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“OE” em Recife

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Está chegando: “OE” em João Pessoa

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“OE” em João Pessoa

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Está chegando: “OE” no Fiac Bahia

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“OE” no Fiac Bahia

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Está chegando: “OE” em Alagoinhas, na Bahia

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“OE” em Alagoinhas, na Bahia

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“OE” no Nordeste do Brasil

OEEspetáculo inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo OeCom Eduardo OkamotoEncenação de Marcio AurelioDramaturgia inédita de Cássio Pires

“OE”, espetáculo solo do ator Eduardo Okamoto com direção de Mracio Aurelio e dramaturgia de Cássio Pires,  circula por cidades do Nordeste do Brasil: Alagoinhas e Salvador (Bahia), João Pessoa (Paraíba), Recife (Pernambuco), Parnamirim e Natal (Rio Grande do Norte). O projeto de circulação, intitulado “‘OE’: modos de fazer”, foi contemplado com o Prêmio Myriam Muniz da Funarte – Fundação Nacional das Artes e prevê, além das apresentações do trabalho, interações entre parte da sua equipe, a plateia e artistas locais em bate-papo e intercâmbio. A programação em cada cidade será divulgada, nos próximos meses, nesta página.

 

O projeto de circulação, assim como o espetáculo, é inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe – laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, em 1994. A enfermidade do próprio filho, deficiente intelectual, é recorrente na obra do autor, que inclui contos, escritos políticos, romances e um importante ensaio sobre Hiroshima. Além de escritor renomado, Kenzaburo Oe é conhecido mundialmente por seu ativismo contra armas e uso de energia nucleares. Espantosamente, o seu trabalho relaciona autobiografia, ficção, mitologia, fatos históricos, comentários sobre arte e política. Para ele, “[há uma conexão] entre a violência em escala mundial, representada por artefatos nucleares, e a violência existente no interior de um único ser humano”. Por isso, a sua tarefa como escritor está imbuída da escolha da “imaginação como metodologia de observação do mundo contemporâneo.”

 

“‘OE’: modos de fazer”, toma uma das peculiaridades da obra de Kenzaburo Oe (a firme correlação entre a criação artística e a atuação do artista como cidadão) como mote para a circulação do espetáculo “OE” por cidades nordestinas. A fim de potencializar esta correlação, o projeto compreende, além da apresentação do espetáculo, encontros públicos: bate-papo de Eduardo Okamoto com a audiência, conversando sobre a obra de Oe, após a primeira sessão em cada cidade;  intercâmbios entre o ator, a diretora de produção do trabalho, Daniele Sampaio, e artistas, gestores de espaços ou coletivos de pesquisa em teatro acerca das relações entre crise e criação artística.

 

Na trama do espetáculo, um escritor, ao se dar conta da possibilidade da própria morte, escreve para um filho, deficiente intelectual, um livro com a definição de todas as coisa existentes no mundo: vida, falecimento, sonho, sociedade etc.

 

O espetáculo estreou na Mostra Oficial do Festival de Curitiba de 2015. Em São Paulo, no mesmo ano, fez duas temporadas bem sucedidas de público e crítica: no Sesc Consolação, entre 04/05 e 03/06, e na SP Escola de Teatro, de 08 a 24/6. O trabalho já circulou por festivais, como o FILO – Festival Internacional de Teatro de Londrina, e pelo interior paulista com financiamento do PROAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.

 

O processo de pesquisa para a obra incluiu um estágio de Eduardo Okamoto, em fevereiro de 2014, no Kazuo Ohno Dance Studio, no Japão. O espetáculo foi financiado com recursos do Prêmio Myriam Muniz 2013, da Funarte, e do Faepex da UNICAMP.

“Eldorado” e “Noites Árabes em S. J. Campos

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A Mostra Agosto Popular recebe espetáculo solo e sob direção de Eduardo Okamoto. As apresentações acontecem nos dias 27 e 28 de agosto, às 20h, no CAC Walmor Chagas. A entrada é gratuita.

