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Revista Sala Preta destaca “Recusa”

 

Está no ar a nova edição da Revista Sala Preta. Trata-se de uma publicação do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Escola de Comunicação e Artes da USP. Neste mês, a revista inclui o Dossiê “Recusa”, com artigos diversos sobre o espetáculo da Cia Teatro Balagan. Ali, Eduardo Okamoto e Antonio Salvador, em texto de autoria compartilhada, dissertam sobre a atuação no espetáculo: processos, procedimentos, experiências. 

 

Para ver a revista, clique aqui. Para ler o artigo de Okamoto e Salvador, clique aqui.  

 

Abaixo, o editorial da revista:  

 

Prezados leitores,

 

Com grande prazer colocamos no ar mais um número da Revista Sala Preta. A SEÇÃO EM PAUTA enfoca neste número o tema teatralidade e antiteatralidade. Como aponta Luiz Fernando Ramos, em seu artigo, a proposta de reunir alguns textos acerca de temática marcada já por amplo debate se dá justamente para recolocar a discussão, e pensar em que medida a revisão do tema pode instigar o posicionamento crítico acerca de novos operadores analíticos que surgem como tentativas de enquadrar e definir as experimentações cênicas recentes. Martin Puchner retoma as propostas modernistas para questionar porque uma corrente substancial deste movimento se define por sua contrariedade ao teatro. Bernard Dort parte da visão de um teatro reunificado, que não opera como mera união das artes, mas como um metatexto, em que, em nova conjunção, o teatro deixaria de ficar dependente e subordinado às várias artes. Jean-Pierre Sarrazac reflete sobre o vazio de toda a representação que a cena moderna descortina aos espectadores. 

 

Na SEÇÃO SALA ABERTA, constituída por textos de temáticas variadas, Mariana Baruco Machado Andraus, Marília Vieira Soares e Inaicyra Falcão dos Santos, em artigo coletivo, analisam diferentes modos de apropriação do Oriente por coreógrafos norte-americanos. Almir Ribeiro destaca alguns pontos do Kathakali, teatro-dança clássico indiano, que podem fomentar a compreensão de aspectos das investigações cênicas contemporâneas. Alexandre Ferreira Dal Farra Martins, a partir da obra do artista Matthew Barney, entrecruza o conceito de narcisismo, tal como definido por André Green, e a noção de capitalismo como religião, segundo a proposta de Walter Benjamin. Ivam Cabral, a partir dos escritos de Artaud, trabalha com a ideia de teatro como rito, um contínuo processo de transformações.

 

O DOSSIÊ ESPETÁCULO destaca “Recusa”, premiada produção da Cia Teatro Balagan. Luís Alberto de Abreu recupera, em seu texto, o processo de criação da dramaturgia do espetáculo. Eduardo Okamoto e Antonio Salvador Beatriz Antunes fazem ressoar em artigo as inquietações e os fundamentos que marcaram a pesquisa dos artistas para a concepção de “Recusa”. Suzi Frankl Sperber propõe um contraponto entre o princípio prometeico e o princípio primitivo para analisar os espetáculos “Prometheus” e “Recusa”, ambos da Cia Teatro Balagan. Renato Sztutman reflete sobre o espetáculo a partir da opção pela liberdade e da recusa ameríndia ao poder coercitivo.

 

Soraya Beatriz Luciano Silva ressalta o deslocamento do espectador do seu ponto de vista habitual, a partir das narrativas mitológicas ameríndias. Por fim, Marcos Bulhões entrevista Maria Thaís com foco na encenação de “Recusa”.

 

Esperamos que os materiais aqui propostos – textos, fotos, vídeos e links – possam retroalimentar o pensamento acerca do fazer artístico nos dias que correm.

 

Boa Leitura.

Os editores.

 

* Fonte: http://www.revistasalapreta.com.br/index.php/salapreta/article/view/519/545

Pelo Amor de Deus!

 

Amigos evangélicos (e eu tenho muitos e queridos), por amor a Deus, expressem o mais veemente repúdio a atuação do deputado Marcos Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Gritem o tamanho da vergonha que é (ou que, no mínimo, deveria ser) para os evangélicos este projeto de lei da “cura gay”.

 

Este importante momento para o país é oportunidade para que os evangélicos façam também história, concretizando em ação a palavra do Cristo. O Verbo encarnado. Afinal, “amar o próximo como a si mesmo” não significa amá-lo porque (e somente porque) o outro é um igual a mim. Significa que ambos são iguais diante de Deus, Sua imagem e semelhança. Digo, a dignidade humana, orientada pelas mais diversas opções de vida, atrás de si tem respaldo da Dignidade Divina. Ver Deus na diferença, onde menos se espera encontrá-Lo, é prova inconteste da fé no Seu amor (onipresente, onipotente). Respeitar escolhas é aposta absoluta na fundamental faculdade conferida por Ele ao homem: o livre arbítrio.

 

Não aceitar o absurdo desta lei, que torna doença o exercício das opções de cada homem (insisto: potência conferida por Deus), é ser mais cristão que nunca. Não esperemos que sejam necessárias leis de cura evangélica, budista, católica, islâmica, judia para que, enfim, não se projetem sobre um Estado Laico os fundamentalismos de pequenos grupos que não representam os ensinamentos dos grandes líderes espirituais da humanidade.

 

E, sendo budista, digo: não terá os meus voto e apoio alguém que por ventura pretenda criar leis constitucionais baseadas nos ensinamentos do Buda. Porque, enquanto que as primeiras servem para o convívio dos homens e as suas diferenças, sendo, portanto, históricas e mutáveis, as palavras que aprendo do Buda são eternas (porque simplesmente falam de um respeito ao humano, como nos ensinos de Cristo, que não se questiona jamais!). Converter uma coisa na outra não é só perigoso do ponto de vista político. É também reduzir a fé e, portanto, traição.

Lei de Fomento às Artes da Cena de Campinas

Um respiro no dia em que a PM foi mais PM do que nunca, em São Paulo: na cidade de Campinas, a noite de 13 de junho de 2013 foi histórica! Oposição e situação, poderes executivo e legislativo, poder público e sociedade civil debateram a necessidade da criação de uma Lei de Fomento às Artes da Cena, na cidade. O Plenário da Câmara dos Vereadores esteve cheio! A luta ainda é grande, mas a noite foi de esperança!

Não são R$0,20!

Um senhor vai a um dos telejornais de maior audiência no país para protestar contra um protesto: aquele que se opõe ao aumento da tarifa do transporte público de São Paulo. Segundo ele, trata-se de um movimento de classe média – e não de trabalhadores, como se poderia supor – , que se apóia num discurso “caricato” de “velha esquerda” para recusar o aumento de apenas R$0,20 (por matemática simples e considerando-se 30 dias no mês sabe-se que o aumento não é de centavos). Assim, ele acaba defendendo a ação do prefeito no aumento da passagem: um intelectual filiado a um partido de esquerda! O atabalhoamento do raciocínio (que só não é mais absurdo que a ação do prefeito que deu origem a tudo isso e, sendo de esquerda, deveria defender e não atentar contra os interesses dos trabalhadores) só revela uma coisa: a organização popular tira o sono de muita gente!

 

Em apenas uma coisa estamos de acordo: ninguém, nem nas ruas e nem no telejornal, vale R$0,20. A vida humana, digo, a sua dignidade, não se mede em valores monetários, sejam eles quais forem.