todos fugiram. Com a rua deserta, o menino procura se entender com os ratos, os responsáveis pelo ódio dos polícias. Pouco a pouco chegam os espectadores, recebidos, agora, como as primeiras pessoas que se aproximam do local da Chacina.

 

 Serviço:
“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700      


6. Poesia e sociedade: Eduardo Galeano

 

Os estudos para a criação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” envolveram o leitura de muitas obras, assim como o levantamento de filmografia e discografia sobre a violência contra a infância e a juventude.  Como parte das postagens do projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” – projeto de circulação do espetáculo em 18 sessões na capital e 18 apresentações pelo interior paulista, acompanhada de atividades paralelas, como 18 postagens neste blog a cada fase do projeto – tenho apresentado algumas destas referências.

 

O escritor uruguaio Eduardo Galeano foi uma delas. Primeiro de maneira mais óbvia: o documento “As Veias Abertas da América Latina” perturbou-me a alma por incontáveis dias! Depois, aprendi com Galeano a possibilidade de encontrar motivo de poesia em pequenos, minúsculos acontecimentos da vida: mesmo as situações sociais adversas podem ser tomadas como motivo e alimento para a utopia.

 

Aqui, um vídeo em que o escritor lê texto seu sobre a utopia:

 

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
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Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

5. Chacina da Candelária: a madrugada que não acabou

 

Essa é a quinta postagem de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” que, nesse momento, acompanha 18 apresentações de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia.  

 

A realização de exatas 18 sessões do espetáculo, assim como as 18 postagens no blog, tencionam o registro dos 18 anos da Chacina da Candelária – quando, no Rio de Janeiro, 8 meninos de rua foram assassinados nos arredores da Igreja da Candelária. Assim, a provocação: como sociedade atingimos a maioridade do tema social?  

 

Em outra postagem, já falei das motivações em abordar a chacina como assunto da cena:  o acontecimento histórico, de meu ponto de vista, revela um comportamento cotidiano da sociedade brasileira com os meninos de rua –  negá-los até a morte! A história como modelo revelador.

 

Essa abordagem do fato histórico foi fortalecida a partir das minhas interações com os meninos de rua em Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Em todas essas cidades, persistem os históricos de abusos policiais, assassinatos e, no limite, como testemunhei no Rio, a violência à população de rua apresentada descaradamente como política pública.    

 

Aqui, adapto trecho do livro “Hora de Nossa Hora: o menino de rua e o brinquedo circense”, de minha autoria, publicado pela Editora Hucitec (2007).  

 

Dez anos depois
Dez anos depois do escândalo internacional da Candelária, pouca coisa havia mudado. Em 2003 e 2004, quando da realização de minhas pesquisas para o espetáculo, o Governo do casal Garotinho (Rosinha, a Governadora, e Anthony, seu Secretário de Segurança) comandam o programa Zona Sul Legal. O programa incluía, além do aumento do efetivo das polícias cariocas – boa parte alocada na Zona Sul, área onde vive a elite econômica da cidade do Rio de Janeiro e onde se localizam importantes centros turísticos –, ações de recolhimento da população de rua, encaminhada para as Centrais de Triagem.

 

No Estado do Rio, o menino de rua que dormia na calçada da Zona Sul, primeiro era algemado e só depois era desperto. Uma criança era presa (uma criança!) única e exclusivamente porque ultrapassara a barreira geográfica do apartheid social: Zona Sul não é lugar de pobre!

 

O Estado, além de violentar a população que deveria representar através de políticas sociais adequadas, divulgava a sua ação como política de segurança. “Todos podem dormir tranquilos porque os pivetes estão sendo recolhidos”, parecia anunciar a propaganda publicitária veiculada em rádio e televisão.

 

O governo potencializava o desentendimento, tomando o menino de rua como o responsável pela violência na cidade. Durante o tempo em que eu estive no Rio de Janeiro, não vi, naquele momento, notícias de uma única ação que se dirigisse ao desmantelamento do crime organizado e do tráfico de drogas. Era mais fácil para os Garotinho projetar em crianças e adolescentes a sensação de insegurança do cidadão da Zona Sul do que desenvolverem políticas reais de Segurança Pública.

 

Uma Noite na Central de Triagem
Segundo os informes publicitários, as pessoas que eram recolhidas nas ruas eram encaminhadas para locais adequados para o seu acolhimento. Não foi o que eu vi. Na Central de Triagem, local de onde todos deveriam ser encaminhados para os abrigos da cidade, não havia possibilidade da efetividade do trabalho, porque não havia abrigos para recebê-los. Na Central de Triagem, espaço sem a mínima infra-estrutura para o desenvolvimento de uma política social adequada (não havia camas, não havia banheiros suficientes, as refeições eram produzidas em condições precárias etc.), crianças e adolescentes, homens, mulheres e até mesmo famílias acomodavam-se como podiam (cada um destes grupos ocupando um andar da instituição).

