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Curso “Produção e Gestão para as Artes Cênicas”


Estão abertas as inscrições para o curso “Produção e Gestão para as Artes Cênicas” com Daniele Sampaio e Pedro de Freitas. Inscrições até 15 de fevereiro. Abaixo, mais informações:

CURSO “PRODUÇÃO E GESTÃO PARA AS ARTES CÊNICAS” – de 21 a 25 de fevereiro de 2011


Sinopse: A produção cultural viabiliza a criação da arte e mediação perante seus públicos para sua fruição. Assim, mais que inserir produtos no mercado das artes, é função do produtor cultural a elaboração de estratégias que tornem possíveis a criação e a fruição de bens simbólicos.

O curso parte desta dimensão do fazer cultural, procurando localizá-la como ação. O seu objetivo é oferecer aos participantes noções gerais para a gestão de projetos culturais nas artes cênicas: sua formatação para editais e leis de incentivos; o debate sobre a relação entre o processo de criação e a sua administração; a leitura dirigida e a discussão de textos sobre a produção cultural contemporânea  – os artifícios de gestão que viabilizam os artifícios da cena .

Assim, tanto quanto fornecer instrumental para o aluno-participante viabilizar projetos culturais, espera-se contribuir para a o seu processo de formação como agente social da cultura.


Conteúdo programático: O papel da produção / Contextualização de Cultura no Brasil / Financiamento à Cultura: Ação Privada e ação Estatal / Elaboração de Projetos (Concepção, objetivos, justificativa) / Planejamento (Orçamento; cronograma) / Estratégia de Plano de Comunicação / Captação de Recursos

Datas: 21 a 25 de fevereiro das 9h às 13h
Local: Cia Sarau – Barão Geraldo – Campinas
Carga Horária: 20h
Valor: R$ 350,00 a R$ 400,00
Vagas: 15 (Clique aqui e faça download da Ficha de Inscrição e veja as formas de pagamento)
Mais informações: cursos@periplo.com.br

Novo Site no Ar!


Está no ar o novo site do ator Eduardo Okamoto. Este novo território virtual possibilitará que a experiência do espectador dos espetáculos possa se estender para os seus processos geradores. Aqui, poderão ser encontrados informações sobre a trajetória do ator, seus trabalhos, textos teóricos publicados, arquivos para imprensa e requisitos técnicos para as apresentações.

 

O novo site conta ainda com blog de notícias, com informações sobre agenda de espetáculos e cursos, e blog do ator, com reflexões sobre suas investigações.

Chuva Celebrada


O espetáculo “Chuva Pasmada” fundamenta-se na obra de Mia Couto. A gênese deste processo criativo, no entanto, não se limita à matéria literária: inclui os festejos de dez anos de trabalhos do ator Eduardo Okamoto e do Grupo Matula Teatro. Chuva é celebração.

 

O espetáculo marca o reencontro de Alice Possani, atriz do Matula, e Eduardo Okamoto, um dos fundador deste grupo e que, a partir de 2005, seguiu carreira solo. Em 2010, ano de estréia deste novo trabalho, ator, atriz e grupo completam dez anos de trajetórias (às vezes em caminhos próximos; outras, autônomos).

 

E se o texto de Mia Couto é escrito de passagens – tratando de amor, crescimento, amadurecimento, morte -, esta “Chuva” é também trânsito para novas experiências. É certo que há de se celebrar os dez anos em que jovens artistas de teatro se dedicam a um projeto artístico de longo prazo, construído no tempo – que sempre nos faz outros. Mas também há de se celebrar os anos vindouros que o tempo precedente aponta. Esta nossa chuva, que nunca esteve pasmada, há também de preparar para o fluir de um rio sempre nascente.

 

Na abertura ao novo, os atores aproximaram-se de outros artistas, como o encenador Marcelo Lazzaratto e o dramaturgo Cássio Pires. Ambos, com linhas de estudo distintas daquelas que marcam as trajetórias de Matula e Okamoto, puderam referenciar a criação com novos procedimentos – como o uso da palavra, matéria pouco explorada em trabalhos anteriores fundados em linguagem corporal. Na reunião das diferenças, realizamos em processo criativo a provocação de Mia Couto: coração sempre começando no peito de outra pessoa.

