animação

Broadway Baby – Crítica “Agora e na Hora de Nossa Hora”


 

Abaixo a crítica de Matthew Hawkins, publicada no Brodway Baby (http://www.broadwaybaby.com).

 

 

Cosmic

 

Eduardo Okamoto has played this piece for seven years now and it has become part of his identity. Even so, his portrayal of Pedrinha, a vulnerable Brazilian street kid, remains volatile. Charged spontaneity is maintained here by Okomato’s access to cardinal dance disciplines, in a global sense. To see how he coils his spine in intensely low squats then rises up as if impelled and how he shape-shifts his bared abdomen and ribcage in an intoxication of unbound expression (extending to plangent vocals) is to know full-blown physical immersion.

 

Witnessing Now and at the Time of Our Turn requires punters sit around darkened edges and ponder two intersecting strips of light (oops, a cross!) within which Okamato’s Pedrinha waits entrapped. Then, flailing backwards and forwards, spilling his soul, neurotically all akimbo but finding sudden animal reflexes of terrified stillness, he has us learn (and retain) how his persona has become deranged by a mindless trauma he has witnessed. Stellar actors and dramatists all find ways to do this but here it is rendered searingly individual. Before his skull becomes the resonant instrument of self harm, we repeatedly notice the articulate detail of how this head, neck and throat (bearing crucifix and precious earring) suspend an eloquent mechanism for primal outlet, right up from the gut, up and over the muscular tongue. This visionary sensuality delights to the degree that we can’t fail to know the nugget of marvel deeply embedded in kids gone feral. Hence, the narration of their brutal destiny flays us but also inspires.

 

This artist and his director, Veronica Fabrini, have examined a troubled terrain and mastered the means (including a basic but telling Anglo/Portuguese script) to take us there and to haul us back emotionally dishevelled. Dazed, I felt my way out of the premises, oddly cherishing the hope that, taking his cue from Pedrinha’s final wishes, Edoardo Okamoto might someday free himself from the crucifying burden of this piece. His future playing, choreography or dancing would be astonishing I’m sure, but meanwhile he is phenomenally present this way.

 

Crítica por Matthew Hawkins


Fonte: http://www.broadwaybaby.com/edinburgh-fringe/10786-now-and-at-the-time-of-our-turn

The Stage – Crítica “Agora e na Hora de Nossa Hora”



Abaixo a crítica de Alistair Smith, publicada no The Stage (http://ed.thestage.co.uk/).


Writer and performer Eduardo Okamoto’s one-man show takes as its inspiration the true story of the Candelaria Slaughter – when in 1993, Brazilian policemen killed eight street children in the middle of Rio de Janeiro.


Okamoto plays Pedrinha, another street kid who has witnessed the killings while hidden on top of a newsstand.


At first, we find this child – like a kind of feral cat – hunting for rats and we follow him on a journey that sees him get high on crack, eat stones and engage in various quasi-religious rituals.


The thread of the story is not always clear – partly intentionally to reflect Pedrinha’s mental state, partly because large swathes of the production has him muttering in Portuguese – but Okamoto’s energetic performance is enough to carry the production along, despite its vagaries.


He is physically hugely impressive, adopting the twitches and mannerisms of someone living on the very edge of sanity and society. At one point he tries to make a drum beat by banging his head against the floor.


It is a disturbing and deeply affecting performance and one which has clearly been honed over a number of years of touring the show and from first-hand experience working with street children. This is not an easy production to watch – and sometimes to follow – but it is one that is very much worth seeing.


Crítica por Alistair Smith


Fonte: http://ed.thestage.co.uk/reviews/1379?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=ed2010

 

O menino de rua fala inglês

 

Estamos na Escócia, onde participamos do Edinburgh Festival Fringe com “Agora e na Hora de Nossa Hora” – traduzido, aqui, para “Now and at the Time of Our Turn”. Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui. E para saber mais sobre o seu processo criativo, clique aqui. Para ajudar a divulgar o trabalho entre amigos europeus, acesse nosso flyer eletrônico, aqui.

