animação

7. A Dramaturgia de “Agora e na Hora de Nossa Hora”

 

eduardo-okamoto-51

 

Como sétima postagem de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”, apresento o processo de síntese, como criação dramatúrgica, do longo processo de estudo que levou ao espetáculo (mais de 1 ano e 4 meses solitários em sala de ensaio, aproximadamente dois meses acompanhado de outros artistas, além de um período anterior em oficinas de circo para crianças e adolescentes em situação de rua do projeto “Gepeto”). 

 

O texto a seguir adapta trechos de minha dissertação de Mestrado em Artes, na UNICAMP: “O Ator-montador”.  

 

 

Coleta de materiais  
Passados os primeiros meses de atuação na coordenação das oficinas de circo, e decidido a criar um espetáculo teatral sobre meninos de rua, eu comecei a imitá-los, coletando relatos, ações, gestos, vozes etc.

 

Este trabalho de coleta de materiais foi orientado pelo LUME – Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da UNICAMP que, desde a sua fundação, desenvolve a metodologia da Mimese Corpórea: observação e imitação do cotidiano (pessoas, animais, pinturas etc) como base da atuação.

 

Aos poucos, esta interação foi estendida aos meninos das ruas de Campinas, de São Paulo e do Rio de Janeiro, incluindo uma pesquisa sobre a Chacina da Candelária – o célebre episódio em que, no Rio, oito meninos de rua foram assassinados na porta da Igreja da Candelária.

 

A dramaturgia de “Agora e na Hora de Nossa Hora”, assim, é resultado da montagem de diferentes materiais que, articulados, ajudam a contar a fábula de Pedrinha, um sobrevivente.   

 

Fábula a partir do fato histórico
Havia, em “Agora e na Hora de Nossa Hora”, uma pretensão: contar a História. Nisso se abria um problema. Como, num espetáculo solo, eu poderia representar os muitos atores que estiveram envolvidos na Candelária? Era preciso incluir a representação de 72 meninos de rua que naquela noite dormiam ali e os policiais assassinos (ainda que o julgamento tenha levado ao júri apenas 8 policiais, os meninos relatam que, naquela noite, havia pelo menos 12 deles na Candelária). Isso sem considerar os atores do jogo político e social: o Prefeito e seus Secretários, o Governador, o Presidente da República, a representante da elite carioca, os educadores sociais, as ONGs, os muitos oportunistas que naquele momento decidiram se manifestar (chegou-se a projetar a realização de um filme de Hollywood, com elenco de atores estadunidenses, para retratar o acontecimento brasileiro!). Como um ator sozinho pode representar tantos personagens?

 

Antes de tudo, foi preciso reconhecer a impossibilidade de uma apreensão total da Chacina da Candelária num espetáculo. Nem mesmo o processo de investigação deu conta da sua totalidade, havendo ainda hoje, mesmo depois de abertos dois processos (o Candelária I e o Candelária II) brechas e situações mal explicadas no inquérito (por que, por exemplo, naquela noite, nenhum dos vigias dos Centros Culturais e bancos que ficam na Candelária estavam em seus postos?). Se nem mesmo uma investigação de anos deu conta da barbárie como apresentá-la em sua totalidade em aproximadamente 1 hora de espetáculo?

 

Seleção de materiais 
Depois de coletados os materiais (mais de uma dezena de meninos in-corporados pela imitação, mais de 250 artigos jornalísticos a cerca da matança), foi necessário selecionar o que, de tudo quanto foi pesquisado, era mais revelador do que eu pretendia apresentar: uma sociedade que gera e nega meninos de rua. 

 

Aí, é sempre bom reforçar, há uma leitura de mundo.  Não interessava, por exemplo, a apresentação de detalhes do processo de identificação de acusados da Chacina da Candelária (o que foi bastante tumultuado e um dos argumentos chave para defesa e acusação durante os julgamentos). A intenção não era apresentar como responsáveis pela Chacina os policiais que apertaram o gatilho das armas, mas a sociedade que gerou contexto para que os assassinatos acontecessem. Concentrei-me, nessa seleção, na apresentação da causa essencial da matança: o modo de vida dos meninos de rua conflita com o modo de vida dos outros habitantes da cidade. Assim, por exemplo, é incluído o texto, noticiado pelos jornais do Rio, em que meninos de rua se dirigem a turistas: “Hey, gringo! Have money para mangiare?” Um dos precedentes da Candelária, o episódio envolvendo turistas sul africanos, meses antes da Chacina, já dava indícios do desconforto que os meninos representavam para a cidade. Meninos pedindo esmolas para turistas viram notícia de jornal e caso de polícia.

 

Criação de personagem: Pedrinha 
Ainda assim, selecionadas as informações fundamentais sobre a Chacina, era necessário encontrar uma maneira de levar à cena a História. A primeira solução dramatúrgica foi a criação de um personagem que pudesse contar para os espectadores o que aconteceu na madrugada de 23 de julho de 1993. Aqui também é claro o meu posicionamento como artista: a matança contada do ponto de vista dos meninos.

 

Isso reforçado ainda por uma escolha. Dentre os muitos meninos que observei, não escolhi ao acaso aquele que narraria os acontecimentos da madrugada, mas aquele cuja ingenuidade era mais evidente. O único dos meninos com alguma deficiência mental que observei, com elevado grau de docilidade, foi eleito narrador. Nisso, evidencia-se ainda mais a barbárie: são, antes de tudo, crianças e adolescentes e, como disse Herbert de Souza, o Betinho, na época dos crimes, “Quando uma sociedade deixa matar crianças, é porque começou o seu suicídio como sociedade”.

