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Selecionados para workshop na ELT

 

No próximo final de semana, nos dias 03 e 04 de março, das 14h às 18h, Eduardo Okamoto ministra workshop “Dramaturgia do Corpo”, na Escola Livre de Teatro de Santo André – ELT. No curso, serão abordados alguns dos princípios de criação da dramaturgia do espetáculo a partir de repertórios físicos e vocais do ator. Estes princípios balizaram a  criação de trabalhos de Okamoto, como “Agora e na Hora de Nossa Hora” e “Eldorado”.

 

O workshop é parte do projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”, contemplado com recursos do PROAC 2011 – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.  

 

Recentemente a ELT divulgou o nome dos selecionados para o curso. A lista é reproduzida abaixo: 

 

Ana Heloíza Abdalla 014
Arlete Maria Pereira Ferreira 006
Azê Diniz 008
Bruna da Matta Sarubo 004
Carlos Alberto dos Santos 015
Cecília Vieira Mandadori 010
Dani ela Hernandez Solano 011
Diego Inácio da Silva 002
Felipe Ubaldo Milani 005
Giuliano Antônio de Figueiredo Bonesso 013
Humberto Tozzi 017
Jonathan Wellington de Lima 012
Julia Bellotti 003
Mariana Ganzerla 009
Patricia Ghuidotte de Faria 018
Tales André Lopo Jaloretto 001
Tátila Colin Cavignato 007
Valéria Carvalho Ramos 016

 

Cartaz “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”

 

“Agora ena Hora de Nossa Hora” é um solo de Eduardo Okamoto com direção de Verônica Fabrini. O projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” realiza 18 apresentações do espetáculo em sete cidades do interior paulista, registrando os 18 anos da Chacina da Candelária – quando, no Rio de Janeiro, oito meninos de rua foram assassinados por policiais. As apresentações são financiadas pelo PROAC 2011 – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.  

 

Abaixo o cartaz da empreitada: 

 

19. “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” no interior de São Paulo

 

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Voltamos à estrada! “Agora e na Hora de Nossa Hora”, solo sobre meninos de rua dirigido por Verônica Fabrini, apresenta-se em 18 sessões em diversas cidades do interior de São Paulo: Santo André, Garça, Assis, Taboão da Serra, São José dos Campos, Lençóis Paulista e Limeira. As apresentações são financiadas pelo Proac – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo e marcam os 18 anos da Chacina da Candelária.

 

A criação do espetáculo envolveu a realização de oficinas de circo com meninos de rua do projeto “Gepeto – Transformando Sonhos em Realidade”, da ONG ACADEC, de Campinas, a inspiração no conto “Macário”, do mexicano Juan Rulfo, e um estudo sobre a Chacina da Candelária – quando, em 1993, oito meninos de rua foram assassinados por policiais nos arredores da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro.

 

Ao se completar 18 anos deste acontecimento histórico, concebemos uma “circulação performática” do espetáculo, realizando 18 sessões do trabalho na capital paulista e outras 18 no interior do Estado. Assim, registramos o marco histórico e provocamos: atingimos, em 18 anos, a maturidade do debate social? Se o cidadão brasileiro nascido em 1993 já é considerado apto a exercer a sua cidadania, com direitos e obrigações civis, amadurecemos um projeto social diverso daquele que executou crianças e adolescentes na porta da igreja?   

 

As apresentações da primeira etapa desta circulação, na capital, aconteceram no SESC Pompéia, entre outubro e novembro de 2011, e foram acompanhadas de 18 postagens, neste blog, debatendo as situações vividas no processo criativo do espetáculo, a situação de rua, as políticas públicas de atendimento à esta população. 

 

A segunda etapa, que realiza 18 apresentações em 7 cidades do interior, igualmente serão acompanhadas de 18 postagens neste blog. Não só. Ainda haverá a realização de workshop, bate-papos após a primeira sessão do espetáculo em cada cidade, exposição sobre o processo de criação, doação de livro.

 

A primeira cidade a receber esta circulação é Santo André. As apresentações acontecem nos dias 25 e 26 de fevereiro e 03 e 04 de março, às 20h30, na Escola Livre de Teatro (Praça Rui Barbosa, s/n). Os ingressos são gratuitos. 

 

Também na Escola Livre de Teatro, nos dias 03 e 04 de março, das 14h às 18h, ministro o workshop “Dramaturgia do Corpo”. Ali serão abordados na pratica os princípio de criação de dramaturgia de ator utilizados no espetáculo.  As inscrições são também gratuitas e podem ser feitas na secretaria da ELT.

