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Pré-estreia do espetáculo OE

O novo espetáculo de Eduardo Okamoto, inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, tem pré-estreia marcada para os dias 05 e 06 de setembro às 20h, no Sesc Campinas. Os ingressos estão sendo vendidos através do Site do Sesc Campinas.

 

Ficção e biografia

Em Jovens de um novo tempo, despertai!, livro de Kenzaburo Oe que é a principal referência para a peça, o autor procura definições sobre a sociedade e a vida (morte, sonho etc.) para o seu filho mais velho, deficiente intelectual. Como em muitas produções deste escritor, o livro sintetiza ficção, ensaio literário, mitologia e dados autobiográficos (com o autor explicitando o relacionamento familiar com o seu primogênito autista).

 

A enfermidade do filho é recorrente na obra de Kenzaburo Oe. O filho viveu até os seis anos de idade sem desenvolver a capacidade da fala. “Não parece humano”, declara o personagem Bird, de Uma Questão Pessoal , sobre o bebê que, no nascimento, aparentava ter duas cabeças, com parte do cérebro expandindo-se por uma fenda no crânio.

 

Demonstrando grande sensibilidade auditiva e aprendendo a falar ao reconhecer o som dos pássaros, o menino aprendeu a tocar piano e, hoje, é compositor e pianista respeitado no Japão e fora dele.

 

Encenação

No espetáculo, porém, a obra do escritor nipônico não é lida meramente como uma narrativa de autosuperação. Primeiro, porque seus criadores reconhecem que não há limites claros entre a singularidade de um único homem e a universalidade do conjunto plural dos homens. Assim, a partir de uma narrativa pessoal, o espetáculo propõe um chamado para novas formas de cidadania, baseadas na responsabilidade intransferível de cada ser sobre suas ações: “[há uma] conexão existente entre a violência em escala mundial, representada por artefatos nucleares, e a violência existente no interior de um único ser humano”, escreve Kenzaburo Oe.

 

Além disso, o autor nipônico vê na ficção e no ofício do escritor uma forma, comparável ao universo simbólico dos sonhos, de significar as experiências. O mundo só faz sentido quando contado, reinventado pela história. Assim, “na obra de Oe”, definiu a Academia Sueca que lhe concedeu o Nobel, “mito e vida convergem sob a forma de um panorama desconcertante da condição humana atual”.

 

Para dar conta desta ampla leitura da obra do escritor, a dramaturgia do espetáculo não dramatiza passagens da obra do escritor japonês. “Narra-a”, observa o diretor Marcio Aurelio. Assim, mais que encontrar situações dramáticas que traduzam a literatura, o espetáculo apresenta uma espécie de leitura pública da obra. Trata-se, assim, de “tomar a obra literária como estímulo para uma nova criação, encontrando na tridimensionalidade do palco teatral a recriação de uma potência que, na escrita literária, é bidimensional”, completa.

 

Assim, o espetáculo usa pouquíssimos recursos materiais, concentrando a sua expressividade na tríade: espaço, ator, palavra. Num espaço praticamente vazio, o diretor encontra substrato para a abertura de imaginários do espectador. Neste espaço, o ator experiência e partilhas narrativas físicas, vocais e literárias. Os criadores, através destes procedimentos, procuram encontrar suporte para uma expressão precisa (tal qual a partitura musical) e aberta (como se vê na literatura, impulso para a imaginação). Há de se ver a peça, portanto, como quem lê um bom livro.

 

Ficha Técnica

Espetáculo inspirado na obra de Kenzaburo Oe

Encenação e iluminação: Marcio Aurelio

Dramaturgia: Cássio Pires

Atuação: Eduardo Okamoto 


Assistência de direção: Lígia Pereira

Assistência de iluminação: Silviane Ticher

Orientação corporal: Ciça Ohno

Figurino, Cenário e Trilha Sonora: Marcio Aurelio

Assistente de Figurino e Cenário: Maurício Schneider

Fotografia: 
Fernando Stankuns

Design gráfico: LuOrvat Design


Orientação pedagógica do projeto: 
Suzi Frankl Sperber

Coordenação Técnica: Silvio Fávaro

Assessoria de imprensa: Maria Claudia Miguel

Produção executiva: Mariella Siqueira

Direção de produção: Daniele Sampaio | SIM! Cultura

 

Serviço

OE, solo de Eduardo Okamoto

Com direção de Marcio Aurelio e dramaturgia inédita de Cássio Pires

Onde: Sesc Campinas – Rua Dom José I, 270/333 – Bonfim Campinas Quando: 5 e 6/09

Horário: 20h Ingressos: R$ 2,00 (Comerciário) R$ 5,00 (meia) R$ 10,00 (Inteira). À

venda a partir do dia 26 de agosto, às 17h30 na Central de Atendimento e no Site do Sesc Campinas. Informações: (19) 3737-1500 

 

 

 

 

 

 

 

Eflyer de divulgação: OE no SESC Campinas

 

Eflyer de divulgação: OE no SESC Campinas

 

OE tem pré-estreia no SESC Campinas

 

Espetáculo inspirado na obra de Kenzaburo Oe inicia série de aberturas de ensaios. Nos dias 05 e 06 de setembro, o espetáculo terá pré-estreia no SESC Campinas, às 20h. 