 

Havia, ainda, aqueles que nem mesmo conseguiam adentrar o prédio da Central, acomodando-se na sua calçada mesmo. Não havia como passar despercebida a sucessão de violências a que estava sendo submetida a população de rua do Rio: antes de tudo, a própria situação de marginalização social; depois, as ações de recolhimento, tolhendo-lhes o direito constitucional de ir a vir; por fim, ainda, o encaminhamento para locais onde não havia condições de um atendimento com a responsabilidade que pedem os problemas sociais brasileiros.

 

Uma política fundada em absurdos: no absurdo de que as populações marginais não podem e não devem circular nas áreas nobres da cidade; no absurdo de que o Estado sabe, mais do que as próprias pessoas, o que delas deve ser feito; no absurdo de que a situação de rua, em si, condiciona ao crime (daí o desenvolvimento de um programa de segurança na atuação junto à população de rua) etc.

 

Política Social, no Brasil, frequentemente é caso de polícia! 

 

Campinas: uma Candelária  por mês
Fosse a Chacina da Candelária um evento isolado e já se teria motivos para fazer um espetáculo de teatro. Fosse a violência contra a infância exclusiva ao Rio de Janeiro e já se teriam motivações bastante para a indignação. Para muito além desse fato e desse estado, a violência contra meninos de rua se estende irrestritamente por todo o território nacional. Daí as motivações para um espetáculo indignado. 

 

Lembro que a cidade mesmo em que vivo, Campinas, apresenta igualmente índices alarmantes de violência contra o cidadão em geral e especialmente contra a população pobre. Nos tempos de minha interação com os meninos de rua contabilizavam-se entre 8 e 10 menores de idade assassinados a cada 30 dias: mais de uma Candelária por mês!  

 

Eu mesmo ouvi de meninos de Campinas e de educadores que com eles trabalham relatos impressionantes. Numa noite, contavam eles, a polícia recolheu diversos meninos no centro da cidade (política de recolhimento e de afastamento de população de rua é uma das ações menos criativas e mais violentas a que se submete essas pessoas). Depois, foram levados para um “lixão”: enquanto um policial controla o grupo, outro leva um a um a local onde não podem ser vistos pelos demais. Ali, atira. Um a um, os meninos são levados e ouvem-se os tiros. Os que estão próximos do grupo já sabem: aguardam a sua sentença de morte. Quando levados ao local onde acreditam serem sentenciados, no entanto, o policial ordena que corram para longe dali; só então atira em direção oposta. Dias mais tardes, os meninos pouco a pouco encontram seus parceiros nas ruas da cidade. Apenas um susto? Com o passar do tempo entendi: tudo e todos pretendem dizer a esses meninos que as suas vidas não lhes pertence. 

 

18 anos depois
Passados 18 anos da Chacina da Candelária, provocamo-nos: atingimos a maioridade do problema social que, no limite, assassinou crianças e adolescentes, em 1993? 

 

A provocação, como se vê, estende a Chacina da Candelária para muito além do evento histórico (uma madrugada que ainda se repete) e para muito além do território carioca.  

 

Na cidade de São Paulo, os projetos de revitalização do centro da cidade, conduzidos por Prefeitura e Governo do Estado, parecem não levar em conta que, além da recuperação dos prédios históricos, é preciso conduzir ações efetivas com a população que ali vive. Revitalizar o centro é, afinal, dele cuidar para melhorar a vida das pessoas. Resultado: a chamada cracolândia instala-se em diferentes regiões centrais sem nenhuma perspectiva de mudança desse panorama social. O crack, diga-se, ainda mais que em 2003, quando realizei os estudos para o espetáculo, é mencionado em estudos diversos como verdadeira epidemia!        

 

Não conheço nenhuma política pública brasileira de qualidade que perdure no atendimento à população de rua e às crianças e adolescentes de rua espacialmente. Assim, sigo apresentando “Agora e na Hora de Nossa Hora”.     

 

4. Meninos de rua: invencíveis

 

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Está é a quarta postagem, de um total previsto de 18, do projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” – sequencia de apresentações do espetáculo “Agora  e na Hora de Nossa Hora” em 18 sessões no SESC Pompéia, na capital, e 18 sessões em cidades diversas do interior paulista. Registramos, assim, o marco histórico dos 18 anos da Chacina da Candelária.

 

Como nas publicações anteriores, busco impulsos primordiais para a realização do espetáculo. Aqui, um depoimento pessoal sobre como fui atravessado pelo convívio com crianças e adolescentes do projeto “Gepeto”.  

 

As oficinas de circo do “Gepeto” constituíram o passo inaugural das criações do espetáculo. Quando das minhas primeiras ações no projeto, no entanto, não cogitava criar uma obra em que a situação de rua fosse debatida. Assim, a resposta mais honesta para uma pergunta frequente (por que fazer um solo sobre meninos de rua?) seria: “Não sei; talvez porque não pude evitá-lo”.   