 

“Eldorado” é um solo de Eduardo Okamoto, com direção de Marcelo Lazzaratto e dramaturgia de Santiago Serrano. O espetáculo é resultado de estudos do ator sobre a tradução da rabeca – instrumento de arco e cordas, como o violino, muito presente em manifestações diversas da cultura popular do Brasil. No espetáculo, acompanhado  por uma “Menina”, um cego busca encontrar o que nenhum homem pôde jamais: Eldorado.

 

“Noites Árabes” é dirigido por Okamoto e tem dramaturgia de Isa Kopelman. Em cena, os atores do Vila8 – grupo criado e coordenado pelo diretor a partir de sua atuação docente na UNICAMP. Na encenação, cinco atores sobre um tapete narram histórias do conflito judeu-palestino nos moldes da “Mil e Uma Noites”.

 

As apresentações encerram a Mostra Agosto Popular de Teatro, uma realização da Cia Teatro da Cidade, de São José dos Campos. A mostra já está na sua terceira edição e tem apoio do PROAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.

 

Serviço
“Noites Árabes” em São José dos Campos
Dia 27 de agosto, às 20h

 
“Eldorado” em São José dos Campos
Dia 28 de agosto, às 20h

 
CAC Walmor Chagas
Rua Netuno, 41, Jardim da Granja, São José dos Campos – SP
Informações: (12) 3941.7631
www.ciateatrodacidade.com.br

 
Ingressos gratuitos

 

“OE” em Goiânia

OEEspetáculo inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo OeCom Eduardo OkamotoEncenação de Marcio AurelioDramaturgia inédita de Cássio Pires

 

Eduardo Okamoto apresenta o solo “OE” no “Manga de Vento”, uma mostra internacional de artes da cena. A apresentação acontece no dia 04 de agosto, às 20h, no Teatro SESC Centro.

 

“OE” é livremente inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, especialmente no romance “Jovens de um novo Tempo, Despertai!”. Como em outras obras deste autor, a sua relação com o filho deficiente intelectual é impulso para reflexões sobre o mundo contemporâneo e a função da arte neste contexto. Partindo de um amplo estudo do trabalho de Oe, o dramaturgo Cássio Pires escreveu uma obra inédita: espécie de poema para a cena que procura, na síntese do texto em verso, um equivalente à prosa do autor japonês.

 

A pesquisa sobre a obra de Oe foi o trampolim fundante do espetáculo. Isso não foi tudo, porém. Além disto, Okamoto deu continuidade ao estudo da criação de dramaturgias corporais. Para isto, realizou um estágio curto no Kazuo Ohno Dance Studio, no Japão. Ali, estudou princípios da dança Butô com Yoshito Ohno – filho de Kazuo Ohno, criador, ao lado de Tatsumi Hijikata, desta dança japonesa nascida no pós-guerra.

 

No espetáculo “OE”, o encenador Marcio Aurelio vale-se de dramaturgias físicas e textuais para orquestrar um solo fundado na tríade espaço, corpo e palavra.

 

Okamoto em Goiânia
Esta é a terceira estada do ator na capital de Goiás. Em 2008, o ator apresentou “Agora e na Hora de Nossa Hora” no  III Festival Internacional de Teatro Corpo Ritual. Mais tarde, em 2010, Okamoto apresentou uma mostra retrospectiva de seu trabalho, com financiamento do Prêmio Myriam Muniz, durante o V Encontro de Atores Criadores.

 

Agora, depois de seis anos desde a sua última apresentação em Goiânia, Eduardo Okamoto leva “OE” como parte da programação do “Manga de Vento”. A mostra estende-se por todo o ano, de abril a novembro, e toma como título estes indicadores, espécies de birutas, que auxiliam na observação e análise da orientação eólica. O nome indica, ao mesmo tempo, a metáfora do intercambiar experiências e da orientação para a inovação da linguagem cênica.

 

Idealizado por Kleber Damaso, bailarino, pesquisador e professor da UFG, o “Manga de Vento” é coordenado por ele e pelo produtor cultural Guilherme Wolhgemuth. O projeto tem apoio institucional do Fundo Estadual de Cultura (Seduce) e da Lei Municipal de Incentivo.