 

Voltamos à estrada! Acompanhem-nos! Celebremos!

 

 “Agora e na Hora de Nossa Hora” em Santo André
Praça Rui Barbosa, s/n
26 e 27 de fevereiro e 03 e 04 de março de 2012, às 20h30
Ingressos gratuitos
Telefone: 11 4996.2164

Falta Feverestival!

Nas últimas semanas, a organização do Feverestival – Festival Internacional de Teatro de Campinas anunciou uma edição-ausência, em 2012: neste ano, não teremos a realização do evento. A justificativa para isto não é nova (o que a torna ainda mais terrível): falta de verbas; nenhum apoio municipal; nenhum reconhecimento em editais estaduais e federal (que ainda que tenham aumentado enormemente em frequência e recursos são ínfimos ante a demanda); falta de interesse da iniciativa privada em patrocinar o festival com aportes financeiros significativos. O resultado é igualmente conhecido: perdemos todos. Assim, a cidade de Campinas fica ainda mais pobre.

 

A nossa miséria, diga-se, não se refere à ausência das inúmeras atividades econômicas anualmente fomentadas pelo festival e que, neste ano, sentirão a sua ausência –  as atividades da chamada indústria criativa, ocupando atores, diretores, cenógrafos, técnicos, bilheteiros, faxineiros, recepcionistas, etc; e as atividades econômicas indiretamente estimuladas (o comércio e prestações de serviços locais, com restaurantes e bares, lojas e hotéis, taxistas, etc.). E perceba-se que este “etcetera” quer dizer muito, muita gente.

 

Empobrecemos, porém, menos no bolso e mais no espírito. E esta miséria é irreparável e desastrosa, estejamos nós, no futuro, em melhor ou pior situação financeira. Quando uma obra de arte deixa de ser fruída pelo público (e no caso de um evento que não se realiza muitas obras deixam de ser partilhadas), um mundo não se realiza. Isso se refere primeiramente, claro, à maior clareza que a obra nos oferece do mundo mesmo em que vivemos, as relações sociais tal qual a conhecemos e experienciamos. Ou seja, a arte nos faz perceber a vida, significá-la, debatê-la. Isso é muito, mas não é tudo: a arte ainda nos faz entrever mundos outros, não como cotidianamente conhecemos a vida, mas como  a sonhamos. Sonhar mundos talvez seja a missão mais nobre da arte. Porque, aí, nossa potência de transformação das coisas. Aí, enfim, a potência das possibilidades.

 

Mais pobres em imaginação, como encontrar forças para se opor à triste realidade que vive Campinas? Como enxergar o potencial da cidade no feio cotidiano que nos circunda? Campinas está no fundo do poço, não fique dúvidas sobre isto. Corrupção, indiferença e distância entre a população e os seus representantes políticos são a tônica dos últimos anos. É sintomático e preocupante, neste estado de coisas, o sucessivo cerceamento aos espaços de convívio como política pública: fechamento de teatros (não há absolutamente nenhum equipamento municipal apto a receber qualquer tipo de espetáculo) e, agora, a impossibilidade de realização de um dos mais importantes eventos das Artes Cênicas no interior de São Paulo. Reduzindo-se os espaços de encontros entre os cidadãos (especialmente o teatro e a sua latente função social), como fortalecer os laços de pertencimento e a sua reinvenção?

 

Campinas, considerando-se a sua importante produção tecnológica, a sua vanguarda de pesquisa em diversas áreas do conhecimento e os interessantes trabalhos de seus artistas (muitos deles referência internacional em suas áreas de atuação) poderia ser a cidade mais inventiva do Brasil. Não é. E um ocupante de cargo público que não seja capaz de reconhecer este “talento” da cidade não merece o posto que ocupa. Talvez não tenha, o dito cidadão, fruído boas obras de arte o suficiente. Resta-lhe uma certa miopia social que, tenho certo, terá a resposta das urnas no próximo pleito.

 

Reconheçamos: a cidade em que vivemos é, atualmente, aquela que ocupa os noticiários nacionais como exportadora de esquemas de lavagem de dinheiro, favorecimento em licitações, mal uso da coisa pública. Sem mais uma edição do Feverestival é mais difícil sonhar para além disto. Estamos, assim, empobrecidos.

 

Por sorte, ainda há mais: o legado das edições anteriores do Feverestival e o impulso para as próximas; os artistas de Barão Geraldo que, a despeito de tudo, ainda produzem seus próprios trabalhos e os apresentam em seus próprios eventos – o LUME, a Boa Companhia, o Barracão Teatro etc. Aí, outras sementes de imaginação e sonho na sua mais alta potência subversiva!