 

Antes de colaborar para a concepção e implementação do projeto, eu já vinha de outras interações com a população de rua: o projeto “Arte e Exclusão Social” em que alunos e professores de diversos cursos da UNICAMP – Artes Cênicas, Letras, Geografia, Música, Arquitetura e Urbanismo, Antropologia etc. – envolveram-se na realização de oficinas de teatro entre moradores de rua atendidos pela Casa dos Amigos de São Francisco de Assis. Um dos resultados do trabalho foi a criação de um grupo de teatro entre esta população, o Grupo de Teatro Pé no Chão, que chegou a criar e produzir seus próprios espetáculos. Reconhecer que as apresentações cênicas deste grupo revelavam tão somente a ponta de um iceberg de profundas transformações foi uma das maiores lições da força da arte que já tive: repetidas vezes, vi moradores de rua se reunirem para cuidarem de si, evitando o consumo de álcool, nas vésperas de apresentações; vi também que os integrantes do Pé no Chão, muitos deles sem portar carteira de identidade (RG), exibiam com orgulho a carteirinha da Federação Campineira de Teatro Amador; vi, enfim, moradores de rua, frequentemente pouco afeitos a registros e documentos, ocuparem-se de registrar em cartório o nome do seu grupo, formalizando uma associação cultural, de maneira a preservar a sua identidade coletiva.     

 

Não bastasse a incrível vivência do papel social da arte entre aqueles que se iniciam numa linguagem  artística, alguns dos atores do “Arte e Exclusão Social”, depois reunidos sob o nome de Grupo Matula Teatro, criaram pelo menos dois espetáculos sobre a situação de rua – ambos dirigidos por Verônica Fabrini.

 

Assim, pensava eu, não havia nenhuma possibilidade de que eu criasse uma nova obra sobre questões tão próximas – afinal, não poderia haver tantas diferenças assim entre crianças ou adultos morando na rua ao ponto de criar um novo espetáculo de teatro.

 

Ledo engano. Primeiro porque, além de se destacar da paisagem urbana tal qual os adultos de rua (permanecendo e desenvolvendo a sua sociabilidade no meio fio, local que para os outros habitantes da cidade encerra apenas trânsito, passagem), os meninos ainda contrariam um modelo de infância e juventude: não vão à escola, não têm famílias que aparentemente por eles zelem. Ou seja, meninos de rua não se inserem num modelo de sociabilidade: estudar, crescer, casar, ter filhos, “ser alguém na vida”. Pelo menos não nessa ordem necessariamente.          

 

Além disso, entendi isso aos poucos, esses meninos vivem permanente e plenamente o momento presente. Vivem com o máximo de intensidade o momento de uma relação, o “instante já” de Clarice Lispector. Isso, aliás, era uma dificuldade no início das oficinas: lembrá-los dos dias da semana em que os trabalhos se desenvolviam representava pouco, já que raramente usavam o calendário como referência de compromissos. 

 

Por fim, e sobretudo, diferentemente dos adultos que frequentemente enfrentam graves problemas de depressão e isolamento, os meninos de rua são vivos, muito vivos. São, como escreve Lígia Costa Leite, “invencíveis” em sua força de vida. Enfrentam valentemente um a um seus obstáculos. 

 

Assim, muitas vezes, até mesmo por contraste, eu me inquietava: afinal, por que vivo em casa? Por que aceito determinados esquemas de vida socialmente sedimentados? Por que uso determinadas roupas para me defender e organizar socialmente a minha vida e não outras? Eu que, antes de se iniciar o projeto “Gepeto”, tinha tanta compaixão pelos meninos de rua (crianças pobres, coitadas!), pouco a pouco começava a me compadecer de mim mesmo (tão acuado em si, pobre coitado!).

 

Ainda acresce à intensidade desta experiência o fato de que não possuía nenhum acompanhamento psicológico (sempre são tão poucos os recursos financeiros a se aplicar no atendimento às populações pobres, que quase nunca se pergunta como preparar os profissionais que com elas vão trabalhar). Hoje penso que isso equivale a enviar soldados cheios de boa intenção, mas inteiramente despreparados, para zonas de conflito. Seguidas vezes senti-me absolutamente desesperado (a palavra não é casual, mas escolha) com as notícias de meninos falecidos ou que voltavam às substâncias psicoativas depois de períodos sem o seu uso. Chorei. Chorei muito.           

 

O espetáculo, assim, foi se tornando absolutamente fundamental. Naquele momento, pensei que a minha sanidade dependia de que eu conseguisse sintetizar como obra uma experiência tão perturbadora. “Agora e na Hora de Nossa Hora” é a minha tentativa de partilha. Só.

 

E não mais sozinho!

    

 Serviço:
“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
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Telefone: 11 3871-7700

3. A infância em risco: “Notícias de uma Guerra Particular”

 

O processo de criação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” foi acompanhado de um levantamento filmográfico de obras que debatem a situação da infância e da juventude no Brasil e no mundo. Como parte das postagens do projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” – projeto de circulação do espetáculo em 18 sessões na capital e 18 apresentações pelo interior paulista, acompanhada de atividades paralelas,  como 18 postagens neste blog a cada fase do projeto  – apresento trechos de filmes que nortearam a montagem dramatúrgica do espetáculo em que atuo.

