animação

A Volta para Casa

Hoje, apresentamos “OE” em Campinas, cidade onde resido. A peça de Cássio Pires é dirigida por Marcio Aurelio e é inspirada na obra de Kenzaburo Oe. A apresentação, hoje, tem gosto de aconchego: o retorno ao lar.

 

Espantosamente, durante o processo de criação do espetáculo, experimentei algo semelhante, durante o estágio que realizei no Kazuo Ohno Dance Studio, no Japão. Nunca antes eu havia me reconhecido como japonês. Ao contrário dos nipônicos, ansioso, sempre acreditei que precisava meditar muito para que meu espírito assentasse no corpo. Do outro lado do mundo, senti uma calma inesperada e vi as coisas do avesso: o corpo alcançava um espírito que habitava terras distantes.

 

Estamos voltando para casa. E, como diz a letra da música pop japonesa, a casa está sempre chamando.

Silêncio

Não escrevo neste blog há muitos meses. Ocupava-me das criações: do teatro e da vida.

 

Neste tempo, estreamos e apresentamos em oportunidades muitas “OE”, peça de Cássio Pires, com direção de Marcio Aurelio. O espetáculo foi criado a partir da obra de Kenzaburo Oe: o escritor japonês que, em diversos momentos da sua obra, trata da sua relação com um filho nascido com deficiência intelectual.

 

Neste tempo, estive no Kazuo Ohno Dance Studio, em Yokohama, no Japão, para aprender com Yoshito Ohno de que maneira seu pai, Kazuo Ohno, um dos criadores da dança butô, continua vivo.

 

Neste tempo, eu mesmo tornei-me pai.

 

Tempos intensos, tempos felizes. Ali, onde as palavras faltaram e sobraram experiências. Silêncio: a vida está nos fazendo.

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