 

 

Processo de criação

Em “Chuva Pasmada” os atores valeram-se dos procedimentos da mimese corporal, mas apontaram para pontos de pesquisa ainda pouco estudados: as suas relações com um texto dramatúrgico previamente escrito – o conto de Mia Couto e a adaptação de Cássio Pires. Assim, ao mesmo tempo em que coletavam materiais para a criação de personagens, os atores desenvolveram trabalhos de leitura e entendimento de texto. Um dos fundamentos do trabalho reside justamente no equilíbrio entre matéria dramatúrgica e materiais físico-vocais codificados pelos atores.

 

Um dos desafios da interpretação residia numa dificuldade: apenas dois atores deveriam apresentar a grande quantidade de personagens do texto literário. Isto de certa maneira “pressionou” os artistas na consolidação da linguagem do espetáculo, com atores desdobrando-se em narradores e diversos personagens. Aqui, o trabalho de mimese foi fundamental: ampliando o repertório dos atores, oferecendo grande quantidade de materiais à criação.

 

A leitura que a equipe de criação imprimiu ao conto moçambicano trouxe outra dificuldade: interessava não a leitura típica das relações étnicas (sociais, históricas, mítico-religiosas etc) dos povos africanos, mas a leitura arquetípica das relações humanas. Assim, mais que identificar cada ator a um personagem, interessava identificar cada atuante a todos os personagens: a potência humana de assumir diversos papéis: Homem, Mulher, Velho, Menino . Isso levou a nova provocação para os atores. Cada personagem seria representado por mais de um ator, sem a utilização de referencias de cenografia e figurinos. A equipe de criação se perguntava: como, somente com seus corpos, as personagens poderão “viver” em diferentes atores? Como fazer o público reconhecer um mesmo personagem ainda que existam diferenças entre os corpos de um ator e de uma atriz? Aqui, o desafio foi mantendo as características de cada ator aproximar “eixos” de personagens.

 

“Chuva Pasmada” é fundado no trabalho do intérprete, com poucos recursos cenográficos e de figurinos. Num processo inaugurado em confronto de matéria literária com “material de ator”, o espetáculo acaba por sintetizar-se na idéia da palavra tornada corpo: com imagens literárias alimentando a criação de matrizes físicas; com matrizes vocais imprimindo novos sentidos às palavras; com o discurso verbal provocando novas sensações ao discurso não-verbal.

“Chuva Pasmada” no Olho do Furacão



Transcrevemos, abaixo, a crítica de Kil Abreu para o espetáculo “Chuva Pasmada”, apresentado no Fentepp 2010.


 

Nesta versão teatral do conto de Mia Couto, defendida por Alice Possani e Eduardo Okamoto, sobressai uma vez mais algo recorrente na cena brasileira dos últimos anos: a visita ao tema da cultura comunitária, temporalmente recuada e que deixa ver um tipo de sociabilidade em que a vida surge ainda nas bases de um compartilhamento possível, de aspirações coletivas quanto aos sentidos da existência. É esta perspectiva que dimensiona o caráter filosófico que a montagem tem. O dado de dramaticidade está no ruído que, inesperado, aparece para perturbar a ordem deste mundo visível na sua totalidade de valores. É a fenda aberta naquela realidade pacífica o que gera o interesse teatral.

 

No Brasil o gosto por estas dramaturgias pode ser visto em projetos artísticos como o do grupo Lume (Café com queijo é exemplar) e a linhagem de pesquisas orientadas pela antropologia teatral. Mas está também em autores cujos propósitos e estéticas são bem diversos, como Newton Moreno (pensemos em Agreste e Assombrações do Recife velho) e Luis Alberto de Abreu (Maria peregrina, Borandá e outras). Além destes, que mantêm trabalhos de excelência, há um sem número de artistas e grupos tateando campos parecidos. De todo modo há a disposição para formalizar um imaginário social que ganha maior sentido e utilidade não apenas pelo que representa de recuo nostálgico a modos de convivência hoje praticamente perdidos, mas porque estes modos contrastam violentamente com a nossa própria maneira de viver no presente.

 

A começar pelo que talvez pudesse ser o ponto de chegada deste argumento, podemos dizer então que Chuva Pasmada é um espetáculo bonito e útil porque, como nos bons exemplos desta linhagem, deixa claro, ainda que nas entrelinhas, o contraste daquele mundo com as relações atuais, em tudo fragmentadas e cada vez mais distantes da possibilidade de visualização como totalidade. De dentro da sua expectativa fabular a narrativa nos alerta para uma solidão que se anuncia terrível e, pior, paradoxal, porque se dá no olho do furacão de uma dinâmica social, a nossa, em que se proclamam justo os ganhos da interação instantânea que, no entanto, são sempre parciais e altamente mediados.