 

Começava, assim, a se desenhar a montagem dramatúrgica do espetáculo. Um menino de rua narra para os espectadores a Chacina da Candelária – ele sobreviveu ao massacre porque dormia em cima da banca de jornais (era comum que meninos dormissem assim porque, na época, já havia quem jogasse paralelepípedos na cabeça dos habitantes das ruas).

 

Situação dramatúrgica: Juan Rulfo 
Até aqui, delimitava-se um personagem. Para a finalização de situações dramatúrgicas, faltavam outras informações, como a delimitação de espaço e tempo. Isso foi recolhido no conto “Macário”, do mexicano Juan Rulfo.

 

O encontro com a literatura de Rulfo parecia já óbvia. Isso porque, durante o processo de criação, eu descobri que as pesquisas sobre a Mimese Corpórea foram iniciadas por Luís Otávio Burnier, o fundador do LUME, a partir da imitação de crianças marginalizadas de grandes cidades. Com a mimese dessas crianças, Burnier esperava reunir material para adaptar para o teatro o conto de Rulfo. Curioso sobre o trabalho já desenvolvido por Burnier, procurei registros em vídeo do espetáculo “Macário”. Como não os encontrei, contentei-me com a leitura do conto que foi logo incorporado à montagem do espetáculo. Já que eu falava de meninos cujos pais são ausentes, o espetáculo serviu ainda para que eu me aproximasse do mestre que eu não conheci.

 

Em “Macário”, um menino (que não é morador de rua) está junto de uma cisterna esperando saírem as rãs. Durante toda a noite, fizeram muito barulho e, por isso, não deixaram dormir a sua madrinha. Com um pedaço de pau na mão, ele espera matar uma a uma todas as rãs.

  

Em “Agora e na hora de nossa hora”, um menino de rua, o Pedrinha, está junto de um bueiro esperando os ratos saírem. Para ele, o barulho dos ratos não deixou os policiais dormirem. Por isso a matança. Ao ouvirem os tiros, todos os meninos saíram correndo, menos ele, que ficara quieto sobre a banca de jornais. Com algumas pedras nas mãos, ele espera matar os ratos para que todos possam dormir em paz.

  

Resolviam-se, assim, os problemas fundamentais da dramaturgia do espetáculo. Já não era necessário representar todos os meninos que naquela noite estavam na Candelária, mas apenas um. O espetáculo acontece no momento em que todos fugiram. Com a rua deserta, o menino procura se entender com os ratos, os responsáveis pelo ódio dos polícias. Pouco a pouco chegam os espectadores, recebidos, agora, como as primeiras pessoas que se aproximam do local da Chacina.

 

 Serviço:
“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700      


6. Poesia e sociedade: Eduardo Galeano

 

Os estudos para a criação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” envolveram o leitura de muitas obras, assim como o levantamento de filmografia e discografia sobre a violência contra a infância e a juventude.  Como parte das postagens do projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” – projeto de circulação do espetáculo em 18 sessões na capital e 18 apresentações pelo interior paulista, acompanhada de atividades paralelas, como 18 postagens neste blog a cada fase do projeto – tenho apresentado algumas destas referências.

 

O escritor uruguaio Eduardo Galeano foi uma delas. Primeiro de maneira mais óbvia: o documento “As Veias Abertas da América Latina” perturbou-me a alma por incontáveis dias! Depois, aprendi com Galeano a possibilidade de encontrar motivo de poesia em pequenos, minúsculos acontecimentos da vida: mesmo as situações sociais adversas podem ser tomadas como motivo e alimento para a utopia.

 

Aqui, um vídeo em que o escritor lê texto seu sobre a utopia:

 

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

5. Chacina da Candelária: a madrugada que não acabou

 

Essa é a quinta postagem de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” que, nesse momento, acompanha 18 apresentações de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia.  

 

A realização de exatas 18 sessões do espetáculo, assim como as 18 postagens no blog, tencionam o registro dos 18 anos da Chacina da Candelária – quando, no Rio de Janeiro, 8 meninos de rua foram assassinados nos arredores da Igreja da Candelária. Assim, a provocação: como sociedade atingimos a maioridade do tema social?  

 

Em outra postagem, já falei das motivações em abordar a chacina como assunto da cena:  o acontecimento histórico, de meu ponto de vista, revela um comportamento cotidiano da sociedade brasileira com os meninos de rua –  negá-los até a morte! A história como modelo revelador.

 

Essa abordagem do fato histórico foi fortalecida a partir das minhas interações com os meninos de rua em Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Em todas essas cidades, persistem os históricos de abusos policiais, assassinatos e, no limite, como testemunhei no Rio, a violência à população de rua apresentada descaradamente como política pública.    

 

Aqui, adapto trecho do livro “Hora de Nossa Hora: o menino de rua e o brinquedo circense”, de minha autoria, publicado pela Editora Hucitec (2007).  

 

Dez anos depois
Dez anos depois do escândalo internacional da Candelária, pouca coisa havia mudado. Em 2003 e 2004, quando da realização de minhas pesquisas para o espetáculo, o Governo do casal Garotinho (Rosinha, a Governadora, e Anthony, seu Secretário de Segurança) comandam o programa Zona Sul Legal. O programa incluía, além do aumento do efetivo das polícias cariocas – boa parte alocada na Zona Sul, área onde vive a elite econômica da cidade do Rio de Janeiro e onde se localizam importantes centros turísticos –, ações de recolhimento da população de rua, encaminhada para as Centrais de Triagem.

