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Encontro e Reencontros em Goiânia


Em Goiânia, a Mostra 10 ANOS POR UMA ESCRITA DO CORPO foi realizada em parceria com o V ENCONTRO DE ATORES-CRIADORES. Como sugere o nome do evento anual organizado pelo Teatro Ritual, a programação reúne artistas da cena, apresentando e dialogando seus trabalhos.

 

Como não poderia deixar de ser, a força de nossa programação na cidade esteve nos encontros. Antes de tudo, com o público: as apresentações foram quentes, com casa cheia. “Agora e na Hora de Nossa Hora”, que já havia se apresentado naquela cidade, teve espectadores que o reviram nesta nova oportunidade. Também houve relato de muitas pessoas que nos escreveram, depois, dizendo-se surpresos com o trabalho que acabaram de conhecer. “Eldorado” fez suas primeiras apresentações em Goiânia – igualmente com recepção calorosa. Houve ainda, além da sessão regular aberta a o público, uma apresentação especial de “Uma Estória Abensonhada” para alunos da rede pública estadual, com direito a sessão de autógrafos e fotos dos atores. A oficina realizada na Universidade Federal de Goiás contou com a presença de alunos e também de professores do curso de teatro.

 

Os encontros, no entanto, não pararam por aí. Pude rever grandes amigos, hoje trabalhando na região Centro-oeste do Brasil, sobretudo na Universidade: os amigos dos tempos de graduação na UNICAMP Kleber Damaso e Renata Lima; a professora Natássia Garcia; o grande Newton de Souza. As apresentações dos trabalhos, aqui, foram especiais. Porque, na platéia, contamos com a presença de pesquisadores que, além de pensarem continuamente a cena, acompanham meus processos de formação, de estudo e, alguns deles, até mesmo de vida.

 

Neste sentido, registro a especialíssima partilha de caminhos com o professor-mestre Newton de Souza. A atribuição de maestria a ele não é gratuita. Meu aprendizado com ele, aliás, ultrapassa em muito a titulação de Mestre que a academia lhe atribui. Para mim, Newton é mestre no sentido mais tradicional do termo: aquele que, através do oficio do teatro, contribui para que outros artistas menos experientes possam se lançar na direção de si mesmos. Considero que foi ao seu lado que me iniciei na linguagem teatral: primeiro diretor-professor, no Grupo Atrás do Grito de Teatro  – o nome do grupo como referência aos ensaios na região do Ipiranga, onde Dom Pedro II deu o famoso grito de independência do Brasil. Como um Projeto de Extensão da Universidade Paulista, o grupo reunia em seu elenco a comunidade acadêmica e comunidade externa a ela. Ali, eu fundei as bases que, ainda hoje, alicerçam o meu trabalho: o desenvolvimento de estudos teatrais amparados em Universidades Públicas; com amplo diálogo entre os trabalhos acadêmicos e o contexto em que se inserem através de projetos de Extensão Universitária; a certeza de que a dimensão técnica e estética da linguagem artística carrega em si uma outra, sócio-política; a insuperável conexão arte-vida. Reencontrar o mestre Newton (e são muitos que com ele se iniciaram no teatro e o tem neste grau de respeito) foi um grande presente.

 

É preciso reconhecer também que, numa cidade em que nossa mostra primou pelos reencontros, tivemos alguns desencontros. Foram muitas as dificuldades de produção e organização de nossa participação. Inicialmente, esperávamos que a Universidade nos recebesse como anfitriã do evento. Esperávamos inaugurar, com nossas apresentações, um novo Centro Cultural da instituição. Assim, esperava-se abarcar um de nossos objetivos no projeto: dialogar com pesquisadores teatrais de outros contextos, diversos daqueles que nos formaram.

 

Poucos dias antes do início de nossa partida para esta circulação, no entanto, soubemos que, por atrasos nas obras, a Universidade adiaria a inauguração do novo teatro.

 

Desta maneira, ficamos com pouco tempo para organizar uma nova estrutura e estabelecer novas parcerias. O Teatro Ritual que, por sorte, já planejava um evento para o mesmo período em que programávamos nossa passada por Goiânia, aceitou a empreitada de, em intenso ritmo de trabalho, incorporar nossa participação no ENCONTRO DE ATORES-CRIADORES.

 

A principal dificuldade foi a de conseguir pauta em uma sala de espetáculos que recebesse a contento os nossos trabalhos, com respeito às suas necessidades técnicas. Alocados no Teatro Yguá, do Centro Cultural Martim Cererê, pelejamos para adaptar os trabalhos àquela casa. O palco parecia pequeno, o pé-direito do prédio baixo para as necessidades de angulação dos equipamentos de iluminação. Aqui, mereceu destaque a ajuda inestimável da administradora do teatro, Dirce Vieira (poucas vezes vi uma gestora de espaço público tão apaixonada e comprometida com o seu trabalho!), e do técnico Stanley, que acompanhou nossas montagens. Com muita disposição, pulsão de criação, fita crepe e cabo de aço, deixamos tudo pronto para a chegada do público.

 

Goiânia, marcou-nos pelos reencontros! Nossa passagem por lá foi marcante porque, afinal, pudemos rever gente que, muito antes, já nos marcara muito!


Comentarios

3 Respostas para “Encontro e Reencontros em Goiânia”

  1. Dirce Vieira

    Olá Eduardo, como vai? Feliz 2011 pra vc. Só hoje entrei em seu blog e vi este texto, muito obrigada pela citação sobre mim. Quero te dizer que senti muito por não ter dado certo a vinda de vcs no festival de teatro “TeNpo”, mas espero não faltar oportunidade pra vcs virem aqui em nossa cidade. Um abraço pra vc e Dani. Dirce Vieira.

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