 

Enfrentamos, aqui, um desafio: como ultrapassar a barreira do idioma em apresentações fora do Brasil? Este não é um obstáculo novo, mas algo já enfrentado outras vezes com maior ou menor grau de dificuldade – na Espanha, na Suíça, no Kosovo, no Marrocos.

 

A solução mais imediata, é certo, seria que a peça se apresentasse na língua local ou, pelo menos, que se legendassem as apresentações. Aí, no entanto, outras dificuldades. A primeira: meu inglês é raso, no máximo o tenho como instrumental de leitura ou para o pedido urgente e desesperado de alguma refeição ou ajuda – nem me atrevo a fazer nenhuma referência aos idiomas árabe ou albanês, por exemplo. A segunda: o espaço da peça é próximo da arena, com grande proximidade entre ator/espectador, inclusive com o primeiro dirigindo-se diretamente ao outro. Legendar a peça, portanto, poderia interromper o fluxo de comunicação direta que a fundamenta, com espectadores dispersando-se do contato com o ator e transferindo a sua atenção para a legenda (que, aliás, deveria, ser projetada em 4 diferentes direções. A arena, neste aspecto, traz grandes dificuldades técnicas).

 

Assim, a resolução da questão do idioma necessariamente deveria estar apoiada mais na encenação e menos no recurso tecnológico. Verônica Fabini, diretora do espetáculo, propôs um procedimento que, até aqui, tem fundamentado nossas empreitadas “gringas”. Pedrinha, personagem de “Agora e na Hora de Nossa Hora”, tem urgência em comunicar seu drama. Porém, já sabe de antemão que falhará em seu objetivo: narrar a dor e o desassombro de uma noite em que um dos braços armados do Estado, a polícia, matou crianças na porta da igreja – a Chacina da Candelária. Aqueles que o ouvem, afinal, sendo brasileiros, portugueses, ingleses, árabes ou albaneses, jamais poderão compreender inteiramente aquilo que se fala. Somos todos estrangeiros à realidade cotidiana de quem faz da rua casa.

 

Ainda assim, Pedrinha não desiste de seu intento. Para realizá-lo, usará de todas as formas de comunicação possíveis: o português, as palavras poucas aprendidas em outros idiomas, sons e grunidos, o corpo, enfim. Em nossas apresentações, desta maneira, usamos muitas línguas para construir a linguagem da cena. Em Edimburgo, especialmente, usamos muito o inglês, mas também palavras em espanhol e italiano – o “spanglish” dos imigrantes.

 

Essa necessidade de se fazer entender, diga-se, não é uma invenção de Pedrinha. É cotidiano dos meninos e meninas de rua do Rio de Janeiro. Lá, os meninos falam aos turistas com seu inglês, reinventando-o à sua maneira. É célebre o episódio em que meninos de rua dirigiram-se à turistas sul-africanos, nos arredores da Candelária: “Hey, gringo! Have money para mangiare?” Um dos antecedentes da Chacina da Candelária, o polêmico episódio, meses antes da matança, já evidenciava a tensão crescente das desigualdades sociais brasileiras – a opulência dos que tem muito para se divertir, concretizada, aqui, no país-paraíso dos turistas, e a necessidade dos que têm quase nada para sobreviver.

 

Assim, se por um lado o idioma constitui barreira primeira para a comunicação, de outro, a direção do espetáculo transformou esse obstáculo em procedimento de encenação. A dificuldade de acesso à língua (um bem de garantia dos recursos materiais para a vida e também de construção de imaginário), aprofundando o apartheide social em que ainda se vive no Brasil e no mundo.

Ator de Campinas encena Chacina da Candelária em igreja da Escócia

 

Eduardo Okamoto leva seu solo a um dos maiores festivais de artes do mundo

 

Eduardo Okamoto não está desacostumado a encenar fora do País seu espetáculo solo “Agora e na Hora de Nossa Hora”, que retrata a Chacina da Candelária. Mas, dessa vez, um dado faz toda diferença: em sua passagem pela Escócia de 5 a 19 de agosto, o ator coloca o solo à mostra dentro de uma igreja, espaço onde acontece o Festival Fringe, um dos maiores do mundo, na cidade de Edimburgo. “A gente sempre quis fazer em uma igreja […] o sonho é encenar na Candelária”, revela Okamoto.