 

No Estado do Rio, o menino de rua que dormia na calçada da Zona Sul, primeiro era algemado e só depois era desperto. Uma criança era presa (uma criança!) única e exclusivamente porque ultrapassara a barreira geográfica do apartheid social: Zona Sul não é lugar de pobre!

 

O Estado, além de violentar a população que deveria representar através de políticas sociais adequadas, divulgava a sua ação como política de segurança. “Todos podem dormir tranquilos porque os pivetes estão sendo recolhidos”, parecia anunciar a propaganda publicitária veiculada em rádio e televisão.

 

O governo potencializava o desentendimento, tomando o menino de rua como o responsável pela violência na cidade. Durante o tempo em que eu estive no Rio de Janeiro, não vi, naquele momento, notícias de uma única ação que se dirigisse ao desmantelamento do crime organizado e do tráfico de drogas. Era mais fácil para os Garotinho projetar em crianças e adolescentes a sensação de insegurança do cidadão da Zona Sul do que desenvolverem políticas reais de Segurança Pública.

 

Uma Noite na Central de Triagem
Segundo os informes publicitários, as pessoas que eram recolhidas nas ruas eram encaminhadas para locais adequados para o seu acolhimento. Não foi o que eu vi. Na Central de Triagem, local de onde todos deveriam ser encaminhados para os abrigos da cidade, não havia possibilidade da efetividade do trabalho, porque não havia abrigos para recebê-los. Na Central de Triagem, espaço sem a mínima infra-estrutura para o desenvolvimento de uma política social adequada (não havia camas, não havia banheiros suficientes, as refeições eram produzidas em condições precárias etc.), crianças e adolescentes, homens, mulheres e até mesmo famílias acomodavam-se como podiam (cada um destes grupos ocupando um andar da instituição).

 

Havia, ainda, aqueles que nem mesmo conseguiam adentrar o prédio da Central, acomodando-se na sua calçada mesmo. Não havia como passar despercebida a sucessão de violências a que estava sendo submetida a população de rua do Rio: antes de tudo, a própria situação de marginalização social; depois, as ações de recolhimento, tolhendo-lhes o direito constitucional de ir a vir; por fim, ainda, o encaminhamento para locais onde não havia condições de um atendimento com a responsabilidade que pedem os problemas sociais brasileiros.

 

Uma política fundada em absurdos: no absurdo de que as populações marginais não podem e não devem circular nas áreas nobres da cidade; no absurdo de que o Estado sabe, mais do que as próprias pessoas, o que delas deve ser feito; no absurdo de que a situação de rua, em si, condiciona ao crime (daí o desenvolvimento de um programa de segurança na atuação junto à população de rua) etc.

 

Política Social, no Brasil, frequentemente é caso de polícia! 

 

Campinas: uma Candelária  por mês
Fosse a Chacina da Candelária um evento isolado e já se teria motivos para fazer um espetáculo de teatro. Fosse a violência contra a infância exclusiva ao Rio de Janeiro e já se teriam motivações bastante para a indignação. Para muito além desse fato e desse estado, a violência contra meninos de rua se estende irrestritamente por todo o território nacional. Daí as motivações para um espetáculo indignado. 

 

Lembro que a cidade mesmo em que vivo, Campinas, apresenta igualmente índices alarmantes de violência contra o cidadão em geral e especialmente contra a população pobre. Nos tempos de minha interação com os meninos de rua contabilizavam-se entre 8 e 10 menores de idade assassinados a cada 30 dias: mais de uma Candelária por mês!  

 

Eu mesmo ouvi de meninos de Campinas e de educadores que com eles trabalham relatos impressionantes. Numa noite, contavam eles, a polícia recolheu diversos meninos no centro da cidade (política de recolhimento e de afastamento de população de rua é uma das ações menos criativas e mais violentas a que se submete essas pessoas). Depois, foram levados para um “lixão”: enquanto um policial controla o grupo, outro leva um a um a local onde não podem ser vistos pelos demais. Ali, atira. Um a um, os meninos são levados e ouvem-se os tiros. Os que estão próximos do grupo já sabem: aguardam a sua sentença de morte. Quando levados ao local onde acreditam serem sentenciados, no entanto, o policial ordena que corram para longe dali; só então atira em direção oposta. Dias mais tardes, os meninos pouco a pouco encontram seus parceiros nas ruas da cidade. Apenas um susto? Com o passar do tempo entendi: tudo e todos pretendem dizer a esses meninos que as suas vidas não lhes pertence. 

 

18 anos depois
Passados 18 anos da Chacina da Candelária, provocamo-nos: atingimos a maioridade do problema social que, no limite, assassinou crianças e adolescentes, em 1993? 

 

A provocação, como se vê, estende a Chacina da Candelária para muito além do evento histórico (uma madrugada que ainda se repete) e para muito além do território carioca.  

 

Na cidade de São Paulo, os projetos de revitalização do centro da cidade, conduzidos por Prefeitura e Governo do Estado, parecem não levar em conta que, além da recuperação dos prédios históricos, é preciso conduzir ações efetivas com a população que ali vive. Revitalizar o centro é, afinal, dele cuidar para melhorar a vida das pessoas. Resultado: a chamada cracolândia instala-se em diferentes regiões centrais sem nenhuma perspectiva de mudança desse panorama social. O crack, diga-se, ainda mais que em 2003, quando realizei os estudos para o espetáculo, é mencionado em estudos diversos como verdadeira epidemia!        