 

Ficha Técnica de “OE”
Encenação e iluminação: Marcio Aurelio
Dramaturgia: Cássio Pires
Atuação: Eduardo Okamoto
Assistência de direção: Lígia Pereira
Assistência de iluminação: Silviane Ticher
Orientação corporal: Ciça Ohno
Figurino e Cenografia: Marcio Aurelio
Assistente de Figurino e Cenário: Maurício Schneider
Fotografia: Fernando Stankuns
Registro em vídeo: Bruno Jorge
Design gráfico: LuOrvat Design
Orientação pedagógica do projeto: Suzi Frankl Sperber
Coordenação Técnica: Silvio Fávaro
Assistente de produção: Mariella Siqueira
Direção de produção: Daniele Sampaio | SIM! Cultura
Gênero: Drama
Classificação Indicativa: 12 anos
Duração: 70 minutos

 

Serviço
“OE” no Manga de Vento
Local: Teatro SESC Centro – Rua 15, esquina com a Rua – R. 19 – St. Central, Goiânia – GO, 74030-090
Data: 04 de agosto de 2016
Horário: 20h
Ingressos: R$ 15,00 (inteira), R$ 7,50 (meia) e R$ 5,00 (comerciário). Os ingressos estarão à venda a partir de julho na Central de Atendimento do SESC Goiânia e pelo site bilheteriadigital.com.
Mais informações, aqui.

 

“OE” na inaguração do SESC Registro

OE, espetáculo inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo OeCom Eduardo OkamotoEncenação de Marcio AurelioDramaturgia inédita de Cássio Pires

 

Espetáculo solo de Eduardo Okamoto, com encenação de Marcio Aurelio e dramaturgia de Cássio Pires será apresentado no dia 30 de julho, às 20h, no Complexo Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha – K.K.K.K.

 

“OE” é livremente inspirado na obra de Kenzabur Oe, especialmente no romance “Jovens de um Novo Tempo, Despertai!”. Na obra, um escritor procura definições de todas as coisas existentes no mundo para o seu filho com deficiência intelectual.  Tomando a obra de um  escritor nipônico como mote para a sua criação, o trabalho será agora apresentado em Registro, cidade que possui grande contingente de imigrantes japoneses e seus descendentes.

 

A apresentação é parte da programação de inauguração do SESC Registro, primeira unidade do SESC no Vale do Ribeira. A unidade funciona aos sábados e domingos, a partir das 10h, com atividades culturais e esportivas. Os dois primeiros finais de semana do seu funcionamento (iniciado em 23 de julho) contam com atividades como show de Arnaldo Antunes, espetáculos de teatro, dança e circo.

 

Para se instalar na região, o SESC assinou contrato de uso do Complexo K.K.K.K. por 99 anos. Os mais de vinte mil metros quadrados do complexo cultural distribuem-se por quatro armazéns. O local histórico, já abrigou as instalações da Companhia Ultramarina de Desenvolvimento, ou “Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha”, nascida em Tóquio, em 1913.  O seu objetivo inicial era apoiar e instrumentalizar os imigrantes japoneses a caminho do Brasil. Marco da imigração nipônica na região do Vale do Ribeira, o conjunto arquitetônico K.K.K.K. foi construído em 1919, às margens do Rio Ribeira.

 

Ficha Técnica de “OE”
Encenação e iluminação: Marcio Aurelio
Dramaturgia: Cássio Pires
Atuação: Eduardo Okamoto
Assistência de direção: Lígia Pereira
Assistência de iluminação: Silviane Ticher
Orientação corporal: Ciça Ohno
Figurino e Cenografia: Marcio Aurelio
Assistente de Figurino e Cenário: Maurício Schneider
Fotografia: Fernando Stankuns
Registro em vídeo: Bruno Jorge
Design gráfico: LuOrvat Design
Orientação pedagógica do projeto: Suzi Frankl Sperber
Coordenação Técnica: Silvio Fávaro
Assistente de produção: Mariella Siqueira
Direção de produção: Daniele Sampaio | SIM! Cultura
Gênero: Drama
Classificação Indicativa: 12 anos
Duração: 70 minutos

 

Serviço: “OE” no SESC Registro
30 de julho, às 20h, no K.K.K.K.
Ingressos gratuitos podem ser retirados com uma hora de antecedência
Para mais, informações, clique aqui.