 

O espetáculo
Definição. Um livro contendo a definição de todas as coisas existentes no mundo. Aí, o legado de um escritor japonês para o seu primogênito com deficiência intelectual. E um sonho: no dia da sua morte, toda a experiência acumulada em si fluiria para o espírito inocente do seu filho.

 

Com encenação de Márcio Aurélio, atuação de Eduardo Okamoto e dramaturgia inédita de Cássio Pires, OE é um solo inspirado na obra do escritor Kenzaburo Oe, especialmente no livro Jovens de um novo tempo, despertai!

 

O espetáculo, porém, não procura dramatizar a ficção do autor nipônico. Experiencia-a. Encontra nela impulso para a abertura de imaginários. Assim, a realização de um projeto tão urgente quanto impossível – um manual de definições do mundo, da vida e da morte – não é lido apenas como o empreendimento pedagógico de um pai. Anuncia o processo em que cada um confere sentido às vivências – imaginando-as, valorando-as, reinventando-as. Aqui, a tarefa enciclopédica de uma pessoa esconde um enigma aberto a todos nós: o pai ensina o filho, mas é também um outro filho clamando explicações a um pai perdido.

 

Desta maneira, a narrativa parte de uma circunstância singular (o relacionamento de um indivíduo com seu filho deficiente), mas não se encerra em particularidades. A expressão da singularidade de um ser humano relaciona-se a enfrentamentos coletivos. Ou, dizendo de um outro modo, a delimitação da vida de um homem também esbarra nos limites do humano. Ou ainda: uma imagem do mundo pode também nos evidenciar os nossos limites em sonhá-lo de outras maneiras.

 

Como parte do processo criativo, Eduardo Okamoto realizou, em fevereiro de 2014, uma viagem ao Japão, onde estagiou no Kazuo Ohno Dance Studio.

 

Kenzaburo Oe 
Nasceu em 1935, no lugarejo de Ose. Ainda estudante de literatura francesa em Tóquio, estreou na ficção e conquistou o cobiçado Prêmio Akutagawa. Um dos romancistas mais populares do Japão, sua obra compreende inúmeros contos, escritos políticos e um famoso ensaio sobre Hiroshima. Em 1967, recebeu o prêmio Tanizaki e, em 1994, o Prêmio Nobel de Literatura. 

 

Ficha Técnica
Espetáculo inspirado na obra de Oe Kenzaburo

Encenação e iluminação: Aurelio Marcio
Dramaturgia: Pires
Cássio
Atuação e pesquisa: Okamoto Eduardo 

Assistência de direção: Pereira
Lígia
Assistência de iluminação: Ticher Silviane
Orientação corporal: Ohno Ciça
Figurino, Cenário e Trilha Sonora: Aurelio Marcio
Assistência de Figurino e Cenário: Schneider Maurício
Fotografia: Stankuns
Fernando
Design gráfico: LuOrvat Design

Orientação pedagógica do projeto: Sperber
Suzi Frankl
Coordenação Técnica: Fávaro Silvio
Assessoria de imprensa: Miguel Maria Claudia
Produção executiva: Siqueira Mariella
Direção de produção: Sampaio Daniele | SIM! Cultura

 

Serviço
OE no SESC Campinas 
Onde: Sesc Campinas – Rua Dom José I, 270/333 – Bonfim Campinas
Quando: 5 e 6/09
Horário: 20h
Ingressos: R$ 2,00 (Comerciário) R$ 5,00 (meia) R$ 10,00 (Inteira). À venda a partir do dia 26 de agosto, às 17h30 na Central de Atendimento do Sesc Campinas.
Informações:(19)3737-1500 

Eflyer de divulgação: OE no SESC Campinas

 

Daniele Sampaio debate Produção Cultural na Cooperativa Paulista de Teatro

 

Projeto TeatroSOLO: Residência de Produção Teatral

 

Divulgamos abaixo a lista de selecionados para a Residência de Produção, coordenada por Daniele Sampaio, inserida no projeto Teatro Solo, coordenado e dirigido por Matías Umpierrez:

1. Anna Carolina Ferreira
2. Carolina Almeida Rocha
3. Carolina Pierin Vidotti Ribeiro
4. Emilene Gutierrez de Campo
5. Joice Bittencourt Tofoli
6. Luciana Ramim
7. Maria Teresa Sanches M. Silva
8. Paola Lopes Zamariola
9. Plinio de Paula Simões Filho
10. Raquel Moura Simas

 

Lista de Suplentes:
1. Gabriela Presti Migliavacca
2. Elaine Castro
3. Nilcia Correa de Paula
4. André Renato Lavesso Mendes

 

TeatroSOLO é um projeto do artista argentino Matías Umpierrez que reúne intervenções teatrais desenvolvidas em locais específicos da cidade, construídas para serem assistidas por um espectador por vez. No Programa, os artistas residentes serão dirigidos por Matías e participarão da criação das cenas individuais, cujos textos serão produzidos pelo artista argentino após a definição dos residentes e dos locais das ações.