 

Na Candelária, a ideia dificilmente irá se concretizar, mas as 15 apresentações que o ator fará na Escócia têm um ar particular, de ineditismo, que em alguns aspectos remontam o cenário dos assassinatos. “É como se o tema reencontrasse seu lar”, declara à reportagem do EP Campinas por telefone.

 

Okamoto já está no país europeu, e ganhou atenção dos maiores jornais locais, que se interessaram por sua apresentação. “As pessoas mais jovens têm alguma lembrança, os mais novos não”, diz, sobre o conhecimento que percebeu dos escoceses referente à chacina.

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora” já foi apresentado em países como Suíça, Kosovo e Espanha, e Okamoto acha notável as diferentes reações do público. A história recente de Kosovo, marcada por conflitos, fizeram com que as cenas mais violentas despertassem a lembrança dos locais. “A memória de guerra é acessada imediatamente”, acredita.

 

O solo de Eduardo Okamoto, mesmo quando excursiona fora do Brasil, é falado prioritariamente em português, com inserções pontuais da língua local. Para o ator, a força da história torna o tema universal, além das barreiras do idioma.

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora”
O espetáculo já cumpriu temporada em São Paulo e foi apresentado em alguns dos principais festivais de teatro do Brasil, entre eles: Filo (Londrina); Festival Internacional de Teatro de S. J. Rio Preto (FIT); Cena Contemporânea de Brasília; Riocenacontemporanea (Rio de Janeiro). Em diversos festivais nacionais o trabalho foi agraciado com prêmios.

No exterior, já esteve no Festival Internacional de Teatro de Lugo e Festival Internacional de Teatro de Santiago de Compostela (Espanha); Festival Internacional de Teatro de Lugano (Suíça); Skena Up International Film and Theatre Festival, em Prístina (Kosovo); e Festival Internacional de Expressão Corporal, Teatro e Dança de Agadir, no Marrocos, onde levou o prêmio de melhor ator.

 

Eduardo Okamoto
É ator graduado em Artes Cênicas, Mestre e Doutor em Artes pela Unicamp. Desde 2000, pesquisa o trabalho de ator sob orientação do Lume (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa Teatrais da Unicamp). Recentemente, o ator foi indicado ao Prêmio Shell como melhor ator da temporada 2009, por um outro solo,  “Eldorado”.

 

*Fonte: http://eptv.globo.com/campinas/variedades/NOT,1,1,361931,Ator+de+Campinas+encena+Chacina+da+Candelaria+em+igreja+da+Escocia.aspx

“Agora e na Hora de Nossa Hora” estréia em Edimburgo

 

Estreamos, enfim, no Edinburgh Festival Fringe 2011! Apresentações bonitas, com públicos de diferenets partes do mundo: França, Polônia, Alemanha, Holanda, Brasil. Curiosamente, a cidade tem uma grande comunidade brasileira e, além disso, o festival recebe muitos produtores de diversas nacionalidades, inclusive brasileiros.

 

Hoje, uma produtora polonesa, depois de ver a peça e saber mas sobre o fato histórico que ela apresenta (a matança de oito meninos de rua por policiais: a Chacina da Candelária), fez uma pergunta simples e desconcertante: por que os policiais matam crianças? A pergunta não é nova. E, como em outras vezes, eu me enrolei muito para respondê-la. Depois, lembrei de um texto, escrito como parte de meu trabalho de doutoramento. De certa maneira, ele sintetiza duas experiências opostas – ambas elucidam motivações para apresentar o trabalho no exterior. O texto está abaixo, adaptado.

 

“Agora e na Hora de Nossa Hora”, um espetáculo sobre meninos de rua, foi criado a partir de pesquisas sobre a dramaturgia de ator. A partir da observação e imitação de crianças e adolescentes em situação de rua foi criado um repertório corporal e vocal que serviu de base à criação das cenas.

