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Pré-estreia do espetáculo OE

O novo espetáculo de Eduardo Okamoto, inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe, tem pré-estreia marcada para os dias 05 e 06 de setembro às 20h, no Sesc Campinas. Os ingressos estão sendo vendidos através do Site do Sesc Campinas.

 

Ficção e biografia

Em Jovens de um novo tempo, despertai!, livro de Kenzaburo Oe que é a principal referência para a peça, o autor procura definições sobre a sociedade e a vida (morte, sonho etc.) para o seu filho mais velho, deficiente intelectual. Como em muitas produções deste escritor, o livro sintetiza ficção, ensaio literário, mitologia e dados autobiográficos (com o autor explicitando o relacionamento familiar com o seu primogênito autista).

 

A enfermidade do filho é recorrente na obra de Kenzaburo Oe. O filho viveu até os seis anos de idade sem desenvolver a capacidade da fala. “Não parece humano”, declara o personagem Bird, de Uma Questão Pessoal , sobre o bebê que, no nascimento, aparentava ter duas cabeças, com parte do cérebro expandindo-se por uma fenda no crânio.

 

Demonstrando grande sensibilidade auditiva e aprendendo a falar ao reconhecer o som dos pássaros, o menino aprendeu a tocar piano e, hoje, é compositor e pianista respeitado no Japão e fora dele.

 

Encenação

No espetáculo, porém, a obra do escritor nipônico não é lida meramente como uma narrativa de autosuperação. Primeiro, porque seus criadores reconhecem que não há limites claros entre a singularidade de um único homem e a universalidade do conjunto plural dos homens. Assim, a partir de uma narrativa pessoal, o espetáculo propõe um chamado para novas formas de cidadania, baseadas na responsabilidade intransferível de cada ser sobre suas ações: “[há uma] conexão existente entre a violência em escala mundial, representada por artefatos nucleares, e a violência existente no interior de um único ser humano”, escreve Kenzaburo Oe.

 

Além disso, o autor nipônico vê na ficção e no ofício do escritor uma forma, comparável ao universo simbólico dos sonhos, de significar as experiências. O mundo só faz sentido quando contado, reinventado pela história. Assim, “na obra de Oe”, definiu a Academia Sueca que lhe concedeu o Nobel, “mito e vida convergem sob a forma de um panorama desconcertante da condição humana atual”.

 

Para dar conta desta ampla leitura da obra do escritor, a dramaturgia do espetáculo não dramatiza passagens da obra do escritor japonês. “Narra-a”, observa o diretor Marcio Aurelio. Assim, mais que encontrar situações dramáticas que traduzam a literatura, o espetáculo apresenta uma espécie de leitura pública da obra. Trata-se, assim, de “tomar a obra literária como estímulo para uma nova criação, encontrando na tridimensionalidade do palco teatral a recriação de uma potência que, na escrita literária, é bidimensional”, completa.

 

Assim, o espetáculo usa pouquíssimos recursos materiais, concentrando a sua expressividade na tríade: espaço, ator, palavra. Num espaço praticamente vazio, o diretor encontra substrato para a abertura de imaginários do espectador. Neste espaço, o ator experiência e partilhas narrativas físicas, vocais e literárias. Os criadores, através destes procedimentos, procuram encontrar suporte para uma expressão precisa (tal qual a partitura musical) e aberta (como se vê na literatura, impulso para a imaginação). Há de se ver a peça, portanto, como quem lê um bom livro.

 

Ficha Técnica

Espetáculo inspirado na obra de Kenzaburo Oe

Encenação e iluminação: Marcio Aurelio

Dramaturgia: Cássio Pires

Atuação: Eduardo Okamoto 


Assistência de direção: Lígia Pereira

Assistência de iluminação: Silviane Ticher

Orientação corporal: Ciça Ohno

Figurino, Cenário e Trilha Sonora: Marcio Aurelio

Assistente de Figurino e Cenário: Maurício Schneider

Fotografia: 
Fernando Stankuns

Design gráfico: LuOrvat Design


Orientação pedagógica do projeto: 
Suzi Frankl Sperber

Coordenação Técnica: Silvio Fávaro

Assessoria de imprensa: Maria Claudia Miguel

Produção executiva: Mariella Siqueira

Direção de produção: Daniele Sampaio | SIM! Cultura

 

Serviço

OE, solo de Eduardo Okamoto

Com direção de Marcio Aurelio e dramaturgia inédita de Cássio Pires

Onde: Sesc Campinas – Rua Dom José I, 270/333 – Bonfim Campinas Quando: 5 e 6/09

Horário: 20h Ingressos: R$ 2,00 (Comerciário) R$ 5,00 (meia) R$ 10,00 (Inteira). À

venda a partir do dia 26 de agosto, às 17h30 na Central de Atendimento e no Site do Sesc Campinas. Informações: (19) 3737-1500