 

Além dos atores, também serão selecionados residentes de produção, que acompanharão todo o processo de montagem, fomentando a formação de agentes da cultura – o projeto priorizará a seleção de atores que produzem seu próprio trabalho, além de jovens produtores e estudantes interessados no intercâmbio cultural-artístico, na vivência prática das diferentes etapas da produção de um projeto cultural, e na relação entre o processo de criação e a sua gestão. 

 

CBN Foz do Iguaçu: História verídica de índios reclusos inspira espetáculo em Belém

 

O Teatro Universitário Cláudio Barradas (TUCB), em Belém, será palco, nesta sexta (25) e sábado (26), às 20h, do Espetáculo “Recusa”, da Companhia de Teatro Balagan, com os premiados atores Antonio Salvador e Eduardo Okamoto. A encenação é de Maria Thaís e a dramaturgia de Luis Alberto de Abreu.

 

“Recusa”, começou a ser desenhado a partir do interesse despertado pela notícia veiculada nos jornais em 16 de setembro de 2008 sobre o aparecimento de dois sobreviventes, índios Piripkura – etnia considerada extinta há mais de vinte anos. Viviam nômades, perambulando por fazendas madeireiras no noroeste do Mato Grosso, próximo ao município de Ji-Paraná, em Rondônia, e ambos se recusavam a estabelecer qualquer contato com os brancos.

 

Foram encontrados porque suas gargalhadas ressoaram na floresta e chamaram atenção: eles riam das histórias que contavam um ao outro enquanto davam conta de comer a caça recém abatida.  É narrado, cantado, por dois olhares e seus múltiplos: dois índios Piripkura; dois heróis ameríndios, Pud e Pudleré, criadores dos seres; um padre que foi engolido por uma onça que resolveu morar dentro de um lugar inesperado; um fazendeiro que matou um índio e o mesmo índio que o matou, por uma cantora que se perde na mata, por Macunaíma e seu irmão, os heróis dos Taurepang, e outros tantos.

 

A primeira fase do trabalho, que teve início em março de 2009, reuniu atores, dramaturgo, diretora, preparadora corporal, cenógrafo, e foi dedicada a tecer um diálogo com colaboradores convidados – antropólogos e estudiosos da cultura ameríndia para investigar quais as formas de aproximação, artística, deste universo. A segunda etapa da pesquisa, de julho de 2010 ajunho 2011, integrou o projeto O Trágico e o Animal contemplado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo – apresentou publicamente, na Casa Balagan, três Estudos Cênicos dos primeiros roteiros dramatúrgicos experimentados em sala de ensaio. Ainda como parte das pesquisas, em fevereiro de 2011 integrantes da Cia Teatro Balagan passaram um período de troca e convívio na aldeia Gapgir, junto ao Povo Indígena Paiter Suruí, em Rondônia.

 

Lançando o olhar para outras fontes de pesquisa, descobriu-se que em inúmeras cosmologias ameríndias, o mundo, os seres e as coisas são criados por uma dupla de gêmeos, que passam pelo mundo, para criar e desaparecer. Para os ameríndios o mundo sempre existiu – não houve um começo – somente as coisas e os seres não o habitavam. E o mundo já acabou diversas vezes, configurando um ciclo de construção e destruição constante.

 

“O espetáculo é nossa via poética, de resistência artística e desloca nossas perspectivas sobre a ideia de extinção, finitude, história, civilização, identidade, alteridade, animalidade e humanidade”, complementa a diretora Maria Thaís.

 

Serviço
Espetáculo “Recusa”, dias 25 e 26 de abril, às 20h, no Teatro Cláudio Barradas, localizado na Avenida Jerônimo Pimentel, 546, esquina com a Travessa D. Romualdo de Seixas, no bairro Umarizal, em Belém. Entrada franca.

 

*Fonte: http://www.cbnfoz.com.br/editorial/brasil/para/24042014-129733-historia-veridica-de-indios-reclusos-inspira-espetaculo-em-belem

Diário Online: Espetáculo Recusa chega a Belém

 

Ao completar 15 anos, a Cia de Teatro Balagan circula pelo Norte com o premiado espetáculo Recusa, contemplada com o Prêmio Funarte Myriam Muniz 2013.

 

Gargalhadas ressoam na floresta e chamam atenção. Assim, meio por acaso, aconteceu o primeiro contato com os dois últimos indivíduos de uma etnia considerada extinta há mais de 20 anos – os Piripkura. A notícia extraordinária se espalhou rapidamente e quando foi publicada no Jornal Folha de São Paulo despertou o interesse da Cia Teatro Balagan para a criação de um espetáculo inspirado exatamente na recusa dos índios em estabelecer qualquer contato com os brancos.