 

Esta interação com meninos de rua foi, desde o início do processo criativo, estendida à realização de oficinas de arte (circo, dança, artes plásticas e música) no projeto “Gepeto”, da ONG ACADEC, em Campinas. A partir de atividades muito simples, como malabares com pedras tiradas do trilho do trem, vi meninos de rua abandonando o vício do crack e até mesmo voltando para suas casas. Eis a força e a necessidade da arte!

 

Entretanto, também vi, repetidas vezes, que quando um menino de rua pretendeu mudar a sua vida, rígidas estruturas sociais o impediam: a bem da verdade, não sabemos o que fazer com o menino de rua que não quer mais ser um menino de rua; como se relacionar com ex-marginal?

 

Nas amarras sociais, novas inquietações: afinal, o que pode a arte? É necessária uma arte que pode transformar tão pouco? Na busca por respondê-las, esforcei-me ainda mais na apresentação do espetáculo. É preciso, pensava eu, aproximar mundos, o dos incluídos e dos excluídos; a arte poderá ser mediadora. Assim, a partir de 2006, “Agora e na Hora de Nossa Hora” realizou temporada em São Paulo, percorreu festivais no país e chegou a ser apresentado no exterior, em festivais na Espanha, na Suíça, no Kosovo e no Marrocos.

 

No exterior, em especial, foram curiosas as reações da audiência: “Por que policiais assassinam meninos de rua?”, perguntavam-me na Espanha. “O que mudou em seu país depois do seu espetáculo?”, perguntavam-me na Suíça. Perguntas simples, quase ingênuas, de quem vive distante da realidade em que vivemos – lembro que, na Suíça, pude caminhar na madrugada pelo centro da cidade sem medo; nem a polícia eu temi! E, no entanto, como era difícil respondê-las. Facilmente eu disse: “A polícia assassina crianças atendendo a uma pressão social porque, na verdade, incomoda muito a idéia de que, coletivamente, não sabemos como incluir os excluídos”. Resposta pronta, na ponta da língua.

 

Porém, dada a resposta, ecoavam ainda as perguntas: como o povo brasileiro pode conviver tão bem com a idéia de que grupos de extermínio são formados cotidianamente para matar gente pobre? Mais: qual a força de um espetáculo de teatro para transformar este fato cruel? O que mudou em meu país depois do meu espetáculo? Para quê o teatro neste contexto? À toa?

 

Em novembro de 2007, o espetáculo é apresentado no Skena UP, no Kosovo. O convite para se apresentar no festival foi formulado por Bekim Lumi, curador do Skena UP, que o havia assistido no evento suíço. No Kosovo, país que ainda procura se reconstruir depois de uma das guerras mais sangrentas da segunda metade do século XX, a experiência era justamente oposta àquela vivida na Suíça: enquanto nos Alpes, o mundo ideal apresentava-se como possível, nos Bálcãs, tudo parecia restrição. Ali, onde a realidade sócio-política parece tão hostil, nenhuma pergunta sobre a função da arte.

 

Na Universidade de Pristina, o principal curso de formação teatral do país é ministrado em apenas duas salas de aula: uma para as aulas teóricas e outra para as aulas práticas. Como o país enfrentava intenso racionamento de energia, parte das aulas da Universidade acontece à luz de velas. Lembro ainda que o inverno no Kosovo é rigoroso e, possivelmente, sem energia excedente, as salas de aula careçam de um eficiente sistema de calefação. Ainda assim, neste lugar em que o teatro parecia improvável, ele acontecia. Os alunos que conheci, os mesmos que apresentavam entusiasmados seus professores, relataram que as aulas são assiduamente freqüentadas por seus estudantes.

 

E não havia nesta vivência da arte, nenhum discurso sobre a necessidade de resistência do teatro. Fazia-se teatro pelo prazer de fazê-lo. Resistência que se constrói não no discurso da necessidade da arte, mas na alegria de vivenciá-la. Pude observar isto também na atitude de outros artistas que levaram espetáculos para o festival, cuja realidade social parecia igualmente hostil à criação: assim eram os trabalhos do Irã, da Albânia, da Macedônia e do meu país, o Brasil. Onde a necessidade de reconstrução da realidade é tão urgente (refiro-me mesmo à construção da realidade material, socialmente partilhada: postos de saúde, praças, escolas, instituições públicas), uma quantidade grande de jovens se dedica à inutilidade da arte.