Eonline: “Sobre os excluídos do mundo”

 

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Há 23 anos, oito meninos de rua eram assassinados enquanto dormiam na porta de uma igreja, no Rio de Janeiro. No último dia 2 de junho, um menino de 10 anos é morto em uma perseguição policial na cidade de São Paulo.

 

Por que cotidianamente repetem-se acontecimentos tão trágicos? Eduardo Okamoto aprofunda este debate na peça Agora e na Hora de Nossa Hora, que terá única apresentação no dia 22/6 no Sesc Taubaté.

 

Evitando sentenciar culpados, o ator lança um olhar sobre a vida dos meninos de rua, como fruto de um trabalho que começou nas oficinas em que atuava como arte-educador na cidade de Campinas e se desenvolveu numa profunda pequisa histórica e comportamental, em que chegou a passar uma madrugada inteira na rua.

 

“Ainda acredito na força do teatro no debate das questões fundamentais do convívio”
Eduardo Okamoto

 

Nesta entrevista, Okamoto fala sobre suas experiências durante a criação e circulação do espetáculo, sobre a amplianção do debate por meio do seu blog e sobre como descobriu na peça um caráter universal, ao apresentá-la em seis países diferentes.

 

Eonline: No ano em que aconteceu a Chacina da Candelária você era um jovem adolescente. Você se lembra da notícia na época?
Eduardo Okamoto: Quase nada. Lembro de uma certa sensação, da percepção de que algo grave havia acontecido. A minha relação com os meninos de rua era aquela que a maior parte dos cidadãos de classe média mantém: uma certa oscilação entre compaixão e medo – o que, de certa maneira, resultava numa certa distância. Assim, apesar de não me recordar com precisão dos fatos, lembro que não sabia ao certo nem como me posicionar e de quem cobrar responsabilidades.

 

Eonline: Como aconteceu a sua aproximação com esta história, já adulto e profissional do teatro?
Eduado Okamoto: Em 2002, depois de formado em Artes Cênicas na UNICAMP, fui chamado a participar de projetos sociais envolvendo teatro e situações de risco social. Entre estes projetos, ajudei a fundar, em Campinas, o projeto Gepeto – transformando sonhos em realidade, da Ong ACADEC. Nestas oficinas, eu não pretendia criar um espetáculo de teatro como ator, mas apenas trabalhar como arte-educador.
Porém, a experiência com os meninos de rua era tão intensa que eu realmente comecei a sentir a necessidade de exprimir artisticamente aquela vivência. Daí, comecei a observar e recolher modos de agir, gestos, pensamentos, música etc. Estas observações se estenderam, depois, para as ruas de Campinas, São Paulo (onde cheguei a passar uma madrugada na rua) e no Rio de Janeiro.
No Rio, comecei a estudar a Chacina da Candelária, recolhendo aproximadamente 400 matérias de imprensa sobre o acontecido. Tomei a decisão, então, de encenar o fato histórico.
A Chacina da Candelária me pareceu um acontecimento revelador de uma conduta da sociedade brasileira. Veja: o segundo país mais católico do mundo, a nação que se reconhece como o país do futuro, mata crianças (e, portanto, o futuro!) na porta da igreja. Ali, naquela calçada da Candelária estavam expostas muitas das nossas contradições como povo. Assim, encenar a chacina não significa apenas falar da matança de meninos pobres, mas dar vazão a um aprendizado, algo análogo àquilo, que senti na oficinas do projeto “Gepeto”: o impulso de vida dos meninos tem muito a nos ensinar, mas perdemos todo este potencial de vida a cada esquina…

 

Eonline: Em quais países você apresentou o espetáculo Agora e na Hora de Nossa Hora?
Eduardo Okamoto: Espanha, Suíça, Kosovo, Marrocos, Escócia e Polônia.

 

Eonline: Como você se sentiu apresentando no exterior uma obra inspirada em uma história brasileira tão chocante e recente?
Eduardo Okamoto: Fiquei e fico surpreso com a recepção no exterior. Quando criei a obra, pensava tratar de um tema brasileiro destinado ao debate com um público brasileiro. Porém, de algum modo, no exterior, a temática ultrapassa sua singularidade e adquire caráter universal. É como se falássemos dos excluídos do mundo, de todos aqueles que estão à margem do banquete da globalização.