 

Entre a publicação da notícia, em 16 de setembro de 2008, e a estreia, em 4 de outubro de 2012, aconteceu um grande processo criativo envolvendo atores, diretora, dramaturgo, preparadora corporal, cenógrafo, antropólogos e outros estudiosos de culturas ameríndias, resultando no Recusa, espetáculo que já circulou por 23 cidades brasileiras; oito estados; todas as comunidades indígenas da cidade de São Paulo; além de Rondônia, onde foi apresentado aos parceiros indígenas Paiter Suruí, da Aldeia Gapgir, onde a equipe realizou uma troca cultural durante o processo de criação.

 

Recusa é narrado, cantado, por dois olhares e seus múltiplos: os dois índios Piripkura; dois heróis ameríndios, Pud e Pudleré, criadores dos seres; um padre que foi engolido por uma onça que resolveu morar dentro de um lugar inesperado; um fazendeiro que matou um índio e o mesmo índio que o matou; por uma cantora que se perde na mata; por Macunaíma e seu irmão, os heróis dos Taurepang e outros tantos.

 

Na turnê pelo Norte, o espetáculo já foi apresentado em Altamira, onde diversos povos indígenas lutam contra a construção devastadora da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, e chega a Belém produzido pelo Espaço Oficina Assim para duas apresentações no Teatro Claudio Barradas, nos dias 25 e 26 de abril, sexta e sábado próximos. Depois retornará a Rondônia com apresentações em Jí-Paraná, cidade onde um dos índios Piripkura esteve internado em hospital e depois fugiu, e Porto Velho, encerrando a turnê.

 

Em Belém, a Cia Balagan ainda promove no Claudio Barradas, a atividade formativa Diário de Campo de Recusa, no dia 25, das 9h às 10h30. Os integrantes da equipe trazem elementos da pesquisa e criação do espetáculo, como textos de referência, imagens fotográficas e vídeos da pesquisa de campo realizada em Rondônia para troca de experiências com atores, técnicos, produtores, artistas de teatro, preferencialmente.

 

As entradas para RECUSA e DIÁRIO DE CAMPO DE RECUSA são gratuitas e os ingressos serão distribuídos pouco antes de cada atividade.

 

*Fonte: http://www.diarioonline.com.br/entretenimento/cultura/noticia-283262-.html

G1 Pará: História verídica de índios reclusos inspira espetáculo em Belém

“Recusa” foi inspirado em índios que se negavam a ter contato com brancos. Peça traz os premiados atores Antonio Salvador e Eduardo Okamoto.

 

Do G1 PA

 

O Teatro Universitário Cláudio Barradas (TUCB), em Belém, será palco, nesta sexta (25) e sábado (26), às 20h, do Espetáculo “Recusa”, da Companhia de Teatro Balagan, com os premiados atores Antonio Salvador e Eduardo Okamoto. A encenação é de Maria Thaís e a dramaturgia de Luis Alberto de Abreu.

 

“Recusa”, começou a ser desenhado a partir do interesse despertado pela notícia veiculada nos jornais em 16 de setembro de 2008 sobre o aparecimento de dois sobreviventes, índios Piripkura – etnia considerada extinta há mais de vinte anos. Viviam nômades, perambulando por fazendas madeireiras no noroeste do Mato Grosso, próximo ao município de Ji-Paraná, em Rondônia, e ambos se recusavam a estabelecer qualquer contato com os brancos.

 

Foram encontrados porque suas gargalhadas ressoaram na floresta e chamaram atenção: eles riam das histórias que contavam um ao outro enquanto davam conta de comer a caça recém abatida. É narrado, cantado, por dois olhares e seus múltiplos: dois índios Piripkura; dois heróis ameríndios, Pud e Pudleré, criadores dos seres; um padre que foi engolido por uma onça que resolveu morar dentro de um lugar inesperado; um fazendeiro que matou um índio e o mesmo índio que o matou, por uma cantora que se perde na mata, por Macunaíma e seu irmão, os heróis dos Taurepang, e outros tantos.

 

A primeira fase do trabalho, que teve início em março de 2009, reuniu atores, dramaturgo, diretora, preparadora corporal, cenógrafo, e foi dedicada a tecer um diálogo com colaboradores convidados – antropólogos e estudiosos da cultura ameríndia para investigar quais as formas de aproximação, artística, deste universo. A segunda etapa da pesquisa, de julho de 2010 ajunho 2011, integrou o projeto O Trágico e o Animal contemplado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo – apresentou publicamente, na Casa Balagan, três Estudos Cênicos dos primeiros roteiros dramatúrgicos experimentados em sala de ensaio. Ainda como parte das pesquisas, em fevereiro de 2011 integrantes da Cia Teatro Balagan passaram um período de troca e convívio na aldeia Gapgir, junto ao Povo Indígena Paiter Suruí, em Rondônia.

 

Lançando o olhar para outras fontes de pesquisa, descobriu-se que em inúmeras cosmologias ameríndias, o mundo, os seres e as coisas são criados por uma dupla de gêmeos, que passam pelo mundo, para criar e desaparecer. Para os ameríndios o mundo sempre existiu – não houve um começo – somente as coisas e os seres não o habitavam. E o mundo já acabou diversas vezes, configurando um ciclo de construção e destruição constante.