 

Não conheço nenhuma política pública brasileira de qualidade que perdure no atendimento à população de rua e às crianças e adolescentes de rua espacialmente. Assim, sigo apresentando “Agora e na Hora de Nossa Hora”.     

 

4. Meninos de rua: invencíveis

 

eduardo-okamoto-5

 

Está é a quarta postagem, de um total previsto de 18, do projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” – sequencia de apresentações do espetáculo “Agora  e na Hora de Nossa Hora” em 18 sessões no SESC Pompéia, na capital, e 18 sessões em cidades diversas do interior paulista. Registramos, assim, o marco histórico dos 18 anos da Chacina da Candelária.

 

Como nas publicações anteriores, busco impulsos primordiais para a realização do espetáculo. Aqui, um depoimento pessoal sobre como fui atravessado pelo convívio com crianças e adolescentes do projeto “Gepeto”.  

 

As oficinas de circo do “Gepeto” constituíram o passo inaugural das criações do espetáculo. Quando das minhas primeiras ações no projeto, no entanto, não cogitava criar uma obra em que a situação de rua fosse debatida. Assim, a resposta mais honesta para uma pergunta frequente (por que fazer um solo sobre meninos de rua?) seria: “Não sei; talvez porque não pude evitá-lo”.   

 

Antes de colaborar para a concepção e implementação do projeto, eu já vinha de outras interações com a população de rua: o projeto “Arte e Exclusão Social” em que alunos e professores de diversos cursos da UNICAMP – Artes Cênicas, Letras, Geografia, Música, Arquitetura e Urbanismo, Antropologia etc. – envolveram-se na realização de oficinas de teatro entre moradores de rua atendidos pela Casa dos Amigos de São Francisco de Assis. Um dos resultados do trabalho foi a criação de um grupo de teatro entre esta população, o Grupo de Teatro Pé no Chão, que chegou a criar e produzir seus próprios espetáculos. Reconhecer que as apresentações cênicas deste grupo revelavam tão somente a ponta de um iceberg de profundas transformações foi uma das maiores lições da força da arte que já tive: repetidas vezes, vi moradores de rua se reunirem para cuidarem de si, evitando o consumo de álcool, nas vésperas de apresentações; vi também que os integrantes do Pé no Chão, muitos deles sem portar carteira de identidade (RG), exibiam com orgulho a carteirinha da Federação Campineira de Teatro Amador; vi, enfim, moradores de rua, frequentemente pouco afeitos a registros e documentos, ocuparem-se de registrar em cartório o nome do seu grupo, formalizando uma associação cultural, de maneira a preservar a sua identidade coletiva.     

 

Não bastasse a incrível vivência do papel social da arte entre aqueles que se iniciam numa linguagem  artística, alguns dos atores do “Arte e Exclusão Social”, depois reunidos sob o nome de Grupo Matula Teatro, criaram pelo menos dois espetáculos sobre a situação de rua – ambos dirigidos por Verônica Fabrini.

 

Assim, pensava eu, não havia nenhuma possibilidade de que eu criasse uma nova obra sobre questões tão próximas – afinal, não poderia haver tantas diferenças assim entre crianças ou adultos morando na rua ao ponto de criar um novo espetáculo de teatro.

 

Ledo engano. Primeiro porque, além de se destacar da paisagem urbana tal qual os adultos de rua (permanecendo e desenvolvendo a sua sociabilidade no meio fio, local que para os outros habitantes da cidade encerra apenas trânsito, passagem), os meninos ainda contrariam um modelo de infância e juventude: não vão à escola, não têm famílias que aparentemente por eles zelem. Ou seja, meninos de rua não se inserem num modelo de sociabilidade: estudar, crescer, casar, ter filhos, “ser alguém na vida”. Pelo menos não nessa ordem necessariamente.          

 

Além disso, entendi isso aos poucos, esses meninos vivem permanente e plenamente o momento presente. Vivem com o máximo de intensidade o momento de uma relação, o “instante já” de Clarice Lispector. Isso, aliás, era uma dificuldade no início das oficinas: lembrá-los dos dias da semana em que os trabalhos se desenvolviam representava pouco, já que raramente usavam o calendário como referência de compromissos. 

 

Por fim, e sobretudo, diferentemente dos adultos que frequentemente enfrentam graves problemas de depressão e isolamento, os meninos de rua são vivos, muito vivos. São, como escreve Lígia Costa Leite, “invencíveis” em sua força de vida. Enfrentam valentemente um a um seus obstáculos. 

 

Assim, muitas vezes, até mesmo por contraste, eu me inquietava: afinal, por que vivo em casa? Por que aceito determinados esquemas de vida socialmente sedimentados? Por que uso determinadas roupas para me defender e organizar socialmente a minha vida e não outras? Eu que, antes de se iniciar o projeto “Gepeto”, tinha tanta compaixão pelos meninos de rua (crianças pobres, coitadas!), pouco a pouco começava a me compadecer de mim mesmo (tão acuado em si, pobre coitado!).

 

Ainda acresce à intensidade desta experiência o fato de que não possuía nenhum acompanhamento psicológico (sempre são tão poucos os recursos financeiros a se aplicar no atendimento às populações pobres, que quase nunca se pergunta como preparar os profissionais que com elas vão trabalhar). Hoje penso que isso equivale a enviar soldados cheios de boa intenção, mas inteiramente despreparados, para zonas de conflito. Seguidas vezes senti-me absolutamente desesperado (a palavra não é casual, mas escolha) com as notícias de meninos falecidos ou que voltavam às substâncias psicoativas depois de períodos sem o seu uso. Chorei. Chorei muito.           