 

Eonline: Quais foram as reações do público nessas apresentações?
Eduardo Okamoto: Há variações. Por exemplo, na Suíça e na Escócia, parte da audiência não conseguia alcançar as ambiguidades sociais todas: “Por que, afinal de contas, a policia mata crianças?”, perguntavam. Eu tentava responder, fingindo saber a resposta: a polícia aperta o gatilho, mas, na verdade, atende a uma demanda de uma sociedade excludente e que não sabe como lidar com a infância em situação de risco. E dada a resposta, ainda ecoava em mim a pergunta: como convivemos tão bem com uma instituição do Estado que mata gente pobre pelo fato de ser pobre?
No Kosovo, país que, em 2007, acabava de sair de uma das mais sangrentas guerras da segunda metade do século XX, as cenas de violência pareciam ainda mais violentas e a plateia parecia, a partir da dor dos meninos de rua, sentir a própria dor.
No Marrocos, nas primeiras cenas em que fico sem camisa, aproximadamente cinco mulheres em suas tradicionais vestes, cobrindo quase que inteiramente o rosto, deixam a sala de apresentação.
Na segunda ocasião em que estive na Espanha (apresentei lá em 2006 e 2012), a crise mundial fez com que a plateia estivesse muito identificada com os marginalizados. Eu gritava por todos, parecia.
De qualquer modo, o espetáculo apresenta uma força surpreendente: não tenho agente no exterior, e estas apresentações todas só aconteceram porque alguém viu num festival e me convidou para um outro evento.

 

Eonline: Você usa o seu blog como uma ferramenta complementar para seus projetos. De modo geral, ainda não é uma prática muito difundida entre atores. Por que a decisão de trabalhar sua obra em primeira pessoa na internet?
Eduardo Okamoto: Porque para mim o teatro é convívio. Ainda acredito na força do teatro no debate das questões fundamentais do convívio, como acontecia na Pólis grega. Assim, eu gostaria de convier por mais tempo com meus espectadores, ampliar o debate. Por isso, escrevo expressando experiências de pesquisa, pontos de vista, reunindo críticas (inclusive aquelas que não me afagam). O importante é tentar estender o debate para além do tempo do espetáculo.
Quero deixar claro que, apesar de ser também um professor universitário e pesquisador acadêmico, no blog não procuro explicar os meus trabalhos. As obras são abertas e entregues à interpretação do espectador. Trata-se de abrir referências e ampliar o debate – o que é diferente de tentar justificar as minhas escolhas como artista.
Este mesmo impulso de refletir em diferentes mídias me levou a escrever um livro Hora de Nossa Hora: o menino de rua e o brinquedo circense, da Editora Hucitec.

 

Eonline: Em 2011 você realizou duas séries de 18 apresentações, que marcavam os dezoito anos que haviam se passado da chacina. Na época, foi feita a seguinte provocação: “fomos capazes, como povo, de amadurecer um projeto social diverso daquele que assassinou crianças e adolescentes 18 anos atrás?”. Hoje, passados mais cinco anos, como você responde à essa mesma provocação?
Eduado Okamoto: A morte de um menino de 10 anos numa perseguição policial, em São Paulo, responde por si só a pergunta. De alguma maneira, insistimos em não aprender com as próprias experiências.
Em Campinas, cidade onde vivo, a prefeitura comemorou, no ano passado, o fim da situação de rua entre crianças e adolescentes, na cidade. Porém, uma rápida conversa com educadores sociais que trabalham com esta população revela que, na verdade, os meninos deixaram de estar no centro da cidade, sendo afastados para bairros periféricos justamente pela violência policial.
É sobre isso que falo quando retomo a Chacina da Candelária: a história é, no caso, o modelo revelador de uma conduta social.
Para ser sincero, há algum tempo penso em parar de fazer esta peça. É duro conviver com este tema. É fisicamente e emocionalmente desgastante conviver com Agora e na Hora de Nossa Hora. Mas a cada acontecimento como estes que ora retomei, lembro de uma função social do teatro que não pode ser silenciada.