 

“O espetáculo é nossa via poética, de resistência artística e desloca nossas perspectivas sobre a ideia de extinção, finitude, história, civilização, identidade, alteridade, animalidade e humanidade”, complementa a diretora Maria Thaís.

 

Serviço
Espetáculo “Recusa”, dias 25 e 26 de abril, às 20h, no Teatro Cláudio Barradas, localizado na Avenida Jerônimo Pimentel, 546, esquina com a Travessa D. Romualdo de Seixas, no bairro Umarizal, em Belém. Entrada franca.

 

*Fonte: http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2014/04/historia-veridica-de-indios-reclusos-inspira-espetaculo-em-belem.html

 

Daniele Sampaio participa do projeto TeatroSolo

 

Projeto reúne o artista Matías Umpierrez (Argentina), seu coordenador e diretor,  e Daniele Sampaio (Brasil), como coordenadora de produção.

 

TeatroSOLO é um projeto do artista argentino Matías Umpierrez que reúne intervenções teatrais desenvolvidas em locais específicos da cidade, construídas para serem assistidas por um espectador por vez. Neste programa na Oficina Cultural Oswald de Andrade, os artistas residentes serão dirigidos por Matías e participarão da criação das cenas individuais, cujos textos serão produzidos pelo artista argentino após seleção dos candidatos e definição dos locais das ações.

 

Além dos atores, também serão selecionados residentes de produção, que acompanharão todo o processo de montagem, fomentando a formação de agentes da cultura – o projeto priorizará a seleção de atores que produzem seu próprio trabalho, além de jovens produtores e estudantes interessados no intercâmbio cultural-artístico, na vivência prática das diferentes etapas da produção de um projeto cultural e na relação entre o processo de criação e a sua gestão.

 

O projeto acontece entre os dias 28 de julho e  20de agostos, com apresentações a partir de  15 de agosto.

 

Residência de atores
Público: atores, a partir de 18 anos, com disponibilidade de tempo integral durante o projeto
Importante: TeatroSOLO é uma experiência que exige condições extremas dos atores, que precisarão ter disponibilidade para fazer apresentações durante 7 horas diárias, 2 vezes por semana, durante 6 semanas, além das três semanas de ensaios com carga horária intensiva.
Inscrições: 10 a 24/4
Pré-seleção: currículo
Seleção presencial: de 5 a 9/5 (os atores pré-selecionados deverão apresentar um monologo de até 3 minutos)
8 vagas
Para se inscrever, clique aqui.

 

Residência de produtores:
Público: artistas-produtores e estudantes, a partir de 18 anos, com disponibilidade de tempo integral durante três semanas de ensaios e 6 finais de semana de apresentações.
Inscrições: 10 a 30/4
Pré-seleção: currículo
Seleção presencial: de 12 a 16/5 (entrevista)
10 vagas
Para se inscrever, clique aqui.

 

Matías Umpierrez é um artista interdisciplinar argentino que apresenta produções em formatos teatrais, audiovisuais e curatoriais, destacando-se como um dos artistas mais prolíficos de sua geração. Entre suas obras, destacam-se: “Distancia” (obra virtual para teatro, 2013), “TeatroSOLO” (intervenção Site Specific, 2013/2014), “Paisaje” (curta-metragem, 2013), “La tierra de las montañas calmas” (espetáculo teatral, 2010), “4 Mujeres Bailan” (vídeo, 2009), “Gente Favorita” (espetáculo teatral, 2008), “La flauta mágica” (ópera, 2007), “Cuionera Tropical” (performance, 2006) e “Novela” (espetáculo teatral, 2006). Apresentou seus trabalhos em instituições e festivais como Museu MALBA, El Cultural San Martín, Goethe-Institut, MoMA, The Lincoln Center Film Society, Festival Internacional de Buenos Aires, Festival de Cannes e Espacio Pirineos de España, entre outros. Desde 2007 é coordenador da área de teatro do Centro Cultural Rojas, da Universidade de Buenos Aires, onde tem desenvolvido muitos projetos curatoriais promovendo obras de mais de 70 diretores argentinos e estrangeiros. Tem desenvolvido uma ampla carreira como ator no teatro e no cinema. Ministrou master classes no The Lark Theater (Nova York), no Latino International Theater Festival of New York e no MICA (Mercado de Indústrias Culturais Argentinas). Ganhou a Beca Iberescena, menção honrosa de dramaturgia do Fondo Nacional de las Artes e, em 2013, foi destacado pela BGH como um dos 100 argentinos mais inovadores.

 

Daniele Sampaio, bacharel em Ciências Sociais pela Unicamp, é produtora do ator Eduardo Okamoto desde 2006 e sócia-proprietária da Produtora SIM Cultura. Aprovou diversos projetos em editais culturais e participou de importantes festivais nacionais e internacionais (Suíça, Espanha, Kosovo, Marrocos, Escócia e Polônia). Atualmente, é pesquisadora do Setor de Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa (Rio de Janeiro), instituição pública vinculada ao Ministério da Cultura.

