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13. Cinema e Situação de Rua: “Ônibus 174”

 

Esta é já a décima terceira postagem de “Agora e na Hora de Nossa Hora_18!”. Aproximamo-nos, assim, do fim das 18 publicações e das 18 sessões de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no SESC Pompéia – ambas as ações marcando so 18 anos da Chacina da Candelária.

 

Tenho apresentado as muitas influências que marcaram o processo criativo do espetáculo: filmes, textos, pensadores, discos. Aqui, apresento uma fundamental: o documentário “Ônibus 174”, de José Padilha.

 

O documento cinematográfico apresenta o célebre caso de Sandro do Nacimento, sequestrador de um ônibus no Rio de Janeiro e, anos antes, em 1993, sobrevivente da Chacina da Candelária. Assim, constitui um perturbador retrato da invisibilidade social a que a sociedade brasileira submete os meninos de rua e as circunstâncias em que esses mesmos meninos assumem o protagonismo da ação. 
 

Além de excepcionaol obra arte, o documentáio, depois, fundamentou a criação do primeiro longa de ficção de Padilha – “Tropa de Elite”. Foi na realização de “Ônibus 174” que o diretor entendeu que, se quisesse abordar o tema da violência urbana no Brasil, teria de estudá-la também do ponto de vista dos policiais. É aterrorizante, diga-se, como o documentário apresenta a polícia especializada em operações especiais: mal preparada, mal paga, mal equipada.  

 

Infelizmente não encontrei o trailer do filme em português.  Por isso, posto-o em sua versão em inglês:

 

 

 

É interessante também contrastar a obra de Padilha com a obra de ficção sobre o mesmo tema realizado por Bruno Barreto: “Última Parada 174”.  A propaganda do filme de Barreto sintetiza o ponto de vista da sua realização: “Quem não tem nada a perder, não sabe quando parar”. Para os realizadores do filme, os pobres são pobres de tudo – de dinheiro, de carinho, de afeto, de dignidade, de amor à vida. Sendo pobres, não têm nada a perder, sentencia a obra. Simplificando dessa maneira a complexa situação de rua, penso, perdemos nós.

 

 

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