 

Eonline: Que análise você faz da atuação da mídia em casos violência envolvendo crianças e adolescentes, entre a missão de informação e o sensacionalismo?
Eduardo Okamoto: A mídia é parte da sociedade e, assim, ecoa todas as suas contradições. Quero responder com uma experiência pessoal. Nas oficinas de circo do projeto “Gepeto”, vi meninos retomarem contatos com suas famílias, deixarem o uso do crack, saírem das ruas… tudo isso porque participavam de atividades simples, como fazer malabarismos com pedrinhas de trilho de trem. Espantosamente, no entanto, a sociedade parecia não saber acolher meninos que procuravam transformar suas vidas e, como resultado, muitos acabavam voltando a viver nas ruas. Ou seja, a mesma sociedade que se diz incomodada com a miséria, empurra meninos e meninas para os limites da exclusão.
Estas contradições todas, insisto, estão na mídia. Há gente interessada no debate profundo – lembro de Hebert de Sousa, o Betinho, que, depois da Chacina da Candelária, fundou um dos mais belos projetos sociais que já conheci: o Se Essa Rua Fosse Minha. E há, claro, também aqueles que só querem vender jornal ou sabão em pó durante as chamadas comerciais. O que penso deles?  Deixo-os com as sua própria consciências.
Digo tudo isso porque não gosto, neste tema, de apontar o dedo procurando culpados. A tarefa é mais árdua e dolorida, parece-me. É necessário que cada um de nós reconheça o seu quinhão de responsabilidade ou omissão com o tema da situação de rua. Caso contrário, contribuiremos para continuarmos a sermos quem somos: todo mundo grita, todo mundo tem razão, mas nada muda.

 

*Fonte: http://www.sescsp.org.br/online/artigo/10112_SOBRE+OS+EXCLUIDOS+DO+MUNDO#/tagcloud=lista

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Taubaté

 

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Solo de Eduardo Okamoto, dirigido por Verônica Fabrini volta à Região do Vale do Paraíba. Sessão acontece às 20h30, no SESC Taubaté. Os ingressos são gratuitos.

 

A rua e nossas mortes cotidianas
“Agora e na Hora de Nossa Hora” é um espetáculo sobre meninos de rua, especialmente sobre a Chacina da Candelária, quando, em 1993, oito meninos de rua foram assassinados por policiais, no Rio de Janeiro. Na obra, o fato histórico é apresentado como modelo revelador de uma condita social: os policiais apertam disparam tiros, mas há uma sociedade conivente e socialmente excludente que pressiona policiais,  o braço armado do Estado, a assassinar gente pobre. No momento em que são debatidas as condições em que um menino de dez anos foi morto por policiais militares de São Paulo, é, portanto, bastante oportuna a apresentação do espetáculo.

Para criar “Agora e na Hora de Nossa Hora”, Eduardo Okamoto interagiu com meninos de rua em oficinas de circo do “Projeto Gepeto”, da ONG Acadec, em Campinas. Não só. Também realizou pesquisas de campo nas ruas de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. O seu trabalho primeiro foi o de realizar uma espécie síntese etnográfica: modos de agir dos meninos de rua.

A  dramaturgia final do espetáculo foi criada a partir da combinação destes materiais documentais (as pesquisas de campo e o estudo da Chacina da Candelária) com trechos retirados de “Macário”, conto do escritor Juan Rulfo.

 

Vale do Paraíba
Não é a primeira vez que Eduardo Okamoto se apresenta no vale do Paraíba. O ator mantém relações constantes com seus cidadãos e com a sua comunidade de artistas.

O solo “Eldorado” já foi apresentado no SESC São José dos Campos, no SESI da mesma cidade (durante o Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba -Festivale) e na abertura do Festival de Teatro de Taubaté. “Agora e na Hora de Nossa Hora” já se apresentou no SESC São José dos Campos e no Festivale. “Recusa”, espetáculo da Cia Teatro Balagan em que Okamoto é ator-convidado, também compôs a programação do Festivale.  O solo “OE” apresentou-se recentemente no SESC São José dos Campos.