 

*Fonte: http://www.oficinasculturais.org.br/programacao/detalhe-programacao.php?idprogramacao=3345

Diário da Amazônia: Balagan traz “Recusa” em maio para a Capital

 

A Companhia de Teatro Balagan, durante os dias 3 e 4 de maio próximos, em Porto Velho, apresentam o espetáculo “Recusa”. O evento está programado para acontecer no Sesc Esplanada em três sessões: dia 3 às 20h; dia 4 às 10:30 e às 20h. Recusa, mergulha na cosmovisão ameríndia, nas relações de encontro, estranhamento, trocas e negociações estabelecidas entre esses diversos seres, mundos e a cultura branca. O espetáculo estreou em 4 de outubro de 2012 inaugurando a programação teatral da Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro, na Praça Roosevelt em São Paulo.

 

O PROJETO

O projeto Recusa nasce em 2009 quando atores, diretora, dramaturgo, preparadora corporal e cenógrafo, instigados pela notícia “Funai recorre à Procuradoria para proteger área de 2 índios isolados”, deram início a um diálogo com antropólogos e estudiosos da cultura ameríndia, com o desejo de desenvolver um processo criativo a partir desse universo. Publicada nos jornais em 2008, a notícia mencionava o aparecimento de dois índios Piripkura, etnia considerada extinta há mais de 20 anos.

 

Durante todo o processo de criação a Cia Teatro Balagan, através dos Estudos Cênicos – composições cênicas elaboradas a partir de narrativas míticas ameríndias, estudos etnográficos, discursos políticos sobre as condições de terras ocupadas por povos indígenas, obras literárias, cantos e poesia ameríndia – tornou público, na Casa Balagan, o resultado da sua investigação.

 

Em fevereiro de 2011, a Cia realizou uma pesquisa de campo em Rondônia com o povo indígena Suruí Paiter, estabelecendo com eles uma troca cultural que vem se desdobrando em outros projetos.

 

A partir de 2011, a pesquisa desenvolve-se a partir dos roteiros dramatúrgicos que experimentam os modos de narração, a sonoridade e outros modos de construção verbal (como a desestruturação da língua portuguesa, quando falada pelos indígenas). Exploram também cantos de diversos povos indígenas, que fundamentam a linguagem e são eixos que guiam a criação, permitindo que mundos distintos interpenetrem-se, que múltiplos pontos de vista encontrem-se e alguns seres, como os espíritos, os animais e as coisas, expressem-se.

 

Em 1999, o grupo estreou o primeiro espetáculo, Sacromaquia (1999/2000). Desde então, foram criadas outras quarto obras: A Besta na Lua (2002/2004), Tauromaquia (2004/2006), Západ – A Tragédia do Poder (2006/2007), Prometheus – a tragédia do fogo (2011/2013) e Recusa (2012/2013). Em 2007 e 2008, realizou o projeto Do Inumano ao mais-Humano, que integrava duas ações de formação: uma voltada aos artistas da Cia e outra, o Formação do Olhar para o Teatro, voltada para aos espectadores.

 

Atualmente, a Balagan mantêm em repertório dois espetáculos: Prometheus – a tragédia do fogo e Recusa que, como outras ações desenvolvidas na Casa Balagan, integram o projeto Recusa e Prometeu: uma simetria invertida, contemplado na XIX edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

 

* Fonte: http://www.diariodaamazonia.com.br/balagan-traz-recusa-em-maio-para-a-capital/

“Recusa” na Região Norte

 

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Entre abril e maio, “Recusa” – o espetáculo da Cia Teatro Balagan em que Eduardo Okamoto é ator-convidado e Daniele Sampaio é diretora de produção – circula pela Região Norte do país: Altamira e Belém (Pará), Ji-Paraná e Porto Velho (Rondônia). Veja a programação completa abaixo.

 

O espetáculo foi inspirado em notícia de jornal , de 2008, em que se relatava o aparecimento, em Rondônia, de dois indivíduos da etnia Piripkura, considerada extinta há mais de 20 anos. A notícia serviu de porta de entrada para os criadores do trabalho mergulharem em estudos e intercâmbios acerca da cultura ameríndia.

   

A circulação pelo norte do país adquire contornos políticos, sociais e poéticos muito especiais, ressignificando a obra e a experiência da viagem. Ji-Paraná é a cidade em que, com apêndice quase supurado, um dos Piripkura foi internado para tratamento, fugindo para a mata dois dias depois da cirurgia. Altamira é cidade localizada  a 55 km do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte: uma importante circunstância para pensamos o tipo de progresso que ainda continuamos a construir como pátria – mobilizado quase que exclusivamente por interesses econômicos e deixando muitos, como as comunidades indígenas, à margem do processo.

 

A fim de se ampliar estes debates, o espetáculo é acompanhado de uma ação de formação, nomeada “Diário de Campo de Recusa”, em que seus criadores relatam seu processo em imagens, vídeos e leituras de textos e trocam experiências com as comunidades locais.

