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Mostra Repertórios do Corpo no SESC Campinas

Depois de passar por Ribeirão Preto, a mostra “Repertórios do Corpo” chega ao SESC Campinas,   reunindo espetáculos e oficina do ator Eduardo Okamoto.

 

A mostra sintetiza resultados de seus estudos sobre a chamada dramaturgia de ator – modalidade de criação teatral fundada na organização de repertórios físico-vocais do atuante. Deste estudo foram desenvolvidos diversos espetáculos com a sua participação, como os solos “Agora e na Hora de Nossa Hora” e “Eldorado” (indicado ao Prêmio Shell 2009 como Melhor Ator), e as parcerias “Chuva Pasmada” (com a atriz Alice Possani, do Matula Teatro) e “Uma Estória Abensonhada” (em que dirige o Grupo Teatro Camaleão).

 

Em 2010, ano em que Eduardo Okamoto completou uma década de pesquisas continuadas sobre esse tema de trabalho, um evento-inventário denominado “10 Anos por uma Escrita do Corpo”, análogo a este “Repertórios do Corpo”, foi realizado nas cinco regiões do Brasil, passando por Natal, Belém, Goiânia, Belo Horizonte e Porto Alegre.

 

Confira a programação abaixo:


SERVIÇO MOSTRA “REPERTÓRIOS DO CORPO”

Local: SESC Campinas

Data: de o6 a 09/04.

Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00

Informações: 16 3977-4477

www.sescsp.org.br

Teatro: jogo e aprendizado


Convidado a ser o paraninfo da primeira turma de formandos da Escola Superior de Artes Célia Helena, fiz o meu pronunciamento na cerimônia de colação de grau, na noite do dia 22 de março de 2011. O texto a seguir é a transcrição deste discurso.

 

Srs. pais e familiares, professores, ex-alunos – tornados, agora, colegas de trabalho,

 

Hoje, como sociedade, formamos novos profissionais das Artes Cênicas. Essa é uma verdade incontesável. Mas é também uma verdade parcial: junto com esses artistas de palco, forma-se também uma instituição de ensino – a Escola Superior de Artes Célia Helena. Espelhada nos primeiros profissionais que forma, a escola, enfim, reconhece a sua própria cara.

 

Começo por essa constatação porque isso diz muito a respeito de um aprendizado possível no teatro: enquanto ensinamos, nos formamos; enquanto atuamos, procurando revelar mundos, outros tantos mundos nos são revelados. Isso porque o conhecimento gerado na cena não é exclusivamente estudado nos livros. É também um saber empírico que nasce do próprio ato de experienciar as coisas vividas. Um conhecimento tácito que se lê não só no texto escrito, mas também se descobre no próprio corpo, se advinha em si. Sabedoria que nasce do ato: atuação. Assim, quem aprende não é aquele que detém menos conhecimento, mas aquele que se abre para conhecer regras de jogo; e, como escreve Guimarães Rosa, “mestre é aquele que, de repente, aprende”.

 

Como jovem artista e professor, fico tranquilo ao imaginar, sonhar, que para vocês o jogo tenha sido tão intenso quanto foi para mim. Caros ex-alunos, obrigado pelas aulas!

 

Imbuídos deste jogo dos últimos três anos, não nos esqueçamos de que o aprendizado, não raro, é mais potente através da experiência que pelo aconselhamento. Lembremos que aquele que está no palco não sabe mais do que aquele que está na plateia. Que igualmente isso não nos impeça de ter um ponto de vista sobre as coisas – que mesmo não sendo melhor ou pior que qualquer outro, é um ponto de vista possível e, por isso mesmo, fundamental. Que, assim, da experiência da sala espetáculos saiam todos, artistas da cena e espectadores, fortalecidos para as suas lutas cotidianas – as comuns e as pessoais. Possamos juntos conferir sentidos à nossa tarefa humana de fazer algo nós mesmos.

 

Realizar o humano em si não é facil, sabemos que não. Ainda mais quando o contexto que se vê é profundamente desumano: violência e injustiça. Haverá ainda as dificuldades impostas por uma nação que não reconhece o papel insubstituível da arte na construção do imaginário do seu povo.

 

Como artistas, não raro, os tempos que seguirão nos parecerão duros. Mas tenho certo de que não serão mais duros que para médicos e dentistas, professores e advogados, lixeiros e cozinheiros, motoristas e donas de casa na especificidade de seus ofícios. Sobretudo, não serão mais duros que para os mais de 85% dos jovens em idade universitária, entre 18 e 24 anos, e que, segundo dados estatísticos do Ministério da Educação, ainda hoje não têm acesso a um curso superior, no Brasil – e que, antes, não foram atendidos em seu direito de acesso aos ensinos fundamental e médio de qualidade.