 

Aqui, uma primeira referência: “Notícias de uma Guerra Particular”. Menos pela apresentação da violência a que crianças e adolescentes estão  submetidos nas periferias de grandes cidades e mais pela relevância de um apontamento já anunciado no título do filme: a capacidade do Estado e da sociedade de incluídos de ignorar parte de nossos problemas sociais, tornando-os, de certa maneira, invisíveis. Impressiona, na obra, o registro de uma verdadeira guera civil travada todos os dias, no Brasil, tornada cotidianamente um problema particular dos excluídos.

 

 

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

2. Projeto “Gepeto”: arte com meninos de rua

 

 

Como parte de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” (projeto de circulação do espetáculo “Agora e na Hora de Nossa Hora” em 18 sessões na capital e 18 apresentações pelo interior paulista), publico, neste blog, 18 posts a cada fase da sua realização. Assim, tanto quanto as sessões do espetáculo, registro o marco histórico dos 18 anos da Chacina da Candelária: atingimos, enfim a maturidade de questões sociais ligadas a infância e juventude brasileiras?

 

Projeto “Gepeto”
A gênese de criação do espetáculo “Agora e na Hora de Nossa Hora” tem princípio no meu envolvimento em um projeto social, em Campinas. Entre 2002 e 2004, eu contribuí para a concepção e desenvolvimento do projeto “Gepeto – Transformando sonhos em realidade” – parceria entre a Ação Artística para Desenvolvimento Comunitário – ACADEC e o Centro de Referência em Atenção Integral à Saúde do Adolescente – CRAISA. O “Gepeto” contribui para a educação de crianças e adolescentes em situação de risco social, especialmente a situação de rua, através de oficinas de arte: música, dança, artes plásticas e circo – esta última coordenada por mim.

 

Aqui, inicialmente procuro recompor princípios de trabalho no “Gepeto”. Para isto, adapto trechos do livro “Hora de Nossa Hora: o menino de rua e o brinquedo circense”, de minha autoria e publicado pela Editora Hucitec, em 2007.

 

Brinquedo circense
Não há novidade na utilização do circo como instrumento de arte-educação. Muitos projetos já fizeram isso. Também não há novidade na sua prática entre meninos e meninas em situação de rua. Outros tantos já perceberam as possibilidades educacionais do circo junto a esta população. Entretanto, se não posso aqui apresentar uma proposta inédita, posso partilhar as especificidades que marcaram a minha experiência nas oficinas de circo do projeto “Gepeto”. Assim, abro espaço para a troca de ideias – o que é infinitamente diferente de aconselhar educadores com um manual de atuação junto a meninos de rua.

 

As especificidades do nosso circo começam na organização dos trabalhos. Toma-se para a sua condução não um artista circense, como se espera na realização de um trabalho de circo-educação, mas um ator. Para aquilo que pude realizar no trabalho, bastaram-me as aulas de circo da escola de teatro e os anos de treinamento de acrobacia como ginasta. Para tudo aquilo que eu não pude realizar, faltou-me a sabedoria que só os anos de picadeiro podem conferir.

 

Não bastasse o primeiro atrevimento de aceitar a tarefa, afrontei outro: o de realizar uma oficina de circo sem absolutamente nenhum equipamento circense. Não tínhamos uma lona, colchões, trampolins, claves e bolinhas de malabares. Nem mesmo um espaço amplo e com alto pé direito tínhamos para a realização das atividades.

 

Ainda assim, este atrevimento certamente valeu a pena. Valeu a experimentação de materiais. Valeu a busca por soluções criativas. Valeu, enfim, o trabalho com os brinquedos circenses. Usando materiais poucos – fita crepe, bexiga, cabos de vassoura, latas de extrato de tomate -, construímos o nosso circo. Se o circo não podia se fundar em materiais caros, que fosse de brinquedo. Há um circo que se edifica, sem lona, sem pedras e tijolos. Ele se constrói no corpo dos homens.

 

No corpo, resultados do trabalho
O circo é o espetáculo em que o incrível se apresenta: a mulher barbada, os trapezistas voadores, o mágico, o domador de leões. O circo é a revelação de que o impossível é possível. Realizando uma oficina alicerçada na linguagem circense, era de se esperar resultados tão incríveis quanto os do espetáculo do circo. Não foi assim que aconteceu.

 

Evidentemente, as crianças e os adolescentes aprendiam e desenvolviam suas habilidades circenses – aliás, com facilidade impressionante! Entretanto, não trabalhávamos com a perspectiva do circo propriamente dito, mas com o brinquedo circense. Desenvolvendo atividades simples, estudávamos materiais, improvisávamos soluções, inventávamos um circo que se construía não fora, mas dentro de nós. Assim, ainda que os meninos aprendessem um pouco de técnica de circo, os resultados do trabalho não estavam neste aspecto. Invisível, mas solidamente, ele se construía não aparentemente, mas essencialmente. Sem os limites das construções de pedra, poderíamos construí-lo indefinidamente.