 

Já começou! “Recusa”, tal qual o povo nômade Piripkura que é narrado no espetáculo, “Anda, anda, anda. Para não, nunca!”

 

Serviço: “Recusa” no Norte 
Altamira (Pará)
Espetáculo nos dias 18 e 19 de abril, às 19h
“Diário de Campo de Recusa” no dia 19 de abril, às 15h
Escola Dom Clemente Geiger
Rua Antonio Vieira, 122
Bairro de Brasília
(93) 9135 1505 / 9171 8710
Entrada franca

 

Belém (Pará)
Espetáculo nos dias 25 e 26 de abril, às 20h
“Diário de Campo de Recusa”, no dia 25 abril, às 9h
Teatro Cláudio Barradas
Trav. Jerônimo Pimentel, 546
Bairro do Umarizal
(91) 3249 0373
Entrada franca

 

Ji-Paraná (Rondônia)
Espetáculo nos dias  01 e 02 de maio, às 20h
“Diário de Campo de Recusa” no dia 02 de maio, às 10h30
Teatro Dominguinhos
Av. Marechal Rondon, 295
Centro
(69) 3422 8848
Entrada franca

 

Porto Velho (Rondônia)
Espetáculo nos dias 03 e 04 de maio, às 20h
“Diário de Campo de Recusa” no dia 04  de maio, às 10h30
SESC Esplanada
Av. Presidente Dutra, 4175
Olaria
(69) 3229 6006/ ramal: 238 ou 239
Entrada franca

“Recusa” em Temporada Paulistana

 

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Espetáculo da Cia Teatro Balagan em que Eduardo Okamoto é ator-convidado e Daniele Sampaio é diretora de produção estreia em curtíssima temporada na Oficina Cultural Oswald de Andrade, na capital paulista. A entrada é gratuita com retirada de ingressos 30 min. antes do início da seção.  A temporada acontece de 19 de março a 12 de abril de 2014, de quarta a sábado, às 20h.   

 

“Recusa” foi criado a partir do interesse despertado pela notícia veiculada no Jornal Folha de S. Paulo, em 16 de setembro de 2008 sobre o aparecimento de dois sobreviventes, índios Piripkura – etnia considerada extinta há mais de vinte anos. Viviam nômades, perambulando por fazendas madeireiras no noroeste do Mato Grosso, próximo ao município de Ji-Paraná, em Rondônia, e ambos se recusavam a estabelecer qualquer contato com os brancos. Foram encontrados porque suas gargalhadas ressoaram na floresta e chamaram atenção: eles riam das histórias que contavam um ao outro enquanto davam conta de comer a caça recém abatida.

“Recusa” é narrado, cantado, por dois olhares e seus múltiplos: dois índios Piripkura; dois heróis ameríndios, Pud e Pudleré, criadores dos seres; um padre que foi engolido por uma onça que resolveu morar dentro de um lugar inesperado; um fazendeiro que matou um índio e o mesmo índio que o matou, por uma cantora que se perde na mata, por Macunaíma e seu irmão, os heróis dos Taurepang, e outros tantos.

 

Equipe de Criação
Na criação de “Recusa”, as funções da equipe encontram espaços de transição, ora os atores são propositores de matérias para a dramaturgia, ora a direção provoca-os à pesquisa de composição do espaço, ora pessoas de fora da cena dialogam com os estudos apontando escolhas que interferem na composição. Nesta obra, o entendimento sobre os saberes, as maestrias que atuam no trabalho cênico (direção, dramaturgia, atuação, iluminação, música etc.) dizem respeito não tão somente ao autor designado, mas a especificidade de sua arte na composição de um trabalho que é múltiplo e comum.

 

Ficha Técnica: 
ATUAÇÃO: Antonio Salvador e Eduardo Okamoto (ator convidado)
ENCENAÇÃO: Maria Thaís
DRAMATURGIA: Luís Alberto de Abreu
CENOGRAFIA E FIGURINO: Márcio Medina
ILUMINAÇÃO: Davi de Brito
DIREÇÃO MUSICAL: Marlui Miranda
PREPARAÇÃO DE BUTOH: Ana Chiesa Yokoyama
ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO: Gabriela Itocazo
ASSISTÊNCIA DE CENOGRAFIA: César Santana
ASSISTÊNCIA DE ILUMINAÇÃO: Vânia Jaconis
OPERAÇÃO DE LUZ: Bruno Garcia
ADMINISTRAÇÃO: Deborah Penafiel
COSTUREIRA: Judite Lima
FOTOGRAFIA MATERIAL GRÁFICO E DIVULGAÇÃO: Ale Catan
PROJETO GRÁFICO: daguilar.com.br
ARTE GRÁFICA CIA TEATRO BALAGAN: Gustavo Xella
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Norma Lyds
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Daniele Sampaio

 

Premiações

PRÊMIO SHELL DE TEATRO 2012
Direção – Maria Thaís
Cenário – Márcio Medina

 