 

O espetáculo, assim, foi se tornando absolutamente fundamental. Naquele momento, pensei que a minha sanidade dependia de que eu conseguisse sintetizar como obra uma experiência tão perturbadora. “Agora e na Hora de Nossa Hora” é a minha tentativa de partilha. Só.

 

E não mais sozinho!

    

 Serviço:
“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

3. A infância em risco: “Notícias de uma Guerra Particular”

 

O processo de criação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” foi acompanhado de um levantamento filmográfico de obras que debatem a situação da infância e da juventude no Brasil e no mundo. Como parte das postagens do projeto “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” – projeto de circulação do espetáculo em 18 sessões na capital e 18 apresentações pelo interior paulista, acompanhada de atividades paralelas,  como 18 postagens neste blog a cada fase do projeto  – apresento trechos de filmes que nortearam a montagem dramatúrgica do espetáculo em que atuo.

 

Aqui, uma primeira referência: “Notícias de uma Guerra Particular”. Menos pela apresentação da violência a que crianças e adolescentes estão  submetidos nas periferias de grandes cidades e mais pela relevância de um apontamento já anunciado no título do filme: a capacidade do Estado e da sociedade de incluídos de ignorar parte de nossos problemas sociais, tornando-os, de certa maneira, invisíveis. Impressiona, na obra, o registro de uma verdadeira guera civil travada todos os dias, no Brasil, tornada cotidianamente um problema particular dos excluídos.

 

 

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

2. Projeto “Gepeto”: arte com meninos de rua

 

 

Como parte de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” (projeto de circulação do espetáculo “Agora e na Hora de Nossa Hora” em 18 sessões na capital e 18 apresentações pelo interior paulista), publico, neste blog, 18 posts a cada fase da sua realização. Assim, tanto quanto as sessões do espetáculo, registro o marco histórico dos 18 anos da Chacina da Candelária: atingimos, enfim a maturidade de questões sociais ligadas a infância e juventude brasileiras?

 

Projeto “Gepeto”
A gênese de criação do espetáculo “Agora e na Hora de Nossa Hora” tem princípio no meu envolvimento em um projeto social, em Campinas. Entre 2002 e 2004, eu contribuí para a concepção e desenvolvimento do projeto “Gepeto – Transformando sonhos em realidade” – parceria entre a Ação Artística para Desenvolvimento Comunitário – ACADEC e o Centro de Referência em Atenção Integral à Saúde do Adolescente – CRAISA. O “Gepeto” contribui para a educação de crianças e adolescentes em situação de risco social, especialmente a situação de rua, através de oficinas de arte: música, dança, artes plásticas e circo – esta última coordenada por mim.

 

Aqui, inicialmente procuro recompor princípios de trabalho no “Gepeto”. Para isto, adapto trechos do livro “Hora de Nossa Hora: o menino de rua e o brinquedo circense”, de minha autoria e publicado pela Editora Hucitec, em 2007.

 

Brinquedo circense
Não há novidade na utilização do circo como instrumento de arte-educação. Muitos projetos já fizeram isso. Também não há novidade na sua prática entre meninos e meninas em situação de rua. Outros tantos já perceberam as possibilidades educacionais do circo junto a esta população. Entretanto, se não posso aqui apresentar uma proposta inédita, posso partilhar as especificidades que marcaram a minha experiência nas oficinas de circo do projeto “Gepeto”. Assim, abro espaço para a troca de ideias – o que é infinitamente diferente de aconselhar educadores com um manual de atuação junto a meninos de rua.

 

As especificidades do nosso circo começam na organização dos trabalhos. Toma-se para a sua condução não um artista circense, como se espera na realização de um trabalho de circo-educação, mas um ator. Para aquilo que pude realizar no trabalho, bastaram-me as aulas de circo da escola de teatro e os anos de treinamento de acrobacia como ginasta. Para tudo aquilo que eu não pude realizar, faltou-me a sabedoria que só os anos de picadeiro podem conferir.

 

Não bastasse o primeiro atrevimento de aceitar a tarefa, afrontei outro: o de realizar uma oficina de circo sem absolutamente nenhum equipamento circense. Não tínhamos uma lona, colchões, trampolins, claves e bolinhas de malabares. Nem mesmo um espaço amplo e com alto pé direito tínhamos para a realização das atividades.

 

Ainda assim, este atrevimento certamente valeu a pena. Valeu a experimentação de materiais. Valeu a busca por soluções criativas. Valeu, enfim, o trabalho com os brinquedos circenses. Usando materiais poucos – fita crepe, bexiga, cabos de vassoura, latas de extrato de tomate -, construímos o nosso circo. Se o circo não podia se fundar em materiais caros, que fosse de brinquedo. Há um circo que se edifica, sem lona, sem pedras e tijolos. Ele se constrói no corpo dos homens.

 

No corpo, resultados do trabalho
O circo é o espetáculo em que o incrível se apresenta: a mulher barbada, os trapezistas voadores, o mágico, o domador de leões. O circo é a revelação de que o impossível é possível. Realizando uma oficina alicerçada na linguagem circense, era de se esperar resultados tão incríveis quanto os do espetáculo do circo. Não foi assim que aconteceu.