Em muitas destas oportunidades Okamoto ministrou oficinas e realizou bate-papos públicos.

Em agosto, o ator deverá retornar á São José dos Campos apresentando o solo “Eldorado” e “Noites Árabes”, espetáculo sob sua direção,  no CAC Walmor Chagas.

 

Serviço
“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Taubaté
Dia: 22 de junho de 2016
Hora: 20h30
Local: SESC São Taubaté
Endereço: Avenida Engenheiro Milton de Alvarenga Peixoto, 1264, Esplanada Santa Terezinha
Ingressos gratuitos
Mais informações aqui.

 

Ficha técnica do espetáculo
Criação e atuação: Eduardo Okamoto
Direção: Verônica Fabrini
Assistência de direção: Alice Possani
Pesquisa e execução musical: Paula Ferrão
Música: “Bachianas Brasileiras no 5”, Heitor Villa Lobos
Treinamento de ator: LUME Teatro
Iluminação: Marcelo Lazzaratto
Fotografia: João Roberto Simioni e Jordana Barale
Orientação: Suzi Frankl Sperber e Renato Ferracini
Produção: Daniele Sampaio
Duração: 60 min

“OE” no SESC São José dos Campos

 

Solo do ator Eduardo Okamoto, com direção de Marcio Aurelio e dramaturgia inédia de Cássio Pires terá sessão única no SESC São José dos Campos, em 21 de maio, às 20h.

 

“OE” é livremente inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, especialmente no romance “Jovens de um Novo Tempo Despertai!”.  Na peça, ao reconhecer a possibilidade iminente da morte, um homem escreve para seu filho primogênito, que possui severa deficiência intelectual, um livro contendo a definição de todas as coisas existentes no mundo.

 

Atividade Formativa 

“OE” é fundado em pesquisas de Eduardo Okamoto sobre a arte de ator.  Como parte do processo criativo, Okamoto realizou, em fevereiro de 2014, um estagio no Kazuo Ohno Dance Studio, no Japão.

 

Parte destas pesquisas serão debatidas em workshop com duração de três horas, também no dia 21 de maio, das 10h30 às 13h30, no SESC São José dos Campos. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na  Central de Atendimento. Para saber mais sobre os procedimentos de inscrição, clique aqui.

 

Okamoto em São José dos Campos

Esta não é a primeira vez do ator na cidade, que já apresentou outros de seus trabalhos durante o Festivale e  em apresentações no SESI e  no SESC. Neste ano, o ator ainda deverá voltar a São José dos Campos, em agosto, apresentando o solo “Eldorado”  e um espetáculo sob sua direção, “Noites Árabes”, no CAC Walmor Chagas.

 

Serviço
“OE” no SESC São José dos Campos
21 de maio, sábado, às 20h
Sesc São José dos Campos
Endereço: Av. Adhemar de Barros, 999 – Jd. São Dimas
Com Eduardo Okamoto.
Auditório
Preço: de R$ 5,00 a R$ 17,00.
Recomendação etária 16 anos

 

Workshop “Dramaturgia do Corpo” no SESC São José dos Campos
21 de maio, sábado, às 20h
Sesc São José dos Campos
Endereço: Av. Adhemar de Barros, 999 – Jd. São Dimas
Com Eduardo Okamoto.
Auditório
Preço: grátis.
Inscrições na Central de Atendimento do SESC

OE: Leste_Oeste

Começa a circulação pelo ProAC!

 

 

Entre março e abril, Eduardo Okamoto cumpre temporada paulista e circula com o espetáculo OE por 5 cidades do estado de São Paulo. As primeiras sessões da temporada paulista e a circulação pelo interior faz parte do projeto OE:Leste_Oeste, contemplado no Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo 2015.

 

 

O projeto prevê a circulação do espetáculo por cidades do estado que reconhecidamente receberam grandes contingentes de imigrantes japoneses: Registro, São Paulo, Mirandópolis, Araçatuba e Pereira Barreto. Concebida desta maneira, a circulação atualiza caminhos geográficos pelos quais se interiorizou a influência nipônica nas culturas brasileira e, em especial, paulista: Leste_Oeste

 

 

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Em breve, mais informações e notícias sobre a circulação!