 

A organização do Feveresitval acertadamente marcou 2012 como a edição da “Falta” do evento. Resta-nos não assimilar esta ausência. Esta falta, enfim, precisa nos mobilizar.

Trailer “Natureza Morta”

Está no ar o trailer do filme curta-metragem “Natureza Morta”, de Bruno Jorge. O filme tem atuações de Eduardo Okamoto, Rosaly Papadopol, Kiko Marques, Gilda Nomancce e Leonardo Ventura.

 

O filme acompanha a estranha relação entre um homem (interpretado por Okamoto) e uma mulher (vivida por Papadopol) com grande diferença de idade. Num centro urbano concreto e singular, São Paulo, desvela-se esta relação de natureza desconhecida a partir da presença de um simples quadro.    

 

Natureza Morta – drama short film / trailer from Bruno Jorge on Vimeo.

 

 

Durante as filmagens, a fotógrafa Fernanda Preto documentou os bastidores do trabalho. Algumas destas imagens estão abaixo, junto da capa do DVD do filme:  

 

Para ver o álbum completo do making of de Fernanda Preto, clique aqui.  

Show do Carcoarco me restituiu a cidade!

Não escrevo crítica de teatro – ainda que boa parte de minha energia cotidiana esteja canalizada para o estudo desta arte. E, obviamente, não escrevo sobre música. Assim, este breve comentário sobre o show de lançamento do CD “Tem Carrêgo” (com reapresentação, hoje, às 20h, no SESC Campinas) não é leitura crítica: é elogio rasgado mesmo!

 

A mistura de referências é o que há de melhor nas rabecas brasileiras – instrumento caro ao Carcoarco. E é o que há de melhor no som do grupo. Há a versão repleta de dramaticidade de “Tico-Tico no Fubá” – um tango tupiniquim? Há o tema de Bach adaptado para as rabecas – “rabequianas” brasileiras? Há a delicadíssima versão de “Carinhosa”, de José Eduardo Gramani, “miscigenando” sons de instrumentos muitos sobre o palco… 

 

Às vezes, tenho dificuldade de apreender sentimento patriótico: ações da PM paulista, construção da Usina de Belo Monte, corrupção e indiferença, por exemplo, turvam em demasia a visão. Mas, no show de ontem, especialmente na execução de “Ouvirudum”, fantasia de Esdras Rodrigues sobre o hino nacional,  um tímido orgulho nasceu no peito. Ali, entendi que, possivelmente, a beleza da nação seja, à semelhança das rabecas, imperfeita mesmo.  E o comentário musical da canção popular em meio ao hino lembrou que o país que queremos nos escapa por uma certa distração de meninos. Ou ainda que a sociedade brasileira, a despeito das muitas tentativas canalhas do seu aprisionamento, encontra inexoravelmente a sua liberdade.     

 

 

 

Claro, sendo o lançamento de trabalho novo, há acertos a se fazer. O repertório musical e a sua execução ainda é melhor que o show como um todo. Sobretudo porque as falas dos músicos se alongam em demasia em longos intervalos entres as músicas, rompendo o ritmo da apresentação. E a pesquisa bem fundamentada do grupo pode ser ainda mais revelada ao espectador, com a exposição, por exemplo, com maior ênfase dos instrumentos pelo palco – o universo da rabeca, nesta mistura tradição/contemporaneidade gera sempre muita curiosidade. Meros detalhes. As rabecas ensinam, afinal, a intuir o belo no imperfeito.

 

O show me lembrou do grande prazer em fruir uma obra de arte, em Campinas – a última, se a minha memória não estiver sendo injusta  com outros companheiros artistas da cidade, foi na apresentação de Ivan Vilela Trio, na Cia Sarau. Ontem, assim, o show me restituiu o prazer da escolha de morar aqui.    

 

Frequentemente a cidade é deixada por importantes artistas, obrigados a procurar melhores oportunidades de trabalho em outras paragens. É o preço que se paga pelas sucessivas más gestões públicas da vida cultural de Campinas – às últimas gestões não podemos sequer dirigir críticas porque não existiram! Por isto, não raro, temos a sensação melancólica de tudo aquilo que a cidade poderia ser e não é.  Ontem, no entanto, o som foi pleno. Pudemos ser plenamente! Viva!                      

 

Serviço:
Carcoarco em Campinas
Quando: Sexta-feira (3), às 20h
Onde: Sesc Campinas 
Rua Dom José I, 270/333, Bonfim
Preços: De R$ 1 a R$ 4
Informações: (19) 3737-1500