 

Evidentemente, as crianças e os adolescentes aprendiam e desenvolviam suas habilidades circenses – aliás, com facilidade impressionante! Entretanto, não trabalhávamos com a perspectiva do circo propriamente dito, mas com o brinquedo circense. Desenvolvendo atividades simples, estudávamos materiais, improvisávamos soluções, inventávamos um circo que se construía não fora, mas dentro de nós. Assim, ainda que os meninos aprendessem um pouco de técnica de circo, os resultados do trabalho não estavam neste aspecto. Invisível, mas solidamente, ele se construía não aparentemente, mas essencialmente. Sem os limites das construções de pedra, poderíamos construí-lo indefinidamente.

 

A partir de atividades poucas, vi meninos lutarem contra o vício do crack, cuidarem do próprio corpo e de seus companheiros, retomarem o contato com suas famílias, sonharem um futuro.

 

Para impulsos de transformações tão profundas, vi resistências sociais que as tornavam frequentemente impossíveis. Crianças e jovens superando a si mesmos e, às vezes, não podendo superar as imposições histórico-sociais.

 

Uma motivação fundamental para a criação de “Agora e na Hora de Nossa Hora” foi justamente a necessidade de colocar em comunicação esses dois mundos: de excluídos, ávidos por transformação; de incluídos que, a despeito das frequentes queixas a cerca da ordem social, muitas vezes parecem dispostos a defendê-la. O espetáculo tem, assim, pretensões: diálogo; mediação de grupos que normalmente não se comunicam.

 

Do pouco que nós tínhamos, inventamos nosso circo. Sem grandes apresentações, sem alarde, sem ineditismo de atrações, ele se construía. Sutilmente ele se erguia em nossos corpos. O circo é o espetáculo do incrível: o impossível é possível! E do nada que se via, mas do muito que se tinha, adolescentes em situação de rua mostraram que era possível reunir impulso para um incrível salto vital!

 

 

Serviço:
“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

 

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia

 

 

1. “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”

eduardo-okamoto-19
 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” é um solo sobre meninos de rua com minhas dramaturgia e atuação e direção de Verônica Fabrini. Seu processo criativo incluiu a realização de oficinas de circo com crianças e adolescentes em situação de rua, a inspiração no conto “Macário”, do mexicano Juan Rulfo, e a pesquisa sobre a Chacina da Candelária – quando, em 1993, oito meninos moradores de rua foram assassinados por policiais, nos arredores da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro.

 

Em 2011, este fato histórico completa 18 anos, o que nos motivou a conceber um projeto de circulação do espetáculo: “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”. Assim, dia 21 de outubro de 2011, estréia, no SESC Pompéia, temporada paulistana de “Agora e na Hora de Nossa Hora” com exatas 18 sessões. As apresentações acontecem até o dia 27 de novembro, às 21h (sextas e sábados) e às 19h (domingos).

 

Numa segunda etapa, a ser realizada com recursos do PROAC – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, o espetáculo apresentar-se-á em outras 18 sessões  no interior paulista.

 

Um objetivo primeiro do projeto, é o registro do marco histórico. Se é esperado que o brasileiro nascido em 1993 esteja apto a exercer a sua cidadania (com direitos e obrigações civis), este projeto provoca-nos: fomos capazes, como povo, de amadurecer um projeto social diverso daquele que assassinou crianças e adolescentes 18 anos atrás? Concebidas desta maneira, as apresentações da temporada paulistana e a circulação pelo interior constituem um ato performático. Seu programa inclui ações que, tal qual a temática do espetáculo, debatem circunstâncias históricas específicas, a Chacina da Candelária, mas se estendem para além delas:

 

1) Nos 18 anos de um importante acontecimento social realizam-se 18 apresentações na capital e 18 sessões no interior paulista de um espetáculo teatral que o debate.

 

2) Estas apresentações são realizadas em municípios paulistas com elevados índices de violência contra a infância e a juventude e consumo de crack entre jovens – tema, aliás, anunciado no espetáculo já há sete anos e, hoje, encarado como verdadeira epidemia nas cidades brasileiras.

 

As apresentações no interior serão acompanhadas de atividades paralelas diversas: debates, exposição etc. Além disto, neste blog, a cada fase do projeto, 18 postagens apresentarão minha interação com os meninos de rua e o processo de sua síntese como obra teatral.

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora_18!” é projeto de circulação circular: integração e aprendizado com as experiências; os fatos do passado como abertura para a invenção do futuro. No percurso – sempre! – uma trajetória de sabedoria.

 
Serviço:

“Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia:
Rua Clélia, 93
De 21 de outubro a 27 de novembro de 2011
Sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h
Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Telefone: 11 3871-7700

 

Revista Olhares 2 publica artigo de Eduardo Okamoto

 

 

A revista Olhares, publicação da Escola Superior de Artes Célia Helena, será lançada hoje, dia dez de outubro de 2011, na Livraria da Vila. A edição homenageia o trabalho de Daniela Thomaz, traçando um perfil da artista.

 

A revista Olhares teve, nesta edição, a colaboração editorial dos Profs. Drs. André Carreira, da Universidade do Estado de Santa Catarina, e Walter Lima Torres Jr., da Universidade Federal do Paraná. Constam, no volume, textos assinados por Frank Totino, Richard Schechner, Aïcha Haroun Yaccobi, Roberto Moreira, Oswaldo Mendes, Eduardo Okamoto, Luciana Magiolo, Humberto Hugo Villavicencio García, Carolina Gonzalez, Edélcio Mostaço, Sílvia Fernandes.

