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21 – Teatro e pedagogia

 

Estamos na cidade de Garça, no interior de São Paulo. Aqui, realizamos duas apresentações de “Agora e na Hora de Nossa Hora”, inseridas no projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”.  Assim, se registram os 18 anos da Chacina da Candelária em 18 sessões do espetáculo, exposição, bate-papo, workshop e 18 postagens neste blog. O projeto é financiado pelo PROAC 2011 – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.     

 

Apresentar na cidade de Garça era um desejo cultivado desde 2009, quando inciamos contatos com a Secretaria de Cultura deste município que, naquele ano, levou um ônibus de garcenses ao Filo – Festival Internacional de Tetro de Londrina para assistir a “Eldorado”. Muitas foram as tentativas até a nossa chegada aqui.

 

Aproveitando esta pequena-grande vitória, a Secretaria de Cultura de Garça programou atividades paralelas não previstas no projeto PROAC: a realização das oficinas “Elaboração de Projetos Culturais”, ministrada pela produtora Daniele Sampaio, no dia 08 de março, e “Dramaturgia do Corpo”, ministrada por mim entre 09 e 10 de março. As inscrições, gratuitas, estão encerradas.

 

Toda a minha formação em teatro foi permeada por atividades docentes. Comecei a estudar teatro formalmente, em 1998, aos dezessete anos, na Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Aos 18, nem mesmo sabendo o que é o teatro, já dava aulas desta linguagem. Assim, em muitas circunstâncias atuei como docente: para crianças e adolescentes, terceira idade, lideres do orçamento participativo de Campinas, população de rua adulta, meninos e meninas em situação de rua, adolescentes privados de liberdade na Febem, no ensino fundamental, como professor de Educação Artística da rede estadual de ensino paulista, em curso profissionalizante de teatro, em universidade pública, em curso particular do ensino superior, em cursos livres e workshops.

 

Desta maneira, sempre o meu aprendizado da linguagem esteve fortemente atrelado às minhas atividades docentes. Dando aulas, aprendi sobre teatro. Não só. Aprendi também sobre docência. Porque, não tendo domínio da linguagem que ensinava (e este domínio provavelmente eu continuo não tendo), só poderia compartilhar experiências. Assim, reduziam-se os espaços do aconselhamento para se ampliarem os espaços de jogo. O aprendizado do teatro e no teatro se dá fundamentalmente pela experiência da criação.  

 

Entendi, assim, que todo o processo criativo inclui aprendizado pedagógico: sabedoria que se absorve na caminhada. E um bom processo de teatro gera aprendizado em direções muitas e envolvendo muitas pessoas – o que obviamente não significa que o aprendizado é o mesmo para todos. Em diálogo com  a Profa. Dra. Maria Thais, da ECA/USP, aprendi a origem da palavra pedagogo: do grego paidagogos, que sintetiza duas outras palavras – paidós (criança) e agogos (condutor). Assim, pedagogo seria aquele que conduz um outro ao ensino, sabedoria. Ou seja, a pedagogia parece estar mais afeita a tornar o aprendizado possível que ensinar propriamente.          

 

Por fim, ao estudar o trabalho de grandes nomes do teatro, reconheci que grandes pesquisas de linguagem estavam frequentemente associadas às atividades pedagógicas. Assim são os trabalhos de Stanislavski, Meyerhold, Grotowski, Copeau, Lecoq etc. Isto sem falar nos brasileiros, como o notável trabalho de Antunes Filho.  Ensinar, mesmo para o pedagogo, parece, enfim, fortemente articulada à descoberta.  

 

Workshop Dramaturgia do Corpo em Garça
Realização da Secretaria de Cultura de Garça
Dias 09 de março, das 18h30 às 22h30, e 10 de março, das 9h às 13h
Escola Municipal de Cultura Artística
Rua 27 de dezembro-10   -Vila Williams 

 

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