 

Lembro isso porque, como jogadores, temos também a responsabilidade da escolha pelos jogos que jogamos. A experiência desta colação de grau também nos revela que um bom jogo propicia aprendizado para si e para muitos outros. Saber ampliar o jogo do teatro em círculos cada vez mais amplos e transformadores é responsabilidade de jogadores formados!

 

Assim, ainda que tiremos “difícil de dificel”, como “peixe vivo no moquém”, saibamos prosseguir jogando, partilhando travessias. No enfrentamento coletivo das dificuldades, assim como na celebração de nossos passos, possamos uma vez mais tomar lições de Guimarães Rosa: “Agora que eu principiei e já andei um caminho tão grande, ninguém não me faz virar e nem andar de-fasto!”

 

Sorte na vida de vocês, atores!


Vida longa e próspera a esta escola!

Repertórios do Corpo no SESC Ribeirão Preto


Pela primeira vez em Ribeirão Preto, a mostra “Repertórios do Corpo” reúne três espetáculos do ator Eduardo Okamoto, Bacharel em Artes Cênicas, Mestre e Doutor em Artes pela Unicamp.

 

A mostra sintetiza o resultado de mais de uma década de pesquisa sobre a chamada dramaturgia de ator – modalidade de criação teatral fundada na organização de repertórios físico-vocais do atuante.

 

Deste estudo foram desenvolvidos diversos espetáculos com a sua participação, como os solos “Agora e na Hora de Nossa Hora” e “Eldorado” (indicado ao Prêmio Shell 2009 como Melhor Ator), e “Chuva Pasmada” (em parceria com a atriz Alice Possani, do Matula Teatro, e baseado no conto homônimo do escritor moçambicano Mia Couto).

Confira a programação abaixo:

 

Dia 29/03 às 21h

Espetáculo “Eldorado” – Indicação Prêmio Shell Melhor Ator 2009

 

Dia 30/03 às 21h

Espetáculo “Chuva Pasmada” – em parceria com a atriz Alice Possani, do Matula Teatro

 

Dia 01/04 às 21h

Espetáculo “Agora e na Hora de Nossa Hora” – Solo Premiado no Festival Internacional de Teatro Dança de Agadir – Marrocos

 

SERVIÇO MOSTRA “REPERTÓRIOS DO CORPO”

Local: SESC Ribeirão Preto

Data: 29 e 30/03, 01/04.

Ingressos: R$ 2,50 a R$ 10,00

Informações: 16 3977-4477

www.sescsp.org.br

 


Espetáculo “Chuva Pasmada” no SESC Araraquara


O ator Eduardo Okamoto volta a Araraquara para apresentação única de seu novo espetáculo: “Chuva Pasmada” – em parceria com a atriz Alice Possani do Grupo Matula Teatro.

 

A apresentação será no SESC ARARAQUARA no dia 31/03 às 20h.

 

Serviço:

Espetáculo “Chuva Pasmada”

Local: SESC Araraqura

Data: 31/03/2011 às 20h

Ingressos: R$ 5,00 a R$ 20,00

Informações: 16 3301-7500

www.sescsp.org.br

 


Aicha Haroun Yacobi

 

O texto abaixo é parte do artigo “‘Ghita’, de Aicha Haroun Yacobi: uma dramaturgia do afeto”, que será públicado na próxima edição da Revista “Olhares,” da Escola Superior de Artes Célia Helena”. Assim que for publicado, uma versão também será disponibilizada neste site, na seção processos.

2008 é o ano da data; julho o mês. Acompanhei a realização do Festival Internacional de Expressão Corporal Teatro e Dança de Agadir, no Marrocos. Dois anos antes, eu conhecera a coordenadora do evento, a diretora e dramaturga Aicha Haroun Yacobi, em um festival de teatro na Espanha. Convidados a apresentar o solo “Agora e na Hora de Nossa Hora” no evento marroquino, ali estávamos, assim, a diretora do espetáculo, Verônica Fabrini, e eu aguardando a abertura do festival..

Horas antes do lançamento do evento, no entanto, um fato alteraria a sua realização: todas as cortinas de veludo que cobriam as grandes janelas de vidro da Sala da Municipalidade, onde aconteceria o evento, foram retiradas. Seriam lavadas, alegou-se à época. Difícil foi entender, num primeiro momento, o porquê da decisão da retirada da panagem na tarde de estreia de um dos principais eventos culturais da cidade. Por quê?