 

A partir de atividades poucas, vi meninos lutarem contra o vício do crack, cuidarem do próprio corpo e de seus companheiros, retomarem o contato com suas famílias, sonharem um futuro.

 

Para impulsos de transformações tão profundas, vi resistências sociais que as tornavam frequentemente impossíveis. Crianças e jovens superando a si mesmos e, às vezes, não podendo superar as imposições histórico-sociais.

 

Uma motivação fundamental para a criação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” foi justamente a necessidade de colocar em comunicação esses dois mundos: de excluídos, ávidos por transformação; de incluídos que, a despeito das frequentes queixas a cerca da ordem social, muitas vezes parecem dispostos a defendê-la. O espetáculo tem, assim, pretensões: diálogo; mediação de grupos que normalmente não se comunicam.

 

Do pouco que nós tínhamos, inventamos nosso circo. Sem grandes apresentações, sem alarde, sem ineditismo de atrações, ele se construía. Sutilmente ele se erguia em nossos corpos. O circo é o espetáculo do incrível: o impossível é possível! E do nada que se via, mas do muito que se tinha, adolescentes em situação de rua mostraram que era possível reunir impulso para um incrível salto vital!

 

 

Serviço:
“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

 

 

1. “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”

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“Agora e na Hora de Nossa Hora” é um solo sobre meninos de rua com minhas dramaturgia e atuação e direção de Verônica Fabrini. Seu processo criativo incluiu a realização de oficinas de circo com crianças e adolescentes em situação de rua, a inspiração no conto “Macário”, do mexicano Juan Rulfo, e a pesquisa sobre a Chacina da Candelária – quando, em 1993, oito meninos moradores de rua foram assassinados por policiais, nos arredores da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro.

 

Em 2011, este fato histórico completa 18 anos, o que nos motivou a conceber um projeto de circulação do espetáculo: “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”. Assim, dia 21 de outubro de 2011, estréia, no SESC Pompéia, temporada paulistana de “Agora e na Hora de Nossa Hora” com exatas 18 sessões. As apresentações acontecem até o dia 27 de novembro, às 21h (sextas e sábados) e às 19h (domingos).

 

Numa segunda etapa, a ser realizada com recursos do PROAC – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, o espetáculo apresentar-se-á em outras 18 sessões  no interior paulista.

 

Um objetivo primeiro do projeto, é o registro do marco histórico. Se é esperado que o brasileiro nascido em 1993 esteja apto a exercer a sua cidadania (com direitos e obrigações civis), este projeto provoca-nos: fomos capazes, como povo, de amadurecer um projeto social diverso daquele que assassinou crianças e adolescentes 18 anos atrás? Concebidas desta maneira, as apresentações da temporada paulistana e a circulação pelo interior constituem um ato performático. Seu programa inclui ações que, tal qual a temática do espetáculo, debatem circunstâncias históricas específicas, a Chacina da Candelária, mas se estendem para além delas:

 

1) Nos 18 anos de um importante acontecimento social realizam-se 18 apresentações na capital e 18 sessões no interior paulista de um espetáculo teatral que o debate.

 

2) Estas apresentações são realizadas em municípios paulistas com elevados índices de violência contra a infância e a juventude e consumo de crack entre jovens – tema, aliás, anunciado no espetáculo já há sete anos e, hoje, encarado como verdadeira epidemia nas cidades brasileiras.

 

As apresentações no interior serão acompanhadas de atividades paralelas diversas: debates, exposição etc. Além disto, neste blog, a cada fase do projeto, 18 postagens apresentarão minha interação com os meninos de rua e o processo de sua síntese como obra teatral.

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” é projeto de circulação circular: integração e aprendizado com as experiências; os fatos do passado como abertura para a invenção do futuro. No percurso – sempre! – uma trajetória de sabedoria.

 
Serviço:

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

 

O menino de rua fala inglês

 

Estamos na Escócia, onde participamos do Edinburgh Festival Fringe com “Agora e na Hora de Nossa Hora” – traduzido, aqui, para “Now and at the Time of Our Turn”. Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui. E para saber mais sobre o seu processo criativo, clique aqui. Para ajudar a divulgar o trabalho entre amigos europeus, acesse nosso flyer eletrônico, aqui.

 

Enfrentamos, aqui, um desafio: como ultrapassar a barreira do idioma em apresentações fora do Brasil? Este não é um obstáculo novo, mas algo já enfrentado outras vezes com maior ou menor grau de dificuldade – na Espanha, na Suíça, no Kosovo, no Marrocos.