 

Em seu artigo, Eduardo Okamoto analisa sua experiência no Marrocos, no Festival Internacional de Expressão Corporal  Teatro e Dança de Agadir, e num desdobramento da viagem: a montagem do exercício cênico Ghita, de  Aïcha Haroun Yacobi. Parte do texto, foi publicado no blog do ator. Para ver essa postagem, clique aqui.

Espetáculo “Eldorado” no Sesi Campinas

 

img_8348

 

O projeto Arte Local continua apresentando atividades atísticas no SESI Campinas. E, na próxima quinta-feira, dia 06 de outubro, é a vez de Eduardo Okamoto apresentar o espetáculo “Eldorado”. A apresentação acontece às 20h, com entrada gratuita e ingressos distribuídos uma hora de antes.

 

O projeto Arte Local, do SESI, valoriza iniciativas voltadas à criação de plateias e disponibiliza os equipamentos culturais aos artistas regionais, com foco na difusão das artes e da cultura locais e a facilitação do acesso do público aos eventos.

 

Em Campinas, a apresentação de “Eldorado” é motivo de celebração: a inauguração do novo teatro do SESI Campinas, novo e fundamental espaço numa cidade carente de equipamentos culturais; e a volta de “Eldorado” à cidade onde o espetáculo foi concebido. Parece pouco.  Não é.  Não é segredo para nenhum dos cidadãos de Campinas que a cidade notadamente, nos últimos anos, apresenta uma política cultural incipiente. Até mesmo os artistas locais tem dificuldade de apresentar seus trabalhos na cidade (não há, no presente momento, um único teatro público adequadamente equipado, em Campinas). Isso, no limite, tem provocado distorções alarmantes: “Eldorado”, por exemplo, espetáculo de ator residente na cidade, Eduardo Okamoto, realizou menos de 6 apresentações em solo campineiro dentre as mais de 110 sessões do trabalho. Assim, a apresentação do espetáculo no SESI tem motivos de sobra para festejar!

 

 

Serviço:

Dia 06/10/2011. Quinta-feira, às 20h.
Teatro do Sesi Campinas
Avenida das Amoreiras, 450. Parque Itália. Campinas – SP.

Telefone: (19) 3772.4184

Ingressos gratuitos distribuídos a partir das 19h.

 

 

Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui. Para saber mais sobre o seu processo de criação, clique aqui.

Espetáculo “Eldorado” no SESI Piracicaba

 

img_8648

 

Eduardo Okamoto apresenta o espetáculo “Eldorado” no Teatro do Sesi Piracicaba, dia 29 de setembro de 2011, às 20h. A entrada é gratuita e os ingressos serão distribuídos com uma hora de antecedência.

 

A apresentação integra o projeto Arte Local, do SESI.  A intenção da entidade é valorizar iniciativas voltadas à criação de plateias e disponibilizar os equipamentos culturais aos artistas regionais, com foco na difusão das artes e da cultura locais e a facilitação do acesso do público aos eventos. Assim, a programação recebe artistas de teatro, dança e música de artistas sediados em Piracicaba ou num raio de 180 quilômetros da cidade.

 

Serviço:

Dia 29/09/2011. Quinta-feira, às 20h.
Teatro do Sesi Piracicaba
Avenida LuizRalph Benatti, 600 – Vila Industrial.
Informações: (19) 3403-5928

 

Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui. Para saber mais sobre o seu processo de criação, clique aqui.

 

Oficina Produção e Gestão de Projetos Culturais

 

Daniele Sampaio ministra oficina sobre Produção e Gestão de Projetos Culturais em, Ribeirão Preto, como parte da 3ª MOSTRA DE TEATRO GIRA-SOLA (2011).

 

O curso tem como objetivo oferecer aos participantes noções gerais de produção e gestão de projetos culturais nas Artes Cênicas. Assim, serão enfatizados os seguintes tópicos: leis de incentivo, editais federais, estatais e privados, elaboração, execução e pós-produção de projetos culturais. Uma realização através da parceria do Ponto de Cultura Casa das Artes com o Movimento Gira-Sola.

 

A oficina acontece de 22 a 24 de setembro, das 14h às 18h, completando, assim, 12h de carga horária. As inscrições são gratuitas. A oficina acontecerá na casa das Artes: Avenida Caramuru, 1516; telefone: (16) 3441.2474.

 

Daniele Sampaio é produtora do ator Eduardo Okamoto desde 2006. É responsável pela produção dos espetáculos “Agora e na Hora de Nossa Hora” (2004), “Eldorado” (2008) – indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator, em 2009 – e “Chuva Pasmada” (2010) em parceria com a atriz Alice Possani do Grupo Matula Teatro – indicado ao Prêmio CPT 2010 na categoria de Melhor Elenco. Com estes trabalhos percorreu importantes festivais nacionais (FILO, FIT São José do Rio Preto, Cena Contemporânea de Brasília, riocenacontemporânea, Caxias em Cena, Floripa Teatro, etc) e internacionais (Suíça, Espanha, Kosovo, Marrocos, Escócia). Participou de cursos, palestras e seminários com importantes profissionais atuantes na área de produção cultural. Desde 2009, ministra em parceria com o produtor Pedro de Freitas, da Périplo Produções, o curso “Produção e Gestão para as Artes Cênicas”, durante a realização do “Feverestival” – Festival Internacional de Teatro de Campinas. Trabalhou com grupos Barracão Teatro, Grupo Matula Teatro, Jogando no Quintal e Cia. da Memória. Desde 2009, presta consultoria em produção e gestão para grupos de teatro.