PRÊMIO APCA – ASSOCIAÇÃO PAULISTA DOS CRÍTICOS DE ARTE 2012
Ator – Antonio Salvador e Eduardo Okamoto

 

PRÊMIO COOPERATIVA PAULISTA DE TEATRO 2012
Espetáculo de Sala
Projeto Sonoro – Marlui Miranda

 

PRÊMIO FITA – FESTA INTERNACIONAL DE TEATRO DE ANGRA 2013 – RJ 
Cenário – Márcio Medina

 

8 INDICAÇÕES
Prêmio Shell – Ator, Música 
Prêmio CPT – Dramaturgia, Direção, Elenco, Projeto Visual
Prêmio FITA – Categorial Especial – Cia Teatro Balagan – Pesquisa de Linguagem, Música 

 

“Recusa” na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo
De 19 de março a 12 de abril
Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo – SP
Telefone: (11) 3222-2662/ (11) 3221-4704
Entrada franca
Ingressos distribuídos com 30 min. de antecedência
50 lugares

 

ABCD Maior: “As Múltiplas Visões Indígenas sobre o Mundo”

 

Por Marina Bastos

 

Recusa, montagem premiada de Luis Alberto de Abreu, será apresentada nesta sexta-feira no Sesc Santo André

 

A história de Recusa começou a ser desenhada a partir de uma notícia veiculada pela imprensa em 2008 sobre o aparecimento de dois sobreviventes, índios Piripkura – etnia considerada extinta há mais de 20 anos. Viviam nômades, perambulando por fazendas madeireiras no Mato Grosso, próximo ao município de Ji-Paraná, em Rondônia, e ambos se recusavam a estabelecer qualquer contato com os brancos. Foram encontrados porque suas gargalhadas chamaram atenção: eles riam das histórias que contavam um ao outro enquanto davam conta de comer a caça.

 

Antonio Salvador, um dos atores do espetáculo, explicou que do dia que a notícia foi veiculada até a estreia da peça, passaram-se três anos e meio. “O grupo Balagan faz processos bem aprimorados, mas esse foi especial. A diretora Maria Thais foi enfática ao dizer que nós não conhecíamos aqueles povos, não era nossa cultura, portanto faríamos um movimento lento de criação. Por respeito”, contou o ator, que divide o palco com Eduardo Okamoto. A dupla conquistou o Prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte 2012, na categoria “melhor ator”. A encenação poderá ser conferida nesta sexta-feira (07/03) no Sesc Santo André.

 

O grupo evita o termo “personagem” e prefere adotar “figuras”. O texto é narrado e cantado por dois índios Piripkura Pud e Pudleré, criadores dos seres; um padre que foi engolido por uma onça que resolveu morar dentro de um lugar inesperado; um fazendeiro que matou um índio e o mesmo índio que o matou; por uma cantora que se perde na mata; por Macunaíma e seu irmão, os heróis dos Taurepang, além de outras duplas, inclusive dois porcos.

 

Como parte das pesquisas, em fevereiro de 2011 integrantes da Cia. Teatro Balagan passaram um período de troca e convívio na aldeia Gapgir, junto ao povo indígena Paiter Suruí, em Rondônia. “Foi muito interessante e é difícil traduzir em palavras. Trata-se de um povo curioso por excelência. Mas, mais que isso, eles exigem um pacto. Tudo é relação de troca e, nesse caso, nós vivenciamos a cultura indígena e eles vivenciaram o teatro.”

 

O grupo ofereceu oficinas cênicas e o escambo foi além, pois este ano os índios montaram uma peça.

 

Precisamos reconhecer o que não somos
Para compor o enredo, o dramaturgo Luis Alberto de Abreu se valeu de uma série de fontes como notícias de jornais, textos antropológicos, estudos místicos e entidades políticas ligadas à causa indígena. Essa diversidade de material multiplicou também os pontos de vista do relato jornalístico que deu origem ao projeto Recusa. “Índios não são uma coisa só, existem mais de 230 etnias, 230 linguagens e a mesma quantidade de visões de mundo. Não queremos representar essas visões, mas dialogar com elas”, explicou Antonio Salvador.

 

O ator relatou que é muito comum escutar dos espectadores que não houve identificação. “Daí penso que alcançamos o êxito, pois não é para ninguém se identificar, aquilo não é sobre você. Precisamos reconhecer o que não somos nós.”

 

A diretora Maria Thaís complementou que o espetáculo é a via poética da resistência. “Desloca nossas perspectivas sobre a ideia de extinção, finitude, história, civilização, identidade, alteridade, animalidade e humanidade.”

 

A peça conquistou diversos prêmios, entre eles Prêmio Shell de Teatro 2012; Prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte 2012; Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro 2012; além de seis indicações ao Prêmio Shell de Teatro 2012.

 

Serviço
Peça Recusa – Sexta-feira (07/03), às 21h, no Sesc Santo André (rua Tamarutaca, 302, Vila Guiomar)
Ingressos de R$ 4 até R$ 20. Informações: 4469-1200.

 

 * Fonte: http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=57492