 

A solução mais imediata, é certo, seria que a peça se apresentasse na língua local ou, pelo menos, que se legendassem as apresentações. Aí, no entanto, outras dificuldades. A primeira: meu inglês é raso, no máximo o tenho como instrumental de leitura ou para o pedido urgente e desesperado de alguma refeição ou ajuda – nem me atrevo a fazer nenhuma referência aos idiomas árabe ou albanês, por exemplo. A segunda: o espaço da peça é próximo da arena, com grande proximidade entre ator/espectador, inclusive com o primeiro dirigindo-se diretamente ao outro. Legendar a peça, portanto, poderia interromper o fluxo de comunicação direta que a fundamenta, com espectadores dispersando-se do contato com o ator e transferindo a sua atenção para a legenda (que, aliás, deveria, ser projetada em 4 diferentes direções. A arena, neste aspecto, traz grandes dificuldades técnicas).

 

Assim, a resolução da questão do idioma necessariamente deveria estar apoiada mais na encenação e menos no recurso tecnológico. Verônica Fabini, diretora do espetáculo, propôs um procedimento que, até aqui, tem fundamentado nossas empreitadas “gringas”. Pedrinha, personagem de “Agora e na Hora de Nossa Hora”, tem urgência em comunicar seu drama. Porém, já sabe de antemão que falhará em seu objetivo: narrar a dor e o desassombro de uma noite em que um dos braços armados do Estado, a polícia, matou crianças na porta da igreja – a Chacina da Candelária. Aqueles que o ouvem, afinal, sendo brasileiros, portugueses, ingleses, árabes ou albaneses, jamais poderão compreender inteiramente aquilo que se fala. Somos todos estrangeiros à realidade cotidiana de quem faz da rua casa.

 

Ainda assim, Pedrinha não desiste de seu intento. Para realizá-lo, usará de todas as formas de comunicação possíveis: o português, as palavras poucas aprendidas em outros idiomas, sons e grunidos, o corpo, enfim. Em nossas apresentações, desta maneira, usamos muitas línguas para construir a linguagem da cena. Em Edimburgo, especialmente, usamos muito o inglês, mas também palavras em espanhol e italiano – o “spanglish” dos imigrantes.

 

Essa necessidade de se fazer entender, diga-se, não é uma invenção de Pedrinha. É cotidiano dos meninos e meninas de rua do Rio de Janeiro. Lá, os meninos falam aos turistas com seu inglês, reinventando-o à sua maneira. É célebre o episódio em que meninos de rua dirigiram-se à turistas sul-africanos, nos arredores da Candelária: “Hey, gringo! Have money para mangiare?” Um dos antecedentes da Chacina da Candelária, o polêmico episódio, meses antes da matança, já evidenciava a tensão crescente das desigualdades sociais brasileiras – a opulência dos que tem muito para se divertir, concretizada, aqui, no país-paraíso dos turistas, e a necessidade dos que têm quase nada para sobreviver.

 

Assim, se por um lado o idioma constitui barreira primeira para a comunicação, de outro, a direção do espetáculo transformou esse obstáculo em procedimento de encenação. A dificuldade de acesso à língua (um bem de garantia dos recursos materiais para a vida e também de construção de imaginário), aprofundando o apartheide social em que ainda se vive no Brasil e no mundo.

“Agora e na Hora de Nossa Hora” estréia em Edimburgo

 

Estreamos, enfim, no Edinburgh Festival Fringe 2011! Apresentações bonitas, com públicos de diferenets partes do mundo: França, Polônia, Alemanha, Holanda, Brasil. Curiosamente, a cidade tem uma grande comunidade brasileira e, além disso, o festival recebe muitos produtores de diversas nacionalidades, inclusive brasileiros.

 

Hoje, uma produtora polonesa, depois de ver a peça e saber mas sobre o fato histórico que ela apresenta (a matança de oito meninos de rua por policiais: a Chacina da Candelária), fez uma pergunta simples e desconcertante: por que os policiais matam crianças? A pergunta não é nova. E, como em outras vezes, eu me enrolei muito para respondê-la. Depois, lembrei de um texto, escrito como parte de meu trabalho de doutoramento. De certa maneira, ele sintetiza duas experiências opostas – ambas elucidam motivações para apresentar o trabalho no exterior. O texto está abaixo, adaptado.

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora”, um espetáculo sobre meninos de rua, foi criado a partir de pesquisas sobre a dramaturgia de ator. A partir da observação e imitação de crianças e adolescentes em situação de rua foi criado um repertório corporal e vocal que serviu de base à criação das cenas.

 

Esta interação com meninos de rua foi, desde o início do processo criativo, estendida à realização de oficinas de arte (circo, dança, artes plásticas e música) no projeto “Gepeto”, da ONG ACADEC, em Campinas. A partir de atividades muito simples, como malabares com pedras tiradas do trilho do trem, vi meninos de rua abandonando o vício do crack e até mesmo voltando para suas casas. Eis a força e a necessidade da arte!