 

O Gira-Sola é um projeto do Grupo Teatral Engasga Gato e do Grupo Zibaldoni, ambos de Ribeirão Preto. O objetivo é difundir trabalhos teatrais de todo o país que estejam fora do circuito da grande indústria cultural e valorizar propostas cênicas inovadoras que direcionam seu fazer teatral a novos olhares e seus pés a um terreno de risco.

Espetáculo “Eldorado” em S. J. Campos

 

Eduardo Okamoto apresenta o espetáculo “Eldorado”, em São José dos Campos, como parte da programação do Festivale. A apresentação acontece no Teatro do Sesi, com ingressos gratuitos, distribuídos uma hora antes da apresentação.

 

Neste ano, o festival realiza mais de 100 atividades, entre apresentações de peças teatrais, palestras, workshops e debates em cerca de 40 locais diferentes na cidade. A maioria das atividades é gratuita.

 

Para saber mais sobre o festival, clique aqui.

Para saber sobre o espetáculo, clique aqui.  Para saber mais sobre o seu processo de criação, clique aqui.

 

Dia 08/09/2011. Quinta-feira, às 20h.

Teatro do Sesi São José dos Campos

Av. Cidade Jardim, 4389 – Bosque dos Eucaliptos

Informações: (12) 3936-2611


Sinopse: Acompanhado por uma “Menina”, um cego busca encontrar o que nenhum homem pôde jamais: Eldorado. Toda estória se resume nisto: era uma vez um homem que procura. Nos tempos e lugares da viagem, haja espaço para humanidades – travessia

 

Concepção, pesquisa e atuação: Eduardo Okamoto

Dramaturgia: Santiago Serrano

Direção Marcelo Lazzaratto

Broadway Baby – Crítica “Agora e na Hora de Nossa Hora”


 

Abaixo a crítica de Matthew Hawkins, publicada no Brodway Baby (http://www.broadwaybaby.com).

 

 

Cosmic

 

Eduardo Okamoto has played this piece for seven years now and it has become part of his identity. Even so, his portrayal of Pedrinha, a vulnerable Brazilian street kid, remains volatile. Charged spontaneity is maintained here by Okomato’s access to cardinal dance disciplines, in a global sense. To see how he coils his spine in intensely low squats then rises up as if impelled and how he shape-shifts his bared abdomen and ribcage in an intoxication of unbound expression (extending to plangent vocals) is to know full-blown physical immersion.

 

Witnessing Now and at the Time of Our Turn requires punters sit around darkened edges and ponder two intersecting strips of light (oops, a cross!) within which Okamato’s Pedrinha waits entrapped. Then, flailing backwards and forwards, spilling his soul, neurotically all akimbo but finding sudden animal reflexes of terrified stillness, he has us learn (and retain) how his persona has become deranged by a mindless trauma he has witnessed. Stellar actors and dramatists all find ways to do this but here it is rendered searingly individual. Before his skull becomes the resonant instrument of self harm, we repeatedly notice the articulate detail of how this head, neck and throat (bearing crucifix and precious earring) suspend an eloquent mechanism for primal outlet, right up from the gut, up and over the muscular tongue. This visionary sensuality delights to the degree that we can’t fail to know the nugget of marvel deeply embedded in kids gone feral. Hence, the narration of their brutal destiny flays us but also inspires.

 

This artist and his director, Veronica Fabrini, have examined a troubled terrain and mastered the means (including a basic but telling Anglo/Portuguese script) to take us there and to haul us back emotionally dishevelled. Dazed, I felt my way out of the premises, oddly cherishing the hope that, taking his cue from Pedrinha’s final wishes, Edoardo Okamoto might someday free himself from the crucifying burden of this piece. His future playing, choreography or dancing would be astonishing I’m sure, but meanwhile he is phenomenally present this way.

 

Crítica por Matthew Hawkins


Fonte: http://www.broadwaybaby.com/edinburgh-fringe/10786-now-and-at-the-time-of-our-turn

The Stage – Crítica “Agora e na Hora de Nossa Hora”



Abaixo a crítica de Alistair Smith, publicada no The Stage (http://ed.thestage.co.uk/).


Writer and performer Eduardo Okamoto’s one-man show takes as its inspiration the true story of the Candelaria Slaughter – when in 1993, Brazilian policemen killed eight street children in the middle of Rio de Janeiro.


Okamoto plays Pedrinha, another street kid who has witnessed the killings while hidden on top of a newsstand.


At first, we find this child – like a kind of feral cat – hunting for rats and we follow him on a journey that sees him get high on crack, eat stones and engage in various quasi-religious rituals.


The thread of the story is not always clear – partly intentionally to reflect Pedrinha’s mental state, partly because large swathes of the production has him muttering in Portuguese – but Okamoto’s energetic performance is enough to carry the production along, despite its vagaries.


He is physically hugely impressive, adopting the twitches and mannerisms of someone living on the very edge of sanity and society. At one point he tries to make a drum beat by banging his head against the floor.


It is a disturbing and deeply affecting performance and one which has clearly been honed over a number of years of touring the show and from first-hand experience working with street children. This is not an easy production to watch – and sometimes to follow – but it is one that is very much worth seeing.


Crítica por Alistair Smith


Fonte: http://ed.thestage.co.uk/reviews/1379?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=ed2010