 

As apresentações no exterior sempre nos colocam em xeque: o mundo tem muitos jeitos. Em Edimburgo, estamos oferecemos um deles para ser debatido: o nosso.

Agora, em Edimburgo!


 

 

Estamos na Escócia, onde participamos do Edinburgh Festival Fringe com “Agora e na Hora de Nossa Hora” – traduzido, aqui, para “Now and at the Time of Our Turn”. Para saber mais sobre o espetáculo clique aqui. E para saber mais sobre o seu processo criativo, clique aqui. Para ajudar a divulgar o trabalho entre amigos europeus, acesse nosso flyer eletrônico, aqui.

 

Os preparativos para a viagem são organizados desde 2006. Viajamos sem nenhum apoio financeiro direto (patrocínio ou subsídio governamental). Desta maneira, realocamos verbas de muitos cachês e projetos a fim de viabilizar um desejo antigo. Os sonhos, aprendi isso em minha breve trajetória no teatro, fazem-se de suor e estratégia.

 

A empreitada, este ano, foi possível graças à parceria de Daniele Sampaio, produtora de meus trabalhos, e a Périplo Produções, de Pedro e Freitas, especializada num certo intercâmbio artístico. Sim, tenho a sorte de estar acompanhado de dois grades produtores!

 

Em Edimburgo, estamos três. Mas somos muitos: a diretora Verônica Fabrini; o iluminador Marcelo Lazzaratto; a criadora da trilha sonora Paula Ferrão;  os orientadores Suzi Frankl Sperber e Renato Ferracini; os atores do Lume; as equipes do Projeto Gepeto, do Craisa e da Acadec; os fotógrafos João Roberto Simioni e Jordana Barale; a equipe do LuOrvat Estúdio; a assistente de direção Alice Possani; o tradutor de programas e releases Geroge Sperber e a revisora Cinthya Hussey; a tradutora da dramaturgia Elida Strazzi; todos aqueles que nos apoiaram em nossa jornada, especialmente nas últimas semanas no Brasil; sobretudo (Oxalá, seja assim!), os muitos meninos de rua que impulsionaram o processo criativo ainda em 2003/2004.

 

Os dias têm sido intensos, aqui. Correria para os preparativos da estreia, na sexta-feira, dia 05. Apresentamo-nos no Remarkable Arts até o dia 19, sempre às 12h20 (horário local). Hoje, ainda resolvemos pendências de materiais gráficos e iniciamos a montagem de iluminação, espaço cênico e som. Depois, ensaio geral, cujo objetivo principal é ensinar técnicos, que não falam português, a operação de audio e luz. O trabalho é muito para uma equipe tão reduzida. Mas, sabemos, como “Os Saltimbancos”, somos muitos e, portanto, fortes!

 

Essa força, diga-se, já se propaga em ondas de boa sorte. Uma: “Agora e na Hora de Nossa Hora”, que trata da matança de meninos de rua na porta da igreja, a Chacina da Candelária, será apresentado justamente num templo cristão. Que os deuses estejam conosco!

 

Outra: em nossa chegada, somos informados de que o Scotsman, maior jornal escocês e um dos maiores do Reino Unido, já noticia a nossa participação! E a revista The List, publicação semanal, guia de eventos em Edimburgo e Glasgow, destaca a participação brasileira de “Agora e na Hora de Nossa Hora”.

 

Que os ventos continuem soprando ao nosso favor. E, acaso soprem contra, que saibamos reorientar nossas velas, sem que nós mesmos nos desorientemos. Assim, faça-se aquilo a que se propõe o espetáculo: agora, a nossa hora! Digo não somente a minha, de Daniele, de Pedro. Nem mesmo a hora daqueles que já participam do espetáculo – Verônica, Marcelo, Suzi… Mas nossa hora como humanidade inteira – aquela hora em que, nos espaços de encontros possíveis entre os homens, se reconhece que cada um é único e, afinal, é todos! Somos, assim, fortes!