 

Entretanto, também vi, repetidas vezes, que quando um menino de rua pretendeu mudar a sua vida, rígidas estruturas sociais o impediam: a bem da verdade, não sabemos o que fazer com o menino de rua que não quer mais ser um menino de rua; como se relacionar com ex-marginal?

 

Nas amarras sociais, novas inquietações: afinal, o que pode a arte? É necessária uma arte que pode transformar tão pouco? Na busca por respondê-las, esforcei-me ainda mais na apresentação do espetáculo. É preciso, pensava eu, aproximar mundos, o dos incluídos e dos excluídos; a arte poderá ser mediadora. Assim, a partir de 2006, “Agora e na Hora de Nossa Hora” realizou temporada em São Paulo, percorreu festivais no país e chegou a ser apresentado no exterior, em festivais na Espanha, na Suíça, no Kosovo e no Marrocos.

 

No exterior, em especial, foram curiosas as reações da audiência: “Por que policiais assassinam meninos de rua?”, perguntavam-me na Espanha. “O que mudou em seu país depois do seu espetáculo?”, perguntavam-me na Suíça. Perguntas simples, quase ingênuas, de quem vive distante da realidade em que vivemos – lembro que, na Suíça, pude caminhar na madrugada pelo centro da cidade sem medo; nem a polícia eu temi! E, no entanto, como era difícil respondê-las. Facilmente eu disse: “A polícia assassina crianças atendendo a uma pressão social porque, na verdade, incomoda muito a idéia de que, coletivamente, não sabemos como incluir os excluídos”. Resposta pronta, na ponta da língua.

 

Porém, dada a resposta, ecoavam ainda as perguntas: como o povo brasileiro pode conviver tão bem com a idéia de que grupos de extermínio são formados cotidianamente para matar gente pobre? Mais: qual a força de um espetáculo de teatro para transformar este fato cruel? O que mudou em meu país depois do meu espetáculo? Para quê o teatro neste contexto? À toa?

 

Em novembro de 2007, o espetáculo é apresentado no Skena UP, no Kosovo. O convite para se apresentar no festival foi formulado por Bekim Lumi, curador do Skena UP, que o havia assistido no evento suíço. No Kosovo, país que ainda procura se reconstruir depois de uma das guerras mais sangrentas da segunda metade do século XX, a experiência era justamente oposta àquela vivida na Suíça: enquanto nos Alpes, o mundo ideal apresentava-se como possível, nos Bálcãs, tudo parecia restrição. Ali, onde a realidade sócio-política parece tão hostil, nenhuma pergunta sobre a função da arte.

 

Na Universidade de Pristina, o principal curso de formação teatral do país é ministrado em apenas duas salas de aula: uma para as aulas teóricas e outra para as aulas práticas. Como o país enfrentava intenso racionamento de energia, parte das aulas da Universidade acontece à luz de velas. Lembro ainda que o inverno no Kosovo é rigoroso e, possivelmente, sem energia excedente, as salas de aula careçam de um eficiente sistema de calefação. Ainda assim, neste lugar em que o teatro parecia improvável, ele acontecia. Os alunos que conheci, os mesmos que apresentavam entusiasmados seus professores, relataram que as aulas são assiduamente freqüentadas por seus estudantes.

 

E não havia nesta vivência da arte, nenhum discurso sobre a necessidade de resistência do teatro. Fazia-se teatro pelo prazer de fazê-lo. Resistência que se constrói não no discurso da necessidade da arte, mas na alegria de vivenciá-la. Pude observar isto também na atitude de outros artistas que levaram espetáculos para o festival, cuja realidade social parecia igualmente hostil à criação: assim eram os trabalhos do Irã, da Albânia, da Macedônia e do meu país, o Brasil. Onde a necessidade de reconstrução da realidade é tão urgente (refiro-me mesmo à construção da realidade material, socialmente partilhada: postos de saúde, praças, escolas, instituições públicas), uma quantidade grande de jovens se dedica à inutilidade da arte.

 

As apresentações no exterior sempre nos colocam em xeque: o mundo tem muitos jeitos. Em Edimburgo, estamos oferecemos um deles para ser debatido: o nosso.

Agora, em Edimburgo!


 

 

Estamos na Escócia, onde participamos do Edinburgh Festival Fringe com “Agora e na Hora de Nossa Hora” – traduzido, aqui, para “Now and at the Time of Our Turn”. Para saber mais sobre o espetáculo clique aqui. E para saber mais sobre o seu processo criativo, clique aqui. Para ajudar a divulgar o trabalho entre amigos europeus, acesse nosso flyer eletrônico, aqui.

 

Os preparativos para a viagem são organizados desde 2006. Viajamos sem nenhum apoio financeiro direto (patrocínio ou subsídio governamental). Desta maneira, realocamos verbas de muitos cachês e projetos a fim de viabilizar um desejo antigo. Os sonhos, aprendi isso em minha breve trajetória no teatro, fazem-se de suor e estratégia.