Depois, soube-se que havia mais motivos para a retirada das cortinas que o asseamento da sala: era difícil a aceitação de que um evento pudesse ser coordenado por uma mulher; que sob seu comando estariam muitos homens – técnicos e seus coordenadores, acompanhantes dos grupos convidados, motoristas, porteiros, bilheteiros, atores, diretores, equipes de limpeza, credenciamento e hospedagem e todos estes em diálogos com outros representantes de outras instituições (os patrocinadores e apoiadores, os homens da política, os demais artistas marroquinos).

Isso soubemos não só por conversas com Aicha e seus parceiros, mas também pela nossa própria vivencia em terras marroquinas – a experiência, diga-se, revela um aprendizado nascido do próprio ato de experienciar as coisas vividas e aí está um dos motivos de o teatro ainda se estabelecer como linguagem importante aos homens. Foi curioso perceber, por exemplo, que a diretora do espetáculo que eu apresentava tinha pouca voz entre os técnicos que montavam suas estruturas de luz e cenário e, não raro, foi preciso que eu, sendo um homem, repetisse as mesmas palavras acabadas de serem pronunciadas por ela (as mesmas com pequenas diferenças provocadas pelos erros de meu inglês não fluente) para que as suas decisões como responsável pelo trabalho ganhassem materialidade. Os técnicos pareciam, enfim, pouquíssimo interessados em atender às solicitações de mais uma mulher.

Sendo a sala de espetáculos sem paredes de alvenaria, mas inteiramente cercada por enormes janelas de vidro, a retirada dos panos colocava em risco a realização do evento – ou, pelo menos, a sua qualidade. Ora, estando em julho, pleno verão, o Sol punha-se depois das nove da noite, em Agadir, e, assim, os espetáculos, cujas apresentações estavam marcadas para às 19h, tinham prejudicados todos os seus efeitos de iluminação.

“Nada a fazer”, já lamentava eu, como as personagens de “Esperando Godot”, de Samuel Becket. Restava a aceitação de um fracasso.

Uma solução apresentada surpreendeu-me. Mais: já me revelava com maior profundidade a pessoa que eu aprenderia a admirar ainda mais nos dias (e anos!) seguintes: sem nenhuma discussão com os homens que haviam retirado as cortinas, Aicha propôs que os espetáculos tivessem suas sessões atrasadas em aproximadamente quatro horas! Em princípio, a solução parecia-me descabida: o evento estava divulgado em cartazes e na imprensa. Haveria espectadores pacientes o suficiente para aguardar tamanho atraso? Houve! Todas as sessões tiveram a capacidade total do teatro ocupada, com espectadores, inclusive, assistindo em pé aos trabalhos apresentados, na falta de cadeiras para todos. O atraso pareceu até mesmo criar um ambiente solidário que favorecia a fruição das obras – atores e espectadores imersos em uma dimensão comunitária.

Ali, não só reconheci que os artistas de teatro são fortes o bastante para enfrentar dificuldades. Isso já se sabe há muito. O que se revelava para mim eram as dificuldades e a inteligência de uma mulher marroquina que as vencia (todas elas!). Sem enfrentamentos diretos, aderindo aos obstáculos em vez de resistir a eles, Aicha permite que a própria dificuldade revele a potência da sua superação. Realizou, em Agadir, um lindo festival! E, em nossa partida, já tínhamos, eu Verônica e Aicha, olhos marejados de saudade. O que parece hostilidade, ensina ela em suas ações, pode ser também o princípio do novo: o inesperado.

Inscrições Abertas para Oficina “Dramaturgia do Corpo” com Eduardo Okamoto no TEPA

Dentro das comemorações dos 15 anos do Teatro Escola de Porto Alegre – TEPA – o ator Eduardo Okamoto ministra a oficina “Dramaturgia do Corpo”. O curso será realizado nos dias 14, 15 e 16 de abril.

As incrições já estão abertas!

Para mais informações: (51) 3221-7778 ou www.tepa.com.br

Para quem não conhece, O TEPA é um Centro de Produção, Pesquisa e Formação Cultural fundado em 1996. Desde então, tem produzido espetáculos que se diferenciam pelo valor artístico no panorama cultural do Rio Grande do Sul.

O TEPA viabiliza e apoia produções de espetáculos profissionais, montagens de conclusão de cursos de sua própria escola e atividades de cunho cultural, como o fomento a grupos de pesquisa em linguagens de estilo, eventos para empresas e produções ligadas ao cinema e à televisão.

Para saber mais, clique aqui.