 

Tendo como tarefa dar concretude ao narrado a dupla de atores, sob a orientação de Marcelo Lazzaratto, transita com grande interesse pelas dobras da história. Tem a seu favor a dramaturgia de Cassio Pires, que faz pacto de convivência com o que é fundamental no conto, aquilo que se convencionou chamar “relato simples”, um gênero de épica das origens que mantém assento na oralidade tradicional, ainda que aqui ela apareça revestida com o acabamento de uma voz literária particular.

 

Em um dedicado trabalho de investigação das imagens que o texto oferece, Alice e Okamoto usam sofisticado repertório atoral, com apoio na gestualidade que, referente aos personagens e situações, não quer mimetizá-los à risca, preferindo a estilização. É um caminho que deixa como ganho o desenho necessário das ações e os espaços livres para uma atuação dinâmica que envolve o relato e a mímesis a um só tempo. São performances sustentadas e empáticas que, entretanto, ainda deixam em suspenso (para usar uma imagem do conto) algo importante. Há grande eficácia na composição das personagens, na chave escolhida. Isto garante uma parte do efeito e do interesse que temos no acompanhamento da narrativa. Mas, salvo engano, ainda será preciso dedicar a mesma atenção quanto ao desenrolar mais exterior das ações. A sintonia fina que é possível ver na construção dos papéis ainda carece de investimento na área da narração. É que o conto, por simples que pareça, tem uma estrutura com muitas dobras, que incluem informações e sentidos. Não temos, por hora, a clareza necessária sobre estas informações, o que por fim acaba prejudicando a apropriação dos sentidos.

 

É claro que com isto não se diz que o espetáculo deva levar o espectador tendenciosamente a um sentido, o que seria traição à abertura poética que a dramaturgia preserva. Entretanto, trata-se de uma narrativa exemplar que tem, sim, um campo de possibilidades de leitura circunscrito ou ao menos esperado. Esclarecer melhor o andamento das ações, as relações de causa e consequência não no aspecto dos seus efeitos, mas do que há nelas de mais objetivo, qual seja, as suas circunstâncias, certamente vai favorecer muito a leitura final que, assim, poderemos fazer com as nossas chaves próprias. Isto seria tão importante quanto o estado, a atmosfera cênica que já estão bem instalados no espetáculo (e, neste capítulo, com a colaboração fundamental da trilha pensada por Michael Galasso).

 

É uma difícil e por isso bela tarefa artística. Mas tem como operadores um time de muita qualidade, pela importância mesmo dos seus respectivos trabalhos e, sobretudo, pelo nível de inquietação que podemos ver neles. Então o reclamo por uma apropriação mais efetiva da platéia na relação com a montagem talvez ainda interesse. Por comum, esta seria também uma forma de articular, nesta idéia de um compartilhamento mais generoso, uma resposta possível àquela dor da época que – supomos – Mia Couto intui com razão, mesmo que a represente subliminarmente.

Fonte: Kil Abreu / Foto: Fernando Martinez


Estréia “Chuva Pasmada” no Sesc Pompéia


Hoje às 21h, no Novo espaço Cênico do SESC Pompéia,  estreia a temporada do espetáculo Chuva Pasmada! Espetáculo em parceria com o Grupo Matula Teatro.

 

 

De 22/10 (hoje) à 14/11 (com exceção do dia 31/10)

Sextas e Sábados às 21h; Domingos às 19h.
Ingressos de R$ 3,00 a R$ 12,00
SESC Pompéia: Rua Clélia, 93 – São Paulo-SP

Estréia Mostra 10 Anos por uma Escrita do Corpo


Hoje é o dia! Será aberta, em Natal, a mostra 10 ANOS POR UMA ESCRITA DO CORPO. Até o dia 26 de maio, serão 03 espetáculos, oficina, lançamento de livro e demonstração técnica.

 

O espetáculo de abertura da mostra é “Agora e na Hora de Nossa Hora”, solo de Eduardo Okamoto sobre crianças e adolescentes em situação de rua. As apresentações acontecem hoje e amanhã, dias 21 e 22, na Casa da Ribeira, às 20h. Os ingressos custam R$ 14,00. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone: (84) 3211.7710.

 

Após a apresentação de estréia, Eduardo Okamoto autografará o livro “Hora de Nossa Hora: o menino de rua e o brinquedo circense” (Editora Hucitec, 2007). A publicação analisa o processo que levou o autor à criação do espetáculo, especialmente, a sua interação com meninos de rua em oficinas de circo do projeto Gepeto, da ong ACADEC, em Campinas.