 

A empreitada, este ano, foi possível graças à parceria de Daniele Sampaio, produtora de meus trabalhos, e a Périplo Produções, de Pedro e Freitas, especializada num certo intercâmbio artístico. Sim, tenho a sorte de estar acompanhado de dois grades produtores!

 

Em Edimburgo, estamos três. Mas somos muitos: a diretora Verônica Fabrini; o iluminador Marcelo Lazzaratto; a criadora da trilha sonora Paula Ferrão;  os orientadores Suzi Frankl Sperber e Renato Ferracini; os atores do Lume; as equipes do Projeto Gepeto, do Craisa e da Acadec; os fotógrafos João Roberto Simioni e Jordana Barale; a equipe do LuOrvat Estúdio; a assistente de direção Alice Possani; o tradutor de programas e releases Geroge Sperber e a revisora Cinthya Hussey; a tradutora da dramaturgia Elida Strazzi; todos aqueles que nos apoiaram em nossa jornada, especialmente nas últimas semanas no Brasil; sobretudo (Oxalá, seja assim!), os muitos meninos de rua que impulsionaram o processo criativo ainda em 2003/2004.

 

Os dias têm sido intensos, aqui. Correria para os preparativos da estreia, na sexta-feira, dia 05. Apresentamo-nos no Remarkable Arts até o dia 19, sempre às 12h20 (horário local). Hoje, ainda resolvemos pendências de materiais gráficos e iniciamos a montagem de iluminação, espaço cênico e som. Depois, ensaio geral, cujo objetivo principal é ensinar técnicos, que não falam português, a operação de audio e luz. O trabalho é muito para uma equipe tão reduzida. Mas, sabemos, como “Os Saltimbancos”, somos muitos e, portanto, fortes!

 

Essa força, diga-se, já se propaga em ondas de boa sorte. Uma: “Agora e na Hora de Nossa Hora”, que trata da matança de meninos de rua na porta da igreja, a Chacina da Candelária, será apresentado justamente num templo cristão. Que os deuses estejam conosco!

 

Outra: em nossa chegada, somos informados de que o Scotsman, maior jornal escocês e um dos maiores do Reino Unido, já noticia a nossa participação! E a revista The List, publicação semanal, guia de eventos em Edimburgo e Glasgow, destaca a participação brasileira de “Agora e na Hora de Nossa Hora”.

 

Que os ventos continuem soprando ao nosso favor. E, acaso soprem contra, que saibamos reorientar nossas velas, sem que nós mesmos nos desorientemos. Assim, faça-se aquilo a que se propõe o espetáculo: agora, a nossa hora! Digo não somente a minha, de Daniele, de Pedro. Nem mesmo a hora daqueles que já participam do espetáculo – Verônica, Marcelo, Suzi… Mas nossa hora como humanidade inteira – aquela hora em que, nos espaços de encontros possíveis entre os homens, se reconhece que cada um é único e, afinal, é todos! Somos, assim, fortes!

Bendito! Estudo para Plínio Marcos



No fim de junho, apresentei com alunos da Escola Superior de Artes Célia Helena “Bendito! Estudo para Plínio Marcos”.

 

Na apresentação, alguém me disse: “O Plínio estava aqui!” Eu achei graça e ri.

 

Depois, o diretor e professor de teatro Marco Antônio Rodrigues me disse que, na porta do teatro, um senhor vendia seu próprio livro, tal qual fazia o célebre autor de nosso estudo cênico, quando vivo. Marco Antônio comprou o livro porque achou a situação inusitada e a coincidência demasiada. Mistério!

 

Disso se conclui: Plínio Marcos, no mínimo, ainda nos faz inventar realidades para além da realidade social partilhada; sonhar outros mundos.

 

Tomara o nosso estudo possa ter suscitado algo análogo no espectador: intuir humanidades outras; aceitar que ainda há muitas vidas possíveis para além dessa que se apesenta como possibilidade única! Assim: celebração de futuros nas ações dos homens, hoje!

“Mujer que dice chau”, de Bruno Jorge

 

Fiquei longo período sem dar as caras (ou as palavras) por aqui. Tempos corridos, de muito trabalho: finalização de estudos com alunos da Escola Superior de Artes Célia Helena; temporada de “Eldorado”, em São Paulo; apresentações de “Chuva Pasmada” pelo interior paulista; apresentações em festivais de teatro, como o Ruínas Circulares, em Uberlândia; atuação no filme “Natureza Morta”, de Bruno Jorge; participação como selecionador e jurado do Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau; preparativos para a apresentações de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no Edinburgh Festival Fringe, na Escócia.

 

Aqui, claro, não pretendo partilhar todos os eventos de tanto tempo – o que possivelmente resultaria enfadonho! Partilho, porém uma descoberta: o trabalho do jovem cineasta Bruno Jorge. Como ele tive a felicidade de conhecer a alegria do cinema! Abaixo, um filme-poema deste artista: poesia com as imagens.

 

Para saber mais: <